sexta-feira, 25 de setembro de 2015

Queens of the Stone Age são destaque na quinta noite do Rock in Rio



Fotos de Cleber Junior

O quinto dia do festival para mim teve como destaques a fúria criativa da banda paulistana Project 46, a precisão e rica pesquisa de timbres da Queens of the Stone Age, a farra dos Hollywood Vampires e a performance tipo one man show de Serj Tankian à frente do System of a Down, muitas vezes dando a impressão de trilha sonora de desenho animado. O público que salta dos ônibus papa fila, como se dizia antigamente, do BRT  foi o herói do dia por andar mais de um quilômetro embaixo de um sol de janeiro que cismou de pintar antes da hora. Tava quente pra cacete, mesmo com uma caminhada bem mais curta, cheguei na refrigeradíssima sala de imprensa soltando fumacinha e mandei pra dentro logo uma garrafa de meio litro d’água e uns beliscos antes de iniciar a longa caminhada para o palco Sunset.



Setlist Queens of the Stone Age


Mais uma vez houve boicote de fotografias aos que não são da grande imprensa. Assessorias de imprensa não querem saber quem você é, só onde você trabalha. Uma assessora disse que os nomes de fotógrafos são enviados para a produção das bandas, que decide quem vai poder fotografar. Fiquei pasmo que  produtores de bandas estrangeiras conhecessem a mídia brasileira em detalhes para saber quem deviam permitir que fotografasse suas bandas. Isso é que é know-how!!! De resto a organização do festival está impecável. Uma boa infra para o público com as inevitáveis filas, muitas opções de rango – tive um momento coxinha – de galinha, a oito mirréis no Informal, os brinquedos funcionam direto, perto do Palco Sunset fica uma montanha russa com uma trilha sonora de berros de medo no mergulho dos trens.




Alice Cooper

Ih, tou enchendo linguiça, que dentro de dois pedaços de pão custa 18 reais no Informal, a propósito. Os shows começam na hora. Estava chegando ao Sunset quando começou a barulheira do John Wayne, metal alternativo da periferia paulista, como apregoou o vocalista, só de bermuda. Uma banda coesa com um bom baterista, mas rigorosamente dentro dos clichês do gênero nas levadas, escolha de timbres e  voz gutural em que não se entende uma palavra do que está cantando. Só quem conhece as músicas sabe do que se trata. Não gostei muito não. A John Wayne fez meio show porque era dividido com a Project 46, também paulistana. Esta se mostrou interessante na escolha dos arranjos, não era aquela coisa direta e repetitiva da anterior, havia variações e climas, embora pouco se entendesse do vocal (em português).


Setlist System of a Down

Fiquei lá pelo Sunset mesmo, porque a sala de imprensa é muito longe,  na espera da terceira banda, Hale Storm, liderada pela louraça belzebu Lzzy Hale (é sem i mesmo) que comandou um  show de heavy metal tradicional, algumas canções trouxeram o nome de Joan Jett à minha cabeça, é na mesma vibe. Canções que a gente acha que já ouviu antes, como acontece quando se recorre a clichês sonoros. Lzzy pilotou três guitarras clássicas, uma Explorer e duas Gibson, Les Paul e SG e se comunicou bem com a plateia. Agradou, mas a massa tava a fim mesmo da porradaria do Cordeiro de Deus, Lamb of God, do vocalista Randy Blythe, que enxugou uma prisão de sete meses em 2012 na República Tcheca, causado da morte de um fã que subiu no palco, ele empurrou pra baixo, o garoto teve traumatismo craniano e morreu. Ele foi inocentado.
A entrada do Lamb teve imagens de destruição e uma explosão nuclear no telão, reflexo dos temas de suas canções, mas o tom gutural do vocalista não permite que o recado seja dado para os não iniciados. O público delirou , urrou junto e abriu uma roda de pogo gigante, um amigo meu foi até puxado pra dentro dela, foi um sufoco sair dali, parecia um redemoinho digno de um furacão.



Randy Blythe - Lamb of God


Dancei no Deftones, sempre passa nos telões do Palco Mundo, mas estava praticamente sem som e fiquei sem ânimo para atravessar a massa de novo rumo ao palco Sunset – já tinha voltado para o oásis da sala de imprensa. Os fogos ao som de Bohemian Rhapsody e do tema do festival em versão instrumental marcaram a abertura do Palco Mundo. Peraí, o CPM22, já tinha tocado, mas parece que não consideraram o show deles a abertura. Não gosto da banda, mas achei sacanagem.



