domingo, 20 de dezembro de 2015

Leoni lota o Imperator com Notícias de Mim

Fotos de Cleber Junior

Fui ao show Notícias de Mim, de Leoni, no Imperator e tive uma grande surpresa ao chegar às 21h09. Tinha começado, estava na segunda música. Pensei que ia estar vazio porque era cedo. Lotado, público sentado em cadeiras, veramente estranho. Muitos jovens, mas não muito jovens e uma coroada que ali estava para recordar seus glory days dos anos 80,  aquela coisa que o Leoni falou no fim, que uma parte do público é preguiçoso, só quer ouvir os hits. 





Ele tocou nove das 12 músicas do novo álbum, Notícias de Mim, financiado por crowdfunding: 853 fãs coçaram o buraco do pano para ajudar a fazer o CD. Ele anunciou que o disco físico só estava à venda nos shows e que ia receber e autografar no saguão. Quando saí tinha uma fila grande à espera dele, não esperei, puxei o beco. 


Andrea Spada


Leoni esteve no palco acompanhado pelos afiados músicos da banda Furacão de Bolso: o virtuose da guitarra Gustavo Corsi, Andrea Spada no baixo e Lourenço Monteiro na bateria. Esta configuração básica faz com que as músicas sejam mais viscerais do que no disco novo, em que há cordas e sopros, e no material do Kid Abelha. Um teclado daria uma amaciada e enriqueceria os arranjos, mas quem sou eu para dar pitaco no som de um músico com mais de 30 anos de estrada. A intenção deve ser essa, Rough and Ready, como no título do álbum do Jeff Beck Group. 


Lourenco Monteiro

Em Garotos II, seu maior sucesso solo, ele foi para a plateia, que cantou com ele. De volta ao palco elogiou o comportamento do público: “Quando vou para a plateia, me agarram, querem tirar selfie comigo e eu dizendo ‘espera, estou tocando. Vocês são muito civilizados, vou descer outras vezes.” 



Gustavo Corsi

Outro coro do povo foi na homenagem à Legião Urbana, Quase Sem Querer, que linkou com a trágica 50 Receitas, precedida por viradas de bateria, um solo pesado de Corsi que citou o tema de Midnight Cowboy. Leoni vai tornando a interpretação mais dramática até um final de cortar os pulsos. Parte dos presentes cantou junto (claro, os ausentes é que não podiam cantar).




"Fazer amor de madrugada..."

Não via show do Leoni há algum tempo. Ele tocou boa parte do show de guitarra, antes era violão, e solou várias vezes, incluindo em Só Pro Meu Prazer, de sua ex-banda Heróis da Resistência, num arranjo bluesy. Em Herói Que Mata há um acento boogie a la Bo Didley, um solo de baixo, e a íntegra de Sgt Pepper’s Lonely Hearts Club Band. Los Bitles, como dizia Cássia Eller.


Antonio Leoni

Em minha conturbada cabeça entupida por 51 anos de rock’n’roll ouvi  um estilo Paul McCartney em Amor Real e umas frases a la Mark Knopfler em Caved Canem, que emenda com Educação Sentimental, dos Abelhas. Amor Real ele disse que contrapõe ao amor idealizado, à tal metade da laranja, a alma gêmea, que ele acha que não existe, a real é o amor elevador, o nosso do dia a dia, com altos e baixos, que pode enguiçar entre dois andares ou despencar lá de cima. “Woody Allen tem uma boa frase. ‘A realidade é muito chata, mas é o único lugar onde se pode comer um bom bife.”




Na reta final do show, ele serviu o bom bife. Seu filho Antonio Leoni assumiu a guitarra e ele, só na voz, desencadeou quatro hits do Kid Abelha, seu hit com Cazuza e Muito Obrigado, a faixa que encerra o álbum, um agradecimento a quem colaborou para a feitura do disco. O show teve mais uma depois dessa.

Ele começou um funk que não conheço e emendou com Lágrimas e Chuva, que rendeu uma discussão entre ele e eu no Morro da Urca quando o disco saiu. Yesterday’s papers. Notícias de Mim é um grande disco e gerou um belo show. Um ditado alusivo a uma grande banda diz que pedra que rola não cria limo. Aplica-se a Leoni. Ele continua rolando.




Um comentário:

  1. Foto minha ali no meio com ele ahahhaha. Adorei! O show foi incrível
    http://adolescentedemais.com.br/

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