segunda-feira, 5 de outubro de 2015

Diretor de transmissão do Multishow Pedro Secchin explica como foi a cobertura do Rock In Rio


Pedro Secchin dirigiu a cobertura do Rock In Rio pelo Multishow

Toda cobertura de festivais do Multishow é sempre acompanhada de críticas à mixagem do áudio e aconteceu no recente Rock In Rio. O diretor de transmissão do Multishow, Pedro Secchin, entrou em contato comigo no Facebook para saber o que tinha achado. Aí engatamos uma conversa que foi se transformando numa pauta. Falei das críticas recorrentes ao áudio e ele me explicou como tudo é feito e, apesar de muito técnico, achei legal ouvir o lado de lá. A assessoria de imprensa do Multishow me mandou os dados gerais de cobertura e resultou neste post (tá, nariz de cera, eu sei, mas aqui é tudo informal).

Pedro contou que o sinal de vídeo é mais tranquilo: "O corte final do vídeo sai da Unidade Móvel como um só sinal que não pode ser modificado. Não tem como mudar uma câmera, por exemplo. O que chega na casa do assinante, salvo alguma compressão para o tráfego do satélite, é igual ao que sai da mesa de corte. Se a imagem estiver com problemas, grandes são as chances de serem resolvidos com ajuste no aparelho de TV.”   

Ele explicou que o áudio é bem mais complexo: “O áudio chega na unidade às vezes com mais de 90 canais. Depois de mixados, saem oito canais, os seis do 5.1 somados aos dois do stereo. Em seguida o áudio vai para a Unidade Móvel de vídeo, onde é agregado ao vídeo, seguem para o uplink, sobem para um satélite ou são enviados por fibra ótica para a emissora. De lá o sinal completo (áudio e vídeo) é produzido: recebe as artes, as vinhetas, os comerciais e é redirecionado para as operadoras.” 


Rider de palco do System of a Down

Pedro conta que a equipe se orgulha da mixagem de áudio: “É feita por alguns dos melhores técnicos do Brasil. O show do Metallica, por exemplo, foi mixado com o engenheiro de gravação deles ao lado da mesa. É ‘apenas’ o cara que grava os discos da banda. E ele saiu de lá feliz da vida. O engenheiro de som da Rihanna, por exemplo, condicionou a entrega dos canais de áudio abertos à avaliação do que estava saindo da nossa unidade durante o ensaio pela manhã. Depois que ouviu, disse que a mix pra TV estava melhor que a do P.A., feita pela equipe dele."

Pedro alerta que, ainda que tudo dê certo durante a transmissão ao vivo e o sinal saia perfeito da Globosat, existem alguns "mas": “Quando chega na operadora, existe a questão do Dolby. Cada operadora processa o áudio de uma forma e disponibiliza opções para o assinante de maneiras diferentes. A Net, por exemplo, oferece ‘português’ e ‘inglês’, a Sky é ‘português DD’ (Dolby Digital) e ‘inglês’. Um destes ‘idiomas’ é a mixagem stereo, praticamente sem compressão e o outro é a mixagem 5.1., ambas feitas no evento. 



O switcher com as imagens das cameras

Há possíveis problemas: “Se uma pessoa que não tem a TV ligada em um Home Theatre escolher a opção ‘português DD’,  o aparelho da TV por assinatura terá que transformar aquele 5.1 em stereo e, para isto, utilizará parâmetros automáticos. Então, em vez de escutar o som stereo produzido para este fim, o assinante ouvirá um downmix automático feito na casa dele. E aí as chances de a relação entre os canais se desequilibrar é enorme. Por isto as reclamações de voz alta, guitarra baixa... A dica é: sempre verifique se a opção de áudio escolhida corresponde com o que você tem ligado em casa. Se estiver em dúvida, teste as duas. É garantido."

Indaguei se não haveria risco de perdas sonoras na redução dos 90 canais para os oito, ele respondeu que não: “Os 90 canais são o ‘material bruto’ que, após a mixagem, geram estes oito, que são o 5.1 + LR (stereo, left e right), então, na prática, o sinal dos instrumentos está sendo direcionado, não suprimido. Quando algum instrumento eventualmente não aparece na mixagem, as causas mais comuns são  cabos desplugados acidentalmente durante uma música, mudanças de última hora no input list sem que a equipe seja avisada ou simplesmente um microfone errado na mão do artista. Quando acontece leva uns 20 segundos pra resolver.” 




Setlist de Rihanna com as marcações técnicas feitas na passagem de som

Pedro explicou que regulam tudo na passagem de som: “São checados todos os canais, todos os microfones, todas as vias, a equipe acerta os níveis, equalizações, efeitos etc”. Indaguei também sobre o problema que interrompeu o show do Metallica. “Foi a tomada...rsrs pior que é sério. Caiu a energia do sistema do Metallica e demorou porque, quando a energia volta, é preciso reiniciar, como um computador. O sistema, da TV funcionava perfeitamente, tanto que os microfones de plateia, nossos e independentes das bandas, estavam ligados e captando a reclamação do público.” 

