segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

Tenho alguns livros de música bem legais em casa e vou fazer alguns posts com fotos e pequenos textos. Estas são imagens do livro Not Fade Away, de um dos maiores fotógrafos da área musical, Jim Marshall (1936 – 2010). Ele teve acesso sem precedentes a muitos rock stars como Beatles, Rolling Stones, Led Zeppelin, Bob Dylan e muitos outros nos anos 60 e 70 Todas as fotos deste livro são em preto e branco.



Mick Jagger no avião da turnê do álbum Exile On Main Street, 1972


Little Richard no camarim do Civic Center de San Francisco em 1971. As atrações eram Chuck Berry, ele e Bo Diddley




Brian Jones, dos Rolling Stones, e Jimi Hendrix nos bastidores do Festival de Monterey dia 17 de junho de 1967. Brian apresentou Jimi, indicado ao festival por Paul McCartney


Paul McCartney e John Lennon no show do Candlestick Park, San Francisco, 29 de agosto de 1966, o último da banda diante dos fãs. Jim Marshall: “Fui o único fotógrafo a ter acesso ao backstage. Não me pareceu uma ocasião especial – o estádio não estava lotado e a gritaria dos fãs era tremenda. Os Beatles não conseguiram se escutar. Foi apenas mais um concerto embora tenha entrado para a História".


O Cream numa escada do Hotel Sausalito, Califórnia, 1967, numa das primeiras fotos tiradas do trio na América. Da esquerda, Jack Bruce, Ginger Baker e Eric Clapton


Chuck Berry, Madison Square Garden, agosto de 1969



Janis Joplin no Golden Gate Park de San Francisco, 1966, antes de ser conhecida após se apresentar no Festival de Monterey em junho de 1967






Rolling Stones tocaram para 130 mil pessoas em São Paulo



Mick Jagger, Ron Wood, Charlie Watts e Keith Richards

Os Rolling Stones tocaram para 130 mil pessoas em dois shows no estádio do Morumbi em São Paulo. Três canções foram tocadas pela primeira vez na Ole Tour, Worried About You, Bitch (quarta) e All Down The Line (sábado). She’s A Rainbow foi tocada pela primeira vez no Brasil sábado. Já tinha rolado como escolha dos fãs em Santiago dia quatro de fevereiro. 
Vamos à história de cada uma: 

Worried About You – Tocada ao vivo 25 vezes - Balada do álbum Tattoo You (1981), tocada apenas 25 vezes ao vivo. Gravada nas sessões do álbum Black and Blue (1976) e engavetada. Na guitarra solo está Wayne Perkins, um dos candidatos a preencher a vaga deixada por Mick Taylor, mas o premiado foi Ron Wood. Os Stones fizeram Perkins e outros guitarristas gravarem a pretexto de ser um teste para entrar na banda e depois os dispensaram sem pagar nada. Ao vivo, Mick Jagger toca teclados. A letra é uma bobagem, sobre um cara falando com a mulher que ela o decepcionou, não cumpriu nada que prometeu a ele. Ao mesmo tempo diz que sai para se divertir com outras garotas e diz que ela não é a única.





Bitch - Tocada ao vivo 295 vezes. Do álbum Sticky Fingers, lançado em 23 de abril de 1971. Um rock arrasa quarteirão com uma forte presença de sopros e linhas de guitarra marcantes por Keith Richards (solo) e Mick Taylor (base). Foi tocada 295 vezes pela banda ao vivo. A letra dá um  duplo sentido à palavra bitch, que significa tanto uma mulher vagabunda safada quanto alguma coisa desagradável, como no verso “must be love, it’s a bitch”.

All Down The Line – Tocada ao vivo 327 vezes. Faixa do álbum Exile On Main Street, lançado em 12 de maio de 1972. Sua primeira versão numa demo rolou nas sessões de Let It Bleed (1969) e foi finalizada em Los Angeles com mudança de andamento de uma balada para um rockão com guitarras em fogo e sopros, no original uma grande performance de Mick Taylor na guitarra solo, os sopros de Bobby Keys e Jim Price e o vocal rascante de Sir Jagger. A letra trata da visão itinerante de uma banda num ônibus de turnê e de lances que acontecem  a cada parada ou no caminho com alusões a mulheres (“I need a sanctified girl with a sanctified mind to help me now”) e a drogas (“I need a shot of salvation, baby, once in a while”).

She's A Rainbow – Tocada 12 vezes ao vivo. Do álbum psicodélico Their Satanic Majesties Request, lançado em oito de dezembro de 1967. A letra traz a abordagem psicodélica do uso de LSD que estava no auge em 1967. Os Beatles tinham a Lucy que passeava no céu com diamantes, a mulher aqui não tem nome, mas brilha e irradia várias cores, por isso é comparada a um arco íris, bem típico de uma viagem de ácido. O original tem um belíssimo piano tocado por Nicky Hopkins, arranjo de cordas pelo futuro baixista do Led Zeppelin John Paul Jones (o Led foi formado em 1969) e percussão por Paul McCartney.



São Paulo segunda apresentação


O restante do show teve o mesmo esquema em todos os concertos da Ole Tour. Um bloco de quatro canções iniciais: Start Me Up (ou Jumpin’ Jack Flash se há mais de um show na mesma cidade), It’s Only Rock’nRoll (But I Like It), Tumbling Dice e Out Of Control). Depois um bloco com a música escolhida pelos fãs mais duas ou três novidades. A seguir Paint It Black e Honky Tonk Women com a apresentação dos músicos e entra o set de Keith Richards com duas canções escolhidas entre cinco opções: Happy, Before They Make Me Run, You Got The Silver, Slipping Away e Can’t Be Seen. Daí Mick Jagger volta para o bloco final (Midnight Rambler, Miss You, Gimme Shelter (com Sasha Allen), Brown Sugar, Sympathy For The Devil, Jumpin' Jack Flash ou Start Me Up. Fim e volta com o bis You Can't Always Get What You Want e Satisfaction.



