quarta-feira, 23 de março de 2016

Saiba a repercussão em Cuba do concerto dos Rolling Stones.


O presidente americano Barack Obama partiu de Cuba na tarde desta terça-feira, fim de uma visita histórica a Havana e agora as atenções se voltam para um histórico momento musical, o Concierto por la Amistad dos Rolling Stones nesta sexta-feira, o primeiro da banda em Cuba nos seus 54 anos de existência. 

Com o título “Concierto de Los Rolling Stones en Cuba será impressionante”, o jornal do Partido Comunista Cubano, Granma, publicou nesta terça-feira uma entrevista com o produtor da banda Dale Skjerseth feita no local do concerto, a Ciudad Deportiva. A revista digital Cubahora e o Juventud Rebelde, o diário da juventude cubana, também abriram espaço para o acontecimento.




O Granma fez uma entrevista com o coletivo americano de rock Dead Daisies, que se apresentou em Havana em fevereiro de 2015. Integram a formação dois músicos de apoio dos Stones, o vocalista Bernard Fowler  e o baixista Daryll Jones. Também na formação Richard Fortus e Dizzy Reed (Guns’n’Roses),  John Corabi (Mötley Crüe), Brian Tich (Whitesnake e Ozzy Osbourne) e David Lowy (Red Phoenix). O baixista Marco Mendoza disse ao Granma que Bernard e Daryll interessaram Mick Jagger e Keith Richards a tocar em Cuba, já que bandas de rock estavam recebendo permissão para tocar na ilha. 




Mick Jagger foi a Havana em outubro do ano passado para negociar com as autoridades junto com empresários da AEG Concerts West, responsável pelas turnês da banda. Mendoza disse que espera voltar a Havana ainda este ano junto com Whitesnake, Deff Leppard e Kiss, bandas interessadas em se apresentar em Cuba. Depois do anúncio dos Stones outros artistas fizeram sondagens para ir a Cuba, incluindo o U2 e Paul McCartney.



A colega Mayra García Cardentey, da revista virtual Cubahora, está entusiasmada com  a presença dos Rolling Stones em seu país: “Não apenas representa um dos eventos mais esperados e sonhados por gerações de cubanos que tiveram experiências de vida com a trilha sonora dos Stones. E também porque os mais jovens terão a oportunidade de uma incomensurável aula de cultura musical, de ver um concerto em letras maiúsculas, único, mastodôntico, não se trata de uma apresentação de artistas badalados que vivem na imprensa de celebridades como Kate Perry, Usher , Rihana ou Beyonce. Eles são crônica de vida, notícia de primeira página.”



Ela conta que numa visita à Ciudad Deportiva descobriu que alguns jovens não compartilham o mesmo entusiasmo dela. Conta o diálogo de duas garotas que ouviu por lá. Uma disse: “Tremendo cenário que estão montando ali.” A outra: “Minha mãe disse que vem os Rolin-Ton. Disse que é um grupo famoso de rock. Ela quer vir comigo, mas não sei.” A primeira: “Com este palco, o som e as luzes eu quero ver.”




Já Armando Perez, 61 anos, teve reação oposta: “É fantástico tê-los em Havana. Mesmo que eu veja de um quilômetro de distância e só possa ver as luzes e ouvir a música, não vou perder, é um sonho.” Nem todos os jovens pensam como aquelas meninas. Os adolescentes Hansel Hernández, Christian Pereira e Kevin Parreño disseram ao Juventud Rebelde que não se incomodam com a interdição por alguns dias do local onde jogam futebol e praticam atletismo. “Que venham os Mikis com sua música e vamos aproveitar,” disse um deles.

