domingo, 27 de setembro de 2015

Rodrigo Santos e os Lenhadores, Erasmo Carlos e Ultraje a Rigor, o rock em dia pop no Rock in Rio

Erasmo Carlos - fotos de Cleber Junior

Fui ao festival no sábado só para ver os shows de Erasmo Carlos com Ultraje a Rigor no Palco Sunset e de Rodrigo Santos e os Lenhadores Kadu Menezes e Fernando Magalhães na Rock Street. São artistas emblemáticos do Rock Brasil. Erasmo é da Jovem Guarda, a geração que primeiro fez uma forma brasileira de rock nos anos 60 e até hoje se mantém ativo e criativo – lançou três bons álbuns de inéditas nos últimos cinco anos. Ultraje e Rodrigo são da Geração 80, que trouxe um rock brasileiro de qualidade que se incorporou de vez à música brasileira. 



Rodrigo Santos e Os Lenhadores

No show do Rodrigo, vi crianças cantando  quase todas as músicas de um setlist que teve Barão Vermelho, Lulu Santos, Paralamas do Sucesso, Legião Urbana e outros. Em dado momento estiveram no palco três integrantes do Barão, Rodrigo, Fernando e Guto Goffi. O show de Rodrigo e os Lenhadores seria o maior sucesso no Sunset porque ele mistura o repertório de sua banda ao de seus contemporânos, além do repertório solo, ausente do show de sábado.


Ultraje a Rigor

Peguei engarrafamento e, quando cheguei, o Ultraje já estava no palco diante de uma multidão maior do que nos dias anteriores, Roger cantava Filha da Puta com a plateia colaborando na hora do palavrão. Boa receptividade à música da banda, prova de que o repertório dos anos 80 está passando de geração em geração. Já na hora em que o Tremendão mandou suas canções com sua banda a receptividade foi menor. Já reparei em outros shows que o repertório da Jovem Guarda já não alcança a garotada infelizmente, estão muito contaminados pela música breganeja dos Luan Santanas da vida. Maior recepção teve É Proibido Fumar, por conta da gravação do Skank e sempre que Erasmo cantava “é proibido fumar” o povo respondia com “maconha” como nos shows da banda mineira.


Barão Vermelho na área: Guto Goffi, Rodrigo Santos e Fernando Magalhães

Não fiquei até o final porque o show do Rodrigo era às 17h30 na Rock Street, uma boa caminhada, felizmente existem as vias de serviço por trás dos palcos e estandes ou levaria horas para atravessar a massa compacta. Quando me aproximava dos fundos do palco com meu companheiro de cobertura, o fotógrafo Cleber Junior, encontrei George Israel, que tocara mais cedo e já ouvi Maior Abandonado. Rodrigo me disse depois que tinha sido a música para acertar o volume porque não teve passagem de som. 


Leonardo, filho de Rodrigo, tocou baixo em Bete Balanço

Quando cheguei na frente do palco me emputeci.  Um P.A. precário com apenas duas caixas de som médias de cada lado do palco. Nada compatível com o nível técnico do festival.  O karaokê de uma marca de refrigerantes mais atrás na mesma Rock Street tinha um P.A. melhor para os jovens desafinarem à vontade acompanhados por uma banda. E músicos de ponta do rock brasileiro não tinham o P.A. que merecem.


O lenhador Kadu Menezes

Tinha muita gente, principalmente jovens, cantando e pulando ao som da Festa Rock, título do CD que Rodrigo vai lançar no começo de outubro. Uma revisão das Geração 80 para cá com canções de Barão Vermelho, claro, Paralamas, Lobão, Charlie Brown Junior, Raimundos e Lulu Santos. A surpresa foi a presença de Guto Goffi, baterista do Barão, em Pense e Dance. O show teve apenas uma hora, a banda toca até três horas em seus shows individuais, o povo ficou gritando “bis bis”, mas o horário não permitia. 


Rodrigo Santos

Troquei algumas palavras com Rodrigo e Fernando e, com os pés doendo de caminhar muito e assistir em pé, fui para a sala de imprensa pelas vias de serviço e comecei a ouvir, já a uma certa distância, Mr. Lulu Santos, The Hitmaker, mandando ver no Palco Mundo. Fiz um lanche na mesa bem servida da sala de imprensa e sentei na varanda para ouvir e ver no telão o show do Lulu. Um hit atrás do outro, acho que ninguém da mesma geração emplacou tantos sucessos. Findo o show tirei o time de campo, o que vinha pela frente não me interessava. Pra mim foi o fim do festival.

Fernando Magalhães
Erasmo Carlos e Ultraje a Rigor

Setlist Rodrigo Santos e Os Lenhadores
Maior Abandonado
Lourinha Bombril
Meu Erro
Toda Forma de Amor
Proibida Pra Mim/Será
Por Que A Gente É Assim
Bete Balanço – Leonardo Santos no baixo
Pense e Dance – Guto Goffi na bateria
Por Você/With or Without You/Sangue Latino
Tempo Perdido
Óculos
Mulher de Fases
Que País É Esse  – antes Rodrigo puxou o coro de “Hey Dilma, vá tomar no cu” e disse “Mensalão, corrupção, esse é o futuro da nossa nação.”
Vida Louca Vida
Exagerado – “Viva Cazuza”
Pro Dia Nascer Feliz – “Um abraço pro meu amigo Frejat.”






















Um comentário:

  1. E enfim Erasmo Carlos faz seu show no Rock in Rio!! Nada mais merecido que o TREMENDÃO dar seu recado no maior festival do país. Infelizmente não dão valor aos pioneiros que abriram caminho hoje seguido por muitos, só descobrem a importância das pessoas quando elas não estão mais entre nós, mas sábado se fez justiça a Erasmo Carlos.

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