segunda-feira, 31 de agosto de 2015

Eric Clapton e Yes em coletâneas e Duran Duran em relançamento

FOREVER MAN – ERIC CLAPTON




 Esta coletânea dupla reúne material ao vivo (CD2) e de estúdio (CD1) em álbuns lançados da década de 80 para cá. O recorde de sucesso foi o Acústico MTV de 1992 com um disco de diamante na América, equivalente a 10 milhões de cópias. Puxou o disco a canção Tears In Heaven, composta por ele em memória do filho, Conor, de quatro anos e meio, que caiu da janela do apartamento onde morava com a mãe no 53º andar de um prédio de Manhattan. No CD ao vivo estão quatro canções deste disco, Tears In Heaven , Layla, Nobody Knows You When You’re Down And Out e Walking Blues.





Os discos de estúdio mais relevantes do período foram From The Cradle (1994), de standards de blues, representado por Motherles Child no CD1 e também Riding With The King (2000) em parceria com o mestre B.B. King, representada pela excelente faixa título. Clapton lançou também Me and Mr. Johnson num disco e DVD dedicados ao fundamental Robert Johnson e na coletânea está Little Queen of Spades. Outro de bom resultado comercial foi  Journeyman (1989) com duas faixas aqui Pretending e Bad Luck. Estão representados álbuns menores como Pilgrim, Behind The Sun e Money And Cigarretes.
No CD ao vivo estão sucessos anteriores ao período do CD1 como Layla, Badge, Wonderful Tonight e Sunshine of Your Love, das fases solo, com Cream e Derek & The Dominos.


PROGENY: HIGHLIGHTS FROM SEVENTY TWO – YES





Neste álbum duplo estão reunidas músicas do Yes gravadas em 1972, como diz o título. É um resumo de um lançamento gigante de 14 CDs com sete concertos completos da banda naquela turnê (custa 70 dólares na Amazon). Foi o ano em que Rick Wakeman entrou no lugar do demitido Tony Kaye na tecladaria e Alan White na bateria em substituição a Bill Bruford, que foi pro King Crimson. Pela presença de Wakeman há trechos de The Six Wives of Henry The Eight, seu álbum solo, lançado em janeiro de 1973. Como a gravação ao vivo é de novembro de 1972, tratou-se de uma prévia para os fãs da Carolina do Norte, onde foi gravado o concerto. 

Nos dois CDs estão os grandes sucessos amealhados em três discos: The Yes Album (1973) com I’ve Seen All Good People e Yours Is No Disgrace. Do estouradaço Fragile (1971) Heart Of The Sunrise, Mood For A Day e Roundabout e a faixa-título de Close To The Edge (1972) e And You And I do mesmo álbum. A capa dupla segue o estilo das capas feitas por Roger Dean para a banda. Parecem as montanhas aladas de Pandora em Avatar. Grandes momentos do rock progressivo por uma banda no auge da forma e da criatividade.

RIO - DURAN DURAN (RELANÇAMENTO)





Algumas músicas deste disco foram uma febre nas danceterias cariocas nos anos 80, impulsionadas também por belos vídeos num momento em que os clipes eram novidade e o desta banda muito bem feitos. Sem falar que leva o nome da cidade, ideia do baixista John Taylor: “O Rio para mim era a quintessência de um lugar exótico, uma cornucópia de delícias terrenas, uma festa que nunca acaba,” disse ele. (Cornucópia na mitologia grega era símbolo da fertilidade, riqueza e abundância, um vaso em forma de chifres com frutas e flores saindo dele). O disco é de 1982 a banda veio ao Brasil pela primeira vez em 1988, mas não achei impressões de John sobre a cornucópia carioca.





