quarta-feira, 13 de maio de 2015

Let It Be, dos Beatles comemora 45 anos

O derradeiro álbum dos Beatles saiu em oito de maio de 1970, há 45 anos e a estreia do filme em Londres foi no dia 11 de maio, com o mundo ainda sob o impacto do anúncio do fim da banda,  feito por Paul McCartney em 10 de abril.  Publiquei este post no Jam Sessions em ,quando o álbum fez 40 anos.  Como nada mudou desde então (claro) tá valendo.

 

 

 O álbum Let  It Be foi lançado em 8 de maio de 1970, encerrando a brilhante carreira dos Beatles. O projeto Get Back, nome original de Let It Be, nasceu de uma concepção de Paul McCartney para remendar as fissuras sofridas na produção do álbum branco, quando os quatro gravaram muitas de suas partes individualmente, sem a presença dos demais. 

John, o mais inquieto, tinha planos para uma carreira solo com seu novo amor, Yoko Ono, com quem faria três álbuns experimentais, além dos singles Give Peace A Chance, reflexo de um engajamento político que duraria anos, e Cold Turkey, sobre o uso de heroína, droga que consumia na época. Desinteressado dos Beatles, declarou em entrevistas que encarou os últimos dois anos como apenas um trabalho. Disse que não estava mais a fim de fazer a mesma porcaria de sempre (porcaria???!!!).

 


George Harrison estava em alfa. Mergulhara fundo na filosofia oriental do Maharishi Mahesh Yogi e na cítara, em aulas com o mestre Ravi Shankar, mais interessado em meditação e destruição do ego do que nos Beatles. Ringo Starr foi flertar com o cinema, participando dos filmes Candy e The Magic Christian, mas ainda interessado em manter a banda. Paul McCartney era o único empenhado nos Beatles e queria levá-los de volta aos palcos, mas esbarrou na intransigência de John e, principalmente, de George, que lembrava com horror os anos em que eram jogados de um lugar para outro, confinados em hotéis e tocavam para garotas histéricas indiferentes às músicas apresentadas.




Paul então concebeu o projeto Get Back, uma volta aos princípios básicos dos primeiros anos. Gravariam ao vivo em estúdio com câmeras que documentariam tudo para um especial de TV. Depois de álbuns de produção complexa de 1966 a 1968 estava na hora de ser simples, na esperança de retomar o espírito original.

Os outros toparam e, no dia 2 de janeiro de 1969, começaram a ensaiar nos estúdios cinematográficos de Twickenham para as câmeras do diretor Michael Lindsay Hogg, que acabara de filmar o documentário The Rolling Stones Rock’N’Roll Circus, do qual John Lennon participara. Logo desgostaram do ambiente frio do estúdio, das sessões começarem às oito da manhã e rolaram muitas brigas. No dia 10, George foi embora, saindo do grupo. 




Voltou dia 14 com a condição de não se fazer nenhum show ao vivo, como Paul insistia. Logo desistiram de filmar em Twickenham e decidiram gravar nos estúdios da Apple em Saville Row, onde um picareta chamado Magic Alex prometera um estúdio de 72 canais que não se concretizou, mais uma de muitas roubadas da banda na época. Com equipamento emprestado da EMI trabalharam até 31 de janeiro, incluindo o show no telhado.

As gravações tiveram a presença ao piano e órgão de Billy Preston, velho conhecido de George, que o recrutou pra ver se o clima melhorava no estúdio com alguém de fora presente. Funcionou. Houve mixagens até abril, algumas versões do álbum pelo produtor Glyn Johns recusadas e o projeto foi deixado de lado. Eles acharam que o material fraco para seus padrões, engavetaram e foram gravar um último álbum, que viria a ser Abbey Road.

  

 
Em março de 1970, depois de Abbey Road ter sido lançado e feito grande sucesso, o projeto Get Back foi retomado, já com Paul e John rompidos por discordâncias quanto à administração da Apple. Com o apoio de George e Ringo, John contratou o lendário produtor Phil Spector, criador da wall of sound, para salvar o que chamou de “um monte de bosta com uma gravação de merda e de pouco valor.” Phil colocou orquestra, corais, juntou falas do terraço com gravações feitas em estúdio para dar aparência de espontaneidade, usou algumas ao vivo do concerto no terraço e Let It Be foi lançado em 8 de maio de 1970, pouco menos de um mês depois de Paul ter anunciado o fim dos Beatles à revelia dos demais. John, que desejava sair desde o ano anterior, ficou putérrimo e virou inimigo de Paul por alguns anos.

