quarta-feira, 17 de maio de 2017

Penny Lane e Strawberry Fields Forever - The Beatles - o melhor single de todos os tempos (?)






O single teve uma capa, algo raro na Inglaterra

O single que precedeu o álbum Sgt Pepper’s Lonely Hearts Club Band, com Penny Lane e Strawberry Fields Forever, mostrou que os Beatles já tinham passado além do álbum Revolver, que tinha dado um choque no mundo rock com  uma audaciosa produção que impôs um nível muito elevado para um ritmo que dois anos antes ainda cantava temas bobos executados sem maestria. Com Revolver parecia que os Beatles tinham chegado ao ponto mais alto de sua carreira. Decidiram não tocar mais ao vivo, o que poderia ser uma decisão fatal para uma banda de rock, houve muitas especulações na imprensa, especializada ou não. 


Filmado em dois dias, 30 e 31  de janeiro de 1967, em Knole Park, Seven Oaks, Kent County. Produção de Tony Bramwell, direção de Peter Goldman


No dia 17 de fevereiro de 1967 os agourentos tomaram novo susto, um single com duas novas e revolucionárias canções, ambas consideradas Lado A e logo chamado de o melhor single da História: Penny Lane e Strawberry Fields Forever. Esta segunda causou maior frisson por conter novas sonoridades e um arranjo climático que mesclava cordas e sopros, além de uma letra viajante através de campos eternos de morangos, a cara de John Lennon. No outro lado Penny Lane era a cara de Paul, produção limpa, canção melódica com reminiscências de Liverpool, a cidade natal da banda. Strawberry Fields também era nostálgica, soube-se mais adiante. Os dois maiores compositores de pop rock do século 20 tinham voltado aos tempos de adolescência, o que gerou especulações de que o novo álbum seria nostálgico, algo que nunca se cogitou, segundo Paul McCartney. Lançado por obrigação contratual, o single desfalcou o álbum de duas excelentes, se não as melhores, canções, já que a EMI não incluía singles em LPs para não fazer o fã comprar a mesma coisa duas vezes.





O single chegou ao primeiro lugar na América, mas ficou só em segundo no Reino Unido, onde um cantor inglês chamado Engelbert Humperdinck ficou seis semanas em primeiro lugar com uma canção country de 1949, Release Me. O produtor George Martin conta em sua autobiografia All You Need Is Ears, que se arrependeu de ter cedido duas canções tão fortes. Ele achou que seria melhor uma delas com When I’m Sixty Four, a outra canção do futuro álbum que estava pronta. Isto preservaria uma delas para o LP.

Strawberry Field

No dia 24 de novembro de 1966 os Beatles entraram no estúdio dois para dar início à gravação do sucessor de Revolver, que tinham finalizado em 21 de junho, cinco meses de intervalo. De 24 de junho a 29 de agosto fizeram a última turnê com datas na Europa, Ásia e América. Dispersaram no começo de setembro. John Lennon estreou como ator em How I Won The War, Paul McCartney  mergulhou na cena psicodélica londrina, George Harrison foi pra Índia estudar cítara com Ravi Shankar e Ringo Starr ficou com a família em casa no condado de Surrey. John apresentou a primeira música, um hino psicodélico composto nas semanas em que rodou o filme em Almeria, Espanha.


Portão do Orfanato pichado por fãs. Um deles acrescentou um "s" no final

O título, Strawberry Fields For Ever, é uma recordação de infância. Strawberry Field era um orfanato do Exército da Salvação para meninos e meninas na Beaconsfield Road, Liverpool L25 6DA, no subúrio de Woolton, onde também ficava a casa de Lennon no 215 da Menlove Avenue. Funcionou de 1934 a 2005. Tinha uma festa anual em que tocava a banda da entidade, que John adorava assistir. Era uma grande propriedade com um jardim mal cuidado que ele e os amigos Ivan Vaughan,  Pete Shotton e Nigel Walley invadiam para brincar. Quando compôs, John Lennon estava na fase drogada, especialmente o LSD, daí usou o orfanato como gancho para contar a história de campos eternos de morangos onde nada é real e onde não há com que se preocupar. Com tiradas pessimistas em “Viver é fácil com os olhos fechados, interpretando tudo errado você vê, está ficando difícil ser alguém, mas tudo se resolve, pouco me importa”. John explicou que o verso “Noone I think is in my tree” significava que ninguém estava na mesma sintonia que ele.




Em sua autobiografia, o produtor George Martin conta que ouviu John tocar a canção ao violão, achou muito bonita e já gravou uma base com Ringo na bateria, Paul no baixo, George e John nas guitarras. Parecia que estava bem encaminhada, mal sabia ele que a indecisão de John lhe daria um trabalho que se estendeu por sete longas sessões que foram até às vésperas do Natal.