Não haverá banda de abertura. A única participação cubana será do coral Entrevoces, dirigido pela maestrina Digna Guerra na canção You Can’t Always Get What You Want. Os portões da Ciudad Deportiva abrem às 14h e os Stones sobem ao palco às 20h30  (21h30 em Brasília) para uma apresentação de duas horas e 15 minutos. Dale Skjerseth disse ao Granma que será algo nunca visto na ilha. Explicou que a banda trouxe todo o equipamento, que teve colaboração total das autoridades cubanas e a única dificuldade foi ensinar à mão de obra local o modo de trabalho da equipe fixa dos Stones.

sexta-feira, 18 de março de 2016

Show gratuito dos Rolling Stones dia 25 em Cuba vai custar US$ 7 milhões


Cidade do México 17/3/2016

Os Rolling Stones realizaram na noite de quinta-feira o segundo concerto na Cidade do México e a nave agora se desloca para Havana, Cuba, onde realizará uma histórica apresentação no próximo dia 25 para um público estimado em meio milhão de pessoas. 

A banda não lucrará com este concerto e nem a empresa produtora da turnê, a AEG, o lucro será o valor simbólico de fazer o primeiro show de uma banda britânica na ilha. A logística custará US$ 7 milhões, divididos entre a AEG Concerts West, Musica Punto Zero e a Fundashon Bon Intenshon, uma fundação da ilha de Curaçao. Com a licença do Instituto Cubano de Música, que controla todas as apresentações em Cuba. 




Uma fonte de lucros para a empresa e a banda será o DVD do concerto, gravado pela produtora JA Digital de Simon Fusher e Sam Bridges com direção de Paul Dugdale.

A AEG deslocou para a ilha por navio 61 containers e um Jumbo 747 cargueiro com toneladas de equipamento e uma equipe de 350 pessoas. “Tivemos que levar literalmente tudo,”  disse o co-presidente da AEG, John Meglen. “Creio que para a banda o significado é mais de expor os cubanos à sua presença ao vivo. Sabemos que eles conhecem a música, mas nunca tiveram a oportunidade de assisti-los”, acrescentou Meglen.


Primeiro show, México

No dia oito de março, a banda americana de música eletrônica Major Lazer, do MC Diplo, se apresentou diante de 400 mil pessoas na praça em frente à Tribuna Antiimperialista, onde há um monumento às vítimas do “imperialismo americano.” O concerto dos Stones será na Ciudad Deportiva de la Habana e os produtores acham que se as ruas nas imediações também ficarem cheias, a contagem de público pode chegar a um milhão de pessoas.

Os Stones coordenam uma iniciativa que levará instrumentos e equipamentos para músicos cubanos através de doações feitas por empresas com a ajuda da Fundação Cultural do Grammy Latino. Entre as empresas doadoras estão The Gibson Foundation, Vic Firth, RS Berkeley, Pearl, Zildjian, Gretsch, Latin Percussion, Roland e BOSS.


Segundo show, México

Um outro acontecimento histórico acontece quatro dias antes do concerto dos Stones. Barack Obama chega a Havana no dia 20, na primeira visita à ilha de um presidente americano em 88 anos, desde Calvin Coolidge em janeiro de 1928. Ele fica até o dia 22. Sua política de reaproximação com Cuba está relaxando as normas do embargo, vigente desde 19 de outubro de 1960. A presença de Jumpin’ Jack Jagger e sua trupe são mais um sinal de mudanças em la isla. Rock on señor Fidel Castro.

Arriba México!

Os dois concertos na Cidade do México reuniram um total de 120 mil pessoas no estádio Foro Sol. Não tocaram nenhuma canção pela primeira vez na turnê. A parte fixa foi a mesma de todos os shows (ver setlists). 

No primeiro, dia 14, os fãs escolheram  Stret Fighting Man e tocaram Wild Horses. No segundo show a escolhida foi Let’s Spend The Night Together e tocaram Angie. No primeiro show Keith tocou You Got The Silver e Before They Make Me Run. No segundo foi You Got The Silver e Happy, esta em homenagem ao aniversário de sua mulher, Patricia: “Today is my wife's birthday! So I've got to say Feliz Cumpleanos! Patricia! One love sister! And that's why we're gonna play Happy!,” anunciou.

quinta-feira, 10 de março de 2016

E se os Beatles não tivessem feito sucesso?




