domingo, 31 de maio de 2015

John Bonham faz 67 anos




31 de maio.
John Henry Bonham (1948-1980) faz 67 anos hoje. Para mim o maior baterista do rock. Na época rolava a acalorada polêmica se o maior seria ele ou Keith Moon. Os dois são gênios e lendas, mas eu não gostava do estilo de Moon, com viradas o tempo todo, preferia as levadas de mão pesada de Bonham, que virava quando necessário, sabia quando intervir para acrescentar e deixar sua marca numa música. Achava o som do Led Zeppelin como um todo mais integrado que o do Who por conta do estilo de Bonham, que também sabia ser veloz como Keith Moon, mas usava nos solos quando achava necessário. 





John Bonham teve a mesma causa mortis de Jimi Hendrix, afogou-se no próprio vomito. No dia 24 de setembro de 1980 o Led Zeppelin ensaiou até de noite para uma turnê americana que começaria em 17 de outubro. A caminho do ensaio, Bonham parou num bar para tomar "café da manhã", que consistiu de 16 doses de vodka de quatro em quatro. Depois do ensaio foi todo mundo pra sua casa onde ele entornou muito mais e apagou. Levaram-no pra cama e, quando foram acordá-lo na tarde do dia seguinte, estava morto. A autópsia constatou que ele bebeu 1,4 litro de vodka num período de 24 horas.

Houve boatos de que seria substituído mas, no dia 4 de outubro de 1980, a banda anunciou seu fim: "A perda de nosso querido amigo e o profundo sentimento de indivisível harmonia que sentíamos nos levaram a decidir que não poderíamos continuar do modo como éramos."

Bonham se profissionalizou aos 16 anos. Chegou a ser aprendiz de carpinteiro com o pai. Não era bom aluno, um professor certa vez escreveu em seu boletim: "Ele vai acabar sendo faxineiro ou milionário." 


Quase que Bonham não entra pro Led Zeppelin. Ele esteve em duas bandas com Robert Plant antes, a Crawling King Snakes e a Band of Joy. Uma vez a Band of Joy abriu pro cantor americano Tim Rise, que se amarrou em Bonham e o convidou para a banda que o acompanhava. Bonham topou por motivo financeiro. Em meados de 68, Jimmy Page, que era dos Yardbirds, procurou músicos para completar a banda que tinha perdido o vocalista Keith Relf e o baterista Tim McCarthy. Ficou só o baixista Chris Deja. Page chamou Plant pro vocal e este sugeriu Bonham. Page o viu tocar num show de Tim Rose e concordou em chamá-lo.






Aí Bonham ficou na dúvida. Tinha convites para tocar com Joe Cocker e com Chris Farlowe. Enquanto não se decidia foi bombardeado com oito telegramas de Plant e 40 de Peter Grant, empresário dos Yardbirds. Depois de muito pensar decidiu-se: "Achei a música deles melhor do que a de Cocker e de Farlowe." 




Na primeira turnê do Led na América, Bonham conheceu o baterista da banda Vanilla Fudge, Carmine Appice,  que o apresentou às baterias Ludwig, que passou a usar. Suas baquetas eram as mais pesadas, ele as chamava de Árvores (Trees).



Enquanto isso o baixista Chris Deja jogava a toalha, decidiu ser fotógrafo e saiu da banda. Com isso perdeu a chance de ser do Led Zeppelin para sorte de um talentoso músico de estúdio chamado John Paul Jones. Ele soube da vaga e falou com Page, que o conhecia pelos anos em que os dois trabalharam como músicos de estúdio. Fechada a formação, cumpriram as datas já marcadas como The New Yardbirds e mudaram de nome para Led Zeppelin. Peter Grant conseguiu um adiantamento de 143 mil dólares da gravadora Atlantic e eles gravaram o seu primeiro álbum. Como dizem, o resto é história.


quarta-feira, 27 de maio de 2015

Exagerado, de Cazuza, ganha versão re-colour 3.0 por super banda



Liminha (baixo) e Dado Villa Lobos (guitarra)

Gentes, estou numa confusão mental com a versão Re-Colour 3.0 do hino Exagerado, gravado originalmente por Cazuza no primeiro disco solo dele em 1985 pelas mãos competentes de Liminha, João Barone, Dado Villa-Lobos e Kassin que recebi ontem e ouvi uma caralhada de vezes. Primeiro foi o impacto de ver aquela voz marcante que ouvi tantas vezes ao vivo embalada num  emaranhado de efeitos eletrônicos igualmente exagerados.

O gancho da versão é o 30º aniversário do lançamento da música, título do primeiro álbum solo dele. Partre da renda vai para a Sociedade Viva Cazuza, mantida por Lucinha Araújo para crianças soropositivas.

 
João Barone


João Barone diz que é uma homenagem a Cazuza, tudo bem, são pares dele da mesma geração, embora nenhum tenha tocado com ele. Liminha explica no making of: "O que  a gente fez com essa versão foi trazer para 2015”. Mexer  num clássico para renová-lo, ainda mais a música consenso que mais o define, e não apenas a ele mas ao parceiro Ezequiel Neves, mas não ao discreto outro parceiro, Leoni?


Não seria uma falta de respeito? 'Tá, sou xiita com essas  coisas, chato pra cacete com releituras à revelia (tou falando pra cacete, mas você pode ouvir aí e tirar suas conclusões). Lembro de algumas recriações de Satisfaction, com aval dos Stones, de Raul Seixas, póstumas, pela filha  dele Vivi Seixas, são as que me ocorrem agora. Nenhuma ficou melhor que o original.

Vá lá que a versão original não tem a mesma densidade das músicas dele no Barão, é um rock mais pro pop com músicos profissionais que não tocaram ao seu lado o suficiente para criar uma nova personalidade musical pra ele. Assim que ele saiu do Barão o álbum solo foi a toque de  caixa para o mercado, enquanto o Barão se recolhia para reformular-se (briguei muito com ele  por causa disso, mais uma vez xiita, porque acho que rock é com banda).

Sim, mas e daí? Tá, vamos lá. Em primeiro lugar a levada de João Barone, ficou escondida, embolada na mix em meio às sucessivas camadas de programações. Será porque no original a bateria está na frente? Não sei, liguei pro Liminha, passei e mail, passei recado pro João Barone e silêncio.


 





No making of se ouve num pedaço com mais nitidez o violão no canal esquerdo e mais adiante a discreta guitarra de Dado Villa Lobos, mais nitidamente o baixo de Liminha. Kassin colocou um sequenciador, sinos tubulares, um solo e frases de synth, um som que parece quexada no canal direito e em pan no final Quando se acostuma depois de umas 10 audições fica mais palatável, o maior pecado mesmo é Barone escondido.

 



O texto ficou meio morde e assopra né? Fui muito envolvido com o Barão e com ele em acompanhamento jornalístico, não em amizade pessoal, daí ficar meio dividido com essa revisão, principalmente por ele não estar mais entre nós para aprová-la. E talvez fazer um novo vocal. Enfim, o material está aí e cada um tire suas conclusões.

terça-feira, 26 de maio de 2015

Montanha Russa e The Outs sacodem o Meier nesta quinta

Nesta quinta as bandas Montanha Russa e The Outs tocam na 11ª edição do Imperator Novo Rock, que leva novas bandas ao Imperator, no Meier. Yeah, Meier Rocks. Desta vez Montanha Russa e The Outs, vi vídeos das duas no UTube, mas prefiro ver ao vivo antes de falar delas. Nos intervalos a DJ Priscila Dau e o VJ Luciano Cian mandam ver.