O engenheiro Geoff Emerick conta em seu livro, Here There and Everywhere, My Life Recording the Music of The Beatles,  que ouviu uma conversa inicial de John e Paul com George Martin sobre serem, a partir dali, apenas músicos de estúdio que não se apresentariam mais ao vivo. Segundo Emerick, John disse: “Estamos de saco cheio de fazer música suave para pessoas suaves e de tocar para elas também. É um novo começo”. Paul emendou: “A gente não conseguia se ouvir no palco, então que diferença faz? Agora podemos gravar tudo que quisermos e não fará diferença. Queremos elevar o patamar, fazer o melhor álbum de todos os tempos”. Emerick disse que Martin não entendeu a princípio: Como assim fazer um álbum e não ir para a estrada divulgá-lo. John prosseguiu: "O que estamos dizendo é, se não temos mais que fazer turnês,  então podemos gravar músicas que nunca precisaremos tocar ao vivo. Isto significa que podemos criar algo nunca ouvido antes, um novo tipo de disco com novos sons." Martin logo entenderia quando John e Paul começaram a fazer exigências e mais exigências bastante desafiadoras para a tecnologia da época..


Strawberry Fields Forever - Mono mix


A primeira versão da canção tomou três sessões nos dias 24, 28 e 29 de novembro no estúdio dois da EMI, com muitos overdubs – a introdução por Paul num mellotron com o som de flauta, pianos, guitarras, bateria de Ringo em viradas com ênfase nos tom tons, maracas, baixo e a voz de John com dobra automática. Aparentemente pronta, foi deixada de lado para gravarem When I’m Sixty Four, canção de Paul.

No dia oito de dezembro, uma quinta-feira, John disse a Martin que desejava começar tudo de novo e que queria dele um arranjo para sopros e violoncelos. Na primeira sessão, estúdio dois, de 14h30 às 17h30, trabalharam em When I’m Sixty Four. Na segunda sessão, de 19h30 às 3h40 da madrugada, registraram a nova versão em 15 takes. A sessão foi comandada até 23h pelo engenheiro Dave Harries, porque George Martin e Geoff Emerick foram à première do filme Finders Keepers do astro inglês Cliff Richards, um bem sucedido genérico de Elvis Presley. Enquanto isso, George Harrison gravou percussão num tímpano e em bongôs. Os pratos de Ringo foram gravados e inseridos ao contrário, Mal Evans tocou pandeiro, fizeram dobras de guitarras, baixo e mellotron.  Martin e Emerick assumiram o resto da sessão e, ao final, tentaram mixar três quartos do take 15 a um quarto do take 24 para fazer o take 25, mas deixaram pra terminar no dia seguinte.

John Lennon e George Martin

Na sexta, nove de dezembro, numa sessão de 14h30 às 22h terminaram o take 25, reduzido a um canal da máquina de quatro canais. E partiram para mais overdubs. Ringo gravou uma levada vigorosa de bateria, George uma espécie de harpa de mesa indiana, swordmandel, mais dois pratos de Ringo inseridos ao contrário. No dia 15 de dezembro gravação de cordas e trompetes no brilhante arranjo de George Martin. Nos trompetes estavam Tony Fisher, Greg Bowen, Derek Watkins, Stanley Roderick. Nos cellos John Hall, Derek Simpson e Norman James. Ocupados os três canais, nova redução pro take 26 para gravar dois vocais de Lennon.

Fim? Não. No dia 22 de dezembro Lennon surge em Abbey Road pra dizer que gostava das duas versões e sugeriu a Martin e Emerick que juntassem o começo da primeira versão com o final da segunda. Martin respondeu que estavam em tons e tempos diferentes, por isso não dava. John: “Eu sei que você pode dar um jeito George,” e se mandou deixando a banana nas mãos dos dois, que começaram a espremer os neurônios. Ouviram as duas gravações mil  vezes e viram que se aumentassem o tempo da primeira e diminuíssem o da segunda corrigiriam a velocidade e a diferença de um semitom. Acharam o lugar de corte exatamente em 60 segundos da primeira versão, na palavra “going” do refrão “let me take you down cause I’m GOING to Strawberry Fields...”.


Engenheiro Geoff Emerick, George Harrison, George Martin

A edição era na base da gilette, exigia mão firme e precisão. Emerick conta que fez o corte num ângulo de menos de 45 graus para que a música não pulasse. John chegou altas horas e pediu pra escutar. Lá pelo meio perguntou se já tinha passado a emenda. Diante do "sim" de Emerick, disse o equivalente a “mandou bem Geoff”. Ouviu mais vezes exclamando “brilhante, absolutamente brilhante.”
Quer saber? Não acho, a voz dele foi acelerada e perdeu força. Basta ouvir o take 26 com a voz de John na velocidade normal para ver que sua interpretação era bem mais brilhante.

