sexta-feira, 20 de maio de 2016

Fernanda Abreu lança Amor Geral, primeiro inédito em 12 anos



Fotos de Gui Paganini  - Arte de Giovanni Bianco



Há dias ouço bastante o novo álbum de Fernanda Abreu Amor Geral, primeiro de inéditas desde 2004. Sonoridade eletrônico-orgânica com um coração pulsante. O órgão que simboliza o amor em beat acelerado ou nem tanto num álbum ouriversado por dois anos e meio que se dá à luz nesta sexta, 20. Quando ouvi o single Outro Sim tive um momento de paralisia pela inspiração e inteligência ali condensados, logo comecei a sacudir na cadeira. Coisa boa poder ouvir algo que faz o cérebro entrar no pulsar dançante e, ao mesmo tempo, se deliciar com jogo de palavras complementares que vão desfiando momentos da vida, do cotidiano, que os neurônios traduzem em imagens – “Outra favela, novela. Outro barraco, buraco. Outra cachaça, manguaça. Em outro bar” é um deles. E que base do caralho!!!! Samplers em pan circulando por dentro dos miolos, synths em fraseados viajantes, vozes dobradas, com delay e  com vocoder, gravão, percussão malemolente. Candidata séria a melhor música do ano em pop rock (desce um Grammy no capricho).

Criou a maior expectativa. O que vem por aí? Veio e arrasou. Fernanda criou sua assinatura musical mergulhando na música negra, da favela carioca aos projects do Bronx. Era a garota carioca sangue bom. Hoje só deixou de ser garota, é adulta, imune ao tempo, formada e informada, saída de um período longo de transformações. Despiu uma pele de 27 anos de casamento, passou pelo calvário que todos enfrentamos, a perda da mãe, a perplexidade com os tempos atuais e as incertezas do mercado da música. Ela diz que não se motivou a fazer um disco até o coração voltar a bater em nova direção, por um novo amor. Lá nos idos de 65, 67, quatro caras de Liverpool cantavam coisas como “say the word and you’ll be free (...) and the word is love” e “All you need is love”, uma voz polêmica dos dias atuais proclamou que “o amor é a única revolução verdadeira.”





É por aí. Fala Fernanda: "Amor Geral é um álbum fortemente autobiográfico em que o tema é o amor. Centrado não em mim, mas no outro. O outro como ponto de partida e o amor como ponto de chegada. Afinal são as pessoas que nos fazem sentir vivos e amados (ou desamados). É um disco sobre a vida em que o amor, que parece um tema banal, se afirma como a força fundamental que não deixa esmorecer a nossa fome de viver.”

E prossegue: “No cenário de indiferença, cinismo, consumismo, intolerância e ódio que marca os nossos dias atuais, o amor é a mais bela e eficiente forma de resistência. A resposta mais poderosa. Num momento em que o mundo parece andar pra trás desprezando e atropelando o respeito às liberdades de expressão sexual e afetiva, às formas alternativas de família, às diferenças culturais e religiosas, à tolerância no convívio social e o no trato pessoal, apresento Amor Geral como uma espécie de antídoto. Love is the new money!”





Discos são acompanhados de releases que nunca chegam ao público. Este tem um do colega Carlos Albuquerque e, também, da própria Fernanda. A introdução reproduzi acima e, abaixo, ela fala de cada faixa, acrescento comentários meus. Tento decupar as bases, mas é difícil, são muitos elementos que entram e saem criados por Sergio Santos, figura central do disco pela participação em seis das 10 faixas, e outros músicos e produtores. A mixagem foi feita por Sergio e Vitor Farias, o que deu uma unidade conceitual ao álbum. Ideal para audição com fones de ouvidos pela citada riqueza sonora e pelos sons que viajam pelos dois lados do stereo.

As faixas:

1 - OUTRO SIM (Fernanda Abreu/Jovi Joviniano/Gabriel Moura) - Produzida por Wladimir Gasper 

“Faixa de abertura que sintetiza o sentimento do álbum. Uma espécie de faixa-manifesto. Convidei Wladimir Gasper (pseudônimo de Pedro Bernardes) de quem sou fã do trabalho há tempos. Passamos muitas noites no seu estúdio na Lapa entre subgraves, vocoders, teclados e bons papos.”
 Já comentei acima.





