quarta-feira, 30 de setembro de 2015

Roger Waters The Wall, o filme, mostra um mega espetáculo e os traumas do ex-Pink Floyd






Assisti nesta noite de terça no UCI do Norte Shopping a exibição única de Roger Waters – The Wall. Como esperava, um som de merda, curioso que antes passam um filmeco demonstração do sistema Dolby com um puta som, mas o filme não tem volume, nem presença, nem baixo. Perdi quando aqui esteve em março de 2012 porque estava recolhido para reparos, então me valeu a pena pelo visual, algo nunca visto num show de rock, a não ser em turnês do próprio Pink Floyd. 


Roger no Cemitério Militar de Anzio, o ator que representa seu pai não aparece no filme - cena deletada

Uma produção impressionante em som quadrafônico, mas, no UCI, em som merdafônico. A exibição se deu no mesmo dia em 2.200 salas em todo o mundo, mais 500 na América. Cogita-se de uma segunda sessão em outubro ou novembro, a depender do re$ultado desta. Onde vi estava quase lotado com ingressos a R$40 e R$20.

Depois do The End aparecem Nick Mason (bateria) e Roger Waters para responder perguntas de fãs enviadas pela internet. Aí há uma hilária e fina troca de farpas. A uma pergunta se havia algum arrependimento do que fizera no Pink Floyd, Roger Waters foi firme em dizer que não. Nick franziu o rosto, perguntou de novo e, diante da reiteração do outro, soltou um “deixa pra lá.” Waters fez muita merda na banda, era autoritário e despediu o tecladista fundador Rick Wright. Mais adiante Roger sacaneou Nick, dizendo que ele não era músico, só baterista. E quando Roger disse que a maioria das canções começava com improvisos dele e de Nick, este mandou um significativo “não é assim que me lembro.” Claro que não, Roger trazia tudo pronto.



O rock star convertido em líder fascista

Nick disse que gostaria de fazer uma turnê – “seria legal me tirar de casa”, acrescentou que Roger tinha tocado pelo mundo e indagou se não se sentia solitário. Roger admitiu que gostaria de fazer uma turnê com Mason e David Gilmour. “Por que David não vem tocar com a gente ou é a gente que não vai tocar com ele?”, indagou Waters, que ainda disse que a separação dele com Gilmour foi tranquila. Grossa mentira, teve uma brigalhada porque Roger tentou impedir que os demais usassem o nome da banda e perdeu. Mason disse que quando Waters saiu, ele  sentiu como se tivesse perdido um braço, mas “nos saímos bem.” Roger entubou essa, nada comentou, porque ele não só foi aos tribunais contra os demais, como ameaçou empresários americanos de processo caso contratassem a banda sob o nome Pink Floyd, uma tentativa de sabotar a turnê do primeiro álbum sem ele, A Momentary Lapse of Reason, lançado em setembro de 1987. Não deu certo, a turnê foi um sucesso.



Roger Waters fez The Wall para exorcizar a perda do pai, o tenente Eric Fletcher Waters, na região de Anzio, Itália em 18 de fevereiro de 1944, quando ele tinha cinco meses. O concerto é entremeado por cenas de uma peregrinação, com netos e bisnetos, ao cemitério militar de Anzio onde está a sepultura simbólica dele, porque o corpo nunca foi encontrado. O tenente Fletcher foi considerado MIA – Missing In Action – Desaparecido em Ação – o que alimentou a esperança de que estivesse vivo. No filme, Roger lê a carta de um militar que viu o pai ser morto, o que encerrou o caso. 

No começo do filme ele toca num trompete no cemitério a introdução de In The Flesh, a abertura da ópera, com um corte para o mega espetáculo, mostrado na íntegra nas diversas etapas. Nunca vi projeções tão perfeitas e gigantescas no muro de mais de 100 metros, gradualmente finalizado por roadies com blocos brancos de isopor até fechar completamente no final da primeira parte com Good Bye Cruel World.



Tenho uma identificação muito grande com The Wall, nada relacionado à perda prematura do pai porque tive o meu até os 21 anos de idade, mas pelo conceito do muro que o personagem Pink Floyd constrói à sua volta. Um internauta pergunta à dupla se eles derrubaram os muros em suas vidas particulares. Respondem que alguns, mas nem todos. É por aí. Todos temos nossos muros e somos apenas tijolos de outros muros maiores, como diz um verso.

Não vou me alongar sobre a história, nem sou crítico de cinema para saber ler de forma técnica o filme. Foram duas horas e 50 minutos que não me cansaram, não sei se porque conheço a história de cor, tenho livro a respeito, revejo de vez em quando o grande filme de Alan Parker. Deixo links de dois posts que fiz no meu antigo blog, Jam Sessions. O primeiro conta toda a história em detalhes, o segundo é a ficha técnica da turnê. No primeiro, o filme a que me refiro é o de Alan Parker.


Conheça em detalhes a história de The Wall 

A ficha técnica da turnê The Wall



segunda-feira, 28 de setembro de 2015

A grandeza na simplicidade do recital de Zélia Duncan no Espaço Furnas

Divulgação

O rock corre nas minhas veias e na minha alma, mas uma pausa após três dias pesados no Rock in  Rio é tão refrescante quanto  uma garrafa de água gelada num dia escaldante. Pois é, depois de vocalistas que não cantam, urram, e falam fuckers e motherfuckers a cada três palavras, adentrar o belo Espaço Furnas para ouvir um recital de voz e violão de Zélia Duncan foi um belo descarrego. O tom é a grandeza na simplicidade, Zélia é principalmente letrista de versos de uma beleza e consistência que nada devem aos grandes da música brasileira.