PENNY LANE


Clipe para televisão. Produção de Tony Bramwell, direção de Peter Goldman. Filmado nos dias 5 e 6 de janeiro de 1967. Locações: Stratford (Londres), Knole Park, Seven Oaks (Kent County), Liverpool (em data não revelada)

Paul McCartney conta em sua autobiografia, Many Years From Now,  que se inspirou na nostalgia de John para compor Penny Lane: “A gente estava sempre respondendo à canção do outro, então pode ser a minha versão de uma canção nostálgica. É uma reminiscência da infância. Havia um ponto de ônibus chamado Penny Lane e uma barbearia chamada Bioletti’s, com mostras de cortes na vitrine, então dei um toque artístico para dizer que era uma exposição de fotos de todos os que tinham cortado cabelos lá. Havia um banco na esquina, então imaginei um banqueiro com hábitos estranhos, que não usava uma capa na chuva e as crianças riam dele. O quartel de bombeiros ficava a uns 800 metros, já fora de Penny Lane, mas eu o coloquei ali porque precisava de uma terceira estrofe.” Paul colocou uma ampulheta na mão do bombeiro, disse que ele tinha um retrato da rainha no bolso e que gostava de manter seu caminhão bem limpo.  Havia um abrigo para esperar o ônibus que os locais chamavam de Rotatória Penny Lane, na esquina da Church Road com a Smithdown Road.


Instrumental com final por David Mason

Paul prossegue: “John e eu sempre nos encontrávamos em Penny Lane e era também onde eu trocava de ônibus para ir na casa de John. E onde vendiam papoulas [poppies] no Dia da Lembrança [11 de novembro dedicado aos mortos em guerras], eu e John comprávamos uma cada por um shilling a unidade. Os americanos entenderam que eram bichos de estimação [puppies], fantasiei que era uma enfermeira que vendia”. Paul conta que a contribuição de John foi o verso “Four of  fish and finger pie,” que se refere a uma porção de quatro shillings de peixe com batatas fritas, comida típica inglesa, e finger pie uma gíria de cunho sexual que se referia a tocar o sexo das garotas com a mão e/ou inserir os dedos na vagina. A gravação, em quatro canais, foi quase tão complexa quanto a de Strawberry Fields Forever, zilhões de overdubs e reduções para livrar canais e muitos instrumentos acabaram abafados pelo excesso de superimposições.




Vamos lá:

Estúdio dois – 29 de dezembro de 1966 – 19h às 02h15 – Só Paul MacCartney presente, ocupou três canais com piano, o primeiro normal, o segundo num amp Vox com reverber, o terceiro em velocidade reduzida. No quarto canal, harmonium.
Estúdio dois – dia 30 de novembro –  19h – 3h – Redução das gravações da véspera para um canal. Vocal de Paul, vocais de John com velocidade reduzida.
Estúdio dois -  4 de janeiro de 1967 – 19h - 2h45 – Piano (John) e solo de guitarra (George) num canal. Vocal de Paul noutro canal.
Estúdio dois – 5 de janeiro – 19h – 0h15 – Novo vocal de Paul substitui o do dia anterior. O restante da sessão na peça psicodélica Carnival of Light, de que falarei no post do álbum.
Estúdio dois – Seis de janeiro -  19h - 1h – Gravação de Paul (baixo), John (guitarra base e congas), Ringo (bateria) Nova redução com dois canais disponíveis. John e George Martin gravaram pianos e palmas. John, Paul e George vocais imitando instrumentos para indicar onde deviam entrar os sopros. Nova redução para livrar dois canais.
Estúdio dois – nove de janeiro – 19h - 21h45 – Gravação de quatro flautas, dois trompetes, dois piccolos, um flugelhorn. Músicos – Flautas - Ray Swinfield, P. Goody, Manny Winter e Dennis Walton. Nos trompetes Leon Calvert, Freddy Clayton. O escritor Mark Lewinsohn diz que os mesmos músicos tocaram os demais instrumentos, sem especificar quem tocou o que.




Estúdio dois – 10 de janeiro – 19h – 1h40 -  Gravação de efeitos e uma sineta tocada quando a letra menciona o bombeiro.
Estúdio três -  12 de janeiro – 14h30 – 23h – Gravação de dois trompetes, dois cornes ingleses e um baixo acústico. Trompetes por Bert Courtley e Duncan Campbell, oboés e cornes ingleses por Dick Morgan e Mike Winfield, baixo por Frank Clarke.
Estúdio dois – 17 de janeiro – 19h - 0h30 – Finalização com a cereja do bolo. Paul assistiu ao programa da BBC Masterworks com a Orquestra Inglesa de Câmara executando o Concerto de Brandenburgo Número Dois, de Johann Sebastian Bach,  se amarrou no trompete piccolo tocado por David Mason. Daí pediu a George Martin que contratasse Mason para fazer um solo na canção. Mr. Mason com a palavra: “Recebi um telefonema e fui ao estúdio com nove trompetes para escolher o mais adequado. O escolhido foi o piccolo em si bemol. Não havia partitura, então ficamos eu, Martin e Paul trabalhando, Paul fazia o que queria com a boca, Martin anotava e, finalmente, tivemos uma partitura. Gravei em dois takes.” Além do solo, David gravou umas frases no final, que acabaram entrando na primeira tiragem do single, enviada para divulgação em rádios. Depois este final foi cortado (pode ser ouvido no volume dois da coleção Beatles Anthology,  lançado em 18 de março de 1996).

That’s all folks.Bye.