Em 2003, foi lançado Let It Be...Naked, com as canções como se pretendia na época, mas faltam os diálogos que davam um molho a Let It Be. Também foi incluída Don't Let Me Down, que saíra apenas em single. E foram limadas Dig It e Maggie Mae, ou seja, as que Lennon teria usado para sacanear Let It Be, a canção (explicações abaixo).




 O disco faixa a faixa

TWO OF US 

 


Paul McCartney a compôs num dos muitos passeios com Linda Eastman fora de Londres. O casal saía na base do “Vamos nos perder”. Não olhavam as placas e seguiam em qualquer direção, daí o verso “Two of us going nowhere.” Nos ensaios, a canção recebeu um arranjo agitado com guitarras nervosas, mas acabou prevalecendo uma versão acústica bem ao clima dos passeios que a inspiraram.

John e Paul tocam violões, George guitarra e Ringo bateria. O assobio no final é de John, enquanto Paul fala "We're going home. You better believe it. Good-bye". O verso que fala em “chasing papers, getting nowhere” é atribuído aos problemas financeiros da banda na época.

Num dos ensaios, John e Paul interromperam para cantar “Bye Bye Love”, dos irmãos Don e Phil, a dupla vocal americana Everly Brothers, em quem se inspiraram para criar seus vocais. Em Let It Be a música começa com uma fala de John: “I dig a pygmy by Charles Hawtrey and the Deaf Aids – Phase one in which Doris gets her oats.” Charles Hawtrey era um ator inglês de comédias. Deaf Aids era o apelido dado aos amplificadores Vox usados pelos Beatles. Dóris deve ser uma invenção, comendo sua aveia.

DIG A PONY




Canção de John gravada ao vivo no terraço do prédio da Apple em 30 de janeiro de 1969, na última apresentação ao vivo da banda. É uma fusão de duas canções de John, Dig A Pony e All I Want Is You, feita para Yoko Ono. A letra nonsense fala em “celebrate anything you want”, “penetrate any place you go”, “imitate everyone you know” etc. Na versão de Get Back do engenheiro Glyn Johns a música tinha a introdução com as guitarras e o baixo em uníssono, Paul cantava “All I want is..." e John começava a cantar. No final, John e Paul cantavam juntos “All I want is you...” e terminava com um “Yes I do,” de John com voz engraçada. Este começo e final foram cortados por Phil Spector, mas ele manteve o falso começo em que John fala “One Two Hold it!” para Ringo apagar o cigarro. Ao final, quase inaudível, John fala "Thank you brothers, hands too cold to play the chords." No documentário, vê-se um assistente agachado segurando a letra numa prancheta para John colar. Como todos, ele sofreu com o frio do inverno durante a apresentação.

ACROSS THE UNIVERSE
 




Gravada nas sessões do álbum branco em quatro de fevereiro de 1968. Paul tocou piano, John violão e guitarra solo, George cítara e tamboura e Ringo tontons e maracas, tudo passando por caixas Leslie para dar um clima espacial que combine com o tema da canção. No coro original estavam a brasileira Lizzie Bravo e a inglesa Gayleen Pease, parte de um grupo de fãs plantonistas do lado de fora do estúdio para ver os Beatles, conhecidas como Apple Scruffs (As Malas ou Pentelhas da Apple numa tradução livre), nome criado por elas mesmas.

John e Paul achavam que a canção precisava de um reforço vocal e Paul chamou as duas. John cedeu a canção para um LP do Fundo Mundial de Defesa da Vida Animal, com acréscimo de sons de pássaros e de uma ligeira acelerada na rotação. Como a música apareceu no filme Let It Be, John decidiu incluí-la no disco. Daí Phil Spector baixou a rotação, removeu os pássaros, a cítara e a tamboura para colocar a orquestra e coro com a mesma formação de The Long And Winding Road e no mesmo dia, primeiro de abril de 1970.