Indaguei se foi um problema de alimentação de algum gerador, mas, por se tratar de uma questão do show e não da transmissão, Pedro não soube informar. "Existem os equipamentos deles e os nossos. Temos acesso às informações a partir do ponto onde estes aparelhos se conectam. Se algo acontece antes, como foi o caso, tentamos descobrir até em respeito ao nosso assinante. Nem sempre é possível."

Resumo da cobertura do Rock in Rio pelo Multishow. Dados fornecidos pela assessoria de imprensa.




Equipe de cobertura - Palco Mundo

Tempo de transmissão: 80 horas, em torno de 12 horas por dia.
Apresentadores: 18
Câmeras no Palco Mundo: 17 - três gruas, três trilhos, três no palco, uma micro, duas no fosso, três na house, uma na torre de delay e uma no helicóptero.
Câmeras no Palco Sunset – 12 câmeras, incluindo duas gruas e um trilho.
E mais uma câmera robô em uma das torres de iluminação, que apresentou imagem panorâmica da Cidade do Rock.
Equipes técnicas – 4 – Show Mundo, Jornalismo Mundo, Show Sunset, Jornalismo Sunset.
Equipe jornalismo - Foram 14 pontos de reportagem em toda a Cidade do Rock, dois estúdios e um set de entrevistas nos camarins dos artistas, além de três unidades móveis de vídeo em HD. Os pontos de Jornalismo incluíram a área VIP, o Palco Street Dance, a Rock Street e a pista eletrônica, além dos Palcos Mundo  e Sunset. 



Equipe de cobertura - Palco Sunset

Jornalismo – No Palco Mundo Didi Wagner e Rodrigo Pinto entrevistaram, Jimmy London (vocal – Matanza) comentou shows de rock e heavy metal. Titi Müller, Dani Monteiro e Bruno De Luca mostraram o backstage do palco, no fosso com a galera e na área VIP. No House Mix, os detalhes dos shows ficaram a cargo de Dedé Teicher.  No Palco Sunset, o estúdio ficou por conta de Luisa Micheletti e Guilherme Guedes, com Laura Vicente e Lucas Silveira a cargo das novidades do backstage e Beto Lee no comando do House Mix. Mari Cabral fez as atrações do Palco Street Dance.

Abaixo a input list dos Hollywood Vampires. Quebra a formatação do blog, mas decidi mostrar assim mesmo. Desculpem o desalinhamento.


Hollywood Vampires Input List v 1.4
Ch.
Instrument
Transducer
Notes
1
Kick In
Shure SM91

2
Kick Out
Beyer M88
Very Short Boom Stand
3
Snare Top
Shure SM57
Short Boom Stand
4
Snare Bottom
Shure SM57
Short Boom Stand
5
Hat
Shure SM81
Short Boom Stand
6
Ride
Shure SM81
Short Boom Stand
7
Rack Tom
ATM AE3000
Shure A56 Mic Clamp
8
Floor Tom 1
ATM AE3000
Shure A56 Mic Clamp
9
Floor Tom 2
ATM AE3000
Shure A56 Mic Clamp
10
Cowbell
Shure SM57
Short Boom Stand
11
OH SR
AKG 414
Tall Boom Stand
12
OH SL
AKG 414
Tall Boom Stand
13
Bass Direct
Countryman DI

14
Bass Mic
Sennheiser 421
Short Boom Stand
15
Tommy GTR 1
Shure SM57
Short Boom Stand
16
Tommy GTR 2
Shure SM57
Short Boom Stand
17
Bruce Guitar
Shure SM57
Short Boom Stand
18
JD GTR 1
Shure SM57
Short Boom Stand
19
JD GTR 2
Shure SM57
Short Boom Stand
20
JP Guitar
Shure SM57
Short Boom Stand
21
JP Guitar
Shure SM57
Short Boom Stand
22
Keys L
Countryman DI

23
Keys R
Countryman DI

24
Alice Vocal 1
Shure Beta 58 (Wireless)
Tall Boom Stand
25
Tommy Vocal
Shure Beta 58
Tall Boom Stand
26
Duff Vocal
Shure Beta 58
Tall Boom Stand
27
Matt Vocal
Shure Beta56
Tall Boom Stand w/gooseneck
28
Bruce Vocal
Shure Beta 58
Tall Boom Stand
29
JD Vocal
Shure Beta 58
Tall Boom Stand
30
JP Vocal
Shure Beta 58
Tall Boom Stand
31
Spare W/Less
Shure SM58 capsule

32
Alice Spare Vocal
Shure SM58


1

4 comentários:

  1. Muito legal este post! Não sou músico e sempre tive curiosidade em saber como se monta a aparelhagem, o porquê esse aparelho estar aqui, aquela caixa ali... Você poderia algum dia postar algo explicando como se monta um palco para um show de rock?

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  2. Este comentário foi removido pelo autor.

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  3. Legal ver o resultado do nosso trabalho saindo redondinho... sou o cenógrafo que criou e produziu todos os cenários das transmissões ao vivo do Multishow no Rock in Rio. Artes gráficas, cenográficas e musicais a serviço do maior evento musical do mundo!!

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  4. Legal ver o resultado do nosso trabalho saindo redondinho... sou o cenógrafo que criou e produziu todos os cenários das transmissões ao vivo do Multishow no Rock in Rio. Artes gráficas, cenográficas e musicais a serviço do maior evento musical do mundo!!

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