Bibliografia
The Complete Beatles Recording Sessions e The Beatles Chronicle – Mark Lewisohn.
Here There and Everywhere – My Life Recording the Music of The Beatles – Geoff Emerick (foi lançado em português).
Many Years From Now – Paul McCartney with Barry Miles.
Revolution In the Head – The Beatles Records and the Sixties - Ian McDonald.
Penny Lane e Strawberry Fields For Ever – site The Beatles Bible – Tem boas informações sobre tudo dos Beatles, leio pra ter uma orientação geral do que devo incluir, mas prefiro usar os livros, já que os tenho. Pego dados sobre colocação nas paradas.
Lembranças de Lennon – Jan S. Wenner.
Tenho outros livros sobre a banda, mas usei só estes.

domingo, 7 de maio de 2017

Barão Vermelho passa o rolo compressor no Circo Voador


Fotos de Cleber Junior

Circo Voador, noite de sábado, grande expectativa. O povo esgotou os ingressos numa prova de confiança no Barão Vermelho, estreando novo vocalista, Rodrigo Suricato. A banda deu várias amostras do que ia rolar com músicas na Globo e numa transmissão direto do Estúdio 41, onde formataram a terceira encarnação da banda que estreou uma turnê chamada Barão Pra Sempre. Foi uma noite mágica, típica do Circo Voador, a lona onde a banda começou ainda no Arpoador. Uma plateia compacta e apaixonada pelo Barão, que cantou praticamente todo o setlist de 25 canções em uma hora e 48 minutos de encantamento. A energia que rolou ali dentro iluminaria uma pequena cidade, uma troca forte, espontânea, energizante, que fez todos saírem de lá – palco e plateia – diferentes de como entraram.


Rodrigo Santos, Rodrigo Suricato, Fernando Magalhães

Manda o manual que o crítico seja  implacável. Este nunca foi meu parâmetro desde que vi um sonho ser realizado nos anos 80: o rock ocupar o mainstream com uma geração consistente em que se destacava o Barão Vermelho, que vi novinhos, cheios de tesão, no mesmo Circo Voador. Era outra formação, mas o espírito é o mesmo. Rodrigo Suricato foi um Barão antes de sê-lo. Virtuoso na guitarra, fez solos lindos, seguro no vocal, se encaixou bem como caçula de uma banda de músicos cascudos com mais de 30 anos de estrada, contra seus “meros” 17. Ele e Fernando Magalhães se entrosaram muito bem, solando juntos e dividindo solos em várias músicas. Foi muito bom ouvir de novo o antológico solo do Fernando em O Poeta Está Vivo, um dos mais bonitos do Rock Brasil.


Guto Goffi

O concerto foi caprichado, com um apelo visual de belas projeções, algumas conceituais sempre nas cores, preta, vermelha e branca, que às vezes se projetavam em painéis laterais. Incluíram imagens das várias fases da banda, incluindo os que subiram ao plano espiritual, a quem o concerto foi dedicado: Cazuza, Ezequiel Neves e Peninha, o percussionista que teve seu nome lembrado também pela plateia e uma percussão sua incluída na abertura de Puro Êxtase. E Roberto Frejat, que deixou a banda seguir seu caminho e se dedica a carreira solo. No Facebook, Suricato dedicou o show a ele: “Não seria metade do artista que sou hoje se não fosse por ele.”


Ezequiel Neves e Cazuza (In  memorian)

A banda foi bastante criteriosa na elaboração do setlist. Todos os discos estão representados. Muita coisa ficou de fora ou o concerto seria a la Bruce Springsteen, mais de três horas de duração. E é bom ter cartas na manga porque é o recomeço de uma longa estrada com todas as opções em aberto, como me disse Guto Goffi. O Barão é uma banda que tem seus líderes na parte de trás do palco, Guto na bateria e Maurício Barros nos teclados. Foram eles que, em 1981, direto do Catumbi, recrutaram músicos para formar a banda. É bom que colegas fora da imprensa musical tomem conhecimento disso para não atribuir a liderança a quem canta, como sempre fazem.


Maurício Barros

Portões abertos às 22h, uma longa fila na porta, algo raro em concertos de rock no Circo. O povo vai chegando aos poucos porque sabe que os trabalhos começam na hora grande, meia-noite. A espera de duas horas passou rápido graças à maestria do DJ Marcelinho da Lua, um dos grandes do Brasil, que botou a plateia para dançar e até cantar com muitos sucessos, nacionais e internacionais. Quando se toca para um grupo de amantes de rock, mas de gosto eclético, como no Circo, esta é a fórmula certa. Muitos DJs por lá tocam como se estivessem numa Fosfobox da vida, com músicas para um público dirigido. Marcelinho acertou em cheio e não vi reclamações de que estava demorando a começar.


Rodrigo  Suricato

A banda deu maior ênfase aos três discos iniciais, de 1982 a 1984, com oito canções.  Entre elas o hino Down Em Mim, com inspirada introdução de Mauricio ao piano, Suricato soltou a alma e fez um belíssimo solo, mas faltou a parte final de piano, um grande  destaque do primeiro disco. Ponto Fraco, também do primeiro LP (ainda era vinil) veio depois de Pense e Dance, já da segunda formação, em 1988.


