sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

As músicas tocadas pelos Stones no Chile em detalhes






O setlist  dos Rolling Stones em Santiago quarta à noite foi de grandes sucessos sem grandes surpresas na abertura da Ole Tour. Os fãs chilenos escolheram She's A Rainbow, tocada ao vivo apenas 11 vezes. Temos que esperar para ver o que vem por aí. Foram duas horas no Estádio Nacional em Santiago, com abertura da banda local Los Tres, para um público frenético de 55 mil pessoas. O palco é o mesmo da Zip Code Tour que teve 15 concertos na América do Norte ano passado, com dois telões laterais, um central e uma longa passarela. Aos 72 anos, Mick Jagger mostra a mesma desenvoltura de antes, uma disposição imune ao tempo. A banda embarcou ao meio-dia de quinta para Buenos Aires onde faz três shows no domingo sete, quarta 10 e sábado 13.

Vamos ao setlist

1. Start Me Up – Tocada 826 vezes ao vivo pela banda. Single do álbum Tattoo You, lançado em agosto de 1981, chegou ao segundo lugar na América. Foi gravada nas sessões do disco anterior Some Girls em ritmo de reggae e engavetada. Fala do relacionamento de um  casal usando termos automobilísticos, ela é uma máquina do mal que faz um homem adulto chorar, mas se derem a partida nele, nunca vai parar.

2 It’s Only Rock ‘N’ Roll (But I Like It) – Tocada 747 vezes ao vivo. Faixa título do álbum lançado em 16 de outubro de 1974. No álbum esta canção tem David Bowie nos backing vocals. Jagger disse que fez a letra porque estava de saco cheio de pessoas ficarem comparando as canções e dizendo que as mais recentes não eram tão boas quanto as antigas, daí o refrão "é apenas rock’n’roll e eu gosto". A letra é bem perversa. O cara pergunta pra mulher, entre outras coisas, se a luxúria adolescente dela ficaria satisfeita se ele enterrasse uma faca no peito e morresse no palco.

3. Let’s Spend The Night Together – Tocada 273 vezes ao vivo. Single lançado em 13 de janeiro de 1967 com Ruby Tuesday, ambas classificadas de lado A. Esta sofreu boicote das rádios pela sacanagem implícita na letra e só tocaram Ruby Tuesday, composta por Keith Richards com ajuda de Brian  Jones na parte musical. É sobre uma groupie, as fãs que colam nas bandas para trepar com os músicos, ou seja, sacanagem também, só pouco explícita. Na América e no Brasil, Let’s Spend... foi incluída no álbum Between The Buttons, o que não acontece na versão inglesa.



Santiago

4. Tumbling Dice – Tocada 1030 vezes ao vivo.  Single do álbum Exile On Main Street, lançado em 12 de maio de 1972, chegou ao quinto lugar na Grã-Bretanha e ao sétimo na América. Levada boogie woogie blues com vocais de cantoras negras Clydie King e Vanetta Fields. A letra fala de um jogador mulherengo que não se fixa em ninguém porque acha que todas as mulheres querem se dar bem em cima dos homens.

5. Out Of Control – Tocada 187 vezes ao vivo. Do álbum Bridges to Babylon, lançado em 24 de setembro de 1997. Na letra um cara conversa com um estranho debaixo da chuva na ponte de uma cidade sobre o passado em que era jovem, revoltado, ingênuo, charmoso e sortudo, mas hoje se encontra fora de controle e pede ajuda.

6. She's A Rainbow (escolha dos fãs) – Tocada 11 vezes ao vivo. Do álbum psicodélico Their Satanic Majesties Request, lançado em oito de dezembro de 1967. A letra traz a abordagem psicodélica do uso de LSD que estava no auge em 1967. Os Beatles tinham a Lucy que passeava no céu com diamantes, a mulher aqui não tem nome, mas brilha e irradia várias cores, por isso é comparada a um arco íris, bem típico de uma viagem de ácido. O original tem um belíssimo piano tocado por Nicky Hopkins, arranjo de cordas pelo futuro baixista do Led Zeppelin John Paul Jones (o Led foi formado em 1969) e percussão por Paul McCartney.



