sábado, 23 de abril de 2016

Kid Abelha oficializa o que já se sabia: é o fim

Bruno, Paula e George

O Kid Abelha tornou oficial o que se sabia. A banda acabou. Paula já tinha dito isso numa entrevista ano passado, agora é uma Nota de Agradecimento da banda. Vários fãs já me contataram na esperança de que a banda estivesse num hiato e poderia voltar de vez em quando, como acontece com o Barão Vermelho, que não sacramentou seu final. 


Leoni, Paula, Bruno, George

George Israel tem uma banda própria e se apresenta regularmente. Bruno Fortunato é o todo misterioso do grupo, nada fala, quando houve a volta dos 30 anos lhe perguntei porque tinha ficado recluso, sem tocar em público solo ou com outra formação, ele só me disse laconicamente que preferiu cuidar de sua vida particular. Eu ouvi boatos de que ele teve uma briga fuderosa com a Paula, mas sem confirmação. 




Como sempre acontece quando uma banda acaba, os holofotes se concentram sobre o, no caso a, vocalista. Ela fica como herdeira do legado do Kid para o grande público, já que os outros aparecem, se aparecem, bem menos. Nada há de errado nisso porque ela é intérprete e compositora do repertório do Kid, mas meu espírito de roqueiro sempre se incomoda com isso, de toda a exposição ir para quem canta. 


 
No caso do Barão Vermelho a mesma coisa. Frejat, por ser o vocalista, se beneficia de uma posição que conquistou pelo trabalho à frente do Barão, os demais não. Mesmo Rodrigo Santos, que desenvolveu uma sólida carreira solo, está à frente de um trio com dois dos melhores músicos de rock do Brasil, Fernando Magalhães e Kadu Menezes, não consegue o mesmo nível de exposição.

Acompanhei o Kid desde o começo. Vi os primeiros shows deles no Circo Voador em 1983, ainda crus e com repertório para apenas uns 45 minutos de show. Paula, George, Bruno, Leoni, Beni Borja eram a faceta pop de uma geração com rock de várias vertentes. Impliquei com eles por um bom tempo, tivemos um educado arranca rabo uma vez numa entrevista, creio que no Morro da Urca, depois ficamos de boa. O primeiro álbum, Seu Espião (1984) ,era imaturo, mas fez um enorme sucesso por conta do momento de uma nova geração de fãs se identificando com uma nova música feita por seus pares.


Ensaio da turnê Glitter de Principiante - 11 de maio de 2011 - Foto de Licias Santos

O segundo álbum, Educação Sentimental (1985), foi uma grande surpresa. Eles deram um salto de qualidade com um instrumental mais maduro, até uma certa sujeira rock nos arranjos, mas no começo de 1986 sofreram a baixa de Leoni, o que cortou a linha evolutiva da banda, algo parecido ao que aconteceu com o Barão Vermelho na saída de Cazuza. A recuperação levou um  certo tempo, Paula engrenou parceria com George, antes era com Leoni, e a partir do álbum Kid (1989), retomaram o sucesso, já com a voz de Paula bem melhor que no começo. 

Daí seguiram nos altos e baixos normais de uma banda de carreira extensa até o último álbum, Pega Vida (2005). Em 2011 fizeram a turnê Glitter de Principiante, em 2012 o DVD Multishow ao Vivo: Kid Abelha 30 anos, um sucesso estrondoso e em 2013, recesso. Ficou o tal suspense, até que Paula disse à revista Quem há um ano, em abril de 2015, que não sentia mais o espírito da banda e já era. O ato final só aconteceu agora com a nota  abaixo. Quem sabe, um dia, voltem para uma comemoração ou uma turnê para fazer caixa. Acontce muito no rock. Nunca se sabe. Paula já gravou três álbuns solo, Paula Toller (1998), Só Nós (2007), Transbordada (2014) e o CD/DVD ao vivo Nosso (2008) na linha de um pop adulto, sem o mesmo sucesso do Kid Abelha.






A íntegra do comunicado divulgado neste sábado, 23 de abril.
Nota de Agradecimento
Querido fã:
Temos sido chamados para entrevistas sobre nossos projetos atuais, e claro, sempre há alguma pergunta sobre o Kid Abelha, nossa banda durante mais de 30 anos e que nos trouxe grandes alegrias na vida. Com gentileza, procuramos sempre contar a verdade, mas, surpreendidos por algumas publicações equivocadas, estamos fazendo este esclarecimento.

A vontade de experimentar outras formas de criar e o desgaste natural de tanto tempo juntos nos levaram a essa decisão. Optamos por um soft-ending, um final suave, evitando o sensacionalismo, com a convicção de que nossa trajetória vitoriosa sempre se deveu ao entusiasmo e dedicação sempre renovados a cada disco, cada turnê.

Foram três décadas de sucesso, aventuras, amizade, e também de momentos difíceis, altos e baixos dessa carreira desafiadora que escolhemos. Pela nossa filosofia e pelo amor à música, nunca tivemos o dinheiro como norte, e sim como consequência (ou não) de um trabalho original e bem realizado, que se tornou paradigma de pop-rock brasileiro.

Mas faltou o mais importante: Agradecer em negrito, com letras garrafais, a você!

Ao fã que nos acompanha há tanto tempo, viajando para nos assistir ao vivo, escrevendo cartas, mandando mensagens e comentando nas redes sociais, elogiando, criticando, se preocupando...a esse amigo, que convida seus amigos a nos ouvir, e cuja vida está marcada através das canções que nós fizemos, e cujo carinho e atenção também marcaram nossas vidas, MUITO OBRIGADO!

Saiba que, do fundo do coração, não nos esqueceremos nem dos aplausos, dos gritos e da voz em coro nos grandes eventos, nem de cada voz isolada num quarto, entoando uma melodia também criada num quarto, na solidão, na vontade de vencer o tédio e a tristeza através de uma canção bonita.

Com amor;
Paula, George e Bruno.

2 comentários:

  1. Arrasado aqui com a confirmação do fim da melhor banda do Rock Brasil, seu lirismo Pop ficara para sempre em meu pensamento, alma e coração...

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  2. Para mim já tinha acabado há muito tempo, só eles que não sabiam. Que venham os shows de reencontro!

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