Rio, Save a Prayer e Hungry Like The Wolf foram as canções mais populares aqui com os clipes e os remixes que o grande DJ Dom Pepe botva para sacudir a pista do Noites Cariocas nos anos 80. O disco traz como faixas bônus remoxe de Rio, Lonely In Your Nightmare, Hungry Like The Wolf, Hold Back The Rain e um Carnival Remix de My Own Way.

sábado, 22 de agosto de 2015

Rodrigo Santos, Andy Summers e Lenhadores servem rock gourmetizado no Rio Gastronomia



Rodrigo e Andy - Fotos de Rodrigo Sacks



Os quase 5 mil frequentadores do Rio Gastronomia tiveram uma sobremesa preparada por quatro grandes chefs do rock’n’roll na noite desta sexta. Uma hora e 45 com Rodrigo Santos, Os Lenhadores e Andy Summers. O show foi num pique só do começo ao fim, o nono da temporada com o ilustre visitante, que já passou por Macaé, Niterói, Belo Horizonte, Goiânia, Campo Grande (MT), São Paulo, Rio e encerra amanhã em Belo Horizonte.

São músicos de duas bandas em recesso indefinido, mas não acabadas. Rodrigo Santos hoje é um excelente intérprete e vocalista, como provou ao cantar o repertório do Police nos tons originais, foi um tour de force e ontem ele estava muito feliz, mas também aliviada por ter conseguido aguentar o teste de suas cordas vocais. Andy lhe pediu que fosse como o original, Rodrigo não teve coragem de dizer não ao ídolo.



Rodrigo Santos


O que o guitarrista do Police fez neste show foi antológico. O som de sua banda é tido como econômico, mas ele foi um esbanjador no show. Solos prolongados, trocas e frases com Rodrigo e com Kadu, sim, teve um ligeiro pergunta e resposta entre guitarra e bateria. Depois, no camarim, Kadu comentou que não tinha palavras para definir sua emoção de estar no palco com o cara eu ele curtia quando era mais jovem.



Andy Summers

Andy foi só elogios para os três colegas de palco, deu seu aval entusiasmado e só sua anuência de voltar depois da turnê de 2004 deixou o trio  em puro êxtase. E que guitarrista seu Andy é. Empunhando uma Fender Stratocaster ele tem um fraseado cheio, trabalha os solos nos diferentes timbres do braço da guitarra, não vai ao extremo agudo, gosta de notas encorpadas, alterna sequências de notas com acordes solados e que maravilha ouvir aqueles riffs criados por ele para sua banda quase como nos originais, ele  faz leves alterações, algo comum em quem toca repertório antigo.


 
Kadu Menezes


A primeira parte teve o repertório do Barão Vermelho, dois da banda estavam no palco, Rodrigo Santos e Fernando Magalhães. As interpretações de Rodrigo nada ficam a dever ao titular, Roberto Frejat. As levadas são realmente em power trio, mais pesadas, o bicho pegou até em Por Você. Kadu espanca a bateria com um vigor juvenil, dá até pena da bichinha, apanha mais que lutador de MMA. É um virtuoso dos couros e pratos. 



Fernando e Rodrigo, Andy de costas

 
Rodrigo domina o baixo com peso e precisão e sola como se fosse uma guitarra em alguns momentos. Fernandão  pilota a Gibson Les Paul, minha guitarra favorita, com virtuosismo e precisão, Lembrei do meu mestre Ezequiel Neves, ele certamente iria ao delírio com a performance do trio, ele sempre arrebatado e arrebatador, 'tou parecendo ele com esse Niagara de elogios que estou derramando aqui. Mas acredite, todos merecidos. 
Em resumo, o trio toca com um tesão da porra
Puta show viu véio.