A meu pedido ela cantou Coração na Boca, uma canção de Intimidade, seu segundo álbum, pra mim a melhor e mais delicada tradução poética do amor na cama: “Adoro o silêncio antes do grito. Adoro o infinito de um momento rápido, o instrumento gasto, o ator aflito. O coração na boca, antes da palavra louca que eu não digo. Adoro te imaginar mesmo sem ter te visto.” Uma bela melodia de Lucina, da dupla Luhli e Lucina, dedilhada ao violão. 


Tudo Esclarecido

O Lado Bom da Solidão é um dos  quatro formatos que ela performa atualmente: este, o show do último disco, Tudo Esclarecido, com banda, mais um com Zeca Baleiro e o teatral Totatiando. E ainda tem o recital com Jaques Morelenbaum em tributo a Milton Nascimento, realizado em maio no Projeto Inusitado, a ser repetido no próximo três de outubro no Instituto Inhotim em Brumadinho, Minas Geraes. Os mais de 30 anos de estrada permitem que ela encarne todas essas personas com desenvoltura. 

Nos dois últimos meses sua rotina foi se transformar em cada uma dessas Zélias numa agenda concorrida e bem vinda em tempos de crise. Ela disse ter desenvolvido uma capacidade de adaptação a cada espaço desses Brasis, desde uma praça numa pequena ou grande cidade ao ambiente aconchegante do Espaço Furnas. Também se disse alegre por estar perto de casa, coisa rara ultimamente, e uma preocupação: “Vocês todos aqui, achei que o Rock in Rio ia ficar vazio (risos) O lado bom da solidão é encontrar vocês”. 

Totatiando

Pois é, enquanto na Cidade do Rock milhares de pessoas esperavam o pop oco megaproduzido de Katy Perry sob raios e trovões, a turminha bem abrigada ali em Furnas ouviu 28 belas canções e algumas historinhas de vida. Uma delas: “Eu não sabia que era compositora, sempre pensei em ser cantora, é só ao que me dedicava e dedico até hoje. Pensei que o que fazia no escuro do quarto fosse só meu, mas não, é de todo mundo, minha dor é a sua dor, minha emoção é a emoção de alguém, vai mudando de endereço, é de todo mundo. Um dia uma moça chegou no camarim e disse emocionada ‘Você fez essa música para mim’ e eu respondi ‘Claro!’” Era Não Vá Ainda, tocada ao bandolim.






Outra muito bela, O Tom do Amor, foi inspirada na conversa que uma mãe teve com o filho pequeno sobre o tema. Zélia fez a letra e o pai do menino, Moska, fez a música: “O amor nasce pequeno, cresce, fica estupendo. Às vezes o amor está ali, você nem tá sabendo. O amor tem formas, fôrmas, aromas, vozes, causas, sintomas. O amor...” Carne e Osso, outra parceria com Moska, é uma letra em que ela, de maneira indireta, critica esse fanatismo religioso: “a alegria do pecado tomou conta de mim e é tão bom não ser divina,” e mais adiante “Perfeição demais me agita os instintos. Quem se diz muito perfeito, na certa encontrou um jeito insosso, pra não ser de carne e osso.”


Foto de Paty Costa

Cito essas letras como exemplos dos temas que ela aborda nas músicas com talento e sensibilidade. ZD também sabe pinçar canções alheias que lhe digam alguma coisa. Telhados de Paris, do gaúcho Nei Lisboa, que disse tocar pra si mesma desde nova e acabou gravando no álbum Pelo Sabor do Gesto. E Mãos Atadas, da amiga Simone Saback, de Brasília, do começo da carreira dela nos anos 80, uma canção que esperava gravar com a amiga Cássia Eller mas “esperamos demais,” como ela diz. Ontem apenas tocou, não contou a história, acompanhei a gravação pro álbum Pré Pós Tudo Bossa Band e foram momentos emotivos que sempre me vem à mente quando ouço. Zélia tem um monte de músicas que deviam ter sido sucessos, mas o muro anticultural do mainstream embarreira o bom gosto.


No bis  Pelo Sabor do Gesto, Código de Acesso


Outra canção alheia, Quem mandou?, parceria do ídolo dela Itamar Assumpção com a poeta Alice Ruiz, a quem desfiou elogios, é outra bem forte registrada no álbum Tudo Esclarecido, só com o repertório de Itamar. Ela disse que Alice fala muito da posição da mulher no mundo e ela acha que todos os homens deviam ser feministas para ver a mulher em termos iguais. A canção trata do amor sem clichês, de maneira inteligente: “Você já veio com contraindicação, altos riscos de contaminação. Não dei bola, joguei a bula fora. Quem mandou?”