 


Está rolando uma explosão de bandas novas de rock pelos bares e outros palcos do Rio num clima que me lembra o começo da Geração 80 do Rock Brasil que acompanhei desde o começo. A cena rola nos bares Saloon 79, Durangos, Sinuca da Bambina, Bukowski, Bar do B, na Casa da Matriz e em outros locais.

Só que agora com um algo a mais. Uma união no coletivo A Cena Vive, nome oficial #acenavive, com mais de 100 bandas só do Rio que se ajudam mutuamente, contam com o apoio fundamental de um estúdio, a Toca do Bandido, do grande Tom Capone, já falecido, um grande músico e produtor rock que deve estar aplaudindo a rapaziada de  onde estiver.

 


Conheço apenas parte dessas bandas e me impressiono com a maturidade de várias delas, com trabalhos sólidos e  prontos para o mercado, uma ponta de lança para fazer Luans e similares chegarem pra lá e abrirem caminho. Entre as que já ouvi Facção Caipira e Folks são favoritas, Canto Cego idem, esta já está a caminho do mercado via Warner, com produção de Marcelo Yuka.

A gravadora Universal vai lançar um selo de rock, a princípio apenas digital, com direção artística de Miguel Afonso, ainda em fase de prospecção de bandas. Importante que gravadoras eventualmente interessadas se conectem com A Cena Vive e com Felipe Rodarte, o catalisador do coletivo, em vez de ficar, como já aconteceu várias vezes, inventando bandas sem lastro que chegam a lugar nenhum.

Imperator Novo Rock - Quinta, 28 de maio às 20h no Imperator - Centro Cultural João Nogueira - Rua Dias da Cruz, 170 - Méier. Ingressos a 10 reais  a inteira e cinco reais a meia (quem levar um quilo de alimento paga meia). Haverá uma votação para a escolha da banda favorita do público que tocará no primeiro aniversário do projeto em 30 de julho.

segunda-feira, 25 de maio de 2015

Rolling Stones estreiam turnê em San Diego







 Os Rolling Stones começaram a turnê Zip Code 2015 na noite deste domingo no estádio Petco Park, de San Diego, Califórnia. Abaixo o setlist com os comentários de Mick Jagger. Ao contrário do concerto surpresa de quinta no Fonda Theatre, onde tocaram a íntegra do álbum Sticky Fingers, desta vez foram apenas quatro canções desse disco que será relançado em junho (vide post abaixo).

MC- Vocês estão prontos para os Rolling Stones? Eles estão prontos para vocês.
Fogos. Keith Richards no telão faz a introdução de...

1. Jumping Jack Flash
2. It's Only Rock 'n' Roll
Muito obrigado San Diego! Muito bom estar aqui de novo! Este é o primeiro show da Zip Code 2015 e estamos felizes de começar aqui.
3. All Down The Line
4. Tumblin' Dice





 

Obrigado! Gostei disso - é bom estar de volta a Petco Park, fomos a primeira banda a tocar aqui quando mudaram para este nome em 2005. A equipe do Petco tem sido maravilhosa conosco...Forneceram todo o bufê dos bastidores.  Gostei da galinha e da carne de antílope enlatada, Keith adorou o sabor empadão e Ronnie Wood a ração para tartaruga, mas acho que ele agora se recolheu ao seu casco. Vamos tocar esta agora...
Att. A Petco,que patrocina o estádio, é fabricante de rações para animais, daí a brincadeira de Jagger.
5. Doom & Gloom

Vamos tocar algumas músicas de Sticky Fingers. Não o álbum todo que tocamos  há duas noites em Los Angeles e acho que nos safamos bem...Vamos contar com a preciosa ajuda de Gary Clark. Venha Gary! Ele fez uma ótima abertura hoje. Vamos fazer esta chamada...
6.Bitch (com Gary Clark Jr.)
Gary Clark Jnr! Obrigado Gary!
Vamos desacelerar um pouco. Outra canção de Sticky Fingers. Muito bom estar aqui no fim de semana do Memorial Day - sei que há muitos homens e mulheres das Forças Armadas aqui. Muito bom tê-los aqui. Esta se chama...
7.Moonlight Mile
Obrigado San Diego! A última de Sticky Fingers, por enquanto pelo menos...
8.Can't You Hear Me Knocking
Fantástico! Quase jazz. Obrigado a todos aqui de San Diego. Nós colocamos algumas canções para vocês votarem em uma e só sabemos o vencedor agora, quando aparece na tela...
9. Street Fighting Man (escolha da audiência)
Todo mundo se sentindo bem?  



10. Honky Tonk Women
Muito obrigado, vocês são muito gentis. Queria apresentar uma linda mulher, a minha amiga senhorita  Lisa Fischer nos vocais. Junto com o senhor Bernard Fowler, no saxofone Tim Ries! No sax tenor Karl Denson, ele é de San Diego! No baixo Darryl Jones! Nos teclados Chuck Leavell! Na guitarra o senhor Ronnie Wah Wah Wood! Na bateria, ele tem surfado esses dias aqui, Charlie Watts! Na guitarra e agora vocal Keith Richards!
Keith: Boa noite San Diego!  Muito bom estar de volta, já faz um tempo. Esta é de Steel Wheels e se chama
11.Slipping Away
Keith: …É antes de Before They Make Me Run! Velhos hábitos são difíceis de vencer...
12.Before They Make Me Run

Estamos nos divertindo muito aqui em San Diego, é tão bonito, não sei porque alguém iria querer sair daqui como The Charges (time de futebol americano que está em San Diego desde 1961 e vai se mudar para Los Angeles).
13. Midnight Rambler
14. Miss You
15. Gimme Shelter
16. Start Me Up
17. Sympathy For The Devil
18. Brown Sugar
Muito obrigado San Diego, vocês são realmente maravilhosos, boa noite!
BIS
19. You Can't Always Get What You Want (com parte do Coro do Conservatório Bob Cole)
Obrigado - Fantástico, San Diego!
20. Satisfaction



sexta-feira, 22 de maio de 2015

Turnê americana dos Rolling Stones começa domingo



Mick Jagger e Keith Richard no Fonda Theatre quinta 20 de maio

Os Rolling Stones começam no domingo a Zip Code Tour que os levará a 15 cidades americanas de 24 de maio a 15 de julho com folgas de dois a seis dias pros velhinhos se recuperarem. A estreia será  no Petco Park de San Diego, Califórnia. Como escolheram tocar em estádios e a preços bem salgados, na noite de sexta-feira ainda havia ingressos para a estreia e para os demais concertos. O grande guitarrista de blues rock Gary Clark Jr. vai abrir em San Diego às oito da noite. Como estão lançando uma nova versão do álbum Sticky Fingers, de 1971, a banda tocará a íntegra do álbum na turnê, mas não na ordem do disco. Jagger disse que será na ordem do cartucho de oito canais lançado na época. 





Um concerto surpresa de esquentamento aconteceu na quinta-feira no Fonda Theatre para 1.200 fãs enlouquecidos por poder ver a banda de perto e ao preço de apenas cinco dólares por pessoa. O show ficou em segredo até o meio-dia de quinta, quando foi anunciado e os ingressos se esgotaram em segundos. Os cambistas se deram bem e alguns fãs pagaram de  US$ 1 mil a US$ 10 mil  para ver a banda.

Os Stones são conhecidos por cobrar preços altos em suas apresentações. O estádio Petco Park, de San Diego, tem capacidade para 42.445 pessoas. O ingresso mais caro, perto do palco e grudado na passarela que avança pela pista, custa a bagatela de US$ 4483 e ali na vizinhança por US$ 2483. No lugar mais alto da arquibancada, de frente pro palco, custa US$ 217 o par de ingressos (no site não tem individual), na arquibancada lateral direita US$ 262 por duas entradas. Na parte de baixo, logo depois das áreas mais caras, há par de cadeiras a US$ 465 e US$ 381.