No Let it Be Naked, a canção ganhou uma versão crua para dar destaque ao impecável vocal de Lennon. A letra reflete o período em que John tomava LSD como se fosse água. Daí imagens como “words are flowing out like endless rain into a paper cup.” O coro “Jay Guru Deva Um” reflete o envolvimento na época com a filosofia oriental do guru Maharishi Mahesh Yogi, com quem estiveram na índia antes das gravações do álbum branco. A frase quer dizer “Eu agradeço ao Guru Dev,” o professor do Maharishi. O Um é referência ao mantra “oooohm,” que coloca o praticante em sintonia com o pulsar do universo.

I ME MINE





Esta valsa de George Harrison mereceu um comentário ácido de Lennon, de que os Beatles eram uma banda de rock. Foi a última vez que os Beatles entraram em estúdio como banda em três de janeiro de 1970, menos John, de férias na Dinamarca. A canção não foi gravada nas sessões de 1969, mas no filme entrou uma sequência em que George a cantava ao violão, acompanhado por Paul e Ringo enquanto John e Yoko dançavam, daí a necessidade de lançá-la na trilha sonora.

Foi gravada numa sessão de 10 horas, a partir de duas e meia da tarde, em 16 takes, com George na voz guia e violão, Paul no baixo e Starr na bateria. O 16º take foi considerado melhor, daí recebeu a voz definitiva, vocais, piano elétrico, órgão, guitarras e outro violão, tudo com uma duração de um minuto e 13 segundos. Nos dias dois e três de abril de 1970, quando estava finalizando o disco, Phil Spector colocou uma orquestra de 32 músicos e aumentou a duração para dois minutos e 26 segundos editando a versão gravada.

A letra refere o envolvimento de George Harrison com estudos orientais, falando da supervalorização do “eu” na cultura ocidental em contraposição à filosofia oriental de anular o ego. Em Let It Be Naked, a orquestração incluída por Spector foi suprimida, mas permaneceu a duração estendida.

DIG IT





Improviso de estúdio com duração total de 12 minutos e 25 segundos, reduzida para 50 segundos em Let It Be, o trecho de oito minutos e 52 a nove minutos e 41. Entra com fade in e acaba com a frase “That was Can You Dig It? by Georgie Wood, now we’d like to do Hark The Angels Come” e emenda com “Let It Be”. Neste trecho John cita o FBI (polícia federal americana), a CIA (agência americana de espionagem), a BBC (estatal britânica de rádio e televisão), o guitarrista de blues B. B. King, a cantora americana das antigas Dóris Day e Matt Bubsy, escocês jogador e administrador do time de futebol Manchester United.

A canção foi gravada em 24 de janeiro de 1969, da qual se aproveitou apenas a fala de John citada acima. A segunda vez, em 26 de janeiro, forneceu o trecho incluído em “Let it Be”. A expressão “Dig it?” (Sacou?) era muito usada na época. Paul toca piano, John e George guitarras, Ringo bateria e Billy Preston órgão.

Georgie Wood era um anão inglês de vaudeville caracterizado de criança, daí a voz fina que John usa. “Hark the angels come” parece se referir à canção natalina “Hark the Herald angels sing/ (…) Come all ye faithful.” Dizem as más línguas que John colocou esta fala no final de “Dig It” e mandou emendar com Let It Be porque se irritara com a conotação católica da canção de Paul, com quem estava brigado.

LET IT BE




A base desta canção foi gravada no dia 31 de janeiro de 1969, dia seguinte ao concerto no terraço. O 27º take, considerado o melhor, foi retomado pela banda no dia 30 de abril quando George gravou uma nova guitarra. John tocou baixo, Ringo bateria e Paul se dividiu entre piano, voz, maracas, vocal (com George) e o convidado Billy Preston ao órgão e piano elétrico. Esta foi a versão lançada em compacto. Para a versão final do álbum, em quatro de janeiro de 1970 George fez um solo com distorção, entrou um naipe de sopros com dois trompetes, dois trombones e um sax tenor e alguns violoncelos.Os acréscimos de 30 de abril “traíram” a declarada intenção de fazer tudo ao vivo. No take 25 Lennon fala no final "you bounder, you cheat” (safado, trapaceiro). Mas a verdade é que usaram vários overdubs. Na versão Naked, lançada em 17 de novembro de 2003, os sopros e cellos foram limados e o órgão tocado por Preston aparece bem mais. A canção ganha em beleza, na minha opinião.
Paul contou que a letra nasceu de um sonho com sua mãe, Mary, morta quando ele tinha 14 anos, tranquilizando-o sobre o período difícil que ele estava vivendo, com os conflitos internos da banda e a desorganização geral dos negócios . Daí ela lhe disse que se acalmasse, que deixasse estar (let it be) que tudo iria dar certo. Ele colocou na letra “Mother Mary,” que também poderia se referir à Nossa Senhora, mãe de Jesus, daí a interpretação religiosa de muitas pessoas. A letra ajuda, com o verso “When I find myself in times of trouble, Mother Mary comes to me, singing words os wisdom, let it be."

