domingo, 20 de setembro de 2015

Ministry faz o melhor show da segunda noite do Rock In Rio

Obs. Não tem foto do Metallica. O fotógrafo que cobre comigo, Cleber Jr., não foi autorizado a registrar a banda.




Al  Jourgensen - Ministry - Fotos de Cleber Junior

Pelo que estou vendo no noticiário, o destaque da terceira noite para a maioria dos jornais foi o Metallica. Não para mim. Meu lead fica para o Ministry, no Palco Sunset, um dos shows mais avassaladores já vistos e ouvidos nos meus 51 anos de rock’n’roll. Uma potência musical avassaladora, com graves dando socos no estômago de quem estava perto, como eu. A banda trabalha na região grave das guitarras, o som do baixo é bem mais à frente e profundo, ao contrário das bandas de metal que o preferem mais seco. O vocalista Al Jourgensen é uma figura assustadora, longos dreads, piercings, calças estranhas, uma bata idem e um vocal de profundida abissal. Achei incrível como as bandas que precederam, Angra e Noturnall, ficaram pequenas  diante do Ministry.






O peso avassalador heavy/industrial do Ministry embala canções com forte tom  político como a primeira do show, Hail to His Majesty, que xinga os que não lutam por seus direitos: “Odeio vocês, filhos da puta. Lavradores. Salve a rainha. Vocês são estúpidos. Chupem a porra do pau da minha mãe. Chupem os bagos da minha mãe. Colares depérolas para todos. Fodam-se, não estou nem aí.” Quanto lirismo. Em Punch On The Face mais porrada: “Soco na cara, você precisa de um soco na cara. Nada como um massacre com soco na cara. Voce precisa de um soco na cara.” Metafórico, espero. Em Lies Lies Lies ele diz que o governo escondeu as razões verdadeiras do 11 de setembro: “A América foi sequestrada, não por Bin Laden, nem pela Al Qaeda, mas por um grupo de tiranos, o que devia preocupar todos os americanos. Desinformação, mentiras e enganação. Se não tem nada a esconder porque o medo de responder a certas perguntas.” Em Permawar fala do estado de guerra permanente instalado em 2001 depois do atentado às torres gêmeas: “ Lutamos guerras sem fim por lucro e diversão. Você vive e morre pelo american way com o mesmo objetivo: faturar toneladas de dinheiro vivo.” Este é o Ministry.


Mulheres  zumbis fazem pole dance no show do Noturnall: heavy metal ou circo?

Daí que não tenho saco para bandas que chafurdam nos clichês do roquenrol como Angra e Noturnall, que abriram a noite no Palco Sunset, idolatrados por uma multidão que chegou cedo ao festival, o Palco Sunset abriu às 15h15. São bons músicos, mas pecam pela falta de criatividade. Os guitarristas parecem ter aprendido os solos na mesma escola, sempre rápidos na região mais aguda da guitarra com as duas mãos. Achei engraçado  quando avisaram que era a despedida temporária de Kiko Loureiro, que vai para o Megadeth, apresentaram o substituto, Marcelo Barbosa,  que tocou igual ao Kiko. My balls.


O Angra teve a participação da cantora de metal alemã Doro Pesch, com uma voz de personagem de desenho animado, e o folclórico Dee Snider, com uma camisa de Fuck It, que cantou I Wanna Rock e uma canção com título roubado da ópera Tommy, do Who, We’re Not Gonna Take It. A figura da noite foi Maria Odete, mãe do vocalista Thiago Bianchi do Noturnall, que interrompeu o som  pesado para cantar Woman In Chains, do Tears For Fears. Sem falar nas mulheres zumbis de pernas de fora que bateram cabeça no palco e fizeram pole dance e alguém fantasiado de mulher grotesca que vagou pelo palco um tempo. Prefiro o Eddie.


