sábado, 26 de setembro de 2015

Encerramento rock do festival teve o terror do Slipknot, o sinfônico do Nightwish, o virtuosismo de Steve Vai e mais

O rock se despediu do Rock in Rio na base da porrada feroz da banda americana Slipknot na noite de sexta, depois de uma apresentação decepcionante do Faith No More, das pegadas com peso do Mastodon e do único representante latino do festival, o De La Sierra. Isso no Palco Mundo. No bem mais interessante Palco Sunset valeu muito o encontro da banda portuguesa de metal gótico Moonspell com o vocalista do Sepultura, Derrick Green ,especialmente em dois momentos delirantes com (War For) Territory e Roots Bloody Roots, do Sepultura que a multidão cantou junto. Depois teve um encontro de metal sinfônico nórdico com a banda Nightwish e o vocalista da Sonata Artica Tony Kakko e o grand finale com Steve Vai e a orquestra Camerata de Florianópolis.




Corey Taylor, vocalista do Slipknot, abusa bastante dos palavrões, principalmente em  chamar todo mundo de “motherfucker”, cara que fode a mãe, o palavrão inglês que corresponde ao nosso filho da puta. Parece que a plateia adora, porque urra cada vez que ele faz essas invocações para exaltar o heavy metal ou mandar que a massa repita alguma coisa ou obedeça seus comandos, como quando mandou todo mundo se abaixar para depois levantar a seu comando. Não acho a menor graça nisso, mas vox populi vox dei, fazer o que. Ouvi na sala de imprensa gente perguntar se aquilo é música. É sim, gosto da fúria sonora da banda, atende a um dos fundamentos básicos do rock, a revolta e o desafio a quem pergunta se aquilo é música. É a parte mais visceral do rock mostrado na noite de sexta em meio à chuva fina que brindou o festival a partir da apresentação do Faith No More, que quase fez jus ao nome, No More, Não Mais, quando o vocalista Mike Patton despencou do palco ao errar o cálculo e falhar num mergulho no público.   O Slipknot comemorou no palco o aniversário do palhaço percussionista, aliás do fucking clown, Shawn Crahan, Corey pediu a todos os motherfuckers que cantassem parabéns pra ele o que a multidão fez, em inglês.


Slipknot


O Faith No More prestou homenagem às religiões afrobrasileiras da umbanda e do candomblé com um palco decorado e roupas brancas. A banda não estava energizada como das vezes anteriores em que aqui esteve, achei meio brocha, não houve grande resposta do público a não ser nas músicas mais conhecidas, que incluiu uma recriação do primeiro sucesso dos Bee Gees, I Started a Joke. Como estava numa noite de metal, esperava-se dos sem fé,um esforço maior de energia para motivar uma massa que não pareceu ter número significativo de fãs da banda, mas não rolou. Patton se foi contundido depois de um bis que animou pela oldie We Care a lot. Já a plateia nem tanto.

Faith No More


Recuando o relógio a banda Mastodon fez uma estreia brasileira com um show bem amarrado com uma interessante saraivada de solos, mas não  me despertou atenção. Meu cérebro roqueiro sempre me dá um alerta quando é algo interessante em 51 anos de audição de roquenrol e isso não aconteceu com o Mastodon, em que pese o show correto. Cheguei tarde  para a abertura do Sunset com os Clássicos do Terror numa banda liderada por André Abujamra. Peguei a segunda  atração, os portugueses do Moonspell, que já tocaram no Rock in Rio Lisboa e estrearam na matriz com um show em que dosaram a tecladaria progressiva de Pedro Paixão com a distorção da guitarra de Ricardo Amorim e os vocais de Fernando Ribeiro e a participação incendiária em números do Sepultura de Derrick Green, quando se abriram as rodas de pogo.





Não gosto do rock sinfônico do Nightwish, mas é uma sonoridade imponente e muito bem executada pela banda com sua impressionante vocalista holandesa Floor Jansen, um mulherão de cinco metros de altura que manda muito bem em voz e presença. Continuo fiel à deusa Tarja Turunem, mas La Jansen dá conta do recado e o convidado Tony Kakko somou no show e foi bem tietado quando saiu para ver o Moonspell e o show de encerramento com Steve Vai.

E Steve foi muito bem na sua apresentação, sempre tenho pé atrás com ele porque muitas vezes privilegia a técnica em detrimento do sentimento. Desta vez dosou bem para se integrar ao apoio dado pelas cordas, sopros e percussão da Camerata, em momentos de grande beleza. Num deles fui às lágrimas, solitário na apreciação do que rolava com um bando de gente fofocando e badalando à minha volta. É impressionante o número de pessoas que vai a festivais para fazer tudo, menos prestar atenção na música. Foi uma grande noite no Sunset, meus parabéns a Zé Ricardo e equipe pela escalação.

Steve Vai e Camerata Florianó


Que mais…andei dando um rolé pelas vizinhanças do Sunset, fui lá perto da montanha russa (acho que tem outro nome) ouvir de perto os gritos de medo e excitação do povo com os mergulhos e piruetas do trenzinho. Creio que vomitava a alma se andasse naquele troço. O povo que voa na tirolesa também grita bastante, deu pra ouvir quando cheguei perto da estrutura de chegada do brinquedo. Ainda bem que não bebo mais, porque a cerveja está a 10 paus. No ritmo que bebia antigamente iria à falência. Só numa quadra perto do Sunset há uma boa variedade de comidas,  incuindo japonesa, árabe, combos de frango com acompanhamento, uma loja lotada da Chili Beans, uma dos produtos licenciados do festival, posto médico e banheiros, sempre com grandes filas (quem deixa a bexiga encher antes de ir ao banheiro sofre).


Mastodon

Hoje, sábado, vou lá para ver Erasmo Carlos com Ultraje a Rigor e Rodrigo Santos e os Lenhadores, depois me mando. O final de semana é  da turma que gosta de pop music. Quando deixar a cidade do rock o festival estará terminado para mim.

2 comentários:

  1. Fui ao show do FNM no dia anterior, em São Paulo. O show foi sensacional, com uma receptividade sem igual do público paulista. Eu, como carioca, me senti envergonhado pela receptividade fria do público do RIR, que estava lá em peso para assistir os mascarados. O FNM ainda é uma banda fenomenal, que acabou de lançar um ótimo disco, e merecia sim a atenção daquele público, que não teve um pingo de boa vontade com eles.

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  2. Fui ao show do FNM no dia anterior, em São Paulo. O show foi sensacional, com uma receptividade sem igual do público paulista. Eu, como carioca, me senti envergonhado pela receptividade fria do público do RIR, que estava lá em peso para assistir os mascarados. O FNM ainda é uma banda fenomenal, que acabou de lançar um ótimo disco, e merecia sim a atenção daquele público, que não teve um pingo de boa vontade com eles.

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