Sentado na varanda de sua casa na Menlove Avenue, Liverpool, John Lennon, 80 anos, pensa na vida. Casado há quase 60 anos com Cynthia, pai de quatro filhos já encaminhados na vida, se aposentara de uma editora em Londres, onde trabalhou por 30 anos depois do fim de sua banda,The Beatles. Publicou alguns livros que tiveram aceitação mediana, os críticos disseram que tinha pretensões de ser um novo James Joyce, mas não chegou lá.

Violão nas mãos, ele toca algumas músicas que compôs depois que a banda acabou, nunca gravadas. Gosta especialmente de duas, In My Life e Nowhere Man. Seu amigo e ex-colega de banda, Paul McCartney, também compôs muitas e às vezes tocam juntos para lembrar os velhos tempos.

Rejeitados por todas as gravadoras, os Beatles se cansaram de ficar tocando em lugares pequenos e nas espeluncas de Hamburgo e foram cuidar da vida. George Harrison conheceu a religião hinduísta, foi para a Índia e nunca mais souberam dele. Dizem que é monge num mosteiro. Ringo Starr seguiu sua paixão por música country. Mudou-se para Nashville onde vive como músico e acompanha grandes cantores em turnês. Chegou a gravar dois discos sem grande sucesso.

John se levanta da varanda. Vai tomar banho e sair para um pub onde encontrará Paul e alguns outros amigos da antiga para alguns pints de cerveja e um bom papo. Como sempre falarão sobre os velhos tempos e o que teria acontecido se alguma gravadora os contratasse. Paul sempre cobra de John sua relutância em voltar com a banda depois que várias formações inglesas fizeram sucesso, principalmente a maior delas, The Rolling Stones, que chegaram a conhecer em Londres quando todo mundo lutava por um lugar ao sol.

Paul até tentou a sorte em outra banda, The Moondogs, fez algumas temporadas em Hamburgo, onde conheciam os Beatles, mas acabou desanimando depois que nenhuma gravadora se interessou. Ele foi para a universidade, fez literatura, mestrado e se tornou um professor popular da Universidade de Liverpool.
John e Paul ficaram amargurados quando um dos produtores que rejeitaram os Beatles, George Martin, contratou os Stones. Martin chegou a pedir uma audição, onde gravaram Love Me Do, P.S. I Love You e mais algumas. Ele disse que ia pensar, mas acabou contratando mesmo os Stones, que conquistaram a Europa em 1963 e os Estados Unidos em 1964. Quando souberam que os Stones tinham sido vistos por 73 milhões de pessoas no show de Ed Sullivan, John e Paul sentiram um gosto amargo na boca: podia ter sido com eles.

Julian, filho mais velho de Lennon, tentou a carreira musical com relativo sucesso. Chegou ao nono lugar da parada inglesa com uma música do pai, Day Tripper, mas não foi muito além. John acha que a culpa foi da teimosia de Julian. Ele e Paul ofereceram várias músicas, mas Julian veio com um papo bobo de querer vencer com seu próprio talento e se deu mal. Acabou abrindo uma loja de instrumentos musicais em Londres, bem frequentada pela elite do rock inglês.

John nem tanto, mas Paul acompanhou a evolução do rock inglês. Morreu de rir quando surgiram os Sex Pistols com aquelas músicas sobre anarquia e as encarnações com sua majestade, a rainha Elizabeth II. Paul lembrou que há alguns anos tinha feito uma musiquinha que brincava com a rainha, dizendo que ela era uma boa menina, mas não tinha muito a dizer e que um dia transaria com ela. Paul nem lembrava mais da melodia e da letra irreverente. Ele achava que os Pistols tinham ido longe demais com aquela história de a rainha ser uma débil mental e uma bomba de hidrogênio em potencial.