2 - TAMBOR (Fernanda Abreu/Jovi Joviniano/Gabriel Moura) - Produzida por Sergio Santos 

“’Alô Fernanda, sabe quem está aqui no estúdio? Afrika Bambaataa! Vem pra cá!’ Foi assim que Sergio Santos começou a produzir esta faixa. Em seguida, eu já estava no meu estúdio Pancadão de frente para o pai do Funk Carioca, criador da clássica e emblemática música Planet Rock, o icônico Bambaataa. A faixa é uma homenagem ao Tambor, expressão primeira da cultura negra e da comunicação entre os homens.”
O funk carioca tem mais a ver com o  Miami Bass da Flórida do que com a cultura hip hop criada no Bronx por Mr Bambaataa. Esta faixa é de um balanço irresistível. Começa com um berimbau, o convidado manda seu nome e de Fernanda, um violão conduz no canal direito, o batidão no centro, refrão ao estilo do funk, Mr. Bambaataa soltando seus vocais, tem agogô,o berimbau, percussões outras, um loop entra e sai.  Na letra Fernanda fala da presença do tambor no enredo, no samba de terreiro, na congada, na ciranda, no divino, na passarela, na batucada, no baile funk. Letra inteligente e bem construída.


3 - DELICIOSAMENTE (Fernanda Abreu/Alexandre Vaz/Jorge Ailton) - Produzida por Liminha

 “A letra saiu de primeira inspirada na delícia de se apaixonar. Fui pro Estúdio Nas Nuvens e Liminha começou a produção gravando o baixo e... pronto! A música já tinha uma cara. Mostrei pro meu amigo e DJ Memê, que por sinal acompanhou todo o processo do disco, e ficamos dançando o resto da noite.”
 Romântica dançante, puxada para o charm, brilna na base um piano Fender Rhodes  flutuando pelos dois canais, marcação de palmas eletrônicas no meio, gravão, frases de synth, efeitos, guitarra. Letra apaixonada como mostra o refrão que fala em “quero sentir aquela chama, religiosamente, cama, quarto e chão.”

4 - SABER CHEGAR (Fernanda Abreu/Donatinho/Tibless/Play) - Produzida por Liminha 

“Donatinho me mostrou essa música no camarim de um show. Da letra original restou o refrão. Gosto da melodia e do arranjo e, apesar da letra falar da imprevisibilidade e da falta de controle quando o assunto é amor, a vibe é positiva, mostrando que tudo pode valer a pena... É só saber chegar!”
Lenta e dançante como a anterior, vocal de Donatinho numa talkbox passeando em pan, batidão mais bateria, um piano viajante no começo, uma guitarra base. Voz de Fernanda com dobras, frases de synths.

5 - ANTÍDOTO (Fernanda Abreu) - Produzida por Rodrigo Campello

 “Numa das madrugadas tristes que passei pensando na condição terrível em que minha mãe se encontrava (num coma há anos), peguei o violão, deitada na cama, e comecei a tocar acordes que já vieram acompanhados de melodia e letra juntos. Nunca tinha me acontecido isso antes. Meio Chico Xavier. Assustada, liguei pro meu irmão, Felipe Abreu, parceiro e fiel escudeiro em todo o processo do disco, pedindo sua opinião. Ele aprovou. :)”
Linda melodia muito bem ambientada sonoramente por piano, percussão leve, frases de synth no canal esquerdo, uma harpa chinesa no canal direito, loops e efeitos em pan.