 





Dia oito de junho vai pra rua a nova edição de Sticky Fingers em sete formatos com versões alternativas de várias canções do álbum. Eles anteciparam duas delas: Bitch, com letra modificada em versão longa com solos arrasadores de Keith Richards (Mick Taylor toca violão) e Wild Horses, sem o solo e frases de guitarra da versão lançada. Nas edições de luxo há uma Brown Sugar com Eric Clapton na guitarra e ainda faixas ao vivo filmadas no lendário Marquee Club em 1971.

Este do Marquee vai ser lançado na íntegra em DVD no dia 22 de junho. O engenheiro de som Glyn Johns conta em seu livro Sound Man que a gravação correu normalmente por uns 40 minutos e aí deu uma parada para Keith afinar o violão de 12 para Wild Horses. Keith sentou na beira do palco e começou a afinação. Glyn ouviu aquilo por uns cinco minutos e depois silêncio. Foi ver se Keith estava pronto e o viu na mesma posição com a cabeça baixa. Adormecera.

 
Setlist do concerto de quinta no Fonda Theatre. Rock Me Baby é homenagem a B.B. King e Can't Turn You Loose é de Otis Redding



Aí Mick Jagger decidiu que tinha acabado e todo mundo começou a desmontar tudo, o publico foi embora.  Uma hora depois, quando Glyn conversava com Jagger e Charlie Watts, começaram a ouvir de novo a afinação do violão. Keith acordara e ficou espantado quando não viu mais ninguém. Outra de Keith nesse dia foi que chegou atrasado e deixou o carro no meio da rua com a porta aberta. Daí engarrafou tudo e um policial puto entrou no teatro para mandar alguém estacionar o bloody car, além de aplicar uma multa.

 



Veja aqui os diversos formatos da edição de Sticky Fingers

terça-feira, 19 de maio de 2015

Trilhas de novelas, prós e contras para música brasileira








A trilha sonora das novelas globais vem melhorando gradualmente com músicas como essa A Noite, de Tiê, tema da Mari de Bruna Marquezine em I Love Paraisópolis. Em Sete Vidas tem regravações de What A Wonderful World (Louis Armstrong), esta como abertura, e Blowin In The Wind (Bob Dylan) e ainda Ligia (Tom Jobim), Pais e Filhos (Legião Urbana), Cássia Eller (All Star). Muitas vezes já rolavam boas músicas, mas pouco expostas e as piores muito expostas. Tem esse jogo também. Em Alto Astral, Tudo Sobre Você, uma pérola  pop de Zelia Duncan apareceu pouco por ser tema de uma personagem secundária, Bia Martins (Raquel Fabbri). Zelia teve a abertura de Alto Astral com Alma, de 2001, uma fase superada no trabalho dela, já bem mais adiantado. É o tal negócio, é uma boa divulgação, mas quebra a linha atual de trabalho do artista.

Tanto em Babilônia quanto em Paraisópolis tem Caetano Veloso, Maria Bethania, Cazuza, Zizi Possi, Nana Caymmi na das nove. Como não estou acompanhando não sei a exposição, mas a dupla de frente Camila Pitanga (Regina) e Thiago Fragoso (Vinicius) tem dois bons temas de MPB Sabe Você (Leila Pinheiro) e Sonhos (Caetano Veloso).




Trilhas de novelas continuam sendo a maior divulgação para um artista e há uma longa história em torno disso que rendia polêmicas. As gravadoras cediam as músicas para as trilhas das novelas, eram inseridas nos discos lançados pela gravadora da Globo, a Som Livre, que vendia  milhares e milhares de cópias. Daí os discos originais dos artistas ficavam em segundo plano, uma  divulgação que funcionava às avessas em muitos casos para os discos originais.

Nem sempre, porque as gravadoras cediam músicas de suas prioridades, que seus vendedores ofereciam prioritariamente às lojas,  em detrimentos de outros artistas não prioritários. Podia render shows se fossem suficientemente expostas na novela, nem tanto ou nada se ficassem escondidas. Os direitos autorais também eram menores do que o que o artista recebia no disco de carreira.

A grande popularidade das novelas no tempo em que  não havia a diluição de audiência para a internet e emissoras a cabo fazia com que o mercado girasse em torno das trilhas. Expostas nas novelas, as músicas se popularizavam, as rádios iam atrás e as vendagens idem. 




A poderosa máquina de divulgação da Globo direcionava a divulgação nacional nas rádios e o gosto dos telespectadores. Isso causou um grande prejuízo artístico para a música brasileira, com as portas da radiodifusão e dos programas musicais da TV fechadas para um trabalho mais sofisticado. Houve casos em que qualidade e divulgação andaram juntas, como, por exemplo, quando o trabalho de bandas de rock como Paralamas do Sucesso e Legião Urbana estiveram na trilha das novelas.

Depois que adotaram o critério da música popularesca em nome da ascensão do poder de compra das classes C e D, a qualidade desandou de vez. A maioria silenciosa não tem um aparato intelectual para filtrar seu consumo cultural. As más condições do ensino público e de condições econômicas restringem a presença nas escolas e a leva ao mercado de trabalho de baixa qualificação. O resultado é aceitação de uma música com alto grau de redundância, daí gravadoras e artistas popularescos fizeram a festa. E continuam fazendo, mas já com sinais de brechas para a ascensão de uma música de melhor qualidade. A ver.

segunda-feira, 18 de maio de 2015

Scalene merece vencer a temporada 2015 do Superstar

 
Gustavo Bertoni (de madrugada não tinha da banda toda no site do programa)
Por mim Scalene é o vencedor desta temporada do Superstar. Neste domingo foram as bandas do Paulo Ricardo, as que me interessam por ser rock e, como assisti todos, não vejo em outras modalidades quem esteja à altura desta excelente formação de Brasília. São bons de composição, de arranjo, de execução, muito bem entrosados e já tem três discos no currículo para mostrar que tem fôlego para uma carreira. Apresentaram a canção Danse Macabre, de seu primeiro álbum, Real/Surreal, inspirado no assassino em série da ficção Dexter, o que explica versos como "(...) Prometo suprir o vazio que consome o que resta de ti. A incerteza é forte, cortante, sem cessar. Sou o começo e o fim, verdadeiro e ruim." O arranjo começa contido e explode com Gustavo Bertoni (guitarra e voz) seguro tanto na interpretação mais contida, como mostrou também da vez passada, quanto na explosão quase gutural, quando a banda apresenta uma espessa massa sonora. Havia dois tecladistas no fundo do palco reforçando o som do quarteto que, além de Gustavo, tem o irmão Tomas Bertoni (guitarra), Lucas Furtado (baixo) e Philipe Makako (bateria e vocal).

Esta semana os jurados receberam o reforço de convidados que também opinam sobre os concorrentes e dão mais dois pontos para a cotação de cada um. Eriberto Leão, que encena um musical sobre Jim Morrison, fez uma engajada participação em que cobrou mais  "dedo na ferida" das novas bandas e arrematou: "O rock'n'roll é a esperança do Brasil." Frase dita num momento em que uma nova geração de rock dá as caras com disposição de partir pras cabeças.