Caio Bezerra - Project 46


Encerrado o belo espetáculo dos fogos, entrou a mais luxuosa banda de covers  da história do rock. Na frente Alice Cooper, Johnny Depp e Joe Perry (Aerosmith). Atrás, no que Alice chama de os bagos dos vampiros, a ex-cozinha do Guns’n’Roses, Duff McKagan no baixo e Matt Sorum na bateria. E participações na bateria e percussão de Zak Starkey, filho de Ringo Starr, e de Lzzy Hale, que mandou muito bem em Whole Lotta Love. Foi um  show curto, feito para agradar o público pela sucessão de clássicos do rock como My Generation (Who), Break On Through (Doors), School’s Out com citação de Another Brick in the Wall pela semelhança dos temas, e outras.  Depp enganou nas bases e Joe Perry mandou ver nos solos. Alice Cooper está com a mesma cara de sempre. Bruxaria ou botox? Merecia uma apresentação mais longa.



Setlist Hollywood Vampires


A sala de imprensa fica na lateral do Palco Mundo, dá uma boa visão do telão e da banda. De maneiras que vi os dois últimos shows da varanda da sala de imprensa, fui mais perto – e dá para chegar bem perto pela lateral – porque não estava distinguindo Perry de Depp. Não tinha gostado dos shows anteriores das Rainhas da Idade da Pedra nos festivais de 2001 e 2011, mas desta vez foi absurdamente do cacete, pra não dizer do caralho. Uma precisão absoluta nas levadas, tudo muito bem amarrado, os três guitarristas -  Josh Homme, o líder, Troy Van Leeuwen e Dean Fertita – muito entrosados em timbres distintos, o baterista Jon Theodore numa levada reta que amarra a levada da banda que vai na pulsação dele e do baixo meio seco de Michael Shuman. O volume estava poderoso, mixagem perfeita e o público deitou e rolou com a banda. Engraçado que em algumas músicas, o timbre de Homme me remeteu a David Byrne, do Talking Heads.




Setlist Lamb of God


O System Of A Down entrou com um volume mais baixo do que a banda anterior. Não entendi, headliners sempre tem o melhor do P.A. . Não foi o caso, o volume parecia de banda de abertura, o que prejudicou a banda como um todo, não foi tão imponente como as Rainhas. Para o público não pareceu fazer a menor diferença. O SOAD entrou com o jogo ganho de goleada. O grande barato da banda sã os climas que ela cria com a apresentação teatralizada de Serj Tankian. Tin há horas que parecia trilha sonora de desenho animado, com as vozes engraçadas que ele fazia e as intervenções instrumentais no encalço dos vocais. Apesar de estagnada, não lança disco há 10 anos e pouco faz turnê, a banda defendeu muito bem suas cores, poucas vezes eles vão para clichês sonoros de metal, no geral é uma sonoridade bem distinta, até pela influência da ascendência armênia da banda, muitas vezes parece metal étnico, uma sonoridade cigana e folclórica, Serj faz um vocais onomatopaicos que remetem à culturas do Leste europeu. Isso contribui para a personalidade original do SOAD, que, espera-se, saia do marasmo e siga adiante.

3 comentários:

  1. O SOAD soa como um Hardcore Progressivo na minha modesta opinião... O HV entrou com jogo ganho...Só Clássicos somados a claque feminina do Pirata ( Gente Boa ) do Caribe...no mais Jama ...Muita água...e Vitamina C...para aguentar a Maratona...

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  2. Puxa Jamari, achei a Queen of The Stone Age muito chata. Canções com melodias repetitivas, e sem nenhuma música marcante. Como você entende muito de música e eu considero demais a sua opinião, vou escutar em casa com mais apuro. E sim, lembrou muito o Talking Heads.

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  3. QOTSA fez um show morno. Foi até legal, mas não comparável a grande performance do show deles em São Paulo no ano passado. Mas a plateia carioca não cooperou, por isso o show foi frio. No mais, o show da noite ficou mesmo com o SOAD.

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