  

Setlist
Com Fernando Magalhães  e Kadu Menezes

Por Que A Gente É Assim?
Bete Balanço
Por Você
Maior Abandonado
Vida Louca Vida/ Codinome Beija Flor/Nosso Amor a Gente Inventa (trecho de cada uma improviso)
Exagerado
Pro Dia Nascer Feliz

Com Andy Summers e Kadu Menezes

Synchronicity II
Spirits In The Material World
Walking On The Moon
Wrapped Around You Fingers
I Can’t Stand Losing You
So Lonely
Roxanne
Driven To Tears
Every Breath You Take


Bis com Rodrigo, Andy, Kadu e Fernando
Message In A Bottle
Every Little Thing She Does Is Magic

domingo, 16 de agosto de 2015

Debora Sztajnberg lança Cala A Boca Já Morreu: A Censura Judicial das Biografias



Debora Sztajnberg e Paulo Cesar de Araujo

A advogada Debora Sztajnberg  lança nesta terça-feira no Rio o livro Cala A Boca Já Morreu: A Censura Judicial das Biografias, em que conta a batalha judicial em defesa da biografia Roberto Carlos Em Detalhes, de Paulo Cesar de Araújo, embargada pelo cantor sob alegação de violação de privacidade através de um acordo com a Editora Planeta. O processo se arrastou por oito anos até a vitória final, que resultará na publicação da biografia atualizada. 

Paulo Cesar contou seu lado da história no livro O Réu e o Rei – Minha História com Roberto Carlos, em Detalhes. Agora é a vez de Debora contar a parte legal da saga. Debora é phd em Direitos Fundamentais, mestra em Direito do Entretenimento e especialista em gerência na Indústria do entretenimento pela Universidade da Flórida. E autora também de O Show Não Pode Parar – Direito do Entretenimento no Brasil. O lançamento é nesta terça, 18, a partir de 19h na Livraria Travessa Ipanema na Rua Visconde de Pirajá 572.






A seguir uma entrevista com a autora:


Quando você pegou o caso do Paulo Cesar já tinha rolado o acordo da editora com os advogados de sua majestade?

Na verdade a gente vinha conversando desde a notificação  (outubro 2006) antes de o livro ser lançado e eu sempre alertando do perigo, mas a editora dizia ‘que nada, imagina, ele vai adorar, vai convidar a gente para jantar no Lady Laura,’ e eu sempre ‘Paulo, cuidado, não é bem assim’....Na audiência criminal até me dispus a ir com ele, mas a editora não deixou ele levar ninguém, disse que Roberto não ia e que não haveria acordo. Depois da malfadada transação penal é que ele veio para mim.

Por que a Editora Planeta se dobrou a Roberto Carlos?

A editora ficou com medo da imensa indenização que Roberto pediu [R$ 500 mil], mas isso era algo que estava sendo discutido no cível, ou seja, não era justificativa bastante para capitular no juízo criminal. Todo mundo ali era réu primário, de bons antecedentes, com endereço certo e profissão regular. Não havia nenhum motivo sequer para temer uma prisão que fosse.

Quando você assumiu o caso em que baseou sua defesa. Em que medida o acordo foi um obstáculo?

Minha defesa foi quase um livro sobre a liberdade de expressão. Primeiro tive que explicar que, ao contrário do que Roberto dizia, Paulo Cesar não era um aventureiro querendo se aproveitar de nada nem de ninguém. Depois tive que explicar a importância das biografias no mundo atual. Em seguida tive que contestar ponto a ponto tudo o que alegava...aliás, é curioso, pois ele sempre falava das coisas en passant. Nunca dizia, por exemplo, 'tal passagem incomodou por isso e isso,' só falava que o livro continha inverdades, mas nunca dizia quais, só falava que o livro explorava a vida sexual dele, mas nunca mencionava em qual página ou em qual contexto. O tal “acordo” (acordo é algo que não é imposto, o que não foi o caso pois a editora obrigou Paulo Cesar a assinar esse instrumento de transação penal) foi um grande obstáculo, pois Roberto se apegava a ele para não discutir a ação cível, mas se lascou, porque o acordo não foi homologado e não teve validade alguma e, com isso, conseguimos que a ação cível fosse julgada.

Em resumo quais foram as etapas até a vitória e quanto tempo levou. As alegações dos advogados dele foram só em cima do acordo ou algo mais?