Rodrigo Santos

Soltei um "caralho!" Quando começaram Billy Negão, do primeiro álbum, uma de minhas favoritas, me jogou naquele começo. Num dos shows iniciais, que vi do palco no Circo (tinha um poleiro “vip”), cantei a música inteira e depois Guto disse que se admirou de eu saber a letra toda. É um puta rock. O início foi com Pedra Flor E Espinho, com Suricato mandando ver numa pedal steel guitar (sem pedal) com a banda entrando logo no modo máximo bem ao estilo clássico de sair emendando as músicas , como faziam nos Hollywood Rock, abertura dos Rolling Stones (1995) etc.


Fernando Magalhães

Maurício Barros cantou o blues Eu Não Amo Ninguém, algo que não fazia antes, e Rodrigo Santos interpretou Cuidado, uma boa diversificação de vocais que devia ser melhor aproveitada. Além do baixo, Rodrigo também foi MC, pedindo para bater palmas e atiçando a plateia, como se precisasse, 'tava todo mundo eufórico. Rodrigo apresentou o xará Suricato como novo integrante, que se emocionou.


Peninha (In memorian)

Gostei do resgate de Dignidade, de Rock’n’Geral (1987), um disco de transição com Frejat ainda se formatando como vocalista, é uma canção forte que foi pouco percebida. Na introdução, por Suricato, senti uma citação a Jimi Hendrix. Outro destaque é Menina Mimada, do segundo álbum, em que o Barão deu um salto de qualidade em relação ao disco de estreia e que também me valeu um embate com Cazuza por conta de um título infeliz da crítica que fiz do show pro Jornal do Brasil. E a homenagem a Cazuza com duas canções de sua carreira solo.  Um arranjo pesado fodaço para Brasil e O Tempo Não Para, que o Barão registrou no especial Balada MTV (1999). E que veio depois de O Poeta Está Vivo, do álbum Na Calada da Noite, lançado no mesmo mês, ou quase ou logo depois (não há registro exato), em que Cazuza fez a passagem em sete de julho de 1990. Onde estiver, com certeza recebeu boas vibrações desta extraordinária noite do Circo Voador. Barão Pra Sempre.



SETLIST - Zero hora
Pedra Flor E Espinho – Supermercados da Vida (1992)
Pense E Dance – Carnaval (1988)
Ponto Fraco – Barão Vermelho (1982)
Carne de Pescoço - Barão Vermelho 2 (1983)
Bete Balanço – Maior Abandonado (1986)
Dignidade – Rock’n’Geral (1987)
BIlly Negão - Barão Vermelho (1982)
Eu Queria Ter Uma Bomba – Balada MTV (1999)
Down Em Mim - Barão Vermelho (1982)
Enquanto Ela Não Chegar – Balada MTV (1999)
Meus Bons Amigos – Carne Crua (1994)
Quem Me Olha Só - Rock’n’Geral (1987)
Não Amo Ninguém – Maior Abandonado (1984)
Tão Longe De Tudo – Na Calada Da Noite (1990)
Por Você - Puro êxtase (1990)
Por Que A Gente É Assim - Maior Abandonado (1984)
Cuidado – Faixa Título (2004)
Menina Mimada – Barão Vermelho 2 (1983)
Declare Guerra – Faixa título (1985)
Brasil – Ideologia, álbum solo de Cazuza (1988)
Puro Êxtase - Faixa Título (1998)
Maior Abandonado -  Faixa Título (1984)
1h30
Bis 1h33
O Poeta Está Vivo - Na Calada Da Noite (1990)
O Tempo Não Para - Balada MTV (1999)
Pro Dia Nascer Feliz - Barão Vermelho 2 (1983)
1h48

sexta-feira, 5 de maio de 2017

Drenna e Baleia marcam boa presença no Rio Novo Rock



Drenna - Fotos de Cleber Junior

No Rio Novo Rock desta quinta no Imperator tive mais uma vez a certeza da sacanagem que é uma banda nova não ter seu devido lugar na música brasileira. A Drenna fez um show impecável, com muito punch, ótimo repertório e uma frontwoman, a própria Drenna, que incorpora mais uma grande voz feminina ao Rock Brasil. Contou no palco com o aval do Paralama Bi Ribeiro, que tocou baixo em Navego e Hoje Somos Um Só. A segunda banda, Baleia tem uma vocalista, Sofia Vaz, com problemas de dicção. Não entendi o que ela cantava, estava no poleiro, perguntei a quem estava embaixo e foi a mesma coisa. A banda é excelente, muito bem entrosada, um som poderoso nas canções rápidas, mas muito arrastadas nas lentas, o povo não arredou pé enquanto estava nas agitadas, mas começou a debandar nas lentas arrastadas.