Primeiro show São Paulo

A banda se despede do Brasil na quarta-feira com um concerto no Estádio Beira Rio em Porto Alegre. As próximas etapas da Ole Tour são  Lima, Peru (dia seis de março), Bogotá, Colômbia (dia 10) E Cidade do México (14 e 17). Apesar de não anunciado oficialmente pela banda, os Stones devem tocar pela primeira vez em Cuba em 21 ou 22 de março, quando o presidente dos Etados Unidos, Barack Obama, estará em Havana. Serão dois acontecimentos históricos, a primeira vez dos Rolling Stones e de um presidente americano na ilha.

P.S. Nos posts abaixo sobre a turnê há a história de todas as músicas tocadas.


segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

Rolling Stones se mantem juntos por grana, música ou ambos?

Ron Wood, Charlie Watts, Keith Richards

No sábado eu estava bem perto da passarela do lado esquerdo do palco (para quem olha de frente) e confesso que tremi na primeira vez em que Keith Richards chegou ali na ponta para saudar o público. Minha identificação maior sempre foi com ele. Mick Jagger é muito jet setter pro meu gosto,  é o maior vocalista do rock, acho que ninguém contesta isto depois de sábado, mas sempre foi pavão demais. Já Keith pra mim é o rock’n’roll em pessoa. 



Mick Jagger

A bem da verdade, os dois juntos formam uma unidade megatômica, Jagger na frente dominando a massa com a voz de potência inabalada e suas coreografias desconjuntadas (minha mulher o chama de Tripa Desvairada) e Richards atrás com frases poderosas e desconcertantes, auxiliado pelo coadjuvante Ron Wood, este sempre de olho no master pra complementar a massa sonora.

O trio dá seus voos com o conforto e a segurança de ter por trás não apenas o extraordinário e metronômico Charlie Watts, mas músicos de apoio de altíssima qualidade e experiência, muitos deles com formação e carreira jazzística (Veja post mais abaixo). 

Os Rolling Stones podem ser dinossauros do rock, mas são Tiranossauros, carnívoros, atacam com tudo, botaram 66 mil pessoas em êxtase, de crianças a fãs de primeira hora. São um exemplo de como manter a dignidade, o profissionalismo e a mesma garra de quando conquistaram a América em 1965 com (I Can’t Get No) Satisfaction. 


Satisfaction 1965 no Ed Sullivan Show

Já foi dito que Mick Jagger é o cérebro e Keith Richards o corpo, ou que Mick Jagger é o corpo e Keith a alma.  Na sua autobiografia, Life, Keith conta que o camarim de Mick fica bem longe do dele e que, há 20 anos, um não vai ao camarim do outro. Esta é a realidade atual da banda. Dois jovens que se encontraram em 1960 no vagão de um trem e se reconheceram porque um deles tinha nas mãos discos de bluesmen americanos, hoje estão unidos pela grana, pelo amor à música ou pelos dois? É uma dúvida minha, que descobri a banda ao ouvir Satisfaction em 1965 numa rádio, provavelmente a Mundial AM.

Os Stones vivem hoje a parte mais lucrativa de sua existência. Em certas apresentações ficam com 60% da bilheteria. A Zip Code tour do segundo semestre de 2015 faturou US$ 109,7 milhões por 17 concertos em estádios. As seis turnês dos anos 2000, excluindo a atual, faturaram um bilhão de dólares. E à pergunta frequente se cada uma dessas turnês é a última, eles respondem que só vão parar quando não aguentarem mais. E por que deveriam se multidões lotam estádios para vê-los. Mick e Keith estão com 72 anos, Charlie Watts 74 e o caçula Ronnie Wood 68. Não tem mais um grande futuro pela frente, a dama da foice pode pegar um deles a qualquer momento, mas essa dinheirama garante o futuro de suas famílias. 


Rolling Stones e Beatles

Beatles e Rolling Stones foram a linha dorsal da minha formação rock por ser eu da geração dos anos 60. Igualmente criativos e ousados em estilos musicais diferentes, me deram um norte musical ao qual se agregaram todas as tendências do rock surgidas ao longo dos anos e que acompanhei em tempo real, como se diz agora, no sentido de comprar os discos quando saíram.

Hoje em dia, o sobrevivente dos Beatles que ainda lota estádios, Paul McCartney, e os Rolling Stones são apenas revivals do que já foram. Paul continua produtivo, seu último álbum, New, é de 2013, mas seu material solo é apenas parte menor de seus shows, as multidões querem Beatles e ele se dobra ao vox populi. O último álbum dos Stones é de 2005, A Bigger Bang, mas nenhuma música dele foi tocada na Zip Code Tour e nem na atual, Olé. As 14 canções tocadas em todos os concertos latino americanos são do período 1965 – 1974, a banda se mantém presa ao seu período de maior sucesso. 



O que poderia impedir uma banda de se manter atuante com o mesmo pique das primeiras décadas seria a decadência física. Isso não acontece aqui. Quem lê livros sobre a banda sabe que a presença de Keith Richards com aquela disposição toda é um verdadeiro milagre. No começo dos anos 70, quando estava no auge de seu relacionamento com as drogas, ele tinha uma postura niilista: “Quem disse que a gente tem que virar setentão? Não dá pra todo mundo chegar aos 70,” disse ele. Pois é, chegou, ele brinca que já morreram todos os médicos que disseram que ele ia morrer cedo. Não se droga mais, mas ainda fuma quase dois maços por dia de Marlboro filtro amarelo. 




Em sua autobiografia, Life, Keith diz que a energia para tocar num show vem da plateia: “Este é meu combustível. A única coisa que eu tenho para queimar é essa energia, principalmente quando estou com a guitarra nas mãos. Eu fico incrivelmente empolgado quando a plateia se levanta das cadeiras: ‘É isso aí pessoal, se soltem mesmo! Se vocês me derem sua energia eu a devolverei em dobro.’ É como um imenso dínamo ou gerador. É algo indescritível.”

Ele diz que sente vontade de correr na passarela, mas diz que não se toca direito correndo e ele prefere concentrar a banda num lugar central do palco “para fingir que estamos tocando num lugar pequeno.”


