domingo, 21 de fevereiro de 2016

Rolling Stones fazem show arrasador no Maracanã


Mick Jagger - Fotos Marcos de Paula - Staff Images

Uma das músicas do bis, You Can’t Always Get What You Want não se aplica ao showzaço que os Rolling Stones fizeram na noite deste sábado no Maracanã, Rio de Janeiro. Muita gente pode não ter ouvido todas as músicas que queria, mas não tem do que se queixar. Mick Jagger conduziu os trabalhos com a mesma disposição e precisão de sempre, as guitarras de Keith Richards e Ron Wood cuspiram fogo, o decano Charlie Watts, do alto de seus 74 anos, segurou o ritmo por duas horas com precisão metronômica.

Na banda de apoio só tem feras com um alentado currículo. Três enormes telas com altíssima definição, uma luz impecável e um som bem alto e claro. Sem falar no repertório acumulado em cinco décadas de carreira, parte da vida de várias gerações. O público do Rio se deu um presente e ganhou mais dois. A música escolhida pela internet foi Like A Rolling Stone, ou seja, fizeram os homi cantar um cover que leva o nome da banda no singular composta pelo lendário Bob Dylan (foi a primeira vez que incluíram uma música de outro autor na lista para escolha do público). Eles tocaram a música mais recente de toda a Olé Tour, que já passou por Chile, Argentina e Uruguai, Doom And Gloom, uma inédita lançada na coletânea tripla GRRR!, de 2012. E ainda o megahit Angie, tocada apenas na Argentina dia 10 último por escolha do público, a primeira vez que uma eleita dos fãs é incluída em outra cidade.

Ron Wood (E),Charlie Watts e Keith RichardsAdicionar legenda

O temporal que caiu por volta de sete e brau danificou um dos telões, por isso um atraso de 21 minutos. Em vez de 21h30, 21h51 e acabou 23h58, daí deu meia noite e voltou a ser 23 horas com o fim do horário de verão. Depois de um vídeo no telão “Ladies and Gentlemen The Rolling Stones!” 66 mil pessoas explodiram em gritos. Deram a partida com Start Me Up, todos nos trinques com roupas de palco de cores fortes, Jagger disse uma vez que figurino para shows de estádios tem que ser marcantes por causa do tamanho do lugar, se bem que não foi bem assim porque ele passou a maior parte do tempo de calça e camiseta pretas, de vez em quando botava um blazer espalhafatoso ou blusões bem coloridos. Keith de dourado com blusa púrpura por baixo, Ron Wood de jaqueta preta. Charlie com um figurino nem aí, camiseta amarela e calça azul.


Keith Richards

Eles levam duas horas para cantar 18 músicas por conta das improvisações centradas nas guitarras de Keith e Ron, que se entendem em olhares e gestos, um entrosamento desenvolvido nas quatro décadas em que tocam juntos (Ron foi oficializado na banda em fevereiro de 1976, ou seja, comemora 40 anos de Rolling Stones nesta turnê), com abertura também para solos dos músicos de apoio (veja quem são no post abaixo). 


ARonnie Wood

Resolvi cronometrar algumas músicas para mostrar porque parecem poucas para durar 120 minutos.O clímax do concerto é Midnight Rambler, tocada logo após o set de Keith Richards, enquanto Jagger vai lá dentro respirar oxigênio para se recompor. E volta cheio de gás para os 14 minutos em que durou a canção, de 22h54 a 23h08. A letra é arrepiante, sobre Albert De Salvo, o estrangulador de Boston, autor da morte de 13 mulheres na década de 60. Começa com Jagger na gaita, Keith e Ron trocando frases nas guitarras, daí vai numa primeira parte em uptempo por três estrofes, até uma parte central cheia de suspense em que brilham as trocas de frases, Ron sola, Jagger toca gaita e dança lentamente, solta uns “oh yeah” que a plateia responde, alguns vocalises, a guitarras dão acordes pesados em intervalos curtos até voltar o andamento rápido, Jagger volta a cantar e, no final, encarna o assassino e ameaça enfiar uma faca no pescoço de alguém a quem se dirige na letra. Um número de fôlego de grande impacto.




Além das canções que destaquei no lead, o restante do show seguiu o mesmo repertório de apresentações anteriores, algumas mais empolgantes que outras. O flerte com a dance music, Miss You, do álbum Some Girls, de 1978, teve um funkeado solo de baixo de Daryll Jones e um solo de sax tenor de Tim Ries, com Mick puxando corinhos da plateia com um elogio em português no final: “Vocês cantam muito bem.”



Gimme Shelter foi outro momento alto, um inspirado trabalho de Keith na guitarra com um desfile da vocalista Sasha Allen pela passarela que cruzava toda a pista premium soltando os ya yas na estrofe que lhe cabe na canção, repetida duas vezes, e depois na troca de vocais com Mick. Sete empolgantes minutos. Outro momento de impacto foram os sete minutos de Sympathy For The Devil com iluminação e projeções de símbolos cabalísticos e deLucifer nos telões, tudo num vermelho carregado, enquanto Mick, coberto por uma grossa echarpe vermelha assume a persona do coisa ruim na primeira pessoa.

Charlie Watts



O set de Keith também impactou com You Got The Silver, ele ao violão, Ron no violão slide, uma bela canção do álbum Let It Bleed, de 1969. A segunda foi Before You Make Me Run, do álbum Some Girls, de 1978. Happy teria sido bem melhor, mas quem sou eu para contrariar o Highlander Keef Richards.

Na hora da escolha dos fãs, Jagger perguntou qual a música escolhida e um sax puxou Garota de Ipanema, o clichê dos músicos que nada entendem de música brasileira, mas a escolhida era de Bob Dylan, Like A Rolling Stone, sem qualquer referência à banda, a pedra rolante é uma menina mimada que empobreceu e passou do luxo ao lixo.






Jagger lembrou os 10 anos desde o show na praia de Copacabana e até repetiu um gesto da época em Jumpin’ Jack Flash: rodou uma camiseta branca sobre a cabeça, no que foi seguido por milhares de pessoas. Keith Richards igualmente lembrou: “Da última vez foi na praia. Dez anos, é bom estar de volta. Senti falta de vocês.”
O bis teve o coral da PUC Rio em You Can’t Always Get What YouWant e um final apoteótico com sete minutos de Satisfaction. Claro que o povo queria bis do bis, mas,  no palco, estavam quatro senhores que somam 276 anos de vida. Já estava de bom tamanho e lá se foram para descansar os alquebrados esqueletos.

Próximas paradas: 24 e 27 em São Paulo e dois de março em Porto Alegre.
P.S. As fotos são de divulgação.

5 comentários:

  1. Adoro Stones... mas esse show pra mim foi bem banho-maria... rs
    tenho sorte de ter visto Voodoo Lounge em 1995 em SP, em plena segunda-feira no show extra.
    Talvez por isso esperasse um pouco mais, sem contar a diferença de publico em tempos atuais as pessoas estão mais preocupadas em fazer selfies e filmar do que curtir o show, e acho que algumas brincadeiras clássicas da banda acabaram não sendo o que deveriam.
    Mas, isso é só minha opinião, talvez eu tenha visto as velhas vezes de mais (embora sempre acho que não :-))
    Achei muito bacana suas impressões.
    Parabéns e sucesso!

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