É isso, Zélia, cantora e compositora, é essa menestrel da vida, dos sentimentos, das contradições e dilemas destes ser humanos que somos. Em Benditas, uma linda letra que Martinália musicou, favorita de sua mãe Loise, ela abençoa a eterna busca nossa de cada dia. “Benditas coisas que eu não sei, os lugares onde não fui. Os gostos que não provei, meus verdes ainda não maduros. Os espaços que ainda procuro, os amores que eu nunca encontrei. Benditas coisas que não sejam benditas.” Na minha cabeça o último verso é benditas as coisas que não sejam bem ditas. É por aí. Ou não.

domingo, 27 de setembro de 2015

Rodrigo Santos e os Lenhadores, Erasmo Carlos e Ultraje a Rigor, o rock em dia pop no Rock in Rio

Erasmo Carlos - fotos de Cleber Junior

Fui ao festival no sábado só para ver os shows de Erasmo Carlos com Ultraje a Rigor no Palco Sunset e de Rodrigo Santos e os Lenhadores Kadu Menezes e Fernando Magalhães na Rock Street. São artistas emblemáticos do Rock Brasil. Erasmo é da Jovem Guarda, a geração que primeiro fez uma forma brasileira de rock nos anos 60 e até hoje se mantém ativo e criativo – lançou três bons álbuns de inéditas nos últimos cinco anos. Ultraje e Rodrigo são da Geração 80, que trouxe um rock brasileiro de qualidade que se incorporou de vez à música brasileira. 



Rodrigo Santos e Os Lenhadores

No show do Rodrigo, vi crianças cantando  quase todas as músicas de um setlist que teve Barão Vermelho, Lulu Santos, Paralamas do Sucesso, Legião Urbana e outros. Em dado momento estiveram no palco três integrantes do Barão, Rodrigo, Fernando e Guto Goffi. O show de Rodrigo e os Lenhadores seria o maior sucesso no Sunset porque ele mistura o repertório de sua banda ao de seus contemporânos, além do repertório solo, ausente do show de sábado.


Ultraje a Rigor

Peguei engarrafamento e, quando cheguei, o Ultraje já estava no palco diante de uma multidão maior do que nos dias anteriores, Roger cantava Filha da Puta com a plateia colaborando na hora do palavrão. Boa receptividade à música da banda, prova de que o repertório dos anos 80 está passando de geração em geração. Já na hora em que o Tremendão mandou suas canções com sua banda a receptividade foi menor. Já reparei em outros shows que o repertório da Jovem Guarda já não alcança a garotada infelizmente, estão muito contaminados pela música breganeja dos Luan Santanas da vida. Maior recepção teve É Proibido Fumar, por conta da gravação do Skank e sempre que Erasmo cantava “é proibido fumar” o povo respondia com “maconha” como nos shows da banda mineira.


Barão Vermelho na área: Guto Goffi, Rodrigo Santos e Fernando Magalhães

Não fiquei até o final porque o show do Rodrigo era às 17h30 na Rock Street, uma boa caminhada, felizmente existem as vias de serviço por trás dos palcos e estandes ou levaria horas para atravessar a massa compacta. Quando me aproximava dos fundos do palco com meu companheiro de cobertura, o fotógrafo Cleber Junior, encontrei George Israel, que tocara mais cedo e já ouvi Maior Abandonado. Rodrigo me disse depois que tinha sido a música para acertar o volume porque não teve passagem de som. 


Leonardo, filho de Rodrigo, tocou baixo em Bete Balanço

Quando cheguei na frente do palco me emputeci.  Um P.A. precário com apenas duas caixas de som médias de cada lado do palco. Nada compatível com o nível técnico do festival.  O karaokê de uma marca de refrigerantes mais atrás na mesma Rock Street tinha um P.A. melhor para os jovens desafinarem à vontade acompanhados por uma banda. E músicos de ponta do rock brasileiro não tinham o P.A. que merecem.


O lenhador Kadu Menezes

Tinha muita gente, principalmente jovens, cantando e pulando ao som da Festa Rock, título do CD que Rodrigo vai lançar no começo de outubro. Uma revisão das Geração 80 para cá com canções de Barão Vermelho, claro, Paralamas, Lobão, Charlie Brown Junior, Raimundos e Lulu Santos. A surpresa foi a presença de Guto Goffi, baterista do Barão, em Pense e Dance. O show teve apenas uma hora, a banda toca até três horas em seus shows individuais, o povo ficou gritando “bis bis”, mas o horário não permitia. 


Rodrigo Santos

Troquei algumas palavras com Rodrigo e Fernando e, com os pés doendo de caminhar muito e assistir em pé, fui para a sala de imprensa pelas vias de serviço e comecei a ouvir, já a uma certa distância, Mr. Lulu Santos, The Hitmaker, mandando ver no Palco Mundo. Fiz um lanche na mesa bem servida da sala de imprensa e sentei na varanda para ouvir e ver no telão o show do Lulu. Um hit atrás do outro, acho que ninguém da mesma geração emplacou tantos sucessos. Findo o show tirei o time de campo, o que vinha pela frente não me interessava. Pra mim foi o fim do festival.

