quarta-feira, 27 de maio de 2015

Exagerado, de Cazuza, ganha versão re-colour 3.0 por super banda



Liminha (baixo) e Dado Villa Lobos (guitarra)

Gentes, estou numa confusão mental com a versão Re-Colour 3.0 do hino Exagerado, gravado originalmente por Cazuza no primeiro disco solo dele em 1985 pelas mãos competentes de Liminha, João Barone, Dado Villa-Lobos e Kassin que recebi ontem e ouvi uma caralhada de vezes. Primeiro foi o impacto de ver aquela voz marcante que ouvi tantas vezes ao vivo embalada num  emaranhado de efeitos eletrônicos igualmente exagerados.

O gancho da versão é o 30º aniversário do lançamento da música, título do primeiro álbum solo dele. Partre da renda vai para a Sociedade Viva Cazuza, mantida por Lucinha Araújo para crianças soropositivas.

 
João Barone


João Barone diz que é uma homenagem a Cazuza, tudo bem, são pares dele da mesma geração, embora nenhum tenha tocado com ele. Liminha explica no making of: "O que  a gente fez com essa versão foi trazer para 2015”. Mexer  num clássico para renová-lo, ainda mais a música consenso que mais o define, e não apenas a ele mas ao parceiro Ezequiel Neves, mas não ao discreto outro parceiro, Leoni?


Não seria uma falta de respeito? 'Tá, sou xiita com essas  coisas, chato pra cacete com releituras à revelia (tou falando pra cacete, mas você pode ouvir aí e tirar suas conclusões). Lembro de algumas recriações de Satisfaction, com aval dos Stones, de Raul Seixas, póstumas, pela filha  dele Vivi Seixas, são as que me ocorrem agora. Nenhuma ficou melhor que o original.

Vá lá que a versão original não tem a mesma densidade das músicas dele no Barão, é um rock mais pro pop com músicos profissionais que não tocaram ao seu lado o suficiente para criar uma nova personalidade musical pra ele. Assim que ele saiu do Barão o álbum solo foi a toque de  caixa para o mercado, enquanto o Barão se recolhia para reformular-se (briguei muito com ele  por causa disso, mais uma vez xiita, porque acho que rock é com banda).

Sim, mas e daí? Tá, vamos lá. Em primeiro lugar a levada de João Barone, ficou escondida, embolada na mix em meio às sucessivas camadas de programações. Será porque no original a bateria está na frente? Não sei, liguei pro Liminha, passei e mail, passei recado pro João Barone e silêncio.


 





No making of se ouve num pedaço com mais nitidez o violão no canal esquerdo e mais adiante a discreta guitarra de Dado Villa Lobos, mais nitidamente o baixo de Liminha. Kassin colocou um sequenciador, sinos tubulares, um solo e frases de synth, um som que parece quexada no canal direito e em pan no final Quando se acostuma depois de umas 10 audições fica mais palatável, o maior pecado mesmo é Barone escondido.

 



O texto ficou meio morde e assopra né? Fui muito envolvido com o Barão e com ele em acompanhamento jornalístico, não em amizade pessoal, daí ficar meio dividido com essa revisão, principalmente por ele não estar mais entre nós para aprová-la. E talvez fazer um novo vocal. Enfim, o material está aí e cada um tire suas conclusões.

5 comentários:

  1. Honestamente sempre prefiro as versões originais e nesse caso não foi diferente! Infelizmente nada me chamou a atenção com exceção do vocal mesmo! Bem, sou apenas ouvinte não sou profissional de música, mas foi o que rolou nainha opinião! :)

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  2. Gostei muito Jamari! Acho que ficou uma edição com a "temperatura" e estética de 2015 sem deixar as raízes do clássico de 1985. No refrão eles inseriram dedilhados de guitarra e violões que deram uma cama muito boa para a levada. Outra coisa muito bacana que reparei foi que a versão original terminada com um fade out e essa vai até o final com mais gargalhadas do nosso grande poeta Cazuza. Enfim, acho que o trabalho merece reconhecimento por quem assina e a ação pelo o fato de jogar luz a esse clássico que uma geração inteira que está vindo aí não conhece e que pode começar a ouvir a agora e se interessar por toda a obra desse artista brilhante!

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  3. Interesses mercadológicos movem esse projeto. Talvez uma sondagem, para sentir se os hipsters consumirão. Metade da banda, por assim dizer, é reconhecidamente ligada aos interesses que citei. Estranha um pouco por Barone fazer parte, mas ao mesmo tempo, é de se esperar. Vivemos essa estagnação criativa. Basta olhar a cena do rock atual. E esse projeto vem reforçar isso.

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  4. Jama, grande coincidência. Estive no estúdio do Liminha (Nas Nuvens) para entrevistá-lo para a série "A Trilha do Rock no Brasil", que tive o privilégio de te ouvir também. Liminha me chamou na mesa de gravação e mostrou a nova versão de Exagerado, com violões, baixo, guitarras e bateria eletrônica que ele, Liminha, tinha gravado. Ficou do cacete, Jama! Uma levada nova, totalmente conectada com a voz do Cazuza, enfim, eu teria finalizado a gravação daquela forma. Barone é um dos maiores bateristas do mundo, Dado toca muito, mas eu ainda prefiro aquele arranjo seminal que o Liminha fez. Vale a pena você ouvir. Abraço.

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  5. Jama, o primeiro disco solo do Cazuza saiu em 1985.

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