Johnny Rotten, o garoto que cantava nos Pistols era uma figura, cabelos ruivos espetados, dentes mal cuidados, uma sensação para a imprensa musical, sempre afoita em descobrir novas revelações musicais. Os Beatles não tinham ido muito além da imprensa musical local, o Mersey Beat, mas Paul entendia que era uma questão de sobrevivência para a imprensa especializada essa sede insaciável de encontrar a melhor banda de todos os tempos da última semana.

E o menino Rotten usava uma camiseta que dizia Odeio o Pink Floyd. Paul e John riram dessa provocação com esta banda que apreciavam. John, sempre sarcástico, achou sensacional que metessem a mão na cara do decadente império com aquelas letras ferinas. E entendeu quando eles acabaram por não conseguir lidar com o sucesso inesperado. Surgiram para contestar o establishment musical e este acabou tentando assimilá-los. O Clash, criado sob a mesma premissa, resistiu mais tempo, mas acabou imolando-se nessas contradições.

Os dois entenderam a revolta da Geração Punk, essa de voltar à simplicidade depois que as bandas surgidas nos anos 60 se tornaram grandiosas demais e comerciais demais. John lembrou que sua banda inicial, The Quarrymen, seguia o mesmo princípio que os punks reivindicavam como de sua autoria: do it yourself. John tocava um violão velho com um captador (cristal, se dizia na época) acoplado para amplificar o som, o baixo era uma caixa de chá com um pedaço de madeira como braço e a percussão era uma tábua de lavar roupa. Tocavam skiffle, uma mistureba de jazz, folk e blues, moda na Inglaterra dos anos 60. Foi a esta banda que se agregaram Paul e George. Depois passaram para o rock.

Paul gostou particularmente da música eletrônica que surgiu nos anos 90. Já nos 60 ele apreciava a música eletrônica de clássicos como John Cage e Karlheinz Stockhausen. Nos anos 70 voltou suas atenções para bandas alemãs como a Kraftwerk. John compartilhava esse interesse e os dois chegaram a montar uma peça com auxílio de gravadores caseiros que batizaram de Revolution Nine, mas precária, sem recursos que teriam num estúdio profissional.

John aprecia artes plásticas. Quando morava em Londres, gostava de ir a exposições de grandes mestres como Salvador Dali, por quem tinha especial predileção. Tinha flertado com a arte experimental nos anos 60. Ouvira falar num grupo chamado Fluxus e, um dia, em 1968, foi na Galeria Indica onde uma artista japonesa do Fluxus estava expondo, o nome dela era Yoko Ono. Mesmo acostumado com ousadias que ele mesmo praticava em seus textos, John achou a exposição sem pé nem cabeça, coisas tolas como subir numa escada para ver a palavra Yes colada no teto. Ele desistiu no meio, foi embora e nunca mais quis saber de nada ligado ao Fluxus.

O rock inglês se tornou uma instituição aceita em todo o mundo, desde as bandas antigas até as atuais. Os dois achavam que esses Arctic Monkeys e Kaiser Chiefs da vida reciclavam o som dos anos 60, mas gostavam de várias músicas deles. Sempre acharam que o que vale é ter boas músicas, fosse que gênero fosse.

Quando chegou no pub, John teve uma surpresa. Um amigo lhe disse que George Harrison ia visitar a Inglaterra para algumas palestras que incluíam músicas devocionais gravadas na Índia. E souberam ainda que ele viria à sua cidade natal, Liverpool. Ficaram na dúvida se deviam ir ou não, achavam que George podia ter se tornado um desses pregadores pentelhos que alegam ter exclusividade no acesso ao paraíso e ficavam insistindo para todo mundo segui-los sob pena de fritar para sempre nas churrasqueiras de Satã. Paul lembrou que o inferno era coisa da religião católica e derivadas, não sabia se o hinduísmo batia na mesma tecla.