A piada do dia foi Thiaguinho dizer que o lema dele é "ousadia e alegria." Caraca  moleque, ô cara ousado este menino. Sandy brincou com sua mancada da gaita beat box ao confundir baixo com guitarra e Paulo Ricardo deu um chega pra lá nela em defesa da Big Time Orchestra. Sandy lamentou que eles tocaram  Meu Erro, dos Paralamas do Sucesso, e não uma música autoral e Paulo disse que muita gente nunca compôs e fez carreira como Frank Sinatra, João Gilberto e Elvis Presley. Vi reclamações no Face de que alguns desses tem composições, mas não é a regra na carreira deles. Na verdade nem sei se tem, teria que pesquisar.



Clipe da música apresentada pelo Scalene


A gatona Rafa Brites é a apresentadora revelação deste ano em minha opinião e há semanas venho imaginando se isso não provocaria ciúmes em Fernanda Lima. Ontem Rafa mal apareceu, não teve comentários de espectadores que é o papel dela e nem ela com as bandas. Estou dando uma de site de fofocas aqui, mas espero que não sufoquem a Brites, que tem se saído muito bem. Fernanda Lima é daquelas pessoas que, quando vai a algum lugar, o ego chega duas horas antes.


Na hora de salvar uma das três formações com menor pontuação, Paulo Ricardo salvou a Scambo uma banda entrosada que apresentou a autoral janela, uma composição mediana com interpretação idem. Moondogs mereceu a eliminação, não sei há quanto tempo existem, não achei isso no site deles, mas se são antigos então são ruins mesmo. A justificativa de Paulo Ricardo para não salvar o Tianastácia foi furada, de que já são superstars, e tem longa carreira. Como bem disse o Marcelo Hayena (banda Uns e Outros) no Facebook "então porque raios deixaram os caras entrarem?" Melhor banda das três, foi discriminada também pela Sandy, que não lhes deu os seus sete pontos porque já são consagrados.


Stereosound com um samba rock funk se destacou mais pela letra que perguntava se o que eles tocavam era samba. Na verdade um híbrido que achei sem graça. A Falange cantou em inglês, o que não gosto para bandas brasileiras. Não há a menor chance para eles de uma carreira no exterior porque não tem estofo para isso e seu único destaque é um bom entrosamento vocal. Como eram todas bandas de Paulo Ricardo, ele forçou a barra na defesa. Disse que Beatles e Stones também começaram gravando covers, só que estas bandas deram um senhor upgrade nas regravações, a anos luz da capacidade da Falange. 


A Supercombo, a quem Paulo Ricardo deu a pomposa avaliação de ponte entre o tropicalismo e a geração Y pra mim ficou mais para Z de zero com sua versão de Epitáfio, uma canção que não se presta a tanta animação por se tratar de um melancólico balanço de vida. Difícil pensar em animação quando se canta coisas como "devia ter amado mais, ter feito o que eu queria fazer", etc.

Além de Eriberto Leão, os demais convidados incluíram Dado Villa Lobo, que está lançando sua biografia, e Rodrigo Suricato, da melhor banda da edição passada. Semana que vem são as bandas da Sandy.







sexta-feira, 15 de maio de 2015

B.B. King nasce para a vida eterna dos gênios da Arte



Blues Boy King - 16/9/1925 - 14/5/2015


Celso Blues Boy  brincou uma vez que a morte estraga qualquer fim de semana. E eu rebati - principalmente pra quem morre. A morte de B.B. King aos 89 anos estragou o meu. Só mesmo a dama da foice poderia parar Blues Boy King e sua Never Ending Tour, que continuará ad aeternum ao lado de tantos gênios do condomínio blues rock do astral. Celso deve ter sido um dos primeiros a abraçá-lo, já que adotou seu nome e teve a merecida honra de tocar e gravar ao seu lado.


B.B. King, Eric Clapton, Robert Cray, Jimmy Vaughn, Robert Randolph, Johnny Winter e outros. Crossroads Festival, 2010

Um de seus discípulos, Eric Clapton, divulgou um vídeo em homenagem ao mestre, disse que ele era como um farol guia de todos que amam o blues, inspirador de sua geração para criar o blues rock na Inglaterra e levar a música dos mestres negros para receber o devido reconhecimento na América, onde esses gênios viviam relegados pelo racismo. Eric gravou com ele o álbum Riding With The King, lançado em 9 de junho de 2000, em que mestre e discípulo se integram numa obra prima. No vídeo Eric recomenda o álbum B.B. King Live At The Regal como uma de suas principais influências quando era um jovem, guitarrista. O álbum, gravado no Regal Theatre de Chicago, foi lançado em 1965 e é considerado um dos maiores da história do blues. Eric arremata: "Não restam muitos que tocam o blues em sua forma pura como ele."





No documentário Rattle and Hum, o U2 presta uma bela homenagem a B.B. King, inspirada por uma passagem dele por Dublin, quando  a banda foi assisti-lo. A canção se chama When Love Comes To Town, o filme mostra B.B. e a banda numa sala, Bono canta a música pra ele e B.B. diz que os versos são "da pesada." Numa passagem de som, B.B. sola, pergunta se está bom assim, Bono ri e pergunta se ele está brincando. B.B diz que é muito ruim com acordes e Bono fala que ele pode deixar isso com Edge, que conhece todos eles. 





B.B. tinha a simplicidade dos verdadeiros gênios, para ele estava bom demais ter sido colhedor de algodão no estado do Mississippi na década de 30 no Sul fortemente racista e conquistar uma vida artística que lhe permitiu correr o mundo incansavelmente ano após ano. Sua casa era o planeta, já que fazia não menos de 200 shows anuais. Em 1988 ele bateu a marca de 300 shows. Mas o recorde foi no distante 1956, 342 shows.





Sua guitarra de fé, um modelo especial adaptado da Gibson ES-355, a última de uma linhagem de muitas, sempre batizadas de Lucille, deve repousar também para a eternidade em algum museu, parceira de uma  carreira de 43 álbuns de estúdio, de Singin' The Blues (1957) a One Kind Favor (2008). E 16 ao vivo, de Live At The Regal (1965) a Live At The Royal Albert Hall (2012). Material farto para inspirar muitas gerações de guitarristas.

Em 1970 ele ganhou o Grammy por The Thrill Is Gone e sucessos não  lhe faltam, entre eles You Know I Love You, Woke Up This Morning, Please Love Me, When My Heart Beats like a Hammer, Whole Lotta Love, You Upset Me Baby, Every Day I Have the Blues, Sneakin' Around, Ten Long Years, Bad Luck, Sweet Little Angel, On My Word of Honor, Please Accept My Love.

Valeu muito Blues Boy King.


Leia o factual aqui: http://oglobo.globo.com/cultura/musica/morre-aos-89-anos-guitarrista-compositor-bb-king-lenda-do-blues-16165416

quinta-feira, 14 de maio de 2015

U2 lança turnê Innocence + Experience com 70 shows em arenas na América do Norte e Europa





O U2 começa hoje em Vancouver, Canadá a turnê Innocence + Experience que levará a banda a 20 cidades na América do Norte e Europa para um total de 70 shows. A má repercussão do lançamento do album Songs of Innocence, bem mais xingado que elogiado pela crítica, não afetou a popularidade dos irlandeses. Só há ingressos para nove datas, mesmo as marcadas para novembro estão esgotadas. O U2 desta vez toca  só em arenas, lugares de no máximo 20 mil pessoas, uma experiência mais íntima do que estádios. 