Dee Dee Snider e Doro Pesch no Angra

Pulei o Korn e Gojira para curtir de montão no Palco Mundo a dupla Royal Blood, formada por Mike Keer (baixo aditivado e voz) e Ben Thatcher (bateria). Mike faz com que seu instrumento tenha som de baixo e de guitarra ao mesmo tempo com o sinal direcionado para amplificadores diferentes com efeitos. O som de guitarra fica mais pros médios, não chega aos agudos e o baixo é profundo. Ben manda ver na bateria com intensidade como são só dois no palco, ele faz levadas como  solos de bateria, senta a porrada mesmo e quando Mike está em devaneios instrumentais ele desce da bateria para dar um passei no palco, num a hora chegou a se jogar nos braços do público,  que o virou para cima e para baixo antes de devolvê-lo. É uma formação nova, 2013 na cidade inglesa de Brighton e tem apenas um álbum lançado. Conheci o duo no You Tube quando estavam ainda nos  singles iniciais, Little Monster e Out of The Black, tocados no festival. Eles tiveram  boa recepção do público, apesar de pouco conhecidos e ao final mereceram o coro de “Royal Blood, Royal Blood,” principalmnente porque Mike jogou pra galera com o riff de Iron Man, do Black Sabbath.


Royal Blood Mike Keer e Ben Thatcher


Depois do Royal fui para a sala de imprensa comer algo e beber água. Pouco depois, o fotógrafo que cobre o festival comigo disse que não tinha sido autorizado a fotografar, lhe disseram que apenas uns poucos iam poder fazer. Daí decidimos vir embora, saímos quando Motley Crue começavam sua farofa azeda e cheguei em casa a tempo de ver o final. Daí Metallica. Eu escrevi no Face que a banda estava estagnada e ouvi protestos. Eles não lançam discos desde Death Magnetic (2008) e vieram pro festival com o mesmo show das edições de 2011 e 2013. Mas é claro que são uma puta banda e fazem um excelente show, infelizmente marcado por falhas no P.A. com explicação oficial de que o sinal falhou entre a mesa da banda e a do festival. Eles mudaram o setlst para não repetir totalmente os shows anteriores mas não tinham como deixar os clássicos de fora, tanto dos primeiros álbuns quando do álbum preto eu marcou a virada no som deles. Foi um show impecável mas com um sabor de  dèjá vu.




Setlist Royal Blood




Setlist Ministry





3 comentários:

  1. Desculpe-me Jamari, mas você perdeu um dos melhores shows do festival. O Korn deixou a plateia ensandecida. No mais, concordo com seu texto!!

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  2. Sinceramente não sou muito fã das bandas no estilo do Noturnall e Angra, geralmente o timbre dos vocalistas se parecem. Uma mistura de Geoff Tate, Rob Halford e Dio com performance de palco do Bruce Dickinson. Pedal duplo no bumbo da bateria e guitarrista despejando notas em alta velocidade como auto-afirmação para que vejam como virtuoso ele é. Tive que sair durante o show do Ministry e só voltei no começo do Motley Crue, estou esperando ver algo hoje, pois só tenho a lembrança deles de um tempo atrás mas pelo seu comentário continuam com a velha competência. Hoje estou estou tentando ver o que aconteceu com o PA do Metallica ontem, depois de 3 falhas grotescas a situação na torre som deve ter lembrado a Faixa de Gaza.

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  3. Fala Jama! q bom q vc ta de volta aos shows!
    Esse esquema de começar o headliner as 1:00 am é pessimo.
    Ou vc chega cedo e sai antes, ou chega tarde e ve o final.
    Eu cheguei só pra ver Metallica e de quebra vi Motley. Foi divertido ver o Motley... a banda faz parte da historia do hard rock dos 80s. Foi ate divertido. Fizeram um bom show, alguns hits legais.

    O Metallica 2015 foi o pior que o de 2013 e 2011.
    O setlist foi infeliz. A espinha tava lá, mas oas 7/8 musicas que revezam foram mal na minha opiniao.
    Pra piorar Ride the Lightning ficou prejudicada pelo PA.
    A banda errou algumas vezes...ate o roadie errou ao dar uma guitarra errada pro Jaymz.
    Mesmo assim, Metallica num dia nao täo bom é bem melhor que quase todo mundo.

    No dia anterior Queen foi otimo. Gostei da atuaçao do adam, como tb tinha gostado do Paul Rodgers qdo vieram aqui na Arena. Mas no RiR foi melhor pelo contexto.

    Um abraço!

    PS: chegou a topar com o Barça por aí ??
    Imagino os altos papos....

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