Santiago - Ron Wood, Keith Richard, Mick Jagger

7. Wild Horses – Tocada 148 vezes ao vivo. Balada do álbum Sticky Fingers, lançado em 23 de abril de 1971. Foi gravada durante a turnê de 1969 no Muscle Shoals Sound Studio, no estado americano do Alabama, de dois a quatro de dezembro de 1968. Keith conta que a letra é sobre o sentimento de desejar estar longe da estrada em algum lugar bem distante, mas a letra fala em sofrimento, quebra de confiança e lágrimas. Usa a imagem dos cavalos selvagens para dizer que eles não conseguiram levá-lo para longe mas promete que dia os montará.

8. Paint It Black – Tocada 348 vezes ao vivo. Single lançado em sete de maio de 1966 com destaque para a cítara tocada por Brian Jones. Chegou ao primeiro lugar na América e Grã-Bretanha. Foi incluída no álbum Aftermath na América e no Brasil. A letra fala de estados emocionais depressivos expressados através de cores. Jagger disse que se inspirou em Ulysses, de James Joyce, do qual tirou a frase "I have to turn my head until my darkness goes".

9. Honky Tonk Women – Tocada 1052 vezes ao vivo. No livro Sexo, Drogas e Rolling Stones os autores José Emilio Rondeau e Nelio Rodrigues contam que esta foi composta na Fazenda Boa Vista em Matão, interior de São Paulo. Mick, Keith e as respectivas Marianne Faithfull e Anita Pallenberg, passaram duas semanas por lá em janeiro de 1969. Inspirados pelo interior, compuseram como country music e gravaram para o álbum Let it Bleed como Country Honk. Com a entrada de Mick Taylor na banda ganhou uma levada pesada e saiu como single em quatro de julho de 1969. Chegou ao primeiro lugar na América e na Grã-Bretanha. Chama-se Honky Tonk bares do interior da América que tocam música country ao vivo. A letra se refere a mulheres que frequentam esses lugares, no caso uma que encheu a cara de gin e rebocou o cara pro andar de cima pra dar uma trepada. Na segunda estrofe ele disse que teve que sair na porrada para conseguir se divorciar em Nova York. A mulher deu flores para ele, quebrou-lhe o nariz e o deixou pirado.


Santiago - Mick Jagger e o vulto de Charlie Watts

10. You Got The Silver – Tocada 111 vezes ao vivo. Composta e cantada por Keith Richards. Faixa do álbum Let It Bleed, lançado em cinco de dezembro de 1969. Foi a primeira vez que ele cantou uma canção inteira num álbum da banda. Jagger gravou também, mas optou-se pelo vocal do autor. A letra é uma declaração de amor com metáforas de ouro, prata e diamantes, olhos que brilham como luzes de avião.

11. Happy – Tocada 504 vezes ao vivo. A segunda de Keith no concerto. De sua autoria, foi gravada no Sul da França numa única tarde: “Ao meio-dia nada tínhamos, às quatro da tarde estava gravada,” disse ele. A letra fala de um cara que precisa de um amor para ser feliz. Exile On Main Street, lançado em 12 de maio de 1972.

12. Midnight Rambler – Tocada ao vivo 639 vezes. Jagger de volta ao palco para esta canção que pode se estender por 12 minutos, cheia de climas ligados à letra que fala de um assassino em série, ele cita o Estrangulador de Boston, Albert De Salvo (não fala o nome) que matou 13 mulheres na cidade no começo dos anos 60. Uma parte da letra ele canta na terceira pessoa falando de um personagem misterioso e ameaçador, depois começa a falar na primeira pessoa encarnando o criminoso com ameaças de sequestrar e matar a facadas. Faixa do álbum Let It Bleed, lançado em cinco de dezembro de 1969.

13. Miss You – Tocada ao vivo 678 vezes. Flerte da banda com a disco music. Saiu como single em 10 de maio de 1978 e chegou ao primeiro lugar na América e em terceiro lugar na Grã-Bretanha. Era a época das discotecas e Mick Jagger, frequentador delas, compôs a música com o tecladista Billy Preston num ensaio. O baixista Bill Wyman precisou ouvir muita disco music e até fazer pesquisa de campo em discotecas para criar a linha de baixo. Na letra um cara fala da saudade que sente da amada, se queixa que está dormindo sozinho, que vive pendurado no telefone, que sonha com ela etc. Faixa do álbum Some Girls, lançado em nove de junho de 1978.


