quarta-feira, 23 de março de 2016

Saiba a repercussão em Cuba do concerto dos Rolling Stones.


O presidente americano Barack Obama partiu de Cuba na tarde desta terça-feira, fim de uma visita histórica a Havana e agora as atenções se voltam para um histórico momento musical, o Concierto por la Amistad dos Rolling Stones nesta sexta-feira, o primeiro da banda em Cuba nos seus 54 anos de existência. 

Com o título “Concierto de Los Rolling Stones en Cuba será impressionante”, o jornal do Partido Comunista Cubano, Granma, publicou nesta terça-feira uma entrevista com o produtor da banda Dale Skjerseth feita no local do concerto, a Ciudad Deportiva. A revista digital Cubahora e o Juventud Rebelde, o diário da juventude cubana, também abriram espaço para o acontecimento.




O Granma fez uma entrevista com o coletivo americano de rock Dead Daisies, que se apresentou em Havana em fevereiro de 2015. Integram a formação dois músicos de apoio dos Stones, o vocalista Bernard Fowler  e o baixista Daryll Jones. Também na formação Richard Fortus e Dizzy Reed (Guns’n’Roses),  John Corabi (Mötley Crüe), Brian Tich (Whitesnake e Ozzy Osbourne) e David Lowy (Red Phoenix). O baixista Marco Mendoza disse ao Granma que Bernard e Daryll interessaram Mick Jagger e Keith Richards a tocar em Cuba, já que bandas de rock estavam recebendo permissão para tocar na ilha. 




Mick Jagger foi a Havana em outubro do ano passado para negociar com as autoridades junto com empresários da AEG Concerts West, responsável pelas turnês da banda. Mendoza disse que espera voltar a Havana ainda este ano junto com Whitesnake, Deff Leppard e Kiss, bandas interessadas em se apresentar em Cuba. Depois do anúncio dos Stones outros artistas fizeram sondagens para ir a Cuba, incluindo o U2 e Paul McCartney.



A colega Mayra García Cardentey, da revista virtual Cubahora, está entusiasmada com  a presença dos Rolling Stones em seu país: “Não apenas representa um dos eventos mais esperados e sonhados por gerações de cubanos que tiveram experiências de vida com a trilha sonora dos Stones. E também porque os mais jovens terão a oportunidade de uma incomensurável aula de cultura musical, de ver um concerto em letras maiúsculas, único, mastodôntico, não se trata de uma apresentação de artistas badalados que vivem na imprensa de celebridades como Kate Perry, Usher , Rihana ou Beyonce. Eles são crônica de vida, notícia de primeira página.”



Ela conta que numa visita à Ciudad Deportiva descobriu que alguns jovens não compartilham o mesmo entusiasmo dela. Conta o diálogo de duas garotas que ouviu por lá. Uma disse: “Tremendo cenário que estão montando ali.” A outra: “Minha mãe disse que vem os Rolin-Ton. Disse que é um grupo famoso de rock. Ela quer vir comigo, mas não sei.” A primeira: “Com este palco, o som e as luzes eu quero ver.”




Já Armando Perez, 61 anos, teve reação oposta: “É fantástico tê-los em Havana. Mesmo que eu veja de um quilômetro de distância e só possa ver as luzes e ouvir a música, não vou perder, é um sonho.” Nem todos os jovens pensam como aquelas meninas. Os adolescentes Hansel Hernández, Christian Pereira e Kevin Parreño disseram ao Juventud Rebelde que não se incomodam com a interdição por alguns dias do local onde jogam futebol e praticam atletismo. “Que venham os Mikis com sua música e vamos aproveitar,” disse um deles.

Não haverá banda de abertura. A única participação cubana será do coral Entrevoces, dirigido pela maestrina Digna Guerra na canção You Can’t Always Get What You Want. Os portões da Ciudad Deportiva abrem às 14h e os Stones sobem ao palco às 20h30  (21h30 em Brasília) para uma apresentação de duas horas e 15 minutos. Dale Skjerseth disse ao Granma que será algo nunca visto na ilha. Explicou que a banda trouxe todo o equipamento, que teve colaboração total das autoridades cubanas e a única dificuldade foi ensinar à mão de obra local o modo de trabalho da equipe fixa dos Stones.

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