Daryll Jones e Keith

Keith revela alguns aspectos técnicos interessantes sobre o show: “Quando se toca em grandes estádios você espera que a música encha o lugar nos primeiros acordes, em vez de soar como o sussurro de um morcego. Algo que você tocou numa salinha de ensaio pode ter soado fantástico, mas num palco enorme o som lembra três ratinhos presos numa ratoeira. (...) Quando Mick se afasta da banda e desce alguma rampa, não se pode confiar que esteja escutando o mesmo que nós, a velocidade pode estar defasada por apenas uma fração de segundo, mas, se não compensarmos,  já era. A banda precisa estar hipersincronizada para mudar a ponto de fazer o Mick cantar no tempo certo.” Ele diz que isso pode acontecer algumas vezes num concerto sem que o público perceba.

O que o tempo parece ter corroído de vez é a criatividade. Lançaram álbuns em 1994 (Voodoo Lounge), 1997 (Bridges To Babylon), um intervalo razoável de três anos. Depois só 2005 A Bigger Bang e, em dezembro do ano passado, começaram a gravar um novo álbum. E nenhum desses tem o nível dos grandes discos do passado, embora não façam vergonha à banda.


Maracanã - Foto de Cleber Junior

Podemos tê-los visto pela última vez se levarmos em conta que 10 anos se passaram até esta volta. Estarão de pé aos 82 anos, Charlie aos 84? Talvez voltem antes, quem sabe. Já foi uma sorte recebê-los numa crise com o dólar nas alturas, ingressos elevados, mas lotação esgotada. Valeu o investimento para quem é do rock. As atrações gringas que vem por aí terão que rebolar para não ficarem atrás de uma banda que rola na estrada há 54 anos sem criar limo.

Li hoje que o Presidente Barack Obama e a primeira dama Michelle receberam uma senhora negra de 106 anos, Virginia McLaurin, na Casa Branca. Quando Obama perguntou seu segredo para chegar nesta idade ela respondeu: “Just keep moving.” É a receita dos Rolling Stones. Ou então, como diz Evandro Mesquita: "Enquanto tiver bambu, tem flecha."




domingo, 21 de fevereiro de 2016

Rolling Stones fazem show arrasador no Maracanã


Mick Jagger - Fotos Marcos de Paula - Staff Images

Uma das músicas do bis, You Can’t Always Get What You Want não se aplica ao showzaço que os Rolling Stones fizeram na noite deste sábado no Maracanã, Rio de Janeiro. Muita gente pode não ter ouvido todas as músicas que queria, mas não tem do que se queixar. Mick Jagger conduziu os trabalhos com a mesma disposição e precisão de sempre, as guitarras de Keith Richards e Ron Wood cuspiram fogo, o decano Charlie Watts, do alto de seus 74 anos, segurou o ritmo por duas horas com precisão metronômica.

Na banda de apoio só tem feras com um alentado currículo. Três enormes telas com altíssima definição, uma luz impecável e um som bem alto e claro. Sem falar no repertório acumulado em cinco décadas de carreira, parte da vida de várias gerações. O público do Rio se deu um presente e ganhou mais dois. A música escolhida pela internet foi Like A Rolling Stone, ou seja, fizeram os homi cantar um cover que leva o nome da banda no singular composta pelo lendário Bob Dylan (foi a primeira vez que incluíram uma música de outro autor na lista para escolha do público). Eles tocaram a música mais recente de toda a Olé Tour, que já passou por Chile, Argentina e Uruguai, Doom And Gloom, uma inédita lançada na coletânea tripla GRRR!, de 2012. E ainda o megahit Angie, tocada apenas na Argentina dia 10 último por escolha do público, a primeira vez que uma eleita dos fãs é incluída em outra cidade.

Ron Wood (E),Charlie Watts e Keith RichardsAdicionar legenda

O temporal que caiu por volta de sete e brau danificou um dos telões, por isso um atraso de 21 minutos. Em vez de 21h30, 21h51 e acabou 23h58, daí deu meia noite e voltou a ser 23 horas com o fim do horário de verão. Depois de um vídeo no telão “Ladies and Gentlemen The Rolling Stones!” 66 mil pessoas explodiram em gritos. Deram a partida com Start Me Up, todos nos trinques com roupas de palco de cores fortes, Jagger disse uma vez que figurino para shows de estádios tem que ser marcantes por causa do tamanho do lugar, se bem que não foi bem assim porque ele passou a maior parte do tempo de calça e camiseta pretas, de vez em quando botava um blazer espalhafatoso ou blusões bem coloridos. Keith de dourado com blusa púrpura por baixo, Ron Wood de jaqueta preta. Charlie com um figurino nem aí, camiseta amarela e calça azul.


Keith Richards

Eles levam duas horas para cantar 18 músicas por conta das improvisações centradas nas guitarras de Keith e Ron, que se entendem em olhares e gestos, um entrosamento desenvolvido nas quatro décadas em que tocam juntos (Ron foi oficializado na banda em fevereiro de 1976, ou seja, comemora 40 anos de Rolling Stones nesta turnê), com abertura também para solos dos músicos de apoio (veja quem são no post abaixo). 


ARonnie Wood

Resolvi cronometrar algumas músicas para mostrar porque parecem poucas para durar 120 minutos.O clímax do concerto é Midnight Rambler, tocada logo após o set de Keith Richards, enquanto Jagger vai lá dentro respirar oxigênio para se recompor. E volta cheio de gás para os 14 minutos em que durou a canção, de 22h54 a 23h08. A letra é arrepiante, sobre Albert De Salvo, o estrangulador de Boston, autor da morte de 13 mulheres na década de 60. Começa com Jagger na gaita, Keith e Ron trocando frases nas guitarras, daí vai numa primeira parte em uptempo por três estrofes, até uma parte central cheia de suspense em que brilham as trocas de frases, Ron sola, Jagger toca gaita e dança lentamente, solta uns “oh yeah” que a plateia responde, alguns vocalises, a guitarras dão acordes pesados em intervalos curtos até voltar o andamento rápido, Jagger volta a cantar e, no final, encarna o assassino e ameaça enfiar uma faca no pescoço de alguém a quem se dirige na letra. Um número de fôlego de grande impacto.