Anyway, era o velho companheiro de adolescência de Paul, talentoso na guitarra a ponto de John aceitá-lo na banda mesmo sendo um pirralho três anos mais novo que ele. Resolveram ir. Era no auditório de uma Indian Society de Liverpool que eles nem sabiam da existência. Quando chegaram receberam o impacto do cheiro de flores e de incenso. Muita gente se vestia à maneira indiana, havia gente de todas as idades, incluindo grupos de jovens de roupas coloridas que viviam pelas ruas cantando hare krishna.

Decidiram falar com George só depois da apresentação para não distraí-lo dos preparativos. Uma música indiana tocou durante uma meia hora, com os dois trocando olhares que diziam “que saco!” As luzes se apagaram, ele entrou e sentou-se em almofadas no centro do palco. Estava magro, longos cabelos platinados e longa barba idem, um olhar tranquilo. Olhou para a plateia calado durante alguns minutos:

– Hare Krishna. Sejam bem vindos, agradeço a presença, mas estar aqui não é a coisa mais importante. Não existe passado nem futuro, o tempo é uma ilusão, devemos aprender do passado e nos concentrar no presente para se construir o futuro. Todas as religiões são galhos de uma grande árvore, não importa como você O chama, desde que faça o chamado. As imagens do cinema parecem reais, mas são apenas ilusões. As esferas planetárias, com suas incontáveis formas de vida, são apenas figuras de um filme cósmico. Os valores de cada um mudam profundamente quando se entende que a criação é apenas um grande filme e que a verdadeira realidade não está ali, mas além dali. Só assim chegamos ao Nirvana.

John cutuca Paul: “Nirvana não é a banda daquele menino que se matou? Será que ele era hinduísta? Se for, será que achou que um tiro na cabeça seria um atalho para a iluminação?” Paul só fez um gesto pedindo silêncio. Em seguida, entraram alguns músicos com instrumentos típicos. Fizeram uma introdução e George começou a cantar uma canção que falava em fazer tudo sem fazer, ver tudo sem olhar, que se a gente enxergar além de você mesmo encontrará a paz de espírito. Ele a anunciou como Within You Without You.

Depois de mais algumas canções no mesmo tom, ele encerrou a apresentação. John e Paul foram ao camarim, ele estava cercado, mas quando os viu, um brilho de reconhecimento em seus olhos, um sorriso e foi até eles para um abraço. “Hare Krishna”, saudou-os, trocaram algumas palavras, mas George estava muito solicitado e pediu para encontrá-los depois. Ele ficaria alguns dias para rever a família. De repente um “hi boys” atrás deles por uma voz familiar fez com que se virassem com ar de surpresa: “Ringo!!!”.

Aí foram momentos de grande emoção. A banda reunida depois de séculos de separação. Ringo estava na turnê de uma sensação nova no country, Taylor Swift, e resolveu passar na cidade natal no intervalo de dois shows. Marcaram um encontro para o dia seguinte no pub que John e Paul frequentavam.

John chegou em casa cheio de alegria e vibração com o reencontro. Contou a nova para Cynthia, conversaram um pouco e ele foi dormir. Queria estar bem disposto para as emoções do dia seguinte. Quando amanheceu, Cynthia se levantou fez o desjejum e foi ler o jornal. Como John não aparecia, foi até o quarto chamá-lo. John não respondeu, Cynthia tocou nele, estava frio. Deu um grito de dor. John estava morto. As emoções do dia anterior foram demais para seu coração.

O que seria um dia de reencontro, foi um dia de dor. Paul, George e Ringo assistiram ao funeral. A última reunião dos Beatles se transformou num réquiem pra seu fundador. No enterro, George entoou um cântico:

Sunrise doesn’t last all morning
A cloudburst doesn’t last all day
Seems my love is up and has left you with no warning
It’s not always going to be this grey

All things must pass
None of life’s strings can last
So, I must be on my way
And face another day

quarta-feira, 9 de março de 2016

Sir George Martin, o quinto Beatle, morre aos 90 anos

Da E - John Lennon, George Martin, George Harrison, Paul McCartney e Ringo (atrás) no Estúdio 2 de Abbey Road.