Fernando Magalhães
Erasmo Carlos e Ultraje a Rigor

Setlist Rodrigo Santos e Os Lenhadores
Maior Abandonado
Lourinha Bombril
Meu Erro
Toda Forma de Amor
Proibida Pra Mim/Será
Por Que A Gente É Assim
Bete Balanço – Leonardo Santos no baixo
Pense e Dance – Guto Goffi na bateria
Por Você/With or Without You/Sangue Latino
Tempo Perdido
Óculos
Mulher de Fases
Que País É Esse  – antes Rodrigo puxou o coro de “Hey Dilma, vá tomar no cu” e disse “Mensalão, corrupção, esse é o futuro da nossa nação.”
Vida Louca Vida
Exagerado – “Viva Cazuza”
Pro Dia Nascer Feliz – “Um abraço pro meu amigo Frejat.”






















sábado, 26 de setembro de 2015

Encerramento rock do festival teve o terror do Slipknot, o sinfônico do Nightwish, o virtuosismo de Steve Vai e mais

O rock se despediu do Rock in Rio na base da porrada feroz da banda americana Slipknot na noite de sexta, depois de uma apresentação decepcionante do Faith No More, das pegadas com peso do Mastodon e do único representante latino do festival, o De La Sierra. Isso no Palco Mundo. No bem mais interessante Palco Sunset valeu muito o encontro da banda portuguesa de metal gótico Moonspell com o vocalista do Sepultura, Derrick Green ,especialmente em dois momentos delirantes com (War For) Territory e Roots Bloody Roots, do Sepultura que a multidão cantou junto. Depois teve um encontro de metal sinfônico nórdico com a banda Nightwish e o vocalista da Sonata Artica Tony Kakko e o grand finale com Steve Vai e a orquestra Camerata de Florianópolis.




Corey Taylor, vocalista do Slipknot, abusa bastante dos palavrões, principalmente em  chamar todo mundo de “motherfucker”, cara que fode a mãe, o palavrão inglês que corresponde ao nosso filho da puta. Parece que a plateia adora, porque urra cada vez que ele faz essas invocações para exaltar o heavy metal ou mandar que a massa repita alguma coisa ou obedeça seus comandos, como quando mandou todo mundo se abaixar para depois levantar a seu comando. Não acho a menor graça nisso, mas vox populi vox dei, fazer o que. Ouvi na sala de imprensa gente perguntar se aquilo é música. É sim, gosto da fúria sonora da banda, atende a um dos fundamentos básicos do rock, a revolta e o desafio a quem pergunta se aquilo é música. É a parte mais visceral do rock mostrado na noite de sexta em meio à chuva fina que brindou o festival a partir da apresentação do Faith No More, que quase fez jus ao nome, No More, Não Mais, quando o vocalista Mike Patton despencou do palco ao errar o cálculo e falhar num mergulho no público.   O Slipknot comemorou no palco o aniversário do palhaço percussionista, aliás do fucking clown, Shawn Crahan, Corey pediu a todos os motherfuckers que cantassem parabéns pra ele o que a multidão fez, em inglês.


Slipknot


O Faith No More prestou homenagem às religiões afrobrasileiras da umbanda e do candomblé com um palco decorado e roupas brancas. A banda não estava energizada como das vezes anteriores em que aqui esteve, achei meio brocha, não houve grande resposta do público a não ser nas músicas mais conhecidas, que incluiu uma recriação do primeiro sucesso dos Bee Gees, I Started a Joke. Como estava numa noite de metal, esperava-se dos sem fé,um esforço maior de energia para motivar uma massa que não pareceu ter número significativo de fãs da banda, mas não rolou. Patton se foi contundido depois de um bis que animou pela oldie We Care a lot. Já a plateia nem tanto.

Faith No More


Recuando o relógio a banda Mastodon fez uma estreia brasileira com um show bem amarrado com uma interessante saraivada de solos, mas não  me despertou atenção. Meu cérebro roqueiro sempre me dá um alerta quando é algo interessante em 51 anos de audição de roquenrol e isso não aconteceu com o Mastodon, em que pese o show correto. Cheguei tarde  para a abertura do Sunset com os Clássicos do Terror numa banda liderada por André Abujamra. Peguei a segunda  atração, os portugueses do Moonspell, que já tocaram no Rock in Rio Lisboa e estrearam na matriz com um show em que dosaram a tecladaria progressiva de Pedro Paixão com a distorção da guitarra de Ricardo Amorim e os vocais de Fernando Ribeiro e a participação incendiária em números do Sepultura de Derrick Green, quando se abriram as rodas de pogo.





Não gosto do rock sinfônico do Nightwish, mas é uma sonoridade imponente e muito bem executada pela banda com sua impressionante vocalista holandesa Floor Jansen, um mulherão de cinco metros de altura que manda muito bem em voz e presença. Continuo fiel à deusa Tarja Turunem, mas La Jansen dá conta do recado e o convidado Tony Kakko somou no show e foi bem tietado quando saiu para ver o Moonspell e o show de encerramento com Steve Vai.

E Steve foi muito bem na sua apresentação, sempre tenho pé atrás com ele porque muitas vezes privilegia a técnica em detrimento do sentimento. Desta vez dosou bem para se integrar ao apoio dado pelas cordas, sopros e percussão da Camerata, em momentos de grande beleza. Num deles fui às lágrimas, solitário na apreciação do que rolava com um bando de gente fofocando e badalando à minha volta. É impressionante o número de pessoas que vai a festivais para fazer tudo, menos prestar atenção na música. Foi uma grande noite no Sunset, meus parabéns a Zé Ricardo e equipe pela escalação.