Além das canções que destaquei no lead, o restante do show seguiu o mesmo repertório de apresentações anteriores, algumas mais empolgantes que outras. O flerte com a dance music, Miss You, do álbum Some Girls, de 1978, teve um funkeado solo de baixo de Daryll Jones e um solo de sax tenor de Tim Ries, com Mick puxando corinhos da plateia com um elogio em português no final: “Vocês cantam muito bem.”



Gimme Shelter foi outro momento alto, um inspirado trabalho de Keith na guitarra com um desfile da vocalista Sasha Allen pela passarela que cruzava toda a pista premium soltando os ya yas na estrofe que lhe cabe na canção, repetida duas vezes, e depois na troca de vocais com Mick. Sete empolgantes minutos. Outro momento de impacto foram os sete minutos de Sympathy For The Devil com iluminação e projeções de símbolos cabalísticos e deLucifer nos telões, tudo num vermelho carregado, enquanto Mick, coberto por uma grossa echarpe vermelha assume a persona do coisa ruim na primeira pessoa.

Charlie Watts



O set de Keith também impactou com You Got The Silver, ele ao violão, Ron no violão slide, uma bela canção do álbum Let It Bleed, de 1969. A segunda foi Before You Make Me Run, do álbum Some Girls, de 1978. Happy teria sido bem melhor, mas quem sou eu para contrariar o Highlander Keef Richards.

Na hora da escolha dos fãs, Jagger perguntou qual a música escolhida e um sax puxou Garota de Ipanema, o clichê dos músicos que nada entendem de música brasileira, mas a escolhida era de Bob Dylan, Like A Rolling Stone, sem qualquer referência à banda, a pedra rolante é uma menina mimada que empobreceu e passou do luxo ao lixo.






Jagger lembrou os 10 anos desde o show na praia de Copacabana e até repetiu um gesto da época em Jumpin’ Jack Flash: rodou uma camiseta branca sobre a cabeça, no que foi seguido por milhares de pessoas. Keith Richards igualmente lembrou: “Da última vez foi na praia. Dez anos, é bom estar de volta. Senti falta de vocês.”
O bis teve o coral da PUC Rio em You Can’t Always Get What YouWant e um final apoteótico com sete minutos de Satisfaction. Claro que o povo queria bis do bis, mas,  no palco, estavam quatro senhores que somam 276 anos de vida. Já estava de bom tamanho e lá se foram para descansar os alquebrados esqueletos.

Próximas paradas: 24 e 27 em São Paulo e dois de março em Porto Alegre.
P.S. As fotos são de divulgação.

sábado, 20 de fevereiro de 2016

Conheça os músicos de apoio dos Rolling Stones

Bernard Fowler

Bernard Fowler -  Vocais - Americano de Nova York, 57 anos, foi contratado pera fazer vocais do primeiro disco solo de Mick Jagger, She’s The Boss, em 1985. Foi incorporado às turnês dos Stones em 1989 e, desde então participou dos álbuns da banda e de todas as turnês. Também participou dos discos solo de Mick Jagger, Keith Richards, Charlie Watts e Ron Wood. Tem uma carreira solo, é ator e produtor, já participou de mais de 30 álbuns de diversos artistas, incluindo a banda PiL de John Lydon, Philip Glass, Sly & Robbie, Herbie Hancock.


Sasha Allen


Sasha Allen – vocais – Americana do Harlem, Nova York,  33 anos, substitui a titular Lisa Fischer, que está em turnê solo na América. Sasha foi finalista do The Voice americano em 2013, mas já era profissional antes disso. Foi vocalista em turnês de Christina Aguilera, Alicia Keys, John Legend, Leona Lewis e Usher. Participou de uma nova montagem de Hair em 2009 na Broadway.


Tim Ries (sax)

Tim Ries – saxofone – Americano de 56 anos, músico de jazz, tem uma banda chamada The Rolling Stone Project que toca músicas dos Stones com arranjos jazzísticos e já lançou dois discos. Participam do projeto Bernard Fowler e Darryll Jones (foto). Tim participa das turnês dos Stones desde 2005. Dá aulas na Universidade de Toronto, é autor de mais de 100 composições e tem oito discos gravados.

Karl Denson

Karl Denson – saxofone – Americano de 59 anos, sua linha principal é funk e jazz. Toca com os Rolling Stones desde 2014 no lugar do lendário Bobby Keys, que tocava com os Stones desde 1969 e morreu em dezembro de 2014 de cirrose. Denson foi da banda de Lenny Kravitz e já tocou com Jack DeJohnette, Dave Holland, Blind Boys of Alabama, Blackalicious e Stanton Moore.


Matt Clifford (E) com Chuck Leavell

Matt Clifford – Teclados – Não achei dados biográficos.  Trabalha com os Rolling Stones desde 1978, mas poucas vezes ao vivo. Ele trabalhou em diversas funções nos álbuns Some Girls, Steel Wheels, A Bigger Bang,  Flashpoint (como músico da turnê de 1989), 40 Licks, , The Singles 1971 – 2006, GRRR (produção destas coletâneas). 


Chuck Leavell (E)

Chuck Leavell – teclados e direção musical – Americano de 63 anos, atua com a banda desde 1982 ao vivo e em gravações. Integrou os Allman Brothers, tem cinco discos solos e já tocou com George Harrison, Eric Clapton, Gov't Mule, Train,  The Black Crowes, The Fabulous Thunderbirds e John Mayer, entre outros.


Darryl Jones (E)

Darryl Jones – baixo – Americano de 54 anos, toca com os Rolling Stones desde 1993, quando o baixista titular Bill Wyman se aposentou, como músico contratado. Já tocou com Madonna, Eric Clapton, Joan Armatrading, Sting, Miles Davis, Herbie Hancock, Mike Stern, entre outros.

