quarta-feira, 18 de maio de 2016

Cães da Vinícola levam Imperator lotado a uma viagem de hard rock setentista

Fotos de Cleber Junior


O power trio americano The Winery Dogs transformou o Imperator com lotação esgotada na noite desta terça numa máquina do tempo num concerto de uma hora e 38 minutos com um estilo musical de hard rock setentista. Volume no talo, muitos solos disparados por Richie Kotzen na sua Telecaster personalizada, linhas de baixo over and over por Billy Sheehan  num Fender Precision envenenado e uma porradaria de Mike Portnoy no seu kit Tama com dois bumbos e pratos Sabian.


Foram 15 canções dos dois álbuns lançados, o de estreia que leva o nome da banda, de 2013, e Hot Streak, lançado em dois de outubro de 2015, com vendas modestas, ambos não chegaram nem ao disco de ouro (500 mil cópias), como constatei no site da Recording Industry Association of America, que confere estas certificações. Mas o trio tem um público que viabiliza sua  existência em casas de médio porte como o Imperator, com lotação de mil cabeças em pé. Teve um número pequeno de fãs que não conseguiu ingresso.


Richie Kotzen

Ao show. O que me chamou atenção logo foi Billy Sheehan, googlando vi que chama seu estilo de lead bass, baixo solo. Toca como se fosse o solista da banda, mas gasta nota demais, devia economizar pro futuro, nem Kotzen esbanja tanto quanto ele. Ex-Poison e ex-Mr Big, entre outras credenciais, Kotzen canta com um timbre típico dos anos 70, ecos de Ian Gillan  e Paul Rodgers aqui e ali. Solos rápidos na região mais aguda do braço da guitarra, algumas vezes com sustain, pouco trabalho solo nas regiões média e grave. Cita entre suas influências Jimi Hendrix (mas não usa alavanca nem feedback) e Stevie Ray Vaughan. E Eddie Van Halen, mas não vi usar a técnica de tapping, embora solasse uma vez ou outra no braço. E ainda guitarristas da fusão jazz rock, o que aparece em frases rapidíssimas com ecos de John McLaughlin e Al Di Meola.


MIke Portnoy

Mike Portnoy tem uma levada pesada num estilo desenvolvido as partir de seus favoritos Ringo Starr, Neil Peart, John Bonham e Keith Moon. Billy Sheehan cita desde Paul McCartney a Stanley Clarke e está mais próximo deste último pelo estilo rápido de tocar. A banda é muito bem entrosada e há momentos em que os três tocam em uníssono, em outros Kotzen e Billy metralham notas iguais, e Billy cobre viradas de Portnoy.



Billy Sheehan

Sou um veterano – dinossauro, se preferirem – dos anos 60 e 70 e tive minha overdose do tipo de som dos cachorros da vinícola quando o estilo estava no auge através de Led Zeppelin, Cream, Eric Clapton, Deep Purple e outros, por isso este estilo me soa dejaouvi. Não tenho mais saco pra solos de bateria, em que pese o virtuosismo de Mike Portnoy, que até deu um toque diferente, ao descer e batucar na frente do set, depois no chão do palco, no piano. Billy ficou uma eternidade punhetando seu baixo, ao estilo “olha como eu toco pra caralho”. Tá, toca sim, mas podia ser mais criativo, talvez melódico em vez de ficar num pastiche semigrave – ele suprimiu graves, ficou meio seco ao estilo de Stanley Clarke, em que se inspirou para fazer o lead bass.





Kotzen foi até comedido nos virtuosos solos. Como acontece com guitarristas que cantam, deixou de tocar guitarra em trechos de várias canções, ele só se espalhou mesmo com tudo que tinha direito na última canção do bis, Desire. Em Elevate, a última do show, antes do bis, ele citou o hino Wanna Take You Higher, de Sly and Family Stone, em cima dos versos “Elevate/ Take me higher” da canção. Em vez de solar sozinho como seus companheiros, Kotzen preferiu um momento melódico com duas lentas, Fire, sozinho ao violão com o coro da plateia, e  a power ballad Think It Over, ao piano Rhodes e, mais adiante, na guitarra.




Falei pouco das canções, reflexo do meu afastamento deste estilo, mas espero ter dado uma ideia do que vi.  E também porque não vejo grandes canções na banda, só médias e muitas parecidas. Teve uma banda de abertura, Soto, que não vi, sorry. 





Abaixo o setlist
Oblivion
Captain Love
We Are One
Hot Streak
How Long
Time Machine
Empire
Fire
Think it Over
Drum Solo
The Other Side
Bass Solo
Ghost Town
I'm No Angel
Elevate
Bis
Regret
Desire

P.S. Para uma crítica que fala mais das canções recomendo a do amigo Marcos Bragatto em www.rockemgeral.com.br A minha e a dele se complementam. 

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