Steve Vai e Camerata Florianó


Que mais…andei dando um rolé pelas vizinhanças do Sunset, fui lá perto da montanha russa (acho que tem outro nome) ouvir de perto os gritos de medo e excitação do povo com os mergulhos e piruetas do trenzinho. Creio que vomitava a alma se andasse naquele troço. O povo que voa na tirolesa também grita bastante, deu pra ouvir quando cheguei perto da estrutura de chegada do brinquedo. Ainda bem que não bebo mais, porque a cerveja está a 10 paus. No ritmo que bebia antigamente iria à falência. Só numa quadra perto do Sunset há uma boa variedade de comidas,  incuindo japonesa, árabe, combos de frango com acompanhamento, uma loja lotada da Chili Beans, uma dos produtos licenciados do festival, posto médico e banheiros, sempre com grandes filas (quem deixa a bexiga encher antes de ir ao banheiro sofre).


Mastodon

Hoje, sábado, vou lá para ver Erasmo Carlos com Ultraje a Rigor e Rodrigo Santos e os Lenhadores, depois me mando. O final de semana é  da turma que gosta de pop music. Quando deixar a cidade do rock o festival estará terminado para mim.

sexta-feira, 25 de setembro de 2015

Queens of the Stone Age são destaque na quinta noite do Rock in Rio



Fotos de Cleber Junior

O quinto dia do festival para mim teve como destaques a fúria criativa da banda paulistana Project 46, a precisão e rica pesquisa de timbres da Queens of the Stone Age, a farra dos Hollywood Vampires e a performance tipo one man show de Serj Tankian à frente do System of a Down, muitas vezes dando a impressão de trilha sonora de desenho animado. O público que salta dos ônibus papa fila, como se dizia antigamente, do BRT  foi o herói do dia por andar mais de um quilômetro embaixo de um sol de janeiro que cismou de pintar antes da hora. Tava quente pra cacete, mesmo com uma caminhada bem mais curta, cheguei na refrigeradíssima sala de imprensa soltando fumacinha e mandei pra dentro logo uma garrafa de meio litro d’água e uns beliscos antes de iniciar a longa caminhada para o palco Sunset.



Setlist Queens of the Stone Age


Mais uma vez houve boicote de fotografias aos que não são da grande imprensa. Assessorias de imprensa não querem saber quem você é, só onde você trabalha. Uma assessora disse que os nomes de fotógrafos são enviados para a produção das bandas, que decide quem vai poder fotografar. Fiquei pasmo que  produtores de bandas estrangeiras conhecessem a mídia brasileira em detalhes para saber quem deviam permitir que fotografasse suas bandas. Isso é que é know-how!!! De resto a organização do festival está impecável. Uma boa infra para o público com as inevitáveis filas, muitas opções de rango – tive um momento coxinha – de galinha, a oito mirréis no Informal, os brinquedos funcionam direto, perto do Palco Sunset fica uma montanha russa com uma trilha sonora de berros de medo no mergulho dos trens.




Alice Cooper

Ih, tou enchendo linguiça, que dentro de dois pedaços de pão custa 18 reais no Informal, a propósito. Os shows começam na hora. Estava chegando ao Sunset quando começou a barulheira do John Wayne, metal alternativo da periferia paulista, como apregoou o vocalista, só de bermuda. Uma banda coesa com um bom baterista, mas rigorosamente dentro dos clichês do gênero nas levadas, escolha de timbres e  voz gutural em que não se entende uma palavra do que está cantando. Só quem conhece as músicas sabe do que se trata. Não gostei muito não. A John Wayne fez meio show porque era dividido com a Project 46, também paulistana. Esta se mostrou interessante na escolha dos arranjos, não era aquela coisa direta e repetitiva da anterior, havia variações e climas, embora pouco se entendesse do vocal (em português).


Setlist System of a Down

Fiquei lá pelo Sunset mesmo, porque a sala de imprensa é muito longe,  na espera da terceira banda, Hale Storm, liderada pela louraça belzebu Lzzy Hale (é sem i mesmo) que comandou um  show de heavy metal tradicional, algumas canções trouxeram o nome de Joan Jett à minha cabeça, é na mesma vibe. Canções que a gente acha que já ouviu antes, como acontece quando se recorre a clichês sonoros. Lzzy pilotou três guitarras clássicas, uma Explorer e duas Gibson, Les Paul e SG e se comunicou bem com a plateia. Agradou, mas a massa tava a fim mesmo da porradaria do Cordeiro de Deus, Lamb of God, do vocalista Randy Blythe, que enxugou uma prisão de sete meses em 2012 na República Tcheca, causado da morte de um fã que subiu no palco, ele empurrou pra baixo, o garoto teve traumatismo craniano e morreu. Ele foi inocentado.
A entrada do Lamb teve imagens de destruição e uma explosão nuclear no telão, reflexo dos temas de suas canções, mas o tom gutural do vocalista não permite que o recado seja dado para os não iniciados. O público delirou , urrou junto e abriu uma roda de pogo gigante, um amigo meu foi até puxado pra dentro dela, foi um sufoco sair dali, parecia um redemoinho digno de um furacão.



Randy Blythe - Lamb of God


Dancei no Deftones, sempre passa nos telões do Palco Mundo, mas estava praticamente sem som e fiquei sem ânimo para atravessar a massa de novo rumo ao palco Sunset – já tinha voltado para o oásis da sala de imprensa. Os fogos ao som de Bohemian Rhapsody e do tema do festival em versão instrumental marcaram a abertura do Palco Mundo. Peraí, o CPM22, já tinha tocado, mas parece que não consideraram o show deles a abertura. Não gosto da banda, mas achei sacanagem.