As etapas foram a contestação no cível depois do “acordo” no criminal, a sentença do cível, a apelação aonde o voto vencido nos deu total vitória e tudo isso levou oito anos. Os advogados dele sempre se apegavam apenas ao “acordo,” pois não tinham onde mais se apegar.

O caso fomentou o debate sobre a autorização de biografias. Esse debate teve alguma influência sobre o caso?

Infelizmente não, pois quando se deu o debate e a questão no Supremo Tribunal Federal, o caso já havia sido julgado.

Existe algum termo de comparação entre este caso e o de atrizes que processam por uso indevido de imagem?

Não muito, porque a biografia é escrita, pode ter uma foto ou outra como ilustração, as atrizes que processam por uso indevido geralmente o fazem porque venderam aquela imagem para um veículo, vem outro e se apropria comercializando a mesma imagem, aí sim, está totalmente correto processar para reparar este dano.

O meio jurídico tem o juridiquês e o meio acadêmico o academiquês. Você simplificou a linguagem para o leitor comum?

Fiz questão de simplificar ambos, quis que o leitor comum compreendesse essa problemática da censura biográfica de uma forma simples e palatável.

sexta-feira, 14 de agosto de 2015

Maldita 3.0 terá audições de discos com convidados






A Exposição Maldita 3.0 no Imperator - Centro Cultural João Nogueira, no Meier, realizará o Rock On The Roof: audição de um disco clássico com a análise de um convidado.

A exposição mostra o acervo da Fluminense FM Maldita, a rádio rock que revelou a Geração 80 do Rock Brasil junto com a série Rock Voador do Circo Voador. Estarei lá dia 4 de setembro. Todas as audições às 20h com entrada gratuita (programação via Fabio Fernandes|).


O Imperator fica na Rua Dias da Cruz 170, Meier. A exposição pode ser vista de segunda a sexta das 13h às 22h. Sábado e domingo de 10h às 22h, Curadoria de Alessandro Alr.


21/08 - AC DC - Back In Black: Ricardo Schott


28/08 - Joy Division - Closer: Wilson Power 



04/09 - Paralamas Do Sucesso - Selvagem: Jamari França 


11/09 - Ministry - The Mind Is A Terrible Thing to Taste: Tom Leão


18/09 - Chico Science & Nação Zumbi - Da Lama Ao Caos: Marcelo Yuka


25/09 - Massive Attack - Mezzanine: Tito Figueiredo


02/10 - The Who - My Generation: Marcos Bragatto


09/10 - Sonic Youth - Goo: Eduardo Pletsch


16/10 - Killing Joke - Night Time: Claudio Borges


23/10 - PJ Harvey - Stories From The City, Stories From The Sea: Daniel Tambarotti


30/10 - Barão Vermelho - Barão Vermelho: Leandro Souto Maior

Iron Maiden na velocidade da luz






Clipe da nova música do Iron Maiden, Speed of Light. Achei mais do mesmo. É do 16º álbum de estúdio da banda, The Book Of Souls, que sai dia quatro de setembro. A direção é de Llexi Leon, criador da cult comic série Eternal Descent, o primeiro trabalho dele em um vídeo musical. As animações e efeitos especiais são da Brewery Production Company. A banda só volta à estrada em 2016.




quarta-feira, 5 de agosto de 2015

Exposição Maldita 3.0 abre no Imperator com show da banda Astro Venga

Foto da exposição

Estive na noite desta terça na abertura da exposição Maldita  3.0 no Imperator, Meier. É a mesma que estava no Palácio dos Correios em Niterói, agora mais perto dos cariocas, os da Zona Norte pelo menos. É um material muito rico em fotos, áudios e videos sobre a Fluminense FM Maldita, a grande rádio de rock do Rio nos anos 80, a que ajudou a projetar as bandas da Geração 80. E quem estava lá em maioria eram as bandas do Novo Rock, interessadas em conhecer a história de uma época em que a grande maioria nem era nascida, o berço de uma geração que hoje influencia muitas delas.