Drenna

A Drenna tocou quase todo o repertório do recém lançado álbum Desconectar, em muitas delas Drenna  esbanjou sua potente garganta e solou bem na guitarra. Ela deixa o instrumento para se concentrar só na interpretação em algumas músicas. Seu guitarrista, Junior Macedo, é criativo nas intervenções. O baixista Bruno Moraes tinha seu instrumento bem audível e teve intervenções certeiras em muitas canções. O baterista Milton Carlos tem uma mão pesada com boas levadas em que usa bastante os pratos de condução e ataque.
Com a ajuda da dupla de tecladistas Lítio, Drenna fez uma leitura rock pesada de Roda Viva, de Chico Buarque, uma canção de protesto da época da ditadura. Drenna soube dosar muito bem lentas e rápidas, num show dinâmico  digno de qualquer palco com várias canções que poderiam ser sucesso se o mercado não estivesse contaminado por breganejos e afins, com rádios que só tocam se o artista pagar.


Bi Ribeiro e Bruno Moraes - Drenna

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Com a Baleia a história é diferente. As sempre citadas influências de Radiohead e Arcade Fire às vezes descambam para um Sigur Rós, o que dificulta a aceitação de uma certa faceta da banda, em músicas lentas, sem melodias agradáveis. É uma banda de muitos recursos, recorre a violino, guitarra e baixo tocados com arcos, efeitos nas guitarras, uso criativo dos teclados. É um som que nos 70 se classificaria de progressivo, agora vai do experimental ao mais assimilável. A banda não deve ter pretensões ao mainstream, deve ficar mesmo num nicho de mercado. Não que o repertório seja hermético, longe disso, mas faz um show que tem problemas de dinâmica e cansa a plateia. Na saída um amigo me perguntou se eu ainda estava acordado. Foi zoação,  claro, mas é uma reação que a banda provoca.


Baleia

Os arranjos são muito trabalhados. O guitarrista Gabriel Vaz toca guitarra e, em muitas músicas, toca percussão e canta, quando passa a guitarra para a vocalista Sofia Vaz. Muitas das canções arrastadas o tem no vocal. Ela tem uma emissão pequena, com problemas de dicção, o que dificulta o entendimento das letras.  O outro guitarrista, Felipe Pacheco, também toca violino, o que dá um toque mais pro jazz aos arranjos. O uso de arco no baixo de Cairê Rego enriquece a sonoridade de algumas canções. O teclado de David Rosenblit tem participação essencial com muitas intervenções enriquecedoras dos arranjos. O baterista João Pessanha se sai bem da tarefa de pontuar tantas variações sonoras. A Baleia existe desde 2010, me penitencio de não conhecer ainda a banda e passarei a acompanhá-la, bem como ouvir seus discos.


Sofia Vaz - Baleia

O Rio Novo Rock, dirigido por Paulo Lopez, é bimestral a partir de agora. Vem contribuindo de maneira real para dar palco para bandas pouco conhecidas. A edição deste maio foi muito boa, duas bandas entre as melhores da longa lista que por lá passou. A Drenna participou da primeira edição há três anos. Vida longa e próspera ao Rio Novo Rock.

Felipe Pacheco - Baleia

Setlist Drenna
Sabotagem
Anônimo
Ela vai chamar sua atenção
(Andar sozinho)
Odisseia
Retorno
Navego (part. esp. Bi Ribeiro)
Hoje somos um só (com Bi Ribeiro)
Alivio
Roda viva (Part. esp. Litio)
Entorpecer
Desconectar
Verdades

Setlist Baleia
Hiato
Duplo
Tarde
Volta
Breu
Véspera
Casa
Estrangeiro
My Country
Despertador
Motim
Noite

quarta-feira, 3 de maio de 2017

Nova formação do Barão Vermelho está arrasando

Fotos de Cleber Junior

Estive terça a noite no ensaio do Barão Vermelho no Estúdio 41, em Vila Isabel, e digo com toda certeza. O Barão nada perdeu com a saída de Roberto Frejat. Rodrigo Suricato é um substituto à altura e trouxe novas sonoridades para a banda e o mesmo peso. Eu o assisti tocar uma pedal steel guitar num novo arranjo para Pedra, Flor e Espinho que destaca também os teclados de Maurício Barros.  Em Quem Me Olha Só Rodrigo toca slide no violão Weissenborn e gaita, num arranjo muito bonito, e Fernando Magalhães sola.

Quem Me OLha Só

Suricato tem um timbre vocal menos grave que Frejat, mas está segurando muito bem os vocais. Ele me disse que está nos tons originais e que Frejat tinha baixado os tons. Ouvi gente palpitando no Facebook que o estilo folk dele ia descaracterizar o Barão. Nada disso, a porrada tá comendo. O líder da banda, Guto Goffi,  me disse que  está sentindo uma grande expectativa, todo mundo na base do qual é, o que já deve ter começado a se dissipar com a participação nesta terça no Programa de Fátima Bernardes. Só o que vai pegar é estarem acostumando com a voz de Frejat, mas mesmo isso se diluiu porque o Barão está há muito tempo longe da estrada.