Caio Bezerra - Project 46


Encerrado o belo espetáculo dos fogos, entrou a mais luxuosa banda de covers  da história do rock. Na frente Alice Cooper, Johnny Depp e Joe Perry (Aerosmith). Atrás, no que Alice chama de os bagos dos vampiros, a ex-cozinha do Guns’n’Roses, Duff McKagan no baixo e Matt Sorum na bateria. E participações na bateria e percussão de Zak Starkey, filho de Ringo Starr, e de Lzzy Hale, que mandou muito bem em Whole Lotta Love. Foi um  show curto, feito para agradar o público pela sucessão de clássicos do rock como My Generation (Who), Break On Through (Doors), School’s Out com citação de Another Brick in the Wall pela semelhança dos temas, e outras.  Depp enganou nas bases e Joe Perry mandou ver nos solos. Alice Cooper está com a mesma cara de sempre. Bruxaria ou botox? Merecia uma apresentação mais longa.



Setlist Hollywood Vampires


A sala de imprensa fica na lateral do Palco Mundo, dá uma boa visão do telão e da banda. De maneiras que vi os dois últimos shows da varanda da sala de imprensa, fui mais perto – e dá para chegar bem perto pela lateral – porque não estava distinguindo Perry de Depp. Não tinha gostado dos shows anteriores das Rainhas da Idade da Pedra nos festivais de 2001 e 2011, mas desta vez foi absurdamente do cacete, pra não dizer do caralho. Uma precisão absoluta nas levadas, tudo muito bem amarrado, os três guitarristas -  Josh Homme, o líder, Troy Van Leeuwen e Dean Fertita – muito entrosados em timbres distintos, o baterista Jon Theodore numa levada reta que amarra a levada da banda que vai na pulsação dele e do baixo meio seco de Michael Shuman. O volume estava poderoso, mixagem perfeita e o público deitou e rolou com a banda. Engraçado que em algumas músicas, o timbre de Homme me remeteu a David Byrne, do Talking Heads.




Setlist Lamb of God


O System Of A Down entrou com um volume mais baixo do que a banda anterior. Não entendi, headliners sempre tem o melhor do P.A. . Não foi o caso, o volume parecia de banda de abertura, o que prejudicou a banda como um todo, não foi tão imponente como as Rainhas. Para o público não pareceu fazer a menor diferença. O SOAD entrou com o jogo ganho de goleada. O grande barato da banda sã os climas que ela cria com a apresentação teatralizada de Serj Tankian. Tin há horas que parecia trilha sonora de desenho animado, com as vozes engraçadas que ele fazia e as intervenções instrumentais no encalço dos vocais. Apesar de estagnada, não lança disco há 10 anos e pouco faz turnê, a banda defendeu muito bem suas cores, poucas vezes eles vão para clichês sonoros de metal, no geral é uma sonoridade bem distinta, até pela influência da ascendência armênia da banda, muitas vezes parece metal étnico, uma sonoridade cigana e folclórica, Serj faz um vocais onomatopaicos que remetem à culturas do Leste europeu. Isso contribui para a personalidade original do SOAD, que, espera-se, saia do marasmo e siga adiante.

domingo, 20 de setembro de 2015

Ministry faz o melhor show da segunda noite do Rock In Rio

Obs. Não tem foto do Metallica. O fotógrafo que cobre comigo, Cleber Jr., não foi autorizado a registrar a banda.




Al  Jourgensen - Ministry - Fotos de Cleber Junior

Pelo que estou vendo no noticiário, o destaque da terceira noite para a maioria dos jornais foi o Metallica. Não para mim. Meu lead fica para o Ministry, no Palco Sunset, um dos shows mais avassaladores já vistos e ouvidos nos meus 51 anos de rock’n’roll. Uma potência musical avassaladora, com graves dando socos no estômago de quem estava perto, como eu. A banda trabalha na região grave das guitarras, o som do baixo é bem mais à frente e profundo, ao contrário das bandas de metal que o preferem mais seco. O vocalista Al Jourgensen é uma figura assustadora, longos dreads, piercings, calças estranhas, uma bata idem e um vocal de profundida abissal. Achei incrível como as bandas que precederam, Angra e Noturnall, ficaram pequenas  diante do Ministry.






O peso avassalador heavy/industrial do Ministry embala canções com forte tom  político como a primeira do show, Hail to His Majesty, que xinga os que não lutam por seus direitos: “Odeio vocês, filhos da puta. Lavradores. Salve a rainha. Vocês são estúpidos. Chupem a porra do pau da minha mãe. Chupem os bagos da minha mãe. Colares depérolas para todos. Fodam-se, não estou nem aí.” Quanto lirismo. Em Punch On The Face mais porrada: “Soco na cara, você precisa de um soco na cara. Nada como um massacre com soco na cara. Voce precisa de um soco na cara.” Metafórico, espero. Em Lies Lies Lies ele diz que o governo escondeu as razões verdadeiras do 11 de setembro: “A América foi sequestrada, não por Bin Laden, nem pela Al Qaeda, mas por um grupo de tiranos, o que devia preocupar todos os americanos. Desinformação, mentiras e enganação. Se não tem nada a esconder porque o medo de responder a certas perguntas.” Em Permawar fala do estado de guerra permanente instalado em 2001 depois do atentado às torres gêmeas: “ Lutamos guerras sem fim por lucro e diversão. Você vive e morre pelo american way com o mesmo objetivo: faturar toneladas de dinheiro vivo.” Este é o Ministry.