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

Veja as músicas que os Rolling Stones devem tocar no Brasil

Ron Wood, Charlie Watts, Keith Richards - Santiago

No próximo sábado a nave Rolling Stones aporta a Terra Brasilis para um concerto no Maracanã, seguido de dois em São Paulo (24 e 27) e o último em Porto Alegre dia três de março. Até agora foram quatro apresentações, uma no Chile e três na Argentina. Falta uma em Montevidéu na terça. Com base nos setlists mostro abaixo as canções que quase certamente ouviremos no Brasil porque foram tocadas nos dois países. São 14 que cobrem o período de 1965 (Satisfaction) a 1974 (It’s Only Rock’n'Roll). A história de cada uma delas está no post que fiz sobre o show de Santiago, que está mais abaixo.
O bis tem sido sempre o mesmo. You Can’t Always Get What You Want com um coral de cada cidade e Satisfaction. As demais vão em ordem alternada: 

1. Start Me Up 
2. It’s Only Rock ‘N’ Roll (But I Like It)
3. Tumbling Dice
4. Out of Control
5. Paint It Black 
6. Honky Tonk Women (sempre antecede a parte em que Keith Richards canta e Mick Jagger apresenta a banda antes de sair. Keith variou as duas canções, falo em separado)
7. Midnight Rambler 
8. Miss You
9. Gimme Shelter (com Sasha Allen no vocal)
10. Brown Sugar
11. Sympathy For The Devil 
12.  Jumpin' Jack Flash
13. You Can't Always Get What You Want 
14. (I Can't Get No) Satisfaction 


Primeiro show Argentina  - Estádio Unico de La Plata - 55 mil pesoas

Tocadas Só No Chile - Concerto único dia quatro. História delas abaixo no post sobre  Santiago.
She’s a Rainbow (escolha dos fãs pela internet)

Tocadas Só Na Argentina - Três concertos.
Dia 7
Street Fighting Man – Escolha dos fãs pela internet. Tocada 554 vezes ao vivo. Single do álbum Beggar’s Banquet,  lançado em seis de dezembro de 1968. Inspirada no período conturbado no final da década de 60 com as manifestações em Paris e nos Estados Unidos, estas contra a Guerra do Vietnã. A letra alterna palavras de ordem violentas  como “it’s time for palace revolution” e “the time is right for fighting in the streets, boy” com um refrão que prega o não engajamento da banda “but then waht can a poor boy do, ‘Cept to sing for a rock’n’roll band. ‘Cos in sleepy London Town there’s no place for street fighting man.” Mick Jagger disse que os protestos em Londres não foram tão intensos quanto na França e na América.


Mick Jagger - Santiago

Anybody Seen My Baby – Tocada 71 vezes ao vivo. Canção de segunda classe, single do álbum Bridges to Babylon, lançado em 24 de setembro de 1997. A letra fala de um cara que levou um pé na bunda da mulher e fica procurando por ela na pior. O clipe fez sucesso porque tinha Angelina Jolie em roupas de baixo, quando ela ainda decolava para o megaestrelato. Richards conta que, quando mostrou a canção para a filha Angela e uma amiga dela, as duas começaram a cantar a mesma música com uma letra diferente, aí Richards descobriu que ele e Mick tinham plagiado sem querer a canção Constant Craving, da cantora americana K.D. Lang. Imediatamente acionaram os canais jurídicos para dar coautoria à K.D. Laing e ao seu parceiro Bem Mink. Laing se sentiu honrada e lisonjeada pela parceria.

Dia 10 
Angie - Escolha dos fãs pela internet. Tocada 245 vezes ao vivo. Um dos maiores sucessos da banda, faixa do álbum Goat’s Head Soup, lançado em 31 de agosto de 1973.  Diz a lenda que foi composta para a mulher de David Bowie, Angela, e que ela, Bowie e Jagger faziam ménage à trois. Richards diz em sua autobiografia Life que a canção partiu dele e o nome da personagem foi uma escolha aleatória, não é sobre ninguém especificamente. A parte da letra colocada por Mick Jagger se refere ao fim do romance que manteve com Marianne Faithfull na década de 60. Ela chegou deslumbrante aos 17 anos na corte da Swinging London e saiu um farrapo, viciada em heroína e outras drogas, quase mais uma vítima fatal das várias que se meteram no vórtice stoniano. Angie foi primeiro lugar na América e quinto na Grã-Bretanha.


Argentina segundo show - mesmo local - 56 mil pesssoas

Can’t You Hear Me Knocking - Tocada 92 vezes ao vivo. Faixa do álbum Sticky Fingers, lançado em 23 de abril de 1971. Uma das minhas favoritas. Leva sete minutos no original com um solo inspirado do falecido Bobby Keys no sax tenor e um longo solo de três minutos de Mick Taylor. Muito tocada nas turnês de 2002/3 e 2005/7. Ao vivo pode levar 12 minutos. Após o solo de sax, a cargo de Karl Denson, que entrou no lugar de Keys, Mick faz um solo de gaita e Ronnie Wood o solo de guitarra. Keith conta que a música já devia ter terminado na vizinhança do quinto minuto, mas o clima estava tão bom que continuaram no improviso e quando ouviram depois resolveram deixar. A música nasceu no estúdio, Keith afinou a  guitarra e começou a uma levada, Charlie começou a tocar junto com ele e assim foi. A letra no caso não é importante, é um cara batendo com insistência na casa da namorada (whatever) e ela nem aí, tem uma referência a drogas, típica da época, quando ele diz que ela tem “cocaine eyes.”

Dia 13
You Got Me Rocking – Tocada 439 vezes ao vivo. Escolha dos fãs pela internet . Single do album Voodoo Lounge, lançado em 11 de julho de 1994. A banda veio ao Brasil pela primeira vez em 1995 na turnê deste disco e tocaram esta nos shows aqui. Rock uptempo, um dos melhores da produção escassa da banda dos anos 90 para cá. A letra é um deboche com as perguntas cretinas que ouvem há décadas: se vão parar, se aposentar, se é a última turnê etc. “I was a surgeon 'till I start to shake, I was the boxer who can't get in the ring, I was a writer can't write another book. I was a tycoon drowning in debt,” mesmo assim alguém surgiu e “hey hey hey you got me rocking”.