Rodrigo Suricato, Rodrigo Santos (baixo) e Guto Goffi (bateria)

Eles fizeram a gentileza de tocar um pocket ensaio pra mim, não quiseram entregar tudo pra não estragar as surpresas para o primeiro show da nova formação, marcado para sábado no Circo Voador, a casa onde começaram, ainda no Arpoador. Guardaram até o setlist preu não ver. Rodrigo Santos vai cantar uma no show, achei pouco, ele desenvolveu bem a voz na carreira solo e banda com dois vocalistas é muito legal. Tocaram no Modo Ensaio e tá bom pra caralho, no Circo cheio vai ser Modo Show, duas vezes e meia o que ouvi.

Fernando Magalhães

Estão ensaiando há um mês direto. Rodrigo Suricato disse que levou um tempo para entrar na vibe, contou que enquanto isso não aconteceu ficou meio perdido, mas agora estava super confortável,  chegou a pensar num polimento, mas sacou que funciona assim, meio sujo, é Barão Vermelho, um acervo impecável de canções, algo como entrar pros Rolling Stones, guardadas as devidas proporções. 

Guto Goffi

Mauricio disse que ele chegou com o repertório decorado, até com músicas que ele, Maurício, fundador da banda com Guto, não lembrava. Suricato falou que tocou muito este repertório com outros músicos. A vibe dos cinco está muito boa, Rodrigo Santos empunha um baixo Rickenbacker do mesmo modelo que Paul McCartney usava nos Beatles, Fernandão com meu set favorito, guitarra Les Paul plugada num Marshall, uma Strato como alternativa. Rodrigo Suricato as mesmas guitarras e uma pedaleira enorme, Maurício com vários timbres nos seus teclados.


Maurício Barros

Quando Cazuza saiu em 1985, Frejat teve que aprender a cantar, o que não fazia antes, e se tornou um dos maiores vocalistas do Rock Brasil. Rodrigo Suricato não tem esse problema na voz e na guitarra graças aos 17 anos de estrada. A terça foi cansativa para eles. Acordaram cinco da matina para ir para a Globo participar do Encontro com Fátima Bernardes, que cortou Pro Dia Nascer Feliz no meio. Quando cheguei estavam atendendo Fábio Judice pro RJ TV. Depois de uma pausa e de abater alguns sanduíches, voltaram para o estúdio. 


Rodrigo Santos

Eis as músicas que tocaram. Algumas tem arranjos parecidos como antes, só que não,  Suricato tem um estilo diferente de Frejat e imprime sua marca. O setlist completo tem 25 músicas.
-  Pedra Flor e Espinho
- Pense e dance – Faz falta a percussão do falecido Peninha. Guto disse que, por enquanto, não haverá percussionista, a banda está numa fase de reencontro com o público e o mercado. Mais tarde pode ser, como agora é Barão Pra Sempre, todas as opções estão em aberto.
- Carne de Pescoço – Fernando e Suricato mandam bem nos solos.
- Eu Queria Ter Uma Bomba
Quem Me Olha Só – Suricato slide no violão Weissenborn e gaita, mais na direção folk da banda Suricato, Fernando sola.
Down Em Mim – Arrepiei nesta, me projetou para algum show no Circo em 1982. Belíssima intro de piano de Maurício, Suricato solta a alma no vocal e faz um puta solo.

sexta-feira, 14 de abril de 2017

Call The Police faz concerto devastador no Vivo Rio


Rodrigo Santos, João Barone e Andy Summers - Fotos de Cleber Junior

Devastador o concerto na noite desta quinta do trio Call The Police, Andy Summers (guitarra), Rodrigo Santos (baixo e voz) e João Barone (mega bateria). Vivo Rio lotado, plateia acima dos 30 anos sentada em mesas até a segunda metade, quando vieram os grandes sucessos do Police e virou festa rock. A pulsação que vinha do palco era irresistível, Barone parecia ter quatro mãos estraçalhando um kit bem maior do que usa nos Paralamas,  com tambores quase 360 graus, me lembrou Neil Peart (Rush). Tocou em pé algumas vezes para percutir os tambores atrás dele, incluindo um surdo (ou seria um tímpano?) em Invisible Sun.


Rodrigo Santos
 Rodrigo firme no baixo e vocalizando no timbre de Sting, alto como o Himalaia, e segurou bem, só desceu a oitava em alguns momentos, muitos shows sem intervalos de dias, não descansou a voz. Andy Summers disse numa das entrevistas que achava engraçado por estar, de certa maneira, fazendo cover de si mesmo, tocando Police com outros músicos. É um instrumentista maravilhoso, seleciona timbres para cada solo e varia nas levadas em total intimidade com sua Stratocaster vermelha e branca com alavanca. Foi  melódico em Tea in Sahara e frenético em Driven To Tears. Sombrio em Invisibile Sun, canção climática de atmosfera carregada.


