sábado, 19 de setembro de 2015

Brian May brilha na volta do Queen ao Rock in Rio


Brian May - Fotos de Cleber Junior

Adam Lambert passou por uma prova de fogo na noite de abertura do Rock in Rio. Queen sem Freddie Mercury seria o mesmo que Rolling Stones e Led Zeppelin com outro vocalista. Em 2008 o ex-vocalista do Free e do Bad Company Paul Rodgers se saiu bem numa passagem por aqui com o Queen, um músico experiente com rock nas veias. Adam Lambert já foi vocalista de bandas de rock, mas,  depois de revelado pelo programa de calouros American Idol, em 2009, optou por um formato pop arghhh, ao estilo do mainstream americano. Foi escolhido por Brian May e Roger Taylor para uma nova encarnação do Queen e correu mundo antes de aportar aqui para o 30º aniversário do Rock In Rio como a mais emblemática banda da primeira edição.

Adam se revelou um grande intérprete em termos de potência vocal, com um alcance quase semelhante ao de Freddie. Seu visual provocou comentários no meu Facebook de que parecia com Prince, com George Michael, Liberace, Ricky Martin, Elvis Presley gay e até Luan Santana. 


Roger Taylor, entre Adam e Brian

Gay declarado e assumido, ele se mostrou mais afetado do que o original. Fez poses num sofá roxo em Killer Queen e trocou de roupa cinco vezes, a última no encerramento, com We Are The Champions. O público deixou de lado comparações críticas e caiu na farra com um repertório de sucessos e o ponto alto e emocionante de Love of My Life cantado por Brian May e Freddie, no telão, mais 100 mil vozes. Ao final Brian agradeceu emocionado. Antes ele repetiu duas vezes uma saudação aos brasileiros em inglês e português cheio de sotaque: “É maravinhoso (sic) estar aqui de novo no Brasil depois de 30 anos, obrigado por esta calorosa recepção. Tudo bem? Estou muito emocionado, querem cantar comigo, vamos cantar”, disse. Antes, tirou fotos com um pau de selfie, artefato que o público foi proibido de levar para a Cidade do Rock.


Adam Lambert

Pelo jeito, Adam só não agradou à facção hardcore do rock, em que me incluo. Uma apresentação tecnicamente quase perfeita em termos de presença de palco e dotes vocais. Brian May foi a estrela da noite para mim, um dos grandes do rock com uma assinatura musical impecável, um timbre reconhecível e grande virtuosismo. Foi um tanto over na hora de seu solo, mas isso é só um detalhe diante da grandiosidade de seu trabalho. Roger Taylor mandou muito bem, abandonou a bateria apenas uma vez para cantar It’s a Kind of Magic e fez um duelo de bateria com o filho Rufus Tiger Taylor, que tocou percussão e fez vocais no restante do show. Complementaram a formação os músicos de apoio Spike Edney (teclados, vocais) e Neil Fairclough (baixo e vocais).



Brian May usa uma muralha de uns nove amplificadores Vox AC 30, o modelo que os Beatles usavam no começo da carreira e favorito de muitos guitarristas, incluindo ele, Herbert Vianna e The Edge (U2).  No caso, de uma série limitada que levou sua assinatura. Adam usou retorno in ear, mas Roger e Brian preferiram o retorno tradicional, havia muitos monitores espalhados pelo palco.






O repertório teve uma música solo de Adam infiltrada, Ghost Town, e os grandes sucessos da banda. O hino Bohemian Rhapsody teve Adam, a parte central num clipe no telão e Freddie também no telão, no começo e no verso final: “Anyway the wind blows.” Em Who Wants to Live Forever, como em alguns outros números, incluindo Save Me e I Want It All, Adam não esteve à altura do titular. Ao contrário de Paul Rodgers, que cantou à sua maneira, Adam de certa forma imitou as interpretações de Freddie com seu comparável alcance vocal, mas faltou alma, foi apenas técnica. Enfim, The Show Must Go On. A noite terminou com um espetacular show de fogos.


As bandas que precederam o Queen eram bem fracas e com semelhanças ao Coldplay.  The Script e One Republic agradaram ao público com  alguns sucessos e os truques habituais de elogios à plateia que lotou a Cidade do Rock.


Setlist

0:33

One Vision

Stone Cold Crazy

Another One Bites the Dust

Fat Bottomed Girls

In the Lap of the Gods

Seven Seas of Rhye

Killer Queen

Don’t Stop Me Now

I Wanna Break Free

Somebody to Love

Love of My Life

it’s a Kind of Magic

Drum battle

Under Pressure

Save Me

Ghost Town

Who Wants to Live Forever

Guitar solo

The Show Must Go On 

I Want It All

Radio Gaga

Crazy Little Thing Called Love

Bohemian Rhapsody

Bis

We Will Rock You

We Are The Champions

Fogos 2:39

Alguns comentários do meu Facebook.