Terceiro show - Mesmo local - 50 mil pesoas

Beast of Burden – Faixa do álbum Some Girls, lançado em nove de junho de 1978. Jagger improvisou a letra no estúdio para encaixar na parte instrumental que já estava sendo tocada por Keith e Ronnie, que se revezavam em solos e base. Beast of Burden pode ser traduzido por Burro de Carga, o animal mesmo, no caso um cara que diz que não quer ser o esparro da mulher, só quer transar com ela, que se faz de difícil.
P.S. Em cada cidade, eles pedem que os fãs votem em uma de quatro canções para tocarem no show. Votação pelo site oficial. Nda divulgado ainda sobre o Brasil.


Keith Richards - Buenios Airs

Set de Keith Richards – São duas músicas por show.
Santiago, Dia 4 - Ver post do Chile
You Got The Silver
Happy 

Buenos Aires
Dia 7
Can’t Be Seen With You – Tocada 84 vezes ao vivo. Canção do álbum Steel Wheels, lançado em  29 de agosto de 1989. A letra é sobre um cara que está muito a fim de uma garota mas não pode ser visto com ela porque os dois estão jurado de morte. “They set us up so they can shoot us down. Put us six feet  underground. It's just too deep for me baby. Oh shit. I just can't be seen with you.”

Happy – Ver post do Chile

Dia 10
Slippin’ Away – Tocada 165 vezes ao vivo. Balada do álbum Steel Wheels, lançado em 29 de agosto de 1989. Keith disse que avaliou melhor esta canção quando fez uma versão acústica para o álbum Stripped, lançado em 13 de novembro de 1995. A letra fala de um casal que está se distanciando um do outro. Lá pelo final ele coloca como que uma crítica também ao seu talento para a composição: “All I want is ecstasy but I ain't getting much. Just getting off on misery, it seems I've lost my touch.
Well it's just another song, but it's slipping away. We didn't sing it long  ‘cos it's fading away.” Este disco veio depois de um longo período de distanciamento em que Mick Jagger tentou carreira solo sem sucesso e os dois brigaram e esta foi a volta ainda meio sem jeito.

Before They Make Me Run – Tocada 275 vezes ao vivo. Do álbum Some Girls, lançado em nove de junho de 1978. Composta por Keith, Mick Jagger não participa da faixa. A letra se refere à prisão dele em Toronto, Canadá, no dia 27 de fevereiro de 1977 por posse de 23 gramas de heroína, quantidade suficiente para enquadrá-lo como traficante pela legislação canadense. O caso ainda estava em andamento quando gravou o álbum Some Girls. Num verso ele fala de drogas: “Booze and pills and powders, you can choose your medicine.” Mais adiante diz que precisa de alívio:” Gonna find my way to heaven, `cause I did my time in hell.”  A perspectiva de uma longa sentença de prisão aparece nos versos: “After all is said and done. Gotta move while it's still fun. Let me walk before they make me run.”

Chile e Argentina - História das músicas no post do Chile
Let’s Spend The Night Together
Wild Horses 

P.S. Em cada cidade, eles pedem que os fãs votem em uma de quatro canções para tocarem no show. Votação pelo site oficial. Nada divulgado ainda sobre o Brasil.

sábado, 13 de fevereiro de 2016

Aos 72 anos, Mick Jagger se exercita como um atleta de alto desempenho para cantar e dançar por duas horas no palco



Mick Jagger corre o equivalente a oito quilômetros em duas horas de show e canta sem perder o fôlego. Ele só sai do palco por 15 a 20 minutos para que Keith Richards cante duas músicas. Neste intervalo cheira oxigênio e toma isotônicos. 

Manter esta forma aos 72 anos exige uma disciplina rígida de alimentação e exercícios físicos, que conto aqui a partir de uma pesquisa na internet e, especialmente, em cima de um artigo escrito pelo médico Joseph Jacko no site Live Long Stay Young por ocasião da Zip Code Tour americana no segundo semestre de 2015.



Mick não usa drogas há 15 anos e bebe moderadamente. Mede 1 metro e 75 centímetros, tem 70 centímetros de cintura e mantém um peso de 70 a 75 quilos (na Zip Code Tour estava com 73 quilos). O personal trainer dele é o norueguês Torje Eike, em turnê ele viaja também com massagista e fisioterapeuta. Faz exercícios cinco a seis dias por semana numa rotina semelhante a de um atleta de alto desempenho.

No preparo para uma turnê a rotina se intensifica. Corre 12 quilômetros, pratica sprints (correr pequenos trechos em velocidade alta) natação, kickbox e ciclismo. Sua flexibilidade e movimentos no palco são preparados com a prática de balé, yoga e pilates. Sua alimentação consiste de pães integrais, arroz, feijão, frango e peixe, frutas, legumes e verduras. Com suplementos alimentares das vitaminas A, C, D e E, além do Complexo B. E mais óleo de fígado de bacalhau, ginseng e ginkgo biloba para ajudar a resistência e as funções cerebrais.




Nos locais onde a banda se apresenta há sempre um local reservado para ele fazer seu preparo físico, além da preparação vocal feita no camarim que, segundo Keith Richards, demora uma hora. Em sua autobiografia, Life, Richards diz que o camarim dele fica bem longe do de Jagger porque não aguenta ficar ouvindo a preparação vocal dele e nem Mick suporta ouvi-lo se preparando na guitarra.

Quatro horas antes de subir ao palco Sir Jagger come um baita prato de massas para que seus músculos estejam devidamente abastecidos de energia para o concerto.

Obs. Por incrível que pareça não há fotos de Torje Eike na web.

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

As músicas tocadas pelos Stones no Chile em detalhes






O setlist  dos Rolling Stones em Santiago quarta à noite foi de grandes sucessos sem grandes surpresas na abertura da Ole Tour. Os fãs chilenos escolheram She's A Rainbow, tocada ao vivo apenas 11 vezes. Temos que esperar para ver o que vem por aí. Foram duas horas no Estádio Nacional em Santiago, com abertura da banda local Los Tres, para um público frenético de 55 mil pessoas. O palco é o mesmo da Zip Code Tour que teve 15 concertos na América do Norte ano passado, com dois telões laterais, um central e uma longa passarela. Aos 72 anos, Mick Jagger mostra a mesma desenvoltura de antes, uma disposição imune ao tempo. A banda embarcou ao meio-dia de quinta para Buenos Aires onde faz três shows no domingo sete, quarta 10 e sábado 13.