Mulheres  zumbis fazem pole dance no show do Noturnall: heavy metal ou circo?

Daí que não tenho saco para bandas que chafurdam nos clichês do roquenrol como Angra e Noturnall, que abriram a noite no Palco Sunset, idolatrados por uma multidão que chegou cedo ao festival, o Palco Sunset abriu às 15h15. São bons músicos, mas pecam pela falta de criatividade. Os guitarristas parecem ter aprendido os solos na mesma escola, sempre rápidos na região mais aguda da guitarra com as duas mãos. Achei engraçado  quando avisaram que era a despedida temporária de Kiko Loureiro, que vai para o Megadeth, apresentaram o substituto, Marcelo Barbosa,  que tocou igual ao Kiko. My balls.


O Angra teve a participação da cantora de metal alemã Doro Pesch, com uma voz de personagem de desenho animado, e o folclórico Dee Snider, com uma camisa de Fuck It, que cantou I Wanna Rock e uma canção com título roubado da ópera Tommy, do Who, We’re Not Gonna Take It. A figura da noite foi Maria Odete, mãe do vocalista Thiago Bianchi do Noturnall, que interrompeu o som  pesado para cantar Woman In Chains, do Tears For Fears. Sem falar nas mulheres zumbis de pernas de fora que bateram cabeça no palco e fizeram pole dance e alguém fantasiado de mulher grotesca que vagou pelo palco um tempo. Prefiro o Eddie.


Dee Dee Snider e Doro Pesch no Angra

Pulei o Korn e Gojira para curtir de montão no Palco Mundo a dupla Royal Blood, formada por Mike Keer (baixo aditivado e voz) e Ben Thatcher (bateria). Mike faz com que seu instrumento tenha som de baixo e de guitarra ao mesmo tempo com o sinal direcionado para amplificadores diferentes com efeitos. O som de guitarra fica mais pros médios, não chega aos agudos e o baixo é profundo. Ben manda ver na bateria com intensidade como são só dois no palco, ele faz levadas como  solos de bateria, senta a porrada mesmo e quando Mike está em devaneios instrumentais ele desce da bateria para dar um passei no palco, num a hora chegou a se jogar nos braços do público,  que o virou para cima e para baixo antes de devolvê-lo. É uma formação nova, 2013 na cidade inglesa de Brighton e tem apenas um álbum lançado. Conheci o duo no You Tube quando estavam ainda nos  singles iniciais, Little Monster e Out of The Black, tocados no festival. Eles tiveram  boa recepção do público, apesar de pouco conhecidos e ao final mereceram o coro de “Royal Blood, Royal Blood,” principalmnente porque Mike jogou pra galera com o riff de Iron Man, do Black Sabbath.


Royal Blood Mike Keer e Ben Thatcher


Depois do Royal fui para a sala de imprensa comer algo e beber água. Pouco depois, o fotógrafo que cobre o festival comigo disse que não tinha sido autorizado a fotografar, lhe disseram que apenas uns poucos iam poder fazer. Daí decidimos vir embora, saímos quando Motley Crue começavam sua farofa azeda e cheguei em casa a tempo de ver o final. Daí Metallica. Eu escrevi no Face que a banda estava estagnada e ouvi protestos. Eles não lançam discos desde Death Magnetic (2008) e vieram pro festival com o mesmo show das edições de 2011 e 2013. Mas é claro que são uma puta banda e fazem um excelente show, infelizmente marcado por falhas no P.A. com explicação oficial de que o sinal falhou entre a mesa da banda e a do festival. Eles mudaram o setlst para não repetir totalmente os shows anteriores mas não tinham como deixar os clássicos de fora, tanto dos primeiros álbuns quando do álbum preto eu marcou a virada no som deles. Foi um show impecável mas com um sabor de  dèjá vu.




Setlist Royal Blood




Setlist Ministry





sábado, 19 de setembro de 2015

Brian May brilha na volta do Queen ao Rock in Rio


Brian May - Fotos de Cleber Junior

Adam Lambert passou por uma prova de fogo na noite de abertura do Rock in Rio. Queen sem Freddie Mercury seria o mesmo que Rolling Stones e Led Zeppelin com outro vocalista. Em 2008 o ex-vocalista do Free e do Bad Company Paul Rodgers se saiu bem numa passagem por aqui com o Queen, um músico experiente com rock nas veias. Adam Lambert já foi vocalista de bandas de rock, mas,  depois de revelado pelo programa de calouros American Idol, em 2009, optou por um formato pop arghhh, ao estilo do mainstream americano. Foi escolhido por Brian May e Roger Taylor para uma nova encarnação do Queen e correu mundo antes de aportar aqui para o 30º aniversário do Rock In Rio como a mais emblemática banda da primeira edição.

Adam se revelou um grande intérprete em termos de potência vocal, com um alcance quase semelhante ao de Freddie. Seu visual provocou comentários no meu Facebook de que parecia com Prince, com George Michael, Liberace, Ricky Martin, Elvis Presley gay e até Luan Santana. 


