segunda-feira, 15 de junho de 2015

Fim de semana mágico no Circo Voador do Arpoador



Suricato

Um fim de semana de grandes emoções pela presença no Arpoador de uma recriação do Circo Voador original, com tempo ensolarado e noites que viraram verdadeiros happenings no entorno.  Cabiam apenas 800 pessoas dentro e, no sábado, umas três mil pessoas (cinco mil, segundo outra avaliação) ficaram do lado de fora acompanhando pelo telão na praia ou simplesmente curtindo o momento. Foi o point da cidade nos três dias.

Participei de dois fóruns de ideias que me reuniram com dois amigos queridos no sábado, Maria Juçá, diretora do Circo Voador, e Luiz Antonio Mello, criador da Fluminense FM Maldita. Foi um papo muito gostoso com altas histórias vividas por nós nos anos 80. No domingo o tema foi Cazuza, Renato Russo e a Transição Democrática com os colegas Arthur Dapieve e Mario Luis Grangeia e o criador do Circo, Perfeito Fortuna, que fugiu do tema para contar como foi o parto da sua cria.

 



Blitz

O evento teve como gancho os 30 anos da música Exagerado, de Cazuza, Leoni e Ezequiel Neves, lançada em seu primeiro disco solo em 1985. Não fui na sexta quando rolou a banda Todos Envolvidos para cantar músicas do homenageado e de outras bandas que se projetaram na lona do Circo, especialmente na Lapa, já que a presença voadora no Arpoador foi curta, de 15 de janeiro a 30 de março de 1982, quando o rapa levou tudo, como disse o Perfeito. 


No sábado rolou um megashow da Suricato, revelada no Superstar, e que vem crescendo e conquistando público com um grande repertório próprio e várias homenagens, a Lulu Santos com Um Certo Alguém, Almir Sater e Renato Teixeira com Tocando em Frente, a Luiz Gonzaga com Asa Branca com o Guilherme Schwab ao violão e didjeridoo.

 

 Nove Zero Nove

O concerto da Blitz foi histórico. A banda nasceu no Circo pela liderança de um integrante do grupo teatral Asdrubal Trouxe o Trombone, Evandro Mesquita. Três integrantes tocaram na lona original, Evandro, o tecladista William Forghieri e a grande baixista Claudia Niemeyer. Mas o pique e o gás da banda estão intactos e foi um grande show com seus clássicos e algumas homenagens a bandas da mesma geração Como Titãs e Paralamas do Sucesso.

O astral estava altíssimo. Todo mundo queria que o Circo ficasse ali, uma esquina privilegiada do Atlântico, certamente viraria uma atração turística mesmo que sem atividades musicais, como um Centro Cultural para palestras, exposições e exibição de grupos ou peças de teatro. O problema da música é o barulho, o Circo original era mais virado para o teatro do que para shows, e o volume alto do fim de semana com um P.A. potente não seria viável numa área residencial. 


 Hamilton de Holanda

A produção da Musickeria e de Lu Araújo, com patrocínio da Vivo, foi impecável, as bandas e palestrantes foram bem atendidos. O pessoal da banda Nove Zero Nove, que tocou no domingo, até
comentava no camarim que nunca foram tão bem tratados, já que a barra pra bandas iniciantes é pesada mesmo. Mas foi o tratamento que merecem, a banda é muito boa. Pena que o lugar fosse pequeno, mas não haveria espaço ali para uma instalação maior, além de se ter a intenção de reproduzir a primeira encarnação do Circo.

No domingo teve também o Baile do Almeidinha, uma homenagem à Domingueira Voadora, que começou na Lapa com o saudoso Paulo Moura e depois com a Orquestra Tabajara.O Baile tem feito sucesso no Circo da Lapa. O poeta Chacal, da turma original do Circo, fez uma bela performance sobre a criação do CEP 2000, o evento poético performático comandado por ele no Espaço Cultural Sergio Porto, com cenário, banda, guarda roupa em vários quadros que incluíram espectadores contracenando com ele de improviso. Gênio, o Chacal. 