O produtor Sir George Martin, 90 anos, morreu na noite desta terça-feira em sua residência na Inglaterra, de causa não divulgada ainda. Seu nome está intimamente ligado aos Beatles, de quem foi produtor no sentido pleno do termo, de arrancar de John, Paul, George e Ringo o que tinham de melhor, a ponto de ser considerado o quinto Beatle.

Por volta de três da madrugada não havia ainda notícias na imprensa, soube por um twitter de Ringo Starr postado no Facebook. “Obrigado por todo o amor e bondade George. Paz e amor.” Em seguida foi a vez de Sean Lennon: “R.I.P. George Martin. Estou tão abalado que nem tenho muitas palavras. Estou pensando em Judy [esposa] e Giles [filho]. Com amor sempre Sean.”

Paul McCartney e George Martin

Igualmente abalado, Paul McCartney exemplificou a influência de Martin com Yesterday, a primeira música da banda a usar cordas: 

“Eu mostrei Yesterday numa sessão de gravação e os outros sugeriram que eu gravasse só com voz e violão. Depois que gravei George sugeriu um arranjo com um quarteto de cordas. Eu achei que não era uma boa ideia porque éramos uma banda de rock’n’roll. Ele me convenceu a tentar, se eu achasse ruim não usaríamos. No dia seguinte fui na casa dele para trabalharmos no  arranjo. Toquei a música no violão, ele ao piano, na partitura colocou o cello na oitava menor, o primeiro violino numa oitava maior e me deu a primeira lição de como as cordas eram arranjadas num quarteto. Quando gravamos em Abbey Road fiquei tão empolgado em ver que ele estava certo que falei sobre aquilo por semanas com todo mundo que encontrava.”


Com o filho Giles Martin

Martin estudou oboé e piano na Guildhall School of Music and Drama e sua expertise de músico clássico foi a cereja no bolo de muitas canções da banda, desde o piano simples em Misery, do primeiro álbum, Please Please Me, o arranjo de cordas em Eleanor Rigby e Good Night, de cordas e sopros em Penny Lane e Strawberry Fields Forever, o piano em In My Life e o recrutamento de músicos clássicos instruídos por ele para colorir canções como For Noone (trompa por Alan Civil), Penny Lane (trompete piccolo por David Mason) e outros.

Com a mulher Judy e o filho Giles

No período mais efervescente, dos álbuns Rubber Soul (1965), Revolver (1966) e Sergeant Pepper’s Lonely Hearts Club Band (1967), ele fez milagres para concretizar as ideias da banda com os parcos recursos técnicos disponíveis, obras complexas gravadas em apenas quatro canais, mas também soube contornar exageros como o pedido de John Lennon para gravar os vocais de Tomorrow Never Knows com um coro de monges tibetanos in loco. Uma das maiores roubadas foi na gravação de A Day In The Life, a faixa de encerramento de Sgt Pepper's. Ele suou para convencer 40 músicos da Filarmônica e da Sinfônica de Londres a tocar da nota mais baixa à nota mais alta de seus instrumentos, uma cacofonia. Alguns se indignaram e foram embora, os que ficaram ainda tiveram que usar chapéus de festa infantil, narizes de palhaço etc.




No álbum branco, de 1968, sua influência foi menor porque os três do núcleo criativo já dominavam as técnicas de estúdio e se viravam sozinhos em grande parte, também foi uma fase em que a unidade da banda já estava abalada. O projeto Get Back/Let It Be não foi produzido por ele, mas a banda o requisitou para sua genial coda, Abbey Road. Martin disse certa vez que os Beatles ainda seriam lembrados daqui a cem anos, 50 se passaram e eles continuam fortes.  

