domingo, 8 de maio de 2016

Suricato faz show arrasador no Imperator


Fotos de Cleber Junior

A Suricato lotou o Imperator na noite de sábado num show vibrante e bem amarrado para um público cúmplice que cantou várias músicas com a banda. Revelada nacionalmente há dois anos via Superstar, foi a que conseguiu maior aceitação com um repertório de qualidade. Rodrigo Suricato tem o dom da melodia, aquela que desce redondo e letras inspiradas, uma boa prova de como ser popular sem ser rasteiro.

Rodrigo e Guilherme Schwab são a linha de frente da banda, tranquilos para voar à vontade porque tem uma retaguarda poderosa com o baixo de Raphael Romano, a bateria de Pompeo Pelosi e a percussão de Junior Moraes. A diversidade de estilos torna o show do Suricato o mais original da cena do Rock Brasil. Folk, rock, country, hillbilly, blues e world music se sucedem em hora e meia de concerto com a mesma pulsação e uma pegada que ganha o público até em canções menos conhecidas. É o tipo de show que deixa um gosto de quero mais e que faz o povo ir para casa ou para a esticada da noite em bom astral.


Rodrigo Suricato

Rodrigo canta muito bem, voz poderosa e bem modulada. Ele e Guilherme na maior parte do tempo se revezam em violão e guitarra, quando Guilherme está na guitarra (Les Paul e Strato), Rodrigo está no violão e vice versa. Quando os dois pegam guitarras, o bicho pega. Foi o caso do gospel/blues In My Time of Dying (Jesus Is Gonna Make My Dying Bed), da década de 20 do século passado, conhecido na versão do Led Zeppelin. Rodrigo começa solando Brasileirinho, um standard com que se destacou num concurso da Gibson em 2007 como melhor guitarrista brasileiro, a seguir uma levada blues e daí Rodrigo e Guilherme partem para solos de pergunta e resposta que descambam num diálogo furioso que rolou no meio da plateia para delírio dos presentes (claro, dos ausentes é que não podia ser), com citação de Roadhouse Blues (The Doors) e um rápido momento de duckwalk, a dança marca registrada do mestre Chuck Berry. Foi o momento alto da parte rock'n’roll do concerto. 



Raphael Romano (baixo) e Pompeo Pelosi (bateria e wasboard)

O momento world music teve Guilherme numa  execução instrumental de Asa Branca em que, ao mesmo tempo, toca slide no violão weinssenborn e sopra o didjeridoo, instrumento dos aborígenes australianos. Coisa de virtuoso mesmo. E emenda com Quando A Maré Encher, da Nação Zumbi. Na roqueira Conceitos e Nomes, podiam inserir alguns versos de Dear Prudence (Beatles) porque a levada é parecida em certos trechos.



Rodrigo cantou para sua musa Paula Costa  Eu Não Amo Todo Dia

O repertório teve quase inteiro o album Sol-Te, de 2014, mais My Babe Macumba e Conceitos e Nomes, do álbum anterior ao Superstar e algumas  alheias. Além das citadas, o belo hino de Almir Sater e Renato Teixeira Tocando Em Frente, gravado por muitos nomes da MPB, aqui em versão rock com Guilherme na voz. E Um Certo Alguém, no arranjo hillbilly que a banda fez e Lulu Santos, autor, adorou. Nesta o baterista Pompeo Pelosi toca washboard, tábua de lavar, usada na música caipira americana (hillbilly) e nos primórdios dos Beatles no skiffle, um ritmo que dominou a Inglaterra nos anos 50 e começo dos 60. O fechamento foi com Pro Dia Nascer Feliz, a mesma com que o saudoso Barão Vermelho encerrava suas apresentações. 



Rodrigo e Guilherme mandaram ver nas guitarras no meio do povo em In My Time Of Dying

O inusitado do show no momento em que o setlist dizia Rodrigo Solo foi que o espectador Tiago Serrano subiu ao palco para pedir a mão (e o resto) de sua noiva Carolina, todo sem jeito e sem ter preparado nada pro momento histórico da vida dele. A plateia compareceu com gritos, palmas e “beija, beija”, daí Rodrigo cantou para eles Monte Castelo (Legião Urbana) que dançaram desajeitadamente (não era dançante mesmo). Na despedida, Rodrigo deu uma zoada de leve: “Boa sorte, vocês vão precisar.”


Rodrigo cantou Monte Castelo para o casal Tiago e Carolina

Teve outro momento romântico, quando Rodrigo chamou sua mulher, Paula Costa, os dois sentaram na maleta percussiva e cantou para ela Eu Não Amo Todo Dia, com direito a beijo caliente no final da canção. Muito fofinho. O Suricato já está na boca do povo, que cantou com  a banda as canções Um Tanto (citação de Give Me Love, de George Harrison), Bom Começo, Trem (citação de I'm Free, dos Rolling Stones