Eu era o único representante da época, pelo menos até certa hora, quando pintou Bruno Gouveia, vocalista do Biquini Cavadão, que encontrei durante a visita guiada pelo curador Alessandro Alr, que batalhou pra reunir o que conseguiu do acervo da rádio. Foi muito legal ver o interesse e até o espanto dos novos músicos com as condições em que a rádio funcionava. A mesa de som original e uma cartucheira lá estão exibidas. Mauricio Kyann, vocalista da Nove Zero Nove, comentou comigo que as coisas hoje eram mais avançadas, mas não necessariamente melhores.

Banda Astro Venga - Foto de Luiza Machado

Perguntei ao Bruno se Tédio, a primeira música do Biquini, tinha sido lançada na Fluminense. Ele disse que a banda "seguiu a cartilha." A primeira rádio a tocar foi a Fluminense e o primeiro show no Circo Voador. Tudo nos conformes. O Biquini este ano festeja 30 anos e lançou um DVD comemorativo. Bruno me disse que Tédio é de 1984, mas eles comemoram 30 anos em 2015 porque o primeiro show foi em 1985.

Alessandro Arl me contou que este importante trabalho de resgate que ele realiza não tem apoio financeiro, coçou o bolso quanto pode, mas tem dívidas pela frente. Mais um caso em que um importante acontecimento cultural não tem o devido suporte. Ele me contou que pretende lançar um livro em edição limitada com o material que ele batalhou para juntar: "Em livro isso vai ficar registrado para sempre e vai ser um documento para daqui a, sei lá, 50 anos, para saberem que a rádio existiu." 

A inauguração  teve a participação da banda Astro Venga, um trio instrumental pesado de rock formado por Antoni Paoli (baixo), Christian Dias (guitarra) e Tutuka (bateria). Fazem um medley que mistura Tim Maia, Novos Baianos, Jimi Hendrix, Luiz Gonzaga, Beatles e muito mais, tudo arranjado de maneira pessoal e criativa. 





A Astro Venga foi formada para tocar nas ruas e se apresenta em seu Facebook como "uma banda móvel-sustentável, um projeto vivo de instalação em meio ao caos urbano" e no seu canal do You Tube há registros de shows na Praia de Ipanema, no Largo da Carioca, no Teatro Odisseia e no Metrô do Rio como parte do III Festival Internacional de Músicos de Metrô ano passado. Merece atenção. 

A exposição fica no Imperator até o dia 4 de novembro. Pode ser visitada de segunda a sexta de 13h às 22h, sábados e domingos de 10 às 22h. Entrada grátis. O Imperator fica na Rua Dias da Cruz 170, Meier.

terça-feira, 4 de agosto de 2015

Rodrigo Santos recebe o guitarrista do Police Andy Summers para turnê em sete cidades


Andy Summers e Rodrigo Santos - Fotos do ano passado

O grande destaque rock em agosto é a temporada do guitarrista do Police Andy Summers com o Barão Vermelho Rodrigo Santos e seus Lenhadores, Fernando Magalhães, também do Barão, e Kadu Menezes, ex-Kid Abelha, ex-Lobão e muitos ex mais. Andy se tornou amigo e parceiro de Rodrigo em nove músicas, já estiveram juntos em quatro datas no Brasil ano passado e agora vem um repeteco ampliado. Serão nove shows em sete cidades. Além disso, Andy fará uma exposição de fotos em São Paulo e lançará sua biografia no Rio e em Belo Horizonte (veja roteiro no final).

Abaixo, uma entrevista com Rodrigo sobre a temporada e sua carreira solo.

Você produziu uma temporada maior este ano com o Andy Summers. Parece que ele está bem receptivo a fazer shows aqui e que se amarrou na temporada passada né?

Sim. Gostou muito de tocar com a gente e os shows fluíram muito bem. Houve uma química e sinergia no palco. Dessa vez ele está mais feliz ainda, pois haverá também o lançamento da biografia e a exposição de fotografias em São Paulo na Leice Gallery.  E junta-se a isso a parte musical, fica muito prazeroso! Luiz Paulo [empresário de Rodrigo] e eu fizemos isso tudo se tornar uma realidade mais palpável para darmos sequência sempre que possível. 