Se vierem ao Brasil em 2016 já estarão no ano em que comemoram 40 anos de banda. Começaram em 1976 em Dublin, República da Irlanda. Como se trata de arenas, cada cidade terá pelo menos dois shows, com mais apresentações em cidades maiores. Em Nova York serão sete no Madison Square Garden (18.200 lugares), de 14 a 31 de julho, com ingressos disponíveis apenas para duas delas, nos dias 30 e 31. No The Forum (17.505 lugares) de Los Angeles serão cinco shows e só há ingressos para dois deles. Os preços variam de 45 dólares para lugares ruins a até 1207 para platinum tickets, no Madison Square Garden de 45 a 280 dólares, varia em cada lugar.  Tem uns pacotes Vips  e super Vips cheios de frescuras que variam de merchandising exclusivo, lugar nas 15 primeiras filas,  entrada exclusiva, visita aos bastidores, festa antes do show etc. Uma delas em Los Angeles custa US$ 2.510 para um casal com uma diária de hotel, traslado e demais frescuras. Pruma pessoa só custa US$ 1.385.



O palco tem uma enorme passarela que ocupa quase todo o  espaço da arena, com plateia de pé nos lados direito e esquerdo e nas laterais bem perto do palco. Nas cidades com mais de dois shows, a banda faz dois seguidos e descansa dois ou três dias antes de fazer mais dois seguidos. O vocalista Bono, 55 anos, sofreu uma severa queda de bicicleta em novembro que lhe quebrou o braço e a omoplata esquerdos, teve que fazer cirurgia para implantar três placas de metais com 18 parafusos (isso em queda de bicicleta, se fosse de moto acho que não sobrava nada). Resta saber como reagirá aos rigores de uma cansativa turnê com shows de duas horas. No setlist em média sete músicas do disco novo mais grandes e médios sucessos, alguns podem ficar de fora. Bono disse que o setlist, em torno de 20 músicas, é dinâmico, com, um entra e sai de canções.

quarta-feira, 13 de maio de 2015

Let It Be, dos Beatles comemora 45 anos

O derradeiro álbum dos Beatles saiu em oito de maio de 1970, há 45 anos e a estreia do filme em Londres foi no dia 11 de maio, com o mundo ainda sob o impacto do anúncio do fim da banda,  feito por Paul McCartney em 10 de abril.  Publiquei este post no Jam Sessions em ,quando o álbum fez 40 anos.  Como nada mudou desde então (claro) tá valendo.

 

 

 O álbum Let  It Be foi lançado em 8 de maio de 1970, encerrando a brilhante carreira dos Beatles. O projeto Get Back, nome original de Let It Be, nasceu de uma concepção de Paul McCartney para remendar as fissuras sofridas na produção do álbum branco, quando os quatro gravaram muitas de suas partes individualmente, sem a presença dos demais. 

John, o mais inquieto, tinha planos para uma carreira solo com seu novo amor, Yoko Ono, com quem faria três álbuns experimentais, além dos singles Give Peace A Chance, reflexo de um engajamento político que duraria anos, e Cold Turkey, sobre o uso de heroína, droga que consumia na época. Desinteressado dos Beatles, declarou em entrevistas que encarou os últimos dois anos como apenas um trabalho. Disse que não estava mais a fim de fazer a mesma porcaria de sempre (porcaria???!!!).

 


George Harrison estava em alfa. Mergulhara fundo na filosofia oriental do Maharishi Mahesh Yogi e na cítara, em aulas com o mestre Ravi Shankar, mais interessado em meditação e destruição do ego do que nos Beatles. Ringo Starr foi flertar com o cinema, participando dos filmes Candy e The Magic Christian, mas ainda interessado em manter a banda. Paul McCartney era o único empenhado nos Beatles e queria levá-los de volta aos palcos, mas esbarrou na intransigência de John e, principalmente, de George, que lembrava com horror os anos em que eram jogados de um lugar para outro, confinados em hotéis e tocavam para garotas histéricas indiferentes às músicas apresentadas.




Paul então concebeu o projeto Get Back, uma volta aos princípios básicos dos primeiros anos. Gravariam ao vivo em estúdio com câmeras que documentariam tudo para um especial de TV. Depois de álbuns de produção complexa de 1966 a 1968 estava na hora de ser simples, na esperança de retomar o espírito original.

Os outros toparam e, no dia 2 de janeiro de 1969, começaram a ensaiar nos estúdios cinematográficos de Twickenham para as câmeras do diretor Michael Lindsay Hogg, que acabara de filmar o documentário The Rolling Stones Rock’N’Roll Circus, do qual John Lennon participara. Logo desgostaram do ambiente frio do estúdio, das sessões começarem às oito da manhã e rolaram muitas brigas. No dia 10, George foi embora, saindo do grupo. 




Voltou dia 14 com a condição de não se fazer nenhum show ao vivo, como Paul insistia. Logo desistiram de filmar em Twickenham e decidiram gravar nos estúdios da Apple em Saville Row, onde um picareta chamado Magic Alex prometera um estúdio de 72 canais que não se concretizou, mais uma de muitas roubadas da banda na época. Com equipamento emprestado da EMI trabalharam até 31 de janeiro, incluindo o show no telhado.

As gravações tiveram a presença ao piano e órgão de Billy Preston, velho conhecido de George, que o recrutou pra ver se o clima melhorava no estúdio com alguém de fora presente. Funcionou. Houve mixagens até abril, algumas versões do álbum pelo produtor Glyn Johns recusadas e o projeto foi deixado de lado. Eles acharam que o material fraco para seus padrões, engavetaram e foram gravar um último álbum, que viria a ser Abbey Road.

  

 
Em março de 1970, depois de Abbey Road ter sido lançado e feito grande sucesso, o projeto Get Back foi retomado, já com Paul e John rompidos por discordâncias quanto à administração da Apple. Com o apoio de George e Ringo, John contratou o lendário produtor Phil Spector, criador da wall of sound, para salvar o que chamou de “um monte de bosta com uma gravação de merda e de pouco valor.” Phil colocou orquestra, corais, juntou falas do terraço com gravações feitas em estúdio para dar aparência de espontaneidade, usou algumas ao vivo do concerto no terraço e Let It Be foi lançado em 8 de maio de 1970, pouco menos de um mês depois de Paul ter anunciado o fim dos Beatles à revelia dos demais. John, que desejava sair desde o ano anterior, ficou putérrimo e virou inimigo de Paul por alguns anos.

Em 2003, foi lançado Let It Be...Naked, com as canções como se pretendia na época, mas faltam os diálogos que davam um molho a Let It Be. Também foi incluída Don't Let Me Down, que saíra apenas em single. E foram limadas Dig It e Maggie Mae, ou seja, as que Lennon teria usado para sacanear Let It Be, a canção (explicações abaixo).




 O disco faixa a faixa

TWO OF US 

 


Paul McCartney a compôs num dos muitos passeios com Linda Eastman fora de Londres. O casal saía na base do “Vamos nos perder”. Não olhavam as placas e seguiam em qualquer direção, daí o verso “Two of us going nowhere.” Nos ensaios, a canção recebeu um arranjo agitado com guitarras nervosas, mas acabou prevalecendo uma versão acústica bem ao clima dos passeios que a inspiraram.

John e Paul tocam violões, George guitarra e Ringo bateria. O assobio no final é de John, enquanto Paul fala "We're going home. You better believe it. Good-bye". O verso que fala em “chasing papers, getting nowhere” é atribuído aos problemas financeiros da banda na época.

Num dos ensaios, John e Paul interromperam para cantar “Bye Bye Love”, dos irmãos Don e Phil, a dupla vocal americana Everly Brothers, em quem se inspiraram para criar seus vocais. Em Let It Be a música começa com uma fala de John: “I dig a pygmy by Charles Hawtrey and the Deaf Aids – Phase one in which Doris gets her oats.” Charles Hawtrey era um ator inglês de comédias. Deaf Aids era o apelido dado aos amplificadores Vox usados pelos Beatles. Dóris deve ser uma invenção, comendo sua aveia.