Mesmo depois que a banda acabou, em abril de 1970, ele continuou a trabalhar em projetos dos Beatles, banda e solo, até 2006, quando, ao lado do filho Giles Martin, produziu o genial mashup Love para um espetáculo do Cirque du Soleil. A partir daí, cansado e com sérios problemas de audição, passou a batuta beatle para Giles Martin. Seu último arranjo para os Beatles foi da nova versão de While My Guitar Gently Weeps, com a voz de George Harrison e uma sessão de cordas para a trilha de Love. Sir George também participou da trilha sonora do filme A Hard Day’s Night e do longa de animação Yellow Submarine com arranjos instrumentais de músicas incidentais.




Indignado porque o sucesso dos Beatles trazia milhões de libras para a gravadora e ele nem recebeu o aumento proporcional ao valor de seu trabalho, Martin criou o Air Studios em 1965 e passou a trabalhar com os Beatles para a EMI como produtor externo, cobrando bem mais. Claro que a empresa não gostou da mudança, mas os Beatles não abriram mão dele. O Air Studios funcionou em Londres e depois na Ilha de Montserrat, no Caribe, até 1989 quando foi destruído pelo furacão Hugo e voltou a Londres.

Martin recebeu um monte de gente no Air Studios, nem sempre produzidos por ele: Elton John, The Police, Dire Straits, Ultravox, Rush, Pink Floyd, Black Sabbath, Duran Duran, Supertramp e outros mais.


Com o empresário dos Beatles Brian Epstein

Quando o empresário Brian Epstein o procurou em 1962 como último recurso depois de os Beatles terem sido recusados pelas demais gravadoras, George tinha 36 anos, 12 como diretor do selo Parlophone da EMI, subsidiária sem muita importância, especializada em álbuns de humor falados e músicas cômicas. Ao dizer sim para os Beatles, ele mudou sua história pessoal e a História da música mundial. Valeu muito Sir George Martin.

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terça-feira, 1 de março de 2016

Rolling Stones anuncia concerto em Cuba e doação de instrumentos para músicos cubanos

Será a primeira apresentação de uma banda britânica em Cuba

Agora é oficial. Os Rolling Stones farão sua primeira apresentação em Cuba na sexta-feira 25 de março de 2016, um concerto gratuito  na Ciudad Deportiva de la Habana, batizado de Concerto Pela Amizade. O show será filmado pela empresa JA Digital, com direção de Paulk Dugdale e produção de  Simon Fisher e Sam Bridger.

Os Stones coordenam uma iniciativa que levará instrumentos e equipamentos para músicos cubanos através de doações feitas por empresas com a  ajuda da Fundação Cultural do Grammy Latino. Entre as empresas doadoras estão The Gibson Foundation, Vic Firth, RS Berkeley, Pearl, Zildjian, Gretsch, Latin Percussion, Roland e BOSS.

 “Nos apresentamos em muitos lugares especiais em nossa longa carreira, mas este show será um ponto de referência para nós e, esperamos, também para nossos amigos em Cuba,” afirma nota da banda postada no site oficial.

A banda informou que a iniciativa contou com o apoio da Fundashon Bon Intenshon de Curaçao, que apoia e promove projetos  nos campos de educação, atletismo, alfabetização, cuidados médicos e outras iniciativas para amparar populações pobres. A produção é da  AEG’s Concerts West e Musica Punto Zero que agradecem o apoio dado Pelo Instituto de Música Cubana.

 A banda se despede do Brasil na quarta-feira com um concerto no Estádio Beira Rio em Porto Alegre. As próximas etapas da Ole Tour são  Lima, Peru (dia seis de março), Bogotá, Colômbia (dia 10) E Cidade do México (14 e 17). Especulava-se que o concerto coincidiria com a presença do presidente Barack Obama em Havana nos dias 21 e 22 de março.