Andy, Rodrigo, Kadu e Fernando - shows ano passado

O que o Andy representa pra ti como pessoa e músico?

Andy é o catalisador do Police - as guitarras que ele criou o colocam entre os 10 maiores guitarristas da história do rock, pois ele não foi mais do mesmo. Criou uma linguagem única, nova e moderna. Uma guitarra que preenchia como teclados e combinava perfeitamente com aqueles baixos econômicos e marcantes de Sting e a bateria louca de Stewart Copeland. Ele fez a ponte entre os dois. São guitarras perfeitas, lindas.  É ligado a jazz, reggae, punk, rock e bossa nova. Um músico completo e um artista idem. Ao mesmo tempo está com uma exposição de fotos maravilhosas,  em preto e branco, já mostrada na China e em New York. Além de um livro em que conta como entrou no Police, sua história pessoal e um filme com imagens registradas por ele desde a época do Police (assim como na exposição, o filme tem muita coisa de tudo - e se chama Can't Stand Losing You, exibido na HBO em rede mundial). Compus nove músicas com ele e vejo que está em plena forma musical. Um garoto. E me escolheu pra ser o parceiro dele no Brasil, principalmente de rock'n'roll. Como pessoa, nem preciso dizer: doce, gentil, inteligente, humor inglês e sarcástico e uma pessoa hiper do bem. Um cara nota mil. Eu o respeito muito. Quase venero. Eu escutava Police com 18,19 anos.


Fernando, Frejat, Rodrigo e Andy - ano passado Teatro Oi Casa Grande



E o repertório, a parte sua com os Lenhadores será só Barão Vermelho de Novo? 

A turnê será a mesma do ano passado, igualzinha. Só que em mais lugares. Desta vez, menos Barão e mais Police. Andy gosta de shows curtos - serão cinco ou seis do Barão e umas 12 do Police.  A ideia é mostrar o que queremos fazer agora. Dois caras de bandas gigantes que querem se divertir com o próprio repertório. Não me importa tocar Remédios, mas já estamos diminuindo a parte Barão. E também me mostrar como cantor de dois tipos diferentes de regiões vocais e de mostrar que tenho uma banda que gosto de manter viva comigo, como vocalista, no meu show. 

O novo CD e DVD A Festa Rock será lançada em setembro no Rock in Rio. A turnê com Andy é em agosto. Esta tour me mostra como intérprete de Barão e Police, coisas completamente diferentes e que exigem concentração como baixista e cantor ao mesmo tempo. E isso ao lado de um ícone, com muita mídia, mais cidades e muito mais diversão. É entretenimento. O dia em que quisermos fazer autoral intimista, temos músicas pra isso. Minha carreira solo não encaixa na parte Barão nem na parte Police. 


Fernando, Andy e Rodrigo

Como anda a sua carreira solo, quantos shows por mês. Vocês já tocaram em todos os estados do país? 

Todos. São de 15 a 20 shows  por mês. Festas fechadas, formaturas, casamentos, pubs e festivais abertos, teatros para lançar discos novos. Enfim, me transformei em dois Rodrigos. Gosto dos dois. rs . E vem aí CD/DVD, e dois livros lançados até agosto ou novembro. 

O repertório de show e da Festa Rock é basicamente da Geração 80 do Rock e a gente vê que esta geração  continua presente e agrada aos jovens de hoje em dia. Na novela teen Malhação o rock dos anos 80 predomina.  E muitas bandas continuam em atividade e lotam lugares em todo o país.  Em que você acha que sua geração contribuiu para a música brasileira e porque acha que a garotada de hoje ainda curte tanto?

