quarta-feira, 29 de julho de 2015

Um encontro íntimo com Cássia Eller em CD de voz e violão






Como sempre acontece com artistas que sobem prematuramente ao andar de cima, Cássia Eller tem mais um lançamento que dificilmente aconteceria se viva estivesse. O Espírito do Som Volume 1 (Coqueiro Verde), captura Cássia em momento íntimo, com seu violão, em gravações caseiras da amiga Elisa de Alencar.

O produtor Rodrigo Garcia e Diego Janssen, responsáveis pela restauração dos áudios, conseguiram dar uma qualidade audível ao material. O timbre de Cássia não tinha ainda se revelado plenamente. Um ouvinte que não souber quem é pode ficar na dúvida e até desconfiar quem é, mas não terá certeza.

Na parte interna há  a reprodução de um trecho manuscrito em que ela fala do ato de cantar: "Você pode pensar que me conhece um bocado se algum dia você conversou comigo, se leu alguma coisa que eu escrevi, se foi pra cama comigo, mas, pode crer, você se espantará quando me ouvir cantar. Essa sim, sou eu...me mostrando porque eu quero...é quando sou sincera mesmo."





Dá para sentir essa entrega nas 10 faixas do disco. Ne Me Quitte Pas, o clássico de Jacques Brel, tem uma interpretação emocionante. Ela mostra seu amor pelos Beatles em três canções, For Noone e Golden Slumbers, de Paul McCartney, e Happiness Is A Warm Gun, de John Lennon.

Canta Ausência, do primeiro e belo álbum de Ednardo, passa por Sua Estupidez, de Roberto e Erasmo Carlos, por Segredo, de Luiz Melodia. Além do inglês e do francês, canta em espanhol Airecillos, de Marlui Miranda e uma dela com a amiga Simone Saback, Flor do Sol.

No disco estão quase todos os parâmetros que norteariam sua carreira, a incursão em diversas culturas, no mainstream e no offstream, só falta a turma da Lira Paulistana por quem se encantaria e não só ela, mas também sua amiga e contemporânea de Brasília Zélia Duncan.

 
Não achei registro do disco na web. Esta música está no álbum, mas não na gravação deste video, lançado em 2012


Estive poucas vezes com Cássia, sua timidez com a imprensa tornava penosa a tarefa de entrevistá-la. Isso me ficou bem claro na gravação de seu Acústico em São Paulo. Findas as gravações, fui atrás dela para uma pretensa entrevista. Entrei no camarim, ela na maior euforia com os músicos. Quando me viu, acenei, veio ao meu encontro e se trancou nela mesma. Fui salvo por Nando Reis, que me deu uma boa entrevista.

O Espírito do Som permite um encontro íntimo com ela, como se estivéssemos numa reunião entre amigos. Valeu Cássia.

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