Banda de abertura em Santiago: Los Tres


14. Gimme Shelter (with Sasha Allen) – Tocada 592 vezes ao vivo. Nesta brilha a vocalista Sasha Allen, que substitui Lisa Fischer, em turnê solo pela América. Faixa de abertura do álbum Let It Bleed, lançado em cinco de dezembro de 1969, contém um primoroso trabalho de guitarras de Keith Richards e um vocal poderoso de Jagger para fazer jus ao tema. Jagger disse que é uma canção apocalítica inspirada na guerra do Vietnam, em curso na época, mostrada com cenas fortes de violência diariamente nos jornais televisivos. A letra fala da ameaça sobre todos de um tempestade de fogo, que assassinatos e estupros se encontram a apenas um tiro de distância. O vocal no disco, de Merry Clayton, é de tirar o fôlego, foi ideia do produtor Jimmy Miller colocar uma voz feminina. Merry foi acordada à meia noite, foi ao estúdio, gravou e voltou pra cama.

15. Jumpin' Jack Flash – A mais tocada ao vivo: 1.112 vezes. Lançada como single em 24 de maio de 1968 assinalou a volta da banda ao rock básico após a fase psicodélica de Their Satanic Majesties Request. O álbum que seria lançado em dezembro do mesmo ano, Beggar’s Banquet, seguia a mesma linha do som rústico e sujo de Jumpin’ Jack Flash. O jardineiro da casa de Keith Richards se chamava Jack e era muito agitado, daí Keith o chamava de Jumpin’ Jack e daí nasceu a história de um personagem que nasceu no meio de um furacão de fogo, foi criado por um maltrapilho desdentado, foi para a escola com um pedaço de pau atravessado nas costas e maltratado de todo jeito. O single foi primeiro lugar na Grã-Bretanha e terceiro na América. No lado B uma das baladas mais bonitas da banda, Child of the Moon.

16. Sympathy For The Devil – Tocada 749 vezes ao vivo. Uma das canções mais polêmicas da banda. Mick Jagger encarna Lucifer na primeira pessoa e reivindica, como obra sua, fatos históricos como o assassinato dos Kennedys, John e Robert, o assassinato dos Romanov, a família real russa pela Revolução de Lenin, e a guerra relâmpago de Adolf Hitler. E manda que sejam educados e respeitosos com ele ou levará suas almas. Faixa do álbum Beggar’s Banquet, lançado em seis de dezembro de 1968.





17. Brown Sugar – Segunda mais tocada ao vivo: 1083 vezes. Single do álbum Sticky Fingers, lançado em 23 de abril de 1971. Chegou ao primeiro lugar na América e segundo na Grã-Bretanha. Rock visceral de letra polêmica com forte influência da cultura negra. Jagger admitiu que o título é ambíguo, por tratar de heroína, a droga marrom, e mulheres morenas ou negras. A letra trata da escravidão, fala de negros vendidos como escravos em Nova Orleans, o bater dos tambores, a frieza dos ingleses e o refrão ambíguo: “Açúcar Marron, você tem um sabor gostoso, como deve ser o de uma garota nova.”

BIS 

18. You Can’t Always Get What You Want – Tocada ao vivo 693 vezes. Nesta os Rolling Stones tocam com um coral de cada cidade. É a última faixa do álbum Let It Bleed, lançado em cinco de dezembro de 1969. Alguns críticos a viram como um balanço da década de 60 já que fala em drogas, em frustrações e em manifestações, tudo pontuado pelo refrão que diz que nem sempre se consegue o que se quer, mas se tentar de vez em quando, talvez consiga o que precisa.

19. (I Can’t Get No) Satisfaction – Tocada 879 vezes ao vivo. O primeiro primeiro lugar da banda na América, tem o riff mais famoso do mundo que veio a Keith Richards num sonho. Quando se fala em Rolling Stones a associação imediata para quem não conhece bem a banda é esta canção. Foi lançada como single na América em seis de junho de 1965 como uma crítica ao que Jagger considerava o excessivo consumismo da América. Daí a letra brinca com a publicidade ao dizer que um cara que aparece na TV não está com nada porque não fuma a mesma marca de cigarro que ele. E o locutor no rádio dando informações inúteis, a confusão do dia a dia e a garota que não pode transar com ele porque está menstruada. Na América e no Brasil foi incluída no LP Out Of Our Heads, de 1965.

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