Acho que os textos são fundamentais pra longevidade da obra. Todos da minha geração vieram ligados a grandes escritores, poetas, sociólogos, políticos, ditadura, filosofia, guerras, guerrilhas urbanas, etc. O próprio jeito de falar de amor e a outro. Acho que isso não acaba nunca. É como escutar Beatles. Sempre haverá a diferença da qualidade. Soubemos fazer isso numa época em que o rock não era moda. Nós o tornamos moda e expulsamos a MPB chata das programações das rádios. Depois o axé, pagode e sertanejo nos expulsaram. E o rap ficou com as grandes letras. Méritos pra Gabriel O Pensador e Charlie Brown. Dos diferentes, o Nando Reis é o melhor. Minha geração fez a transição de Caetano e Gil para o rock. Abriu as portas das majors e das rádios em rede, quebrou a programação internacional, e apresentou um grande disco atrás do outro. Vindo de todos os estados do Brasil. De maldito, o rock passou a dar as cartas. E depois naufragou no sucesso do pôquer. Ainda assim, Cazuza, Renato e outros estão eternizados. Por isso a garotada vai descobrindo. Da mesma maneira que eu descobri Raul Seixas e Rita Lee quando eu era criança. É por aí. 



Fernando, Andy, Rodrigo e Kadu

Você tem patrocinador para esta turnê ou banca tudo sozinho?

A outra banquei tudo sozinho. Esta consegui vender tudo e ter alguns patrocinadores. E, caso haja lucro, dividiremos eu e  meu empresario/sócio Luiz Paulo Assunção. Já estão esgotando os ingressos em várias cidades. Será muito bom. Andy terá três coisas diferentes - exposição, biografia e shows. E nós queremos diversão acima de tudo. O resto já está na mão.  O lance é tocar, improvisar e gargalhar! Ano que vem tem mais! 


A programação completa:

Dia 06/08 - Exposição de fotos na Leice Gallery em SP 
Dia 07/08 - Único ensaio
Dia 09/08 - Estreia da tour em Macaé - Macaé Lagoa Rock, 17h - Lagoa de Imboassica
Dia 10/08 - Show em Belo Horizonte MG - fechado para patrocinador
Dia 11/08 - Lançamento da biografia de Andy One Train Later - Belo Horizonte, 19h
Dia 12/08 - Show em Belo Horizonte aberto ao público - Teatro Bradesco
Dia 13/08 - Day off em Belo Horizonte e depois viagem para Campo Grande, Mato Grosso do Sul
Dia 14/08 - Show em Campo Grande - Grito do Rock, 22h
Dia 15/08 - Show em Goiânia GO - Bolshoi Pub, 22h
Dia 16/08 - Show em Niterói - Praia de São Francisco, 20h, gratuito
Dia 17/08 - Day off
Dia 18/08 -Lançamento da biografia One Train Later - Rio / Travessa do Leblon, 19h
Dia 19/08 - Show em São Paulo - Bourbon Street, 22h
Dia 20/08 Day Off Rio
Dia 21/08 Show no Rio de Janeiro - Jóquei Clube, Gávea - Gratuito, 21h
Dia 22/08 Show de encerramento da turnê - Cidade surpresa, a divulgar na semana do show

sábado, 1 de agosto de 2015

Folks faz lançamento arrasante de primeiro álbum no Imperator



Kauan Calazans - Fotos de Cleber Junior

Uma das grandes bandas do Novo Rock, a Folks, lançou seu primeiro álbum noite passada no Imperator - Centro Cultural João Nogueira. Com um show arrasador, a Folks se provou uma das bandas mais viáveis da nova safra para  brilhar no mainstream, assim que o bloqueio for quebrado como está pra acontecer. 

Muito bom ver uma banda independente com um esquema profissional em produção, um belo cenário, iluminação, som no talo, músicos competentes e empolgados. Um único senão. A mix foi igual à do disco, uma guitarra em cada canal do estéreo, mas  a configuração da casa atrapalhou a audição de quem estava em um do lados.  Fiquei na arquibancada esquerda e tinha a guitarra base de Paulinho Barros na minha cara e distante, no outro lado, a afiada guitarra solo de Sérgio Sessim. Uma pena, pois Sérgio é criativo, toca muito bem e não pude apreciar plenamente seu trabalho.