DIG A PONY




Canção de John gravada ao vivo no terraço do prédio da Apple em 30 de janeiro de 1969, na última apresentação ao vivo da banda. É uma fusão de duas canções de John, Dig A Pony e All I Want Is You, feita para Yoko Ono. A letra nonsense fala em “celebrate anything you want”, “penetrate any place you go”, “imitate everyone you know” etc. Na versão de Get Back do engenheiro Glyn Johns a música tinha a introdução com as guitarras e o baixo em uníssono, Paul cantava “All I want is..." e John começava a cantar. No final, John e Paul cantavam juntos “All I want is you...” e terminava com um “Yes I do,” de John com voz engraçada. Este começo e final foram cortados por Phil Spector, mas ele manteve o falso começo em que John fala “One Two Hold it!” para Ringo apagar o cigarro. Ao final, quase inaudível, John fala "Thank you brothers, hands too cold to play the chords." No documentário, vê-se um assistente agachado segurando a letra numa prancheta para John colar. Como todos, ele sofreu com o frio do inverno durante a apresentação.

ACROSS THE UNIVERSE
 




Gravada nas sessões do álbum branco em quatro de fevereiro de 1968. Paul tocou piano, John violão e guitarra solo, George cítara e tamboura e Ringo tontons e maracas, tudo passando por caixas Leslie para dar um clima espacial que combine com o tema da canção. No coro original estavam a brasileira Lizzie Bravo e a inglesa Gayleen Pease, parte de um grupo de fãs plantonistas do lado de fora do estúdio para ver os Beatles, conhecidas como Apple Scruffs (As Malas ou Pentelhas da Apple numa tradução livre), nome criado por elas mesmas.

John e Paul achavam que a canção precisava de um reforço vocal e Paul chamou as duas. John cedeu a canção para um LP do Fundo Mundial de Defesa da Vida Animal, com acréscimo de sons de pássaros e de uma ligeira acelerada na rotação. Como a música apareceu no filme Let It Be, John decidiu incluí-la no disco. Daí Phil Spector baixou a rotação, removeu os pássaros, a cítara e a tamboura para colocar a orquestra e coro com a mesma formação de The Long And Winding Road e no mesmo dia, primeiro de abril de 1970.

No Let it Be Naked, a canção ganhou uma versão crua para dar destaque ao impecável vocal de Lennon. A letra reflete o período em que John tomava LSD como se fosse água. Daí imagens como “words are flowing out like endless rain into a paper cup.” O coro “Jay Guru Deva Um” reflete o envolvimento na época com a filosofia oriental do guru Maharishi Mahesh Yogi, com quem estiveram na índia antes das gravações do álbum branco. A frase quer dizer “Eu agradeço ao Guru Dev,” o professor do Maharishi. O Um é referência ao mantra “oooohm,” que coloca o praticante em sintonia com o pulsar do universo.

I ME MINE





Esta valsa de George Harrison mereceu um comentário ácido de Lennon, de que os Beatles eram uma banda de rock. Foi a última vez que os Beatles entraram em estúdio como banda em três de janeiro de 1970, menos John, de férias na Dinamarca. A canção não foi gravada nas sessões de 1969, mas no filme entrou uma sequência em que George a cantava ao violão, acompanhado por Paul e Ringo enquanto John e Yoko dançavam, daí a necessidade de lançá-la na trilha sonora.

Foi gravada numa sessão de 10 horas, a partir de duas e meia da tarde, em 16 takes, com George na voz guia e violão, Paul no baixo e Starr na bateria. O 16º take foi considerado melhor, daí recebeu a voz definitiva, vocais, piano elétrico, órgão, guitarras e outro violão, tudo com uma duração de um minuto e 13 segundos. Nos dias dois e três de abril de 1970, quando estava finalizando o disco, Phil Spector colocou uma orquestra de 32 músicos e aumentou a duração para dois minutos e 26 segundos editando a versão gravada.

A letra refere o envolvimento de George Harrison com estudos orientais, falando da supervalorização do “eu” na cultura ocidental em contraposição à filosofia oriental de anular o ego. Em Let It Be Naked, a orquestração incluída por Spector foi suprimida, mas permaneceu a duração estendida.

DIG IT





Improviso de estúdio com duração total de 12 minutos e 25 segundos, reduzida para 50 segundos em Let It Be, o trecho de oito minutos e 52 a nove minutos e 41. Entra com fade in e acaba com a frase “That was Can You Dig It? by Georgie Wood, now we’d like to do Hark The Angels Come” e emenda com “Let It Be”. Neste trecho John cita o FBI (polícia federal americana), a CIA (agência americana de espionagem), a BBC (estatal britânica de rádio e televisão), o guitarrista de blues B. B. King, a cantora americana das antigas Dóris Day e Matt Bubsy, escocês jogador e administrador do time de futebol Manchester United.

A canção foi gravada em 24 de janeiro de 1969, da qual se aproveitou apenas a fala de John citada acima. A segunda vez, em 26 de janeiro, forneceu o trecho incluído em “Let it Be”. A expressão “Dig it?” (Sacou?) era muito usada na época. Paul toca piano, John e George guitarras, Ringo bateria e Billy Preston órgão.

Georgie Wood era um anão inglês de vaudeville caracterizado de criança, daí a voz fina que John usa. “Hark the angels come” parece se referir à canção natalina “Hark the Herald angels sing/ (…) Come all ye faithful.” Dizem as más línguas que John colocou esta fala no final de “Dig It” e mandou emendar com Let It Be porque se irritara com a conotação católica da canção de Paul, com quem estava brigado.

LET IT BE




A base desta canção foi gravada no dia 31 de janeiro de 1969, dia seguinte ao concerto no terraço. O 27º take, considerado o melhor, foi retomado pela banda no dia 30 de abril quando George gravou uma nova guitarra. John tocou baixo, Ringo bateria e Paul se dividiu entre piano, voz, maracas, vocal (com George) e o convidado Billy Preston ao órgão e piano elétrico. Esta foi a versão lançada em compacto. Para a versão final do álbum, em quatro de janeiro de 1970 George fez um solo com distorção, entrou um naipe de sopros com dois trompetes, dois trombones e um sax tenor e alguns violoncelos.Os acréscimos de 30 de abril “traíram” a declarada intenção de fazer tudo ao vivo. No take 25 Lennon fala no final "you bounder, you cheat” (safado, trapaceiro). Mas a verdade é que usaram vários overdubs. Na versão Naked, lançada em 17 de novembro de 2003, os sopros e cellos foram limados e o órgão tocado por Preston aparece bem mais. A canção ganha em beleza, na minha opinião.
Paul contou que a letra nasceu de um sonho com sua mãe, Mary, morta quando ele tinha 14 anos, tranquilizando-o sobre o período difícil que ele estava vivendo, com os conflitos internos da banda e a desorganização geral dos negócios . Daí ela lhe disse que se acalmasse, que deixasse estar (let it be) que tudo iria dar certo. Ele colocou na letra “Mother Mary,” que também poderia se referir à Nossa Senhora, mãe de Jesus, daí a interpretação religiosa de muitas pessoas. A letra ajuda, com o verso “When I find myself in times of trouble, Mother Mary comes to me, singing words os wisdom, let it be."

MAGGIE MAE




Esta canção curta que encerra o lado A do disco, se refere a prostitutas. Maggie é uma gíria inglesa para as profissionais do sexo e a desta canção foi condenada por roubo, o que a tirou da Lime Street, uma rua de Liverpool onde praticam o ofício. Foi gravada no dia 24 de janeiro de 1969, entre takes de Two Of Us, com John e Paul nos violões, George na guitarra e Ringo na bateria.