                Banda Donica (não pus foto de palco porque só tinha o vocalista)


Desculpem não ter muitos detalhes, mas eu fui desarmado, não para cobrir mas para curtir, um raro prazer para um jornalista musical, que sempre tem que assistir com um olhar profissional. Quando cheguei ali na cancela e vi as estrelas da fachada ao longe bateu a maior emoção. Fui cedo no sábado para sentir o ambiente, o Suricato estava passando o som e foram horas muito agradáveis antes de subir ao palco para o papo com os queridos Maria Juçá e Luiz Antonio Mello.

Enfim, um fim de semana mágico. O Circo Voador sempre foi minha segunda casa. Nos anos 80 eu participava das reuniões de pauta que rolavam na casa da Juçá, no Horto Florestal, onde ela morava em privacidade zero, porque a casa vivia cheia de gente que comia lá, dormia lá, bandas ensaiavam na garagem e ela levava tudo com o maior bom humor, que mantém até hoje. Sua pequena equipe trabalhava 24 horas por dia, sete dias por semana e o resultado foi projetar a Geração 80 do Rock Brasil com a  parceria da Fluminense FM Maldita. 


 Suricato

O Circo como um todo alavancou várias correntes da nova cultura, teatro, performances, um pouco de artes plásticas, que tinham seu forte reduto no Parque Lage, enfim, não à toa um dos slogan dizia que o Circo era um lugar onde todas as tendências dançam juntas. Perfeito no domingo disse uma boa frase, que o Circo não foi um porta-voz, ele foi a porta e a voz foram todos os artistas que lá se apresentaram.

Quem quiser  conhecer toda a saga do Circo é só ler o livro Circo Voador A Nave, da Maria Juçá e ver o filme A Farra do Circo de Roberto Berliner. Em breve passa um novo filme, Circo Voador a Nave, de Tainá Menezes.


Bandas:
Blitz - Evandro Mesquita (vocal), Andrea Coutinho e Nicole Cyrne (vocais), Cláudia Niemeyer (baixo), Rogerio Meanda (guitarra), Billy (teclados) Juba (bateria). 



Guilherme Schwab - Suricato - Foto de Andrea Alves

Suricato - Rodrigo Suricato (voz, guitarra, violão, mala bumbo, banjo, weissenborn, ukulele, gaita), Guilherme Schwab (guitarra, viola caipira, violão, gaita, banjo, didjeridoo), Raphael Romano (baixo) Pompeo Pelosi (bateria).

Nove Zero Nove -  Mauricio Kyann (voz), Paulo Pestana (guitarra), Marcius Machado (guitarra), Eliza Schinner (baixo), Bruno Castro (bateria).

Dônica - José Ibarra (teclados e voz), Miguel Guimarães (baixo), André Almeida (bateria), Lucas Nunes (guitarra).
Obs. O Dônica se apresentou no sábado. Faz progressivo, tem boas canções e boas ideias mas execução ainda imperfeita. A banda não está pronta, o entrosamento não está no ponto ideal, o som ainda soa desarrumado. Muita influência de Clube da Esquina, várias canções me remeteram ao Clube e uma instrumental quase no final foi Som Imaginário total. Eles fazem troca de instrumentos, o que acho desaconselhável. Fiquem prontos primeiro em suas posições certas.

As fotos são de divulgação por Alex Palarea e Felipe Pantili da Ag News. 

P.S. "Depois de três anos e mais de 40 edições realizadas, o Baile do Almeidinha ganha seu primeiro registro fonográfico, um álbum de músicas autorais, com composições testadas e aprovadas pelo público das noites do Almeidinha. Além do disco físico, será lançado também o site www.bailedoalmeidinha.com.br, com áudios, partituras, fotos e vídeos exclusivos. A estreia será na sexta-feira, dia 26 de junho, na edição especial de três anos de Baile no Circo Voador, e terá Marcelo D2 e Carlinhos de Jesus como convidados. A festa terá ingressos promocionais a 10 reais, das 21h às 22h. Após, desconto garantido apenas para pessoas com Almeida no sobrenome." Texto de Vivi Drummond  do release.


Nenhum comentário:

Postar um comentário