Sergio Sessim

Fora isso o som estava perfeito. Outro senão veio da luz. Iluminadores ou light designers, como se diz agora, gostam de botar luz branca forte na cara da plateia e isso incomoda muito e prejudica a visão do palco, vejo isso em muitos shows, ontem não foi diferente. A banda tem um entrosamento perfeito, cada coisa no seu lugar, tudo bem ensaiado e um frontman de primeira em Kauan Calazans, meio caminho andado para um bom show. Com timbre potente, Kauan sabe dar nuances às interpretações, tem uma boa movimentação de palco e lida muito bem com a plateia. 



Paulinho Barros

O som do baixo de Vitor Carvalho podia estar mais alto na mix e a bateria de Ygor Helbourn, estava muito bem microfonada e amplificada. O homem bate forte e bem. Na música Led, que cita o Led Zeppelin, ele fez um solo rápido e eficiente, umas frases de Moby Dick pegariam bem nessa hora.



Vitor Carvalho

Eles tocaram o álbum inteiro, que estava à venda numa banca junto com camisetas e acessórios. Uma dosagem bem feita de músicas lentas e porradas, muitas com potencial radiofônico como Carol, Delírio, Para o Grande Amor, Muito Som. 



Ygor Helbourn

Presentes muitos integrantes de bandas do coletivo #acenavive. Kauan falou duas vezes da união e da ajuda mútua que rolam dentro deste novo movimento em que  as bandas são fãs umas das outras, um diferencial das gerações anteriores, mais competitivas entre si. Pode ser que este quadro mude quando algumas começarem a se destacar comercialmente, espero que não.



Eliza Schinner, baixista da banda Nove Zero Nove, atacou de DJ

Na discotecagem estiveram dois músicos: Eliza Schinner, baixista da Nove Zero Nove, que tocou um set com bandas independentes e Leandro Souto Maior, guitarrista da Fuzzcas, que preferiu um set de Classic Rock dos anos 60 e 70. 

Leandro Souto Maior, guitarra da  Fuzzcas, atacou de DJ

A abertura foi da banda Memora, que não estava num bom dia. Som desarrumado, embolado, baixo e bateria se perderam algumas vezes, o guitarrista e vocalista Rafael Lima timbrou mal sua guitarra, um som muito agudo bem sarapa e com uma Strato vermelha! Não entendi. 



Memora  - Rod Xavier, Filipe Lima, Rafael Lima 

Rod Xavier,  segundo vocal e guitarra, é que impediu a derrocada abissal do show. É muito bom no instrumento, bons timbres e solos e sua voz tem um tom soul bem legal, melhor que o de Rafael, que precisa modular mais as interpretações. Rafael admitiu ao microfone que não tinham ensaiado direito, erro, porque toda exposição pública deve ser para valer.

O fim de semana rock do Imperator, que teve três bandas na quinta (ver post abaixo) e a Folks na sexta, se completa neste sábado com a presença do Detonautas Roque Clube, com abertura da banda Diabo Verde. Rock On Imperator!



Setlist
Introdução
Paralelas Imperfeitas
Carol
A Casa Dos Lugares
Maquiagem
Até o Mundo Cair
Sei
Rascunho
Não Mande Flores (De Falla)
Para O Grande Amor
O Trago
Outra Vez
Delírio
Led
Muito Som




FICHA TÉCNICA
Produção Musical: Felipe Rodarte
Direção Artística: Constança Scofield 
Produção Executiva: Izabel Bellizzi
Cenografia: Ana Maria Monteiro de Barros
Montagem de cenário: Odara Atelier 
Técnico de Som: Flávio Pascarillo
Diretor de Palco: Felipe Domingues
Iluminador: Victor Pinheiro 
Roadies: Bruno Flores, Bruno Borges e Eric Pereira
Assistente de Produção: Cristiano Leal