Os Beatles tocavam esta canção desde os primeiros dias em Liverpool e sempre a usavam para “esquentar” antes das gravações junto com muitas outras. Nesta mesma sessão, tocaram, entre outras, Save The Last Dance For Me (The Drifters, 1960), Blue Suede Shoes (Carl Perkins, 1956), Not Fade Away (Buddy Holly, 1956 e sucesso dos Rolling Stones em 1964) e Shake Rattle And Rock (Joe Turner, 1954). John canta no canal esquerdo e Paul no direito, ambos com vozes engraçadas.  Dizem as más línguas que John a colocou depois de “Let It Be também por implicância.”

LADO B 

I’VE GOT A FEELING
 




Gravada no terraço da Apple em 30 de janeiro de 1969. Foi a sexta música, os Beatles a repetiram mais adiante, mas valeu a primeira. Uma canção impecável que mostra como os Beatles podiam render ao vivo e como estavam em grande forma, com todos em seus papéis originais. É uma fusão de duas canções: I’ve Got a Feeling, da primeira parte, é uma declaração de amor de Paul para Linda Eastman, dizendo que ela era a mulher por quem sempre esperou. Everybody Had A Hard Year, de Lennon, entra no meio com ele no vocal e reflete suas dificuldades da época, a separação de Cynthia Lennon, as críticas por seu envolvimento com Yoko Ono, que tivera um aborto, o vício de heroína, uma prisão por posse de maconha, as dificuldades com a banda. Estas coisas não são citadas na letra, mas estão embutidas. No final Paul fala “Oh, my soul...” Rolam aplausos e gritos e John manda “So hard.” A guitarra solo de George está no canal direito, John no esquerdo. No final, Paul canta no lado esquerdo e John no direito.

ONE AFTER 909





Gravada no terraço da Apple em 30 de janeiro de 1969. Esta é uma das primeiras canções de Lennon, escrita em 1957, pouco depois de Paul entrar para sua banda, os Quarrymen. John contou que havia muitas canções sobre trens na época e ele também fez a sua. Paul contou que ele e John saíam da aula e iam para sua casa onde compunham canções, a maioria nunca gravada pelos Beatles. Os Beatles a registraram em cinco de março de 1963 nas sessões do LP With The Beatles, mas a canção ficou inédita até Let It Be. Nos dias 28 e 29 de janeiro, os Beatles ouviram a primeira gravação e a tocaram no estúdio, mas valeu a do terraço. A guitarra solo de Lennon está no canal direito, o piano de Preston idem. Ao final, John cantarola a canção tradicional irlandesa Danny Boy, mas com outra letra. A versão original foi incluída no primeiro volume do CD duplo “Anthology.”

THE LONG AND WINDING ROAD
 




Balada de Paul McCartney composta em seu retiro de Kyntire, na Escócia. Fala Paul: “Eu sentei ao piano na Escócia, comecei a tocar e surgiu esta canção, que imaginei para alguém como Ray Charles. Sempre me inspirei na beleza tranqüila da Escócia e esta foi mais uma que provou ser aquele um lugar inspirador.”

A estrada a que ele se refere é a B842 que atravessa a costa leste de Kyntire até a cidade de Campbelton, de paisagens belíssimas. O grupo gravou em duas sessões nos dias 26 e 31 de janeiro de 1969 com Paul ao piano, George na guitarra, John no baixo, Ringo na bateria e Billy Preston no órgão. A versão final foi o take 18, sobre o qual o produtor Phil Spector colocou sua muralha sonora no dia primeiro de abril de 1970. Foram 14 vozes femininas e uma orquestra com 18 violinos, quatro violas, quatro cellos, harpa, três trompetes, três trombones. E Ringo na bateria. O arranjo meloso foi de Richard Hewson.

Paul não sabia que John tinha contratado Phil Spector para finalizar o disco, daí ficou putérrimo quando soube dos enfeites em suas canções. O produtor de toda a carreira dos Beatles, George Martin, também não gostou do arranjo. Ele orquestrava músicas para os álbuns dos Beatles quando lhe pediam e sempre evitava coisas melosas. Paul não conseguiu bloqueá-la porque John estava no comando com apoio de George e Ringo, daí só no Let It Be Naked a balada voltou ao formato original.

Paul chegou a oferecer a canção para o cantor inglês Tom Jones,   que a   descartou em função de Delilah, que não passou do 15º lugar na parada americana. lançada como single dos Beatles, chegou ao primeiro lugar.

FOR YOU BLUE
 




Blues de George Harrison composto para a mulher Pattie Boyd (“Because you’re sweet and lovely girl, I love you”). George a definia como um blues alegre em contraposição aos temas tristes tradicionais do gênero. Foi gravado no dia 25 de janeiro de 1969 com 18 takes, o sexto foi considerado o melhor e finalizado. George fez o vocal e tocou guitarra base, Paul no baixo, Ringo na bateria e John na guitarra solo (canal esquerdo). Ele faz o solo de slide com um cartucho de espingarda. Na hora do solo George incentiva John com uma citação de Johnny B. Goode  “Go, Johnny, Go!” e o vocal “Bop. Bop, cat bop”. A semelhança do solo com o estilo do bluesman americano Ellmore James, o rei da slide guitar, faz George soltar outro comentário "Elmore James ain't got nothin' on this, baby!"

GET BACK








Esta canção de Paul nasceu de um improviso nas filmagens do estúdio de Twickenham no dia sete de janeiro, inspirada na música de George Harrison Sour Milk Sea para o contratado da Apple Jackie Lomax, que tinha o verso “Get back to where you should be.” Que virou “Get back to where you once belonged.” Na época havia uma controvérsia sobre a imigração de asiáticos para a Grã-Bretanha com gritas dos conservadores, daí Paul fez versos com intenção de sacanear estes conservadores: “Don't dig no Pakistanis taking all the people's jobs/ Get back to where you once belonged.” Ele se mancou que podiam interpretar ao pé da letra e esqueceu o assunto, mas há versões piratas com esses versos.

Gravada no dia 27 de janeiro com John na guitarra base, Paul no baixo e voz, George na guitarra solo e Ringo na bateria. Esta versão foi para o álbum com algumas falas da apresentação no terraço editadas em cima. Paul fala “Thanks Mo”, pra a mulher de Ringo Maureen, que aplaudiu e gritou no final. John manda uma fala irônica, para variar: "I'd like to say thank you on behalf of the group and ourselves, I hope we passed the audition." No começo da canção Paul fala “Rosetta.... oh Rosetta” e John emenda “Sweet Loretta Fart she thought she was a cleaner but she was a frying pan.”

Estas falas foram aproveitadas do final da apresentação no terraço, quando a polícia mandou parar tudo por causa de queixas dos vizinhos. John alegou na época que Paul olhava para Yoko Ono toda vez que cantava “Get back to where you once belonged.” A versão lançada em compacto, com um falso final e uma volta da canção por mais 37 segundos foi gravada no dia 28 de janeiro. Foi lançada como single com Don’t Let Me Down no dia 11 de abril de 1969, 13 meses antes do lançamento do LP, em 8 de maio de 1970.

That's all folks.

terça-feira, 12 de maio de 2015

Satisfaction, dos Rolling Stones, faz 50 anos

 
Da E, Bill Wyman (baixo), Keith Richards (guitarra), Brian Jones (guitarra), Mick Jagger (voz), Charlie Watts (bateria)


Satisfaction, a canção mais emblemática do rock, chega aos 50 anos no dia seis de junho, quando saiu como compacto na América em 1965 com The Under Assistant West Coast Promotion Man no lado B. Logo se tornou a primeira canção dos Rolling Stones a chegar ao número um na América, com vendas superiores a um milhão de cópias em oito semanas. Em 2004, a revista Rolling Stone colocou-a em segundo lugar entre as 500 mais importantes da história do rock (a primeira foi Like a Rolling Stone, de Bob Dylan).