  • Maria Valéria Bethonico É mesmo, Jamari e Rodrigo Santos! Rs...
    Senti falta do vigor da banda com o Freddie Mercury, era voz masculina forte, e de Rock!! A voz desse carinha aí é bem pro lírico, operística, achei fraco. Parece The Voice mesmo... Rsrs





  • Rodrigo Santos Tb to achando uma merda. Isso não é o queen...
    Rodrigo Raimundos Luan Santana com a Beyoncé
    Alfredo Villela de Andrade Eu não acho uma merda, não. Pasteurizado, sim. Brian May e Roger Taylor têm estrada. Continuam os mesmos. Bons pra caralho. Não basta ser bom. Estão faltando milhares de milhas pro Adam. Um dia ele chega lá. 
    Bjm Manfra Nossa, esse cara de lente azul nesse sofá roxo é a visão do demo...kkkkk 
    Bruno Gouveia Disse tudo! Quem nasceu pra príncipe não chega à majestade. Com os devidos trocadilhos, Adam é um "Prince" aos pés do "Queen".
    Mas o pouco que vi funcionou ... Como tributo.
     
      
    Rodrigo Raimundos Bem, eles foram claros em relação ao Freddy Mercury, não estão substituindo...
    André Luiz Bona O show passou da metade e ainda tenho a sensação de estar assistindo um Karaokê.

    Rodrigo Suricato
    Um detalhe interessante Jama: O amplificador vox signature do Brian May tem apenas 1 botão de volume e só! Nada de botão de grave, médios e agudos. Sensacional. Como se dissesse - Olha, já timbrei o amp! O melhor som dele é assim, não mexe em nada nada, não estrague meu amp. Eu sei o que é melhor pra vc... rsrs. Logicamente não é um "campeão de vendas".
       
     

6 comentários:

  1. Gravei o show do Queen e hoje estou assistindo com o amplificador e nas caixas acústicas, e realmente foi um showzaço, apesar dos exageros de boiolice do vocalista, foi muito bom!!
    Ouvindo nas caixas acústicas é outro papo!!
    A banda tocou muito, e o vocalista se saiu muito bem, tem uma excelente voz, e presença de palco, mas claro que o Freddie Mercury é insubstituível, mas ele fez o papel dele!!
    Stone Cold Crazy ficou muito porrada!!

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  2. Não adianta ver o show do QUEEN procurando semelhanças entre Adam e Freddie, pois são estilos e principalmente gerações diferentes. Não é caso de uma substituição pois Freddie Mercury já não está entre nós, mas Adam tem muitas qualidades e deu para ver claramente isso ontem. Como já comentei em sua página do FACEBOOK que tecnicamente falando o Adam tem uma extensão vocal maior, mas tem uma coisa chamada carisma que que faz toda a diferença. Parece que Deus dá uma pitada de tempero a mais no individuo que faz com que ele brilhe mais que os outros mortais seja no que ele faça. E Freddie era uma dessas pessoas. Depois do show de ontem já estou achando que Freddie Mercury era muito machão no palco.rs

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  3. Sinceramente, eu já estou irritada com a mania das pessoas quererem comparar um artista com outro. Lambert não quer imitar ninguém. O cara está começando.
    Quando Paul Rodgers aceitou o convite para apresentar-se com o Queen (Queen + Paul Rodgers) ocorreu o mesmo questionamento. No meet & greet do Queen + Paul Rodgers no Rio de Janeiro, estavam os integrantes do Paralamas do Sucesso (que gosto muito) e o Barone pedindo autografo ao Rodgers. Achei o máximo porque todos somos fãs de alguém. Antes de fazer a parceria com Queen, Rodgers já tinha um bagagem no cenário musical, muito bem sucedida, como vocalista do Bad Company e Free.
    Não gostar das músicas do Queen, questão de gosto e respeito quem não gosta, mas dizer que o show foi uma m**** , não entende nada de música.
    Brian e Roger ainda tem animo para se apresentarem num palco. No começo, como fã do Queen, não entendi a proposta do guitarrista e baterista. Confesso que torci o nariz para um possível volta do Queen, mas ao ver os shows com as parcerias, acho muito bom que os sessentoes Brian e Roger continuam mostrando o quão são bons nos instrumentos que escolheram.
    Os solos de Brian são excelentes, elogiados por renomados guitarristas que afirmaram que os arranjos de Brian são caprichados, com sonoridade sem igual, sem contar que ele construiu a própria guitarra, a Red Special. Brian é único!
    Admiro muitos guitarristas e cada um tem seu estilo, feeling etc. Eles são diferentes e incomparáveis.

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