quarta-feira, 9 de março de 2016

Sir George Martin, o quinto Beatle, morre aos 90 anos

Da E - John Lennon, George Martin, George Harrison, Paul McCartney e Ringo (atrás) no Estúdio 2 de Abbey Road.

O produtor Sir George Martin, 90 anos, morreu na noite desta terça-feira em sua residência na Inglaterra, de causa não divulgada ainda. Seu nome está intimamente ligado aos Beatles, de quem foi produtor no sentido pleno do termo, de arrancar de John, Paul, George e Ringo o que tinham de melhor, a ponto de ser considerado o quinto Beatle.

Por volta de três da madrugada não havia ainda notícias na imprensa, soube por um twitter de Ringo Starr postado no Facebook. “Obrigado por todo o amor e bondade George. Paz e amor.” Em seguida foi a vez de Sean Lennon: “R.I.P. George Martin. Estou tão abalado que nem tenho muitas palavras. Estou pensando em Judy [esposa] e Giles [filho]. Com amor sempre Sean.”

Paul McCartney e George Martin

Igualmente abalado, Paul McCartney exemplificou a influência de Martin com Yesterday, a primeira música da banda a usar cordas: 

“Eu mostrei Yesterday numa sessão de gravação e os outros sugeriram que eu gravasse só com voz e violão. Depois que gravei George sugeriu um arranjo com um quarteto de cordas. Eu achei que não era uma boa ideia porque éramos uma banda de rock’n’roll. Ele me convenceu a tentar, se eu achasse ruim não usaríamos. No dia seguinte fui na casa dele para trabalharmos no  arranjo. Toquei a música no violão, ele ao piano, na partitura colocou o cello na oitava menor, o primeiro violino numa oitava maior e me deu a primeira lição de como as cordas eram arranjadas num quarteto. Quando gravamos em Abbey Road fiquei tão empolgado em ver que ele estava certo que falei sobre aquilo por semanas com todo mundo que encontrava.”


Com o filho Giles Martin

Martin estudou oboé e piano na Guildhall School of Music and Drama e sua expertise de músico clássico foi a cereja no bolo de muitas canções da banda, desde o piano simples em Misery, do primeiro álbum, Please Please Me, o arranjo de cordas em Eleanor Rigby e Good Night, de cordas e sopros em Penny Lane e Strawberry Fields Forever, o piano em In My Life e o recrutamento de músicos clássicos instruídos por ele para colorir canções como For Noone (trompa por Alan Civil), Penny Lane (trompete piccolo por David Mason) e outros.

Com a mulher Judy e o filho Giles

No período mais efervescente, dos álbuns Rubber Soul (1965), Revolver (1966) e Sergeant Pepper’s Lonely Hearts Club Band (1967), ele fez milagres para concretizar as ideias da banda com os parcos recursos técnicos disponíveis, obras complexas gravadas em apenas quatro canais, mas também soube contornar exageros como o pedido de John Lennon para gravar os vocais de Tomorrow Never Knows com um coro de monges tibetanos in loco. Uma das maiores roubadas foi na gravação de A Day In The Life, a faixa de encerramento de Sgt Pepper's. Ele suou para convencer 40 músicos da Filarmônica e da Sinfônica de Londres a tocar da nota mais baixa à nota mais alta de seus instrumentos, uma cacofonia. Alguns se indignaram e foram embora, os que ficaram ainda tiveram que usar chapéus de festa infantil, narizes de palhaço etc.




No álbum branco, de 1968, sua influência foi menor porque os três do núcleo criativo já dominavam as técnicas de estúdio e se viravam sozinhos em grande parte, também foi uma fase em que a unidade da banda já estava abalada. O projeto Get Back/Let It Be não foi produzido por ele, mas a banda o requisitou para sua genial coda, Abbey Road. Martin disse certa vez que os Beatles ainda seriam lembrados daqui a cem anos, 50 se passaram e eles continuam fortes.  

Mesmo depois que a banda acabou, em abril de 1970, ele continuou a trabalhar em projetos dos Beatles, banda e solo, até 2006, quando, ao lado do filho Giles Martin, produziu o genial mashup Love para um espetáculo do Cirque du Soleil. A partir daí, cansado e com sérios problemas de audição, passou a batuta beatle para Giles Martin. Seu último arranjo para os Beatles foi da nova versão de While My Guitar Gently Weeps, com a voz de George Harrison e uma sessão de cordas para a trilha de Love. Sir George também participou da trilha sonora do filme A Hard Day’s Night e do longa de animação Yellow Submarine com arranjos instrumentais de músicas incidentais.




Indignado porque o sucesso dos Beatles trazia milhões de libras para a gravadora e ele nem recebeu o aumento proporcional ao valor de seu trabalho, Martin criou o Air Studios em 1965 e passou a trabalhar com os Beatles para a EMI como produtor externo, cobrando bem mais. Claro que a empresa não gostou da mudança, mas os Beatles não abriram mão dele. O Air Studios funcionou em Londres e depois na Ilha de Montserrat, no Caribe, até 1989 quando foi destruído pelo furacão Hugo e voltou a Londres.

Martin recebeu um monte de gente no Air Studios, nem sempre produzidos por ele: Elton John, The Police, Dire Straits, Ultravox, Rush, Pink Floyd, Black Sabbath, Duran Duran, Supertramp e outros mais.


Com o empresário dos Beatles Brian Epstein

Quando o empresário Brian Epstein o procurou em 1962 como último recurso depois de os Beatles terem sido recusados pelas demais gravadoras, George tinha 36 anos, 12 como diretor do selo Parlophone da EMI, subsidiária sem muita importância, especializada em álbuns de humor falados e músicas cômicas. Ao dizer sim para os Beatles, ele mudou sua história pessoal e a História da música mundial. Valeu muito Sir George Martin.

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6 comentários:

  1. Mês passado acordei com a notícia da morte de David Bowie em Maricá,levantei e falei com minha esposa e fui indagado por minha cunhada: Quem é David Bowie? Pois é,ela vai saber da importância de Sir George Martin? Acredito que não. Suas intervenções nos Beatles mudaram e fizeram repensar como se produzir música dentro de um estúdio, onde não se tinha um décimo dos recursos que se tem hoje. Infelizmente foi-se o homem, mas sua obra fica para sempre. Obrigado por tudo, George! Descanse em paz.

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  2. Foi e sempre Sera 1 gigante! Amanha I buy the telegraph and times to cut the obituary . rip g.martin

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