6 - O QUE FICOU (Fernanda Abreu/Thiago Silva/Qinho) - Produzida por T.R.U.E

 “Thiaguinho Silva, baterista e compositor, me mandou uma melodia no piano que me inspirou de cara. Escrevi a letra pro Luiz Stein, meu marido por 27 anos, pai das minhas duas filhas. Qinho entrou na parceria e de quebra trouxe Gui Marques. Juntos produziram a faixa inaugurando a dupla T.R.U.E.”
Uma espécie de acerto de contas com um amor que se foi, lenta, com levada centrada no piano de Gui Marques, efeitos, delays na voz e instrumentos para embalar os versos ela cantar “O que ficou do nosso amor o que ficou, o que ficou do seu olhar para lembrar.”





7 - DOUBLE LOVE AMOR EM DOSE DUPLA (Fausto Fawcett/Laufer) - Produzida por Sergio Santos

 “Única música do álbum que não é de minha autoria. Quando Fausto e Laufer me mostraram essa música, achei que se encaixava como uma luva na onda do disco. Aliás, é impossível fazer um disco sem meus parceiros mais constantes!”
Fernanda com voz sedutora vai do rap das estrofes ao canto do refrão com a voz multiplicada, uma guitarra solta frases no canal esquerdo e, vocal em pan trocando de canais, seduzindo com “je t’aime, moi nons plus. Déjà vu. Moi nons plus. Deixa vir. Vem meu amor. Sentir o calor. Double Love.” Serge Gainsbourg e Jane Birkin iam gostar desta. 

8 - POR QUEM (Fernanda Abreu/Qinho) - Produzida por Tuto Ferraz

 “Mandei a letra pro Qinho que me devolveu dias depois com a música. Mais uma letra tentando driblar a dureza de uma separação. Digerir, administrar e computar esse momento com amor e leveza é sempre um desafio. Tuto Ferraz, minha dupla na vida, acertou em cheio.”
 Entrada com bateria, a única do disco, pelo amor atual dela, Tuto Ferraz. Talkbox novamente brincando pelos dois canais, em alguns momentos acompanha Fernanda na voz, discretas guitarras funk na levada e frases de teclado.

9 - VALSA DO DESEJO (Fernanda Abreu/Tuto Ferraz) - Produzida por Tuto Ferraz

 “Inspirada no meu momento amoroso e apaixonado, escrevi essa letra e comecei a criar a melodia a cappella, dançando uma valsa em casa. Fui pra São Paulo e pedi ajuda pro Tuto, que sentou ao piano e criou essa harmonia linda e densa que, somada ao arranjo de cordas, criou a atmosfera que eu queria.”
 Esta é a faixa do casal. Combina o orgânico do quarteto de cordas e piano com discretas programações. Lembrou-me um pouco Luisa, do Tom Jobim, que me veio à cabeça ao escutar repetidamente. Muito bem arranjada, na segunda parte momentos de um cello no canal esquerdo, as cordas envolvem a voz dela numa cama romântica e sensível. 

10 - AMOR GERAL (Fernanda Abreu/Fausto Fawcett/Pedro Bernardes) - Produzida por Sergio Santos

 “Vinheta final, espécie de epílogo. Sintetiza a onda musical do disco misturando eletrônica com timbres e sons orgânicos. Como não podia deixar de ser, o samba aparece aqui, nas entrelinhas como parte do meu DNA. Samba urbano.” 
Começa com efeitos que me lembraram história infantil veio na minha cabeça “era uma vez...” depois frases de synth viajam pelos canais. Fernanda recita a letra com efeitos de delay, com Sergio Santos falando um verso ou outro. Falam do entrelaçamento do amor e do ódio, das brigas do amor, dos encontros e desencontros para concluir: “O que importa é parar numa esquina e perceber o gigantesco coração do planeta batendo. Do Amor Geral.”





PROJETO GRÁFICO 


Direção de arte: Giovanni Bianco. Foto: Gui Paganini
Fernanda Abreu: “Eu estava na pista de dança quando Giovanni Bianco passou por mim e, brincando, falou: ‘Agora que você se separou de Luiz Stein quando iremos trabalhar juntos?’ Uau!, pensei. Dali em diante foi só alegria! Quanto talento, inteligência e generosidade numa única pessoa. Essa capa, lindamente criada por ele, traz uma imagem que, pra mim, simboliza a eterna procura do ser humano. Uma espécie de esfinge sugerindo que o amor entre os homens é um eterno enigma a ser decifrado, num olhar que traduz um misto de apreensão e esperança, somado à ideia do texto impresso na pele da mão, lembrando que escrevemos o mundo ao mesmo tempo que somos escritos por ele. Eu-Coletivo.”