Vamos ao setlist

1. Start Me Up – Tocada 826 vezes ao vivo pela banda. Single do álbum Tattoo You, lançado em agosto de 1981, chegou ao segundo lugar na América. Foi gravada nas sessões do disco anterior Some Girls em ritmo de reggae e engavetada. Fala do relacionamento de um  casal usando termos automobilísticos, ela é uma máquina do mal que faz um homem adulto chorar, mas se derem a partida nele, nunca vai parar.

2 It’s Only Rock ‘N’ Roll (But I Like It) – Tocada 747 vezes ao vivo. Faixa título do álbum lançado em 16 de outubro de 1974. No álbum esta canção tem David Bowie nos backing vocals. Jagger disse que fez a letra porque estava de saco cheio de pessoas ficarem comparando as canções e dizendo que as mais recentes não eram tão boas quanto as antigas, daí o refrão "é apenas rock’n’roll e eu gosto". A letra é bem perversa. O cara pergunta pra mulher, entre outras coisas, se a luxúria adolescente dela ficaria satisfeita se ele enterrasse uma faca no peito e morresse no palco.

3. Let’s Spend The Night Together – Tocada 273 vezes ao vivo. Single lançado em 13 de janeiro de 1967 com Ruby Tuesday, ambas classificadas de lado A. Esta sofreu boicote das rádios pela sacanagem implícita na letra e só tocaram Ruby Tuesday, composta por Keith Richards com ajuda de Brian  Jones na parte musical. É sobre uma groupie, as fãs que colam nas bandas para trepar com os músicos, ou seja, sacanagem também, só pouco explícita. Na América e no Brasil, Let’s Spend... foi incluída no álbum Between The Buttons, o que não acontece na versão inglesa.



Santiago

4. Tumbling Dice – Tocada 1030 vezes ao vivo.  Single do álbum Exile On Main Street, lançado em 12 de maio de 1972, chegou ao quinto lugar na Grã-Bretanha e ao sétimo na América. Levada boogie woogie blues com vocais de cantoras negras Clydie King e Vanetta Fields. A letra fala de um jogador mulherengo que não se fixa em ninguém porque acha que todas as mulheres querem se dar bem em cima dos homens.

5. Out Of Control – Tocada 187 vezes ao vivo. Do álbum Bridges to Babylon, lançado em 24 de setembro de 1997. Na letra um cara conversa com um estranho debaixo da chuva na ponte de uma cidade sobre o passado em que era jovem, revoltado, ingênuo, charmoso e sortudo, mas hoje se encontra fora de controle e pede ajuda.

6. She's A Rainbow (escolha dos fãs) – Tocada 11 vezes ao vivo. Do álbum psicodélico Their Satanic Majesties Request, lançado em oito de dezembro de 1967. A letra traz a abordagem psicodélica do uso de LSD que estava no auge em 1967. Os Beatles tinham a Lucy que passeava no céu com diamantes, a mulher aqui não tem nome, mas brilha e irradia várias cores, por isso é comparada a um arco íris, bem típico de uma viagem de ácido. O original tem um belíssimo piano tocado por Nicky Hopkins, arranjo de cordas pelo futuro baixista do Led Zeppelin John Paul Jones (o Led foi formado em 1969) e percussão por Paul McCartney.



Santiago - Ron Wood, Keith Richard, Mick Jagger

7. Wild Horses – Tocada 148 vezes ao vivo. Balada do álbum Sticky Fingers, lançado em 23 de abril de 1971. Foi gravada durante a turnê de 1969 no Muscle Shoals Sound Studio, no estado americano do Alabama, de dois a quatro de dezembro de 1968. Keith conta que a letra é sobre o sentimento de desejar estar longe da estrada em algum lugar bem distante, mas a letra fala em sofrimento, quebra de confiança e lágrimas. Usa a imagem dos cavalos selvagens para dizer que eles não conseguiram levá-lo para longe mas promete que dia os montará.

8. Paint It Black – Tocada 348 vezes ao vivo. Single lançado em sete de maio de 1966 com destaque para a cítara tocada por Brian Jones. Chegou ao primeiro lugar na América e Grã-Bretanha. Foi incluída no álbum Aftermath na América e no Brasil. A letra fala de estados emocionais depressivos expressados através de cores. Jagger disse que se inspirou em Ulysses, de James Joyce, do qual tirou a frase "I have to turn my head until my darkness goes".

9. Honky Tonk Women – Tocada 1052 vezes ao vivo. No livro Sexo, Drogas e Rolling Stones os autores José Emilio Rondeau e Nelio Rodrigues contam que esta foi composta na Fazenda Boa Vista em Matão, interior de São Paulo. Mick, Keith e as respectivas Marianne Faithfull e Anita Pallenberg, passaram duas semanas por lá em janeiro de 1969. Inspirados pelo interior, compuseram como country music e gravaram para o álbum Let it Bleed como Country Honk. Com a entrada de Mick Taylor na banda ganhou uma levada pesada e saiu como single em quatro de julho de 1969. Chegou ao primeiro lugar na América e na Grã-Bretanha. Chama-se Honky Tonk bares do interior da América que tocam música country ao vivo. A letra se refere a mulheres que frequentam esses lugares, no caso uma que encheu a cara de gin e rebocou o cara pro andar de cima pra dar uma trepada. Na segunda estrofe ele disse que teve que sair na porrada para conseguir se divorciar em Nova York. A mulher deu flores para ele, quebrou-lhe o nariz e o deixou pirado.


Santiago - Mick Jagger e o vulto de Charlie Watts

10. You Got The Silver – Tocada 111 vezes ao vivo. Composta e cantada por Keith Richards. Faixa do álbum Let It Bleed, lançado em cinco de dezembro de 1969. Foi a primeira vez que ele cantou uma canção inteira num álbum da banda. Jagger gravou também, mas optou-se pelo vocal do autor. A letra é uma declaração de amor com metáforas de ouro, prata e diamantes, olhos que brilham como luzes de avião.

