sexta-feira, 13 de novembro de 2015

Robertinho solta raios e trovões de heavy metal no Rival

Robertinho de Recife, Raphael Sampaio (bateria), Fhorggio (teclados - Fotos de Cleber Junior

O equivalente a uma orquestra sinfônica de mosquitos zumbe nos meus ouvidos e a culpa é de Mr. Robertinho de Recife, que atacou em show estrondoso no Teatro Rival nesta quinta a noite com potência para uma casa 10 vezes maior. Claro que valeu a pena, o cara é fodaço na guitarra e vários guitarristas de bandas de metal foram lá bater cabeça pro baixinho gigante. Com a guitarra plugada num amp Marshall ele fica com 10 metros de altura.


Com Lucky Leminski (vocal)

Sim, tem ecos de Joe Satriani, Eddie Van Halen e outros gigantes da guitarra, mas o estilo é totalmente dele, aqui e ali ouve-se ecos do master Sabbath Tony Iommi, já que ele gosta de atacar nos graves e também nos médios e menos nos agudos, estes também encorpados. Interessante que, mesmo tocando umas cinco guitarras, ele varia pouco o timbre, distorcido não muito sujo, só numa Flying V de design alongado e meio torto nas pontas com pintura de fogo, a distorção foi mais saturada.


Junior Mauro (baixo)

O nome do show e da banda que o acompanha é Metal Mania, o nome usado por ele nos anos 80 antes de encher o saco de tocar metal sem ganhar dinheiro e pular pro oposto extremo, a banda baba Yahoo, embora suavizasse com a abordagem de fazer versões de músicas de metal. Foi isso que me disse na época. O baixista e vocalista  do Yahoo Zé Henrique fez participação e contou do sufoco que a banda passava em vários concertos. Ele disse que entrava numa plateia cheia de metaleiros, sabia que ia dar merda: “Um show na Bahia só tinha metaleiros e nós estourados na novela, a primeira coisa que cantei veio o berro: Cala a boca Menudo!” Além dos gritos pro Robertinho voltar pro metal. E realmente o Yahoo era a treva, uma baba grossa como a lama de Mariana, ilustrada no show pelos hits Mordida de Amor, da novela Bebe a Bordo, e Pra Você Voltar, compensada pelas  líricas frases na guitarra de Robertinho.



Yahoos a parte, o show foi uma porrada metaleira entremeada por falas de Robertinho. Ele tocou sete dos nove temas de seu novo álbum Back For More, lançado apenas em formato digital, sete instrumentais e a vocoderlizada faixa título, levada pelo vocalista original do Metal Mania Lucky Leminski.
Depois de tocar Pole Position, homenagem a Ayrton Senna, mandou: “Ayrton Senna do Brasil. Eu falei pra ele que ia tentar ser tão rápido quanto ele, não sei se vou conseguir.” Claro que conseguiu e ainda disse que passou um final de ano com  Ayrton e Xuxa, não sei se foi uma insinuação, se nosso campeão tinha algo, ou alguém, em comum com Pelé. 




Robertinho falou que nos anos 80 fazia coisas como ligar pruma rádio e mandar uma tipo “tira esses caras, são muito chatos.” Teve problemas de drogas, ficou muitos anos na América e passou por um infarto. Fui cumprimentá-lo antes do show no camarim, ele me disse que agora está entre o Brasil e o estado do Mississippi, berço do blues, e produziu há pouco um álbum com 12 cantoras negras de blues. Lamentou que a música do Mississippi não chegasse aqui como a de Chicago, berço do blues elétrico.

Lucy Leminski

A banda tinha um músico nos teclados e programações vestido como Guy-Manuel de Homem-Christo e Thomas Bangalter, a dupla eletrônica francesa Daft Punk. É Fhorggio, filho de 17 anos dele que solta efeitos e vozes metálicas ao longo do show para criar os climas de várias canções. Os dois outros músicos são os irmãos Junior Mauro (baixo) e Raphael Sampaio (mega baterista). 

Fhorgio

Robertinho gosta de fazer citações em seus temas instrumentais. Num deles de tema ligados aos westerns teve The Good, The Bad and The Ugly e Ghost Riders In The Sky junto com um toque de Bicho de Sete Cabeças, referência ao seu passado de colaboração com Fagner e Zé Ramalho. Em Fantasy Rhapsody Medley atacou com a Rhapsody In Blue, de George Gershwin com a fluência de sempre. 


Com Zé Henrique

No medley Monsters of Rock teve citações de Deep Purple (o solo de Highway Star), Black Sabbath (o riff de Iron man), Iron Maiden (The Trooper), Crazy Train, da carreira solo de Ozzy com o vocalista Lucky Leminski mandando o grito de guerra de Ozzy “Go Fucking Crazy”.  Leminsky, vocalista original do Metal Mania, ficou encarregado do repertório da época e está com as cordas vocais nos trinques em canções que só pecam por letras fracas, mesmo considerando que ali estão só para justificar a performance virtuosa de Robertinho.




O final foi apoteótico com Cum On Feel The Noize, da esquecida banda inglesa Slade, que ainda vaga por aí, e Metal Daze, da banda Manowar, com quem ele tocou no Monsters of Rock em abril em São Paulo. No final ele chamou vários guitarristas que estavam na plateia para tocar um pouco com sua guitarra de fogo. 



ALucky Leminski guitarras do cenário

Nesse momento ficou evidente o que o difere de outros instrumentistas. Solaram em frases bem rápidas num estilo técnico padrão do metal, o contrário de Robertinho, que sabe dosar técnica e emoção. Por isso mesmo todos bateram cabeça para o mestre e um deles mandou um recado pro Rock in Rio que Robertinho devia estar lá. Concordo. A despedida foi com Vou-Me Embora, de Paulo Diniz, conterrâneo de Robertinho. Vá, mas volte mestre.


8 comentários:

  1. Salve, Jamari, só você mesmo para avaliar o mestre da guitarra Robertinho de Recife. Nota 10 para a sua resenha, porque eu estava lá e você cobriu tudo com detalhes de mestre, abraço, jornalista Ivan da Costa

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  2. Jamari, Parabéns, Obrigado por nos deixa informado dese grande evento. Infelizmente não pude comparecer, mas sei que foi um Grande Show que só quem presenciou pode sentir realmente a Furia do Metal Brasileiro.

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  3. Para mim, está entre os 5 maiores guitarristas brasileiros de todos os tempos e entra fácil em qualquer lista de melhores do mundo. Só falta melhorar as letras, que precisam fazer jus ao talento como instrumentista. O RIR tem o dever de chama-lo para a próxima edição do festival!

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  4. Muito bom Jama! Robertinho é foda! Mestre. Abs. Rock!

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  5. A Flying V alongada é uma Dime, modelo usado pelo falecido Dimebag Darrel, do Pantera.

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  6. Foi um dos melhores shows que vi na minha vida. Perfeito.

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