RELEASE POR CARLOS ALBUQUERQUE

Rio, 30 graus. É noite de outono. De cabelos presos, camiseta e calça jeans, Fernanda Abreu está sentada numa cadeira em seu estúdio, apropriadamente batizado como Pancadão, numa casa no Horto, sossegado bairro da Zona Sul da cidade. Ela se aproxima da mesa de som, aperta alguns botões e bota para tocar "Outro sim", estrondosa faixa de abertura de seu novo álbum, "Amor geral".  Quase imediatamente, a batida programada por Wladimir Gasper (nome artístico de Pedro Bernardes) explode nas caixas, frequências graves se enroscam na cintura do ouvinte como serpentes imaginárias e samples, picotados, abrem caminho até a voz de Fernanda, que rima e canta: "Outra cabeça, sentença/Outro recanto, encanto/Outra viagem, vertigem em outro mar/Outro sentido ou saída/Outra maneira ou medida/De dar a volta por cima, querendo dá".

- Nos últimos tempos, aprendi muito com (os produtores) Tuto Ferraz no estúdio dele em SP e Sérgio Santos no meu estúdio no Rio, sobre  áudio, equalização, compressão, frequências e tal. E queria um disco que soasse bem, do subgrave ao agudo – explica ela, que assina a direção musical e produção executiva do disco.

Mais do que detalhes técnicos, "Amor geral" – que tem projeto visual de Giovanni Bianco – gira em torno desses últimos tempos mencionados por Fernanda. Afinal, é o  seu primeiro trabalho em dez anos, desde que lançou o álbum "MTV Ao Vivo". Foi um tempo em que Fernanda trocou manchetes pop por linhas bastante pessoais.

- Nesses dez anos, a vida me apresentou algumas situações difíceis e precisei priorizar minha vida pessoal. Tive um processo de luto muito estranho da minha mãe, que ficou em coma por seis anos, somado ao sofrimento do meu pai que passou a vida ao seu lado, vivi um longo processo de separação do meu casamento de 27 anos, minhas (duas) filhas precisando de mim e eu delas. Senti que tinha que administrar esses desafios da forma mais amorosa possível. Segurei uma onda gigante e nem pensava em criar um material novo, até porque o cenário da música estava numa transformação violenta – confessa ela. – Trabalhei direto, criei um novo show Eletro-Acústico, participei de projetos especiais de outros artistas, continuei fazendo meus shows do MTV ao Vivo, mas não me sentia inspirada nem instigada para fazer um álbum de inéditas. Como outros artistas, vivi um compasso de espera, observando as mudanças da indústria e do mercado. Era como o samba-enredo da União da Ilha, "o que será, o amanhã? Responda quem puder...".

O amanhã desse retiro começou a chegar quando entrou em cena o sentimento que dá título ao disco e sua hipnótica faixa de encerramento (de letra "E sabendo que vamos morrer, sentimos fome de viver/Não é essa a função do amor?/É não deixar esmorecer essa fome de viver/De sobreviver em meio à pancadaria da infelicidade à granel").

- Quando conheci o Tuto Ferraz e me apaixonei, uma energia nova, muito inspiradora e potente me fez naturalmente começar a compor e produzir novas músicas – revela. - Um dos motivos desse disco se chamar "Amor geral" foi a percepção de que em todos esses momentos pelos quais passei, o amor foi o sentimento mais forte que senti tanto nos momentos de alegria como de tristeza. A letra dessa vinheta "Amor Geral" pode parecer um papo entre um casal, mas o pano de fundo está no coletivo e na simbólica relação entre amor e ódio, dois poderosos sentimentos que movem a humanidade.