MAGGIE MAE




Esta canção curta que encerra o lado A do disco, se refere a prostitutas. Maggie é uma gíria inglesa para as profissionais do sexo e a desta canção foi condenada por roubo, o que a tirou da Lime Street, uma rua de Liverpool onde praticam o ofício. Foi gravada no dia 24 de janeiro de 1969, entre takes de Two Of Us, com John e Paul nos violões, George na guitarra e Ringo na bateria.

Os Beatles tocavam esta canção desde os primeiros dias em Liverpool e sempre a usavam para “esquentar” antes das gravações junto com muitas outras. Nesta mesma sessão, tocaram, entre outras, Save The Last Dance For Me (The Drifters, 1960), Blue Suede Shoes (Carl Perkins, 1956), Not Fade Away (Buddy Holly, 1956 e sucesso dos Rolling Stones em 1964) e Shake Rattle And Rock (Joe Turner, 1954). John canta no canal esquerdo e Paul no direito, ambos com vozes engraçadas.  Dizem as más línguas que John a colocou depois de “Let It Be também por implicância.”

LADO B 

I’VE GOT A FEELING
 




Gravada no terraço da Apple em 30 de janeiro de 1969. Foi a sexta música, os Beatles a repetiram mais adiante, mas valeu a primeira. Uma canção impecável que mostra como os Beatles podiam render ao vivo e como estavam em grande forma, com todos em seus papéis originais. É uma fusão de duas canções: I’ve Got a Feeling, da primeira parte, é uma declaração de amor de Paul para Linda Eastman, dizendo que ela era a mulher por quem sempre esperou. Everybody Had A Hard Year, de Lennon, entra no meio com ele no vocal e reflete suas dificuldades da época, a separação de Cynthia Lennon, as críticas por seu envolvimento com Yoko Ono, que tivera um aborto, o vício de heroína, uma prisão por posse de maconha, as dificuldades com a banda. Estas coisas não são citadas na letra, mas estão embutidas. No final Paul fala “Oh, my soul...” Rolam aplausos e gritos e John manda “So hard.” A guitarra solo de George está no canal direito, John no esquerdo. No final, Paul canta no lado esquerdo e John no direito.

ONE AFTER 909





Gravada no terraço da Apple em 30 de janeiro de 1969. Esta é uma das primeiras canções de Lennon, escrita em 1957, pouco depois de Paul entrar para sua banda, os Quarrymen. John contou que havia muitas canções sobre trens na época e ele também fez a sua. Paul contou que ele e John saíam da aula e iam para sua casa onde compunham canções, a maioria nunca gravada pelos Beatles. Os Beatles a registraram em cinco de março de 1963 nas sessões do LP With The Beatles, mas a canção ficou inédita até Let It Be. Nos dias 28 e 29 de janeiro, os Beatles ouviram a primeira gravação e a tocaram no estúdio, mas valeu a do terraço. A guitarra solo de Lennon está no canal direito, o piano de Preston idem. Ao final, John cantarola a canção tradicional irlandesa Danny Boy, mas com outra letra. A versão original foi incluída no primeiro volume do CD duplo “Anthology.”

THE LONG AND WINDING ROAD
 




Balada de Paul McCartney composta em seu retiro de Kyntire, na Escócia. Fala Paul: “Eu sentei ao piano na Escócia, comecei a tocar e surgiu esta canção, que imaginei para alguém como Ray Charles. Sempre me inspirei na beleza tranqüila da Escócia e esta foi mais uma que provou ser aquele um lugar inspirador.”