11. Happy – Tocada 504 vezes ao vivo. A segunda de Keith no concerto. De sua autoria, foi gravada no Sul da França numa única tarde: “Ao meio-dia nada tínhamos, às quatro da tarde estava gravada,” disse ele. A letra fala de um cara que precisa de um amor para ser feliz. Exile On Main Street, lançado em 12 de maio de 1972.

12. Midnight Rambler – Tocada ao vivo 639 vezes. Jagger de volta ao palco para esta canção que pode se estender por 12 minutos, cheia de climas ligados à letra que fala de um assassino em série, ele cita o Estrangulador de Boston, Albert De Salvo (não fala o nome) que matou 13 mulheres na cidade no começo dos anos 60. Uma parte da letra ele canta na terceira pessoa falando de um personagem misterioso e ameaçador, depois começa a falar na primeira pessoa encarnando o criminoso com ameaças de sequestrar e matar a facadas. Faixa do álbum Let It Bleed, lançado em cinco de dezembro de 1969.

13. Miss You – Tocada ao vivo 678 vezes. Flerte da banda com a disco music. Saiu como single em 10 de maio de 1978 e chegou ao primeiro lugar na América e em terceiro lugar na Grã-Bretanha. Era a época das discotecas e Mick Jagger, frequentador delas, compôs a música com o tecladista Billy Preston num ensaio. O baixista Bill Wyman precisou ouvir muita disco music e até fazer pesquisa de campo em discotecas para criar a linha de baixo. Na letra um cara fala da saudade que sente da amada, se queixa que está dormindo sozinho, que vive pendurado no telefone, que sonha com ela etc. Faixa do álbum Some Girls, lançado em nove de junho de 1978.


Banda de abertura em Santiago: Los Tres


14. Gimme Shelter (with Sasha Allen) – Tocada 592 vezes ao vivo. Nesta brilha a vocalista Sasha Allen, que substitui Lisa Fischer, em turnê solo pela América. Faixa de abertura do álbum Let It Bleed, lançado em cinco de dezembro de 1969, contém um primoroso trabalho de guitarras de Keith Richards e um vocal poderoso de Jagger para fazer jus ao tema. Jagger disse que é uma canção apocalítica inspirada na guerra do Vietnam, em curso na época, mostrada com cenas fortes de violência diariamente nos jornais televisivos. A letra fala da ameaça sobre todos de um tempestade de fogo, que assassinatos e estupros se encontram a apenas um tiro de distância. O vocal no disco, de Merry Clayton, é de tirar o fôlego, foi ideia do produtor Jimmy Miller colocar uma voz feminina. Merry foi acordada à meia noite, foi ao estúdio, gravou e voltou pra cama.

15. Jumpin' Jack Flash – A mais tocada ao vivo: 1.112 vezes. Lançada como single em 24 de maio de 1968 assinalou a volta da banda ao rock básico após a fase psicodélica de Their Satanic Majesties Request. O álbum que seria lançado em dezembro do mesmo ano, Beggar’s Banquet, seguia a mesma linha do som rústico e sujo de Jumpin’ Jack Flash. O jardineiro da casa de Keith Richards se chamava Jack e era muito agitado, daí Keith o chamava de Jumpin’ Jack e daí nasceu a história de um personagem que nasceu no meio de um furacão de fogo, foi criado por um maltrapilho desdentado, foi para a escola com um pedaço de pau atravessado nas costas e maltratado de todo jeito. O single foi primeiro lugar na Grã-Bretanha e terceiro na América. No lado B uma das baladas mais bonitas da banda, Child of the Moon.

16. Sympathy For The Devil – Tocada 749 vezes ao vivo. Uma das canções mais polêmicas da banda. Mick Jagger encarna Lucifer na primeira pessoa e reivindica, como obra sua, fatos históricos como o assassinato dos Kennedys, John e Robert, o assassinato dos Romanov, a família real russa pela Revolução de Lenin, e a guerra relâmpago de Adolf Hitler. E manda que sejam educados e respeitosos com ele ou levará suas almas. Faixa do álbum Beggar’s Banquet, lançado em seis de dezembro de 1968.





17. Brown Sugar – Segunda mais tocada ao vivo: 1083 vezes. Single do álbum Sticky Fingers, lançado em 23 de abril de 1971. Chegou ao primeiro lugar na América e segundo na Grã-Bretanha. Rock visceral de letra polêmica com forte influência da cultura negra. Jagger admitiu que o título é ambíguo, por tratar de heroína, a droga marrom, e mulheres morenas ou negras. A letra trata da escravidão, fala de negros vendidos como escravos em Nova Orleans, o bater dos tambores, a frieza dos ingleses e o refrão ambíguo: “Açúcar Marron, você tem um sabor gostoso, como deve ser o de uma garota nova.”

BIS 

18. You Can’t Always Get What You Want – Tocada ao vivo 693 vezes. Nesta os Rolling Stones tocam com um coral de cada cidade. É a última faixa do álbum Let It Bleed, lançado em cinco de dezembro de 1969. Alguns críticos a viram como um balanço da década de 60 já que fala em drogas, em frustrações e em manifestações, tudo pontuado pelo refrão que diz que nem sempre se consegue o que se quer, mas se tentar de vez em quando, talvez consiga o que precisa.

19. (I Can’t Get No) Satisfaction – Tocada 879 vezes ao vivo. O primeiro primeiro lugar da banda na América, tem o riff mais famoso do mundo que veio a Keith Richards num sonho. Quando se fala em Rolling Stones a associação imediata para quem não conhece bem a banda é esta canção. Foi lançada como single na América em seis de junho de 1965 como uma crítica ao que Jagger considerava o excessivo consumismo da América. Daí a letra brinca com a publicidade ao dizer que um cara que aparece na TV não está com nada porque não fuma a mesma marca de cigarro que ele. E o locutor no rádio dando informações inúteis, a confusão do dia a dia e a garota que não pode transar com ele porque está menstruada. Na América e no Brasil foi incluída no LP Out Of Our Heads, de 1965.