Roger Taylor, entre Adam e Brian

Gay declarado e assumido, ele se mostrou mais afetado do que o original. Fez poses num sofá roxo em Killer Queen e trocou de roupa cinco vezes, a última no encerramento, com We Are The Champions. O público deixou de lado comparações críticas e caiu na farra com um repertório de sucessos e o ponto alto e emocionante de Love of My Life cantado por Brian May e Freddie, no telão, mais 100 mil vozes. Ao final Brian agradeceu emocionado. Antes ele repetiu duas vezes uma saudação aos brasileiros em inglês e português cheio de sotaque: “É maravinhoso (sic) estar aqui de novo no Brasil depois de 30 anos, obrigado por esta calorosa recepção. Tudo bem? Estou muito emocionado, querem cantar comigo, vamos cantar”, disse. Antes, tirou fotos com um pau de selfie, artefato que o público foi proibido de levar para a Cidade do Rock.


Adam Lambert

Pelo jeito, Adam só não agradou à facção hardcore do rock, em que me incluo. Uma apresentação tecnicamente quase perfeita em termos de presença de palco e dotes vocais. Brian May foi a estrela da noite para mim, um dos grandes do rock com uma assinatura musical impecável, um timbre reconhecível e grande virtuosismo. Foi um tanto over na hora de seu solo, mas isso é só um detalhe diante da grandiosidade de seu trabalho. Roger Taylor mandou muito bem, abandonou a bateria apenas uma vez para cantar It’s a Kind of Magic e fez um duelo de bateria com o filho Rufus Tiger Taylor, que tocou percussão e fez vocais no restante do show. Complementaram a formação os músicos de apoio Spike Edney (teclados, vocais) e Neil Fairclough (baixo e vocais).



Brian May usa uma muralha de uns nove amplificadores Vox AC 30, o modelo que os Beatles usavam no começo da carreira e favorito de muitos guitarristas, incluindo ele, Herbert Vianna e The Edge (U2).  No caso, de uma série limitada que levou sua assinatura. Adam usou retorno in ear, mas Roger e Brian preferiram o retorno tradicional, havia muitos monitores espalhados pelo palco.






O repertório teve uma música solo de Adam infiltrada, Ghost Town, e os grandes sucessos da banda. O hino Bohemian Rhapsody teve Adam, a parte central num clipe no telão e Freddie também no telão, no começo e no verso final: “Anyway the wind blows.” Em Who Wants to Live Forever, como em alguns outros números, incluindo Save Me e I Want It All, Adam não esteve à altura do titular. Ao contrário de Paul Rodgers, que cantou à sua maneira, Adam de certa forma imitou as interpretações de Freddie com seu comparável alcance vocal, mas faltou alma, foi apenas técnica. Enfim, The Show Must Go On. A noite terminou com um espetacular show de fogos.


As bandas que precederam o Queen eram bem fracas e com semelhanças ao Coldplay.  The Script e One Republic agradaram ao público com  alguns sucessos e os truques habituais de elogios à plateia que lotou a Cidade do Rock.


Setlist

0:33

One Vision

Stone Cold Crazy

Another One Bites the Dust

Fat Bottomed Girls

In the Lap of the Gods

Seven Seas of Rhye

Killer Queen

Don’t Stop Me Now

I Wanna Break Free

Somebody to Love

Love of My Life

it’s a Kind of Magic

Drum battle

Under Pressure

Save Me

Ghost Town

Who Wants to Live Forever

Guitar solo

The Show Must Go On 

I Want It All

Radio Gaga

Crazy Little Thing Called Love

Bohemian Rhapsody

Bis

We Will Rock You

We Are The Champions

Fogos 2:39

Alguns comentários do meu Facebook.

  • Maria Valéria Bethonico É mesmo, Jamari e Rodrigo Santos! Rs...
    Senti falta do vigor da banda com o Freddie Mercury, era voz masculina forte, e de Rock!! A voz desse carinha aí é bem pro lírico, operística, achei fraco. Parece The Voice mesmo... Rsrs





  • Rodrigo Santos Tb to achando uma merda. Isso não é o queen...
    Rodrigo Raimundos Luan Santana com a Beyoncé
    Alfredo Villela de Andrade Eu não acho uma merda, não. Pasteurizado, sim. Brian May e Roger Taylor têm estrada. Continuam os mesmos. Bons pra caralho. Não basta ser bom. Estão faltando milhares de milhas pro Adam. Um dia ele chega lá. 
    Bjm Manfra Nossa, esse cara de lente azul nesse sofá roxo é a visão do demo...kkkkk 
    Bruno Gouveia Disse tudo! Quem nasceu pra príncipe não chega à majestade. Com os devidos trocadilhos, Adam é um "Prince" aos pés do "Queen".
    Mas o pouco que vi funcionou ... Como tributo.
     
      
    Rodrigo Raimundos Bem, eles foram claros em relação ao Freddy Mercury, não estão substituindo...
    André Luiz Bona O show passou da metade e ainda tenho a sensação de estar assistindo um Karaokê.

    Rodrigo Suricato
    Um detalhe interessante Jama: O amplificador vox signature do Brian May tem apenas 1 botão de volume e só! Nada de botão de grave, médios e agudos. Sensacional. Como se dissesse - Olha, já timbrei o amp! O melhor som dele é assim, não mexe em nada nada, não estrague meu amp. Eu sei o que é melhor pra vc... rsrs. Logicamente não é um "campeão de vendas".