A estrada a que ele se refere é a B842 que atravessa a costa leste de Kyntire até a cidade de Campbelton, de paisagens belíssimas. O grupo gravou em duas sessões nos dias 26 e 31 de janeiro de 1969 com Paul ao piano, George na guitarra, John no baixo, Ringo na bateria e Billy Preston no órgão. A versão final foi o take 18, sobre o qual o produtor Phil Spector colocou sua muralha sonora no dia primeiro de abril de 1970. Foram 14 vozes femininas e uma orquestra com 18 violinos, quatro violas, quatro cellos, harpa, três trompetes, três trombones. E Ringo na bateria. O arranjo meloso foi de Richard Hewson.

Paul não sabia que John tinha contratado Phil Spector para finalizar o disco, daí ficou putérrimo quando soube dos enfeites em suas canções. O produtor de toda a carreira dos Beatles, George Martin, também não gostou do arranjo. Ele orquestrava músicas para os álbuns dos Beatles quando lhe pediam e sempre evitava coisas melosas. Paul não conseguiu bloqueá-la porque John estava no comando com apoio de George e Ringo, daí só no Let It Be Naked a balada voltou ao formato original.

Paul chegou a oferecer a canção para o cantor inglês Tom Jones,   que a   descartou em função de Delilah, que não passou do 15º lugar na parada americana. lançada como single dos Beatles, chegou ao primeiro lugar.

FOR YOU BLUE
 




Blues de George Harrison composto para a mulher Pattie Boyd (“Because you’re sweet and lovely girl, I love you”). George a definia como um blues alegre em contraposição aos temas tristes tradicionais do gênero. Foi gravado no dia 25 de janeiro de 1969 com 18 takes, o sexto foi considerado o melhor e finalizado. George fez o vocal e tocou guitarra base, Paul no baixo, Ringo na bateria e John na guitarra solo (canal esquerdo). Ele faz o solo de slide com um cartucho de espingarda. Na hora do solo George incentiva John com uma citação de Johnny B. Goode  “Go, Johnny, Go!” e o vocal “Bop. Bop, cat bop”. A semelhança do solo com o estilo do bluesman americano Ellmore James, o rei da slide guitar, faz George soltar outro comentário "Elmore James ain't got nothin' on this, baby!"

GET BACK








Esta canção de Paul nasceu de um improviso nas filmagens do estúdio de Twickenham no dia sete de janeiro, inspirada na música de George Harrison Sour Milk Sea para o contratado da Apple Jackie Lomax, que tinha o verso “Get back to where you should be.” Que virou “Get back to where you once belonged.” Na época havia uma controvérsia sobre a imigração de asiáticos para a Grã-Bretanha com gritas dos conservadores, daí Paul fez versos com intenção de sacanear estes conservadores: “Don't dig no Pakistanis taking all the people's jobs/ Get back to where you once belonged.” Ele se mancou que podiam interpretar ao pé da letra e esqueceu o assunto, mas há versões piratas com esses versos.

Gravada no dia 27 de janeiro com John na guitarra base, Paul no baixo e voz, George na guitarra solo e Ringo na bateria. Esta versão foi para o álbum com algumas falas da apresentação no terraço editadas em cima. Paul fala “Thanks Mo”, pra a mulher de Ringo Maureen, que aplaudiu e gritou no final. John manda uma fala irônica, para variar: "I'd like to say thank you on behalf of the group and ourselves, I hope we passed the audition." No começo da canção Paul fala “Rosetta.... oh Rosetta” e John emenda “Sweet Loretta Fart she thought she was a cleaner but she was a frying pan.”

Estas falas foram aproveitadas do final da apresentação no terraço, quando a polícia mandou parar tudo por causa de queixas dos vizinhos. John alegou na época que Paul olhava para Yoko Ono toda vez que cantava “Get back to where you once belonged.” A versão lançada em compacto, com um falso final e uma volta da canção por mais 37 segundos foi gravada no dia 28 de janeiro. Foi lançada como single com Don’t Let Me Down no dia 11 de abril de 1969, 13 meses antes do lançamento do LP, em 8 de maio de 1970.

That's all folks.

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