João Barone com as cores da capa do álbum Synchronicity, do Police, no bumbo

O principal em Andy é sua descontração nas canções, solto para fazer o que quisesse, não enfaixado como no Police. Usou até pouco a levada reggeada típica da banda, dedicando-se a criar climas para cada canção, enquanto Rodrigo segurava a base e Barone, atrás dos dois, tocava uma das maiores performances que já vi dele  nos 35 anos em que acompanho os Paralamas do Sucesso. Me lembrou um show que eles fizeram na gravadora EMI quando Herbert estava voltando a tocar e foi tão estrondoso que Lulu Santos, lá presente, exclamou “que tesão filha da puta”. E foi com este tesão que Barone tocou, do alto de seus mais de 30 anos de experiência. Stewart Copeland, do Police, foi sua grande influência, ele já tem seu próprio estilo há décadas, mas reproduziu algumas características do mestre como bater várias vezes no aro da caixa com as baquetas,  as viradas de ataque para pontuar os solos de Andy. Viradas rapidissimas, toques vigorosos nos pratos de ataque, enfim uma performance pra baterista nenhum de rock botar  defeito.


Andy Summers

O concerto durou 1h27m com o mesmo setlist das quatro apresentações anteriores. Onde eu estava, lado esquerdo da plateia, a guitarra estava mais baixa que a bateria, muito bem microfonada, depois foi corrigido aos poucos. Começou com Synchronicity II, a visão cáustica de Sting sobre a rotina do cidadão comum, família desarticulada, rotina sufocante e a milhas dali algo se move num lago escocês (Loch Ness?). Banda aquecendo ainda, música exige da voz de Rodrigo, ele vai bem. Walking On The Moon, o primeiro coro de io io io, Rodrigo saúda o Rio, Andy diz que é bom estar aqui de novo em inglês e “mucho feliz” em quase português. Palmas convencionais, palco e plateia ainda se conhecendo.




Driven To Tears o clima esquentou. Andy mandou ver nos solos, alternou solo e bases rapidíssimas pontuadas  pelos ataques de Barone e a pontuação de Rodrigo. Primeiro grande momento do show, plateia reage. Spirits In The Material World parecido com o disco, Andy fez um solo lírico com timbre agudo. Hole in My Life, Andy com um timbre mais grave, grande solo na região aguda do braço da guitarra, povo aplaude.




Tea In Sahara. Momento mais belo da noite, levada lenta com solo leve e lírico, propício a um por do sol no deserto, Barone e Rodrigo em perfeita sintonia, já era o quinto show (Sampa, Ciudad del Leste em Paraguai, Belzonte, Porto Alegre e neste sábado o último em Teresópolis).  So Lonely, povo começa a levantar e a responder aos pedidos de coro de Rodrigo, levada rápida, tá esquentando, Rodrigo se empolga e berra “I feel so lonely”. A seguir uma porrada, sem solo Next To You, bem legal, mas acaba logo e deixa gosto de quero mais.




Aí vem Roxanne, uma prostituta sendo resgatada da suposta vida fácil por um cara que se apaixonou por ela, levada reggae pontuada pelos io io ios que o povo adora repetir, Andy faz arpejos na guitarra, Barone arrebenta, para, fica baixo e bateria, Andy volta para a levada reggae. Belo momento.  Every Breath You Take, plateia se entrega de corpo e alma, abandona as mesas apertadas e canta com Rodrigo este deslavado desabafo sobre um amor que vazou e deixou o personagem na merda, tema bem gasto, mas com uma grande melodia.




De repente aportou no ambiente uma Message In  A Bottle, o cara perdido que manda uma mensagem de socorro, o povo levanta e pula e a banda encerra a primeira parte. 23h01. Claro que tem bis e não tarda. Can’t Stand Losing You, tema parecido com Every Breath, emendado com a instrumental Regatta de Blanc num longo número com solos, viradas, coro da plateia, tudo a que se tem direito. Apoteose in da house. Pra finalizar Every Little Thing She Does Is Magic (será a mesma musa das anteriores? Who Knows? Who cares?), o que interessa mesmo é que foi o encerramento perfeito. 23h18.




Povo grita “Barone, Barone” e “Rodrigo, Rodrigo,” os dois voltam para atender aos gritos de “mais um”, mas Andy não aparece. Que pasa? Andy, a la Elvis, has left the building? Para ele valeu o que estava escrito no set list. E Zé Fini. Rodrigo falou “queríamos tocar mais uma, mas vamos respeitar”. E se respeitou. Ninguém vaiou a ausência de Andy. E nem podia, ele serviu do bom e do melhor a noite inteira. 23h30.





SETLIST
Synchronicity II
Walking on the Moon
Driven to Tears
Spirits in the Material World
Hole in My Life
Invisible Sun
Tea in the Sahara
So Lonely
Next to You
Roxanne
Every Breath You Take
Message in a Bottle
Bis
Can’t Stand Losing You/Reggatta de Blanc
Every Little Thing She Does Is Magic

OS. Esta foi a terceira temporada com Andy.  Méritos para Rodrigo e seu empresário Pedro Paulo, que tomaram a iniciativa e bancaram as turnês de 2014 e 2015, com a bateria a cargo do grande Kadu Menezes e a participação, numa parte consagrada ao repertório do Barão Vermelho, de Fernando Magalhães. Esta teve a maior repercussão, um repertório só de Police e a presença de João Barone, totalmente identificado com a banda de Andy. 2017?