Mick Jagger: "Foi a canção que nos transformou de uma banda qualquer num enorme monstro musical. Não éramos americanos, a América é um negócio enorme e sempre quisemos vencer lá. Ficamos muito impressionados de como a canção se tornou um fenômeno mundial." Mais impressionados ainda porque Jagger e Keith Richards não queriam lançá-la como single e Keith queria que o riff fosse tocado por metais. "Parecia uma canção folk quando começamos a trabalhar nela, Keith não a achava grande coisa, " diz Jagger.

 


A canção foi composta durante a primeira turnê pela América, de 23 de abril a 29 de maio de 1965. Keith acordou no meio da noite com o riff na cabeça, pegou o violão, registrou num gravador Philips e voltou a dormir. No dia seguinte, ouviu o riff e depois seu ronco até o final da fita, esquecera de desligar o aparelho. Mostrou a Mick, que fez a letra na beira da piscina do Jack Tar Harrison Hotel em Clearwater, Flórida.

Uma primeira versão, acústica com Brian Jones na gaita, foi gravada no dia 10 de maio no lendário estúdio da Chess Records em Chicago, onde gravavam os grandes bluesmen que admiravam. No dia 12 de maio retomaram do zero nos estúdios da RCA em Hollywood com o empresário Andrew Oldham na produção e o engenheiro Dave Hassinger na mesa de oito canais. A ideia original de Keith, ainda vendo a canção como folk, era substituir seu riff por trompas, mas, como a gravação estava mais rápida e bem rock, decidiu-se manter como estava e lançar como single. 



 

Conta o baixista Bill Wyman: "Andrew e Dave foram a favor, Mick e Keith não. Então fizemos uma votação: Andrew, Dave, Brian, Charlie (Watts) e eu votamos a favor. Mick e Keith contra. Acabou sendo o single por maioria de votos."

Na gravação, Keith tentou conseguir mais distorção, aumentou o volume ao máximo para saturar os amps e acabou queimando alguns. Aí o faz tudo e eventual pianista Ian Stewart foi a uma loja de instrumentos, ele acha que foi a Eli Wallach Music City, e voltou com  um pedal Gibson Maestro Fuzz-Tone FZ-1. 





Em sua biografia, Life, Keith disse que tocou muito numa Fender Telecaster nessa época, mas também achei referência à Gibson Les Paul Standard Sunburst (1959) para a gravação da música. Brian Jones tocou violão, Keith teve que gravar com a distorção e o som limpo ao mesmo tempo pela limitação técnica e ouvidos mais apurados escutam o click de desligar e ligar o pedal em 36 segundos e 1m35s. Charlie Watts toca bateria, Bill Wyman baixo e o convidado Jack Nitzsche toca um segundo violão, pandeirola e piano, mas nunca consegui escutar o piano, se alguém conseguir me diz onde. A voz de Mick Jagger foi mixada perto da base a pedido do vocalista e do produtor, contra a vontade do engenheiro. 


O motivo disso foi a letra. Vamos a ela. O tema  é de frustração sexual e crítica ao lado comercial da América que, a princípio, chocou Jagger, mas logo ele aprendeu a se aproveitar dele para encher os bolsos. O refrão se queixa de que não consegue satisfação e diz que tentou várias vezes. Na primeira estrofe o personagem fala que fica insatisfeito quando está ao volante e um locutor no rádio começa a despejar sem parar informações inúteis que, supostamente, deveriam inflamar sua imaginação. Volta o refrão e, na segunda estrofe, ele trata dos valores que a publicidade tenta impor ao consumidor. Está assistindo TV e um homem começa a lhe dizer como deve fazer para suas camisas ficarem mais brancas, mas ele contesta que o cara não é um homem de verdade porque não fuma a mesma marca de cigarros que ele. 



Refrão novamente se queixando de que não consegue "girlie action", agitar uma garota, o que antecipa o "problema" da última estrofe, quando ele diz "trying to make some girl," ou seja, tentando fazer (transar com) uma garota, que lhe diz para voltar semana que vem porque está numa "losing streak", uma linguagem cifrada que significa que ela está menstruada. "Losing streak" é uma expressão que significa uma série de perdas. A estrofe também fala da realidade da banda "correndo mundo afora, fazendo isso e assinando aquilo."  


Quando se apresentaram no Ed Sullivan show, a produção colocou um bip na palavra "make" de "make some girl." Mas o "losing streak" passou. Na Inglaterra também houve reservas à canção pelo "make," mas o sucesso foi tão estrondoso que a restrição caiu. Os fãs ingleses ficaram chateados porque o single saiu na América em seis de junho, mas só em 20 de agosto no Reino Unido, já com 250 mil cópias vendidas. O lado B era diferente do americano, o blues The Spider and The Fly. Os Stones seguraram o lançamento em seu país porque queriam estar presentes para poder promovê-la.

Algumas curiosidades:


- Lançado na América em seis de junho chegou ao primeiro lugar no dia 10 de julho, deslocando I Can't Help Myself, dos 4 Tops, e caiu em sete de agosto diante de I'm Henery The Eighth I Am, dos também ingleses Herman's Hermits (uma cançãozinha de merda). Satisfaction entrou na versão americana do álbum Out of Our Heads em julho de 65, mas não na edição inglesa, lançada em setembro. No Reino Unido,  singles não entravam em LPs.

- Quando compôs o riff, Keith Richard se preocupou porque achou que se parecia com Dancing In The Streets, do trio vocal feminino Martha and the Vandellas. Também guarda alguma semelhança com outro single delas, Nowhere To Run.

- Keith afirma que o riff de Jumpin' Jack Flash é o mesmo de Satisfaction, só que ao contrário. Há ecos dele também no riff de Start Me Up e em Get Off Of My Cloud, o single que sucedeu Satisfaction.

 



- Keith achou que tinha inventado o verso I can't get no satisfaction" mas  este faz parte da canção 30 Days, de Chuck Berry, um dos ídolos de Keith, que diz "I can't get no satisfaction from the judge."

- O soulman Otis Redding gravou a música com sopros no refrão, o que agradou muito Keith, por ser sua ideia inicial. A banda Blue Cheer fez uma versão mais pesada, a cantora Cat Power uma mais suave. A banda Devo fez a regravação mais elogiada, no estilo new wave. Britney Spears assassinou a música em seu álbum OOps! I did it again!, que pode ser interpretado como OOps! Fiz merda de novo.  Com certeza.

- Em 1979 houve um novo interesse por Satisfaction graças ao sucesso do filme Apocalypse Now, de Francis Ford Coppola. Ela toca no rádio de pilha de um soldado vivido por um principiante Laurence Fishburne durante uma viagem de barco pelo Rio Mekong, parte de um grupo de escolta do capitão Willard, encarregado de matar o renegado coronel Walter Kurtz (Marlon Brando). Pra quem não liga o nome à pessoa Laurence Fishburne é o Morpheus de Matrix.

 


- "Posso tocar Satisfaction hoje ou amanhã e achar coisas novas nela. E como tocar com esses caras, o que é importante, porque nunca tocamos igual duas vezes. É difícil  falar de canções porque a gente nunca sabe onde começam. E quando se toca elas por mais de 30 anos, nunca se sabe também onde terminam. Elas sempre mudam pra nós." (Keith Richards - 2003).