Com "Amor geral", Fernanda retoma uma linha evolutiva que atravessou discos fundamentais dos anos 90, como "SLA Radical dance disco club" (90), SLA 2 – Be sample" (92) e "Da lata" (95), nos quais ela se firmou como pioneira no uso de samplers como instrumento, entusiasta de primeira ordem do funk carioca, sambista de verso e dança e porta-bandeira da disco music. É exemplar, por exemplo, a grooveada faixa "Tambor", que tem a participação, quase surpresa, de Afrika Bambaataa, grande mestre do hip-hop e de suas fusões com os batidões dos bailes do Rio, sintonizado com a percussão de Jovi e Pretinho da Serrinha. É trap com samba, é funk com balanço verde-amarelo, é beatbox com berimbau. ("E quanto toca o tambor/É festa, eu canto, eu danço/E quando toca o tambor/Acende a esperança", celebra Fernanda).

Conduzindo parceiros antigos (Liminha, Meme, Laufer e Fausto Fawcett) e novos (Qinho, Wladimir Gasper, Sergio, Tuto e Donatinho), Fernanda desfila, ao longo das 10 faixas do álbum, por diversas levadas, sem perder o suingue jamais. "Double love" é um balanço-funk estilo batuque digital, metralhadora musical. "Valsa do desejo" é uma balada com ares cinematográficos. "Por quem" (na qual canta "Computar a dor/É dureza/Computar a flor/É beleza") e "Deliciosamente" são refrescantes mergulhos nas pistas disco-houseiras. "O que ficou" é uma delicada pintura de tons ambientais. E a faixa-título resume o disco com suas roupagens futuristas e texto cortante como um sabre de luz ("Toneladas de 'I love you' desabam a todo instante nesse mundo/Toneladas de 'Eu te odeio'  desabam a todo instante nesse mundo...). Mesmo depois dessa ausência, Fernanda não perdeu a habilidade de ouvir "o coração do mundo batendo".

- Acho que cada artista procura seu som e me orgulho de ter uma assinatura. Gosto de trabalhar com a estética musical que os arranjos e a produção em estúdio me permitem. Por isso, além de cantora e compositora, me sinto como uma espécie de artesã de sons – diz ela, que comemora também a chegada de todo seu catálogo (7 álbuns) às plataformas digitais na sequência do lançamento de "Amor Geral". 

– Num primeiro momento, fiquei um pouco receosa de lançar qualquer trabalho artístico nesse momento em que a intolerância, o cinismo, a falta de escuta parecem imperar. Mas percebi que é exatamente esse o momento propício pra vir com "Amor geral". Então, quando vozes conservadoras gritam contra o aborto, contra o direito das mulheres, contra os negros, contra a diversidade sexual e religiosa, venho chegando, gentilmente, com o meu antídoto.
 Carlos Albuquerque - www.calbuque.com







FICHA TÉCNICA

Direção musical e produção executiva – Fernanda Abreu
Produtores – Ver nas faixas
Produtor vocal – Felipe Abreu
Mixagem – Vitor Farias e Sergio Santos, exceto Por Quem (Tuto Ferraz), Tambor e Double Love  (Sergio Santos)
Masterização – Tom Coyne (Sterling Sound – New York)
Capa e Direção de Arte – Giovanni Bianco (GB65)
Fotógrafo – Gui Paganini
Mak e Hair – Daniel Hernandez
Styling – Giovanna Refatti
Estúdio Távola 42 
Produção Executiva – Fernanda Sá
Engenheiros de Gravação e Edição – Sergio Santos (Estúdio Pancadão), Wladimir Gasper e Jonas Chagas (Estúdio WG), Tuto Ferraz (Estúdio do Tuto/Grooveria), Rodrigo Campello (Ministereo), Liminha e Daniel Alcoforado (Nas Nuvens), Fabiano França (Edições Digitais), Gui Marques ((Estúdio Frigideira) e Donatinho (Synthlove).
Assistente de Produção: Clarissa Martins
Assessoria de Imprensa: Bebel Prates
Lançamento – Garota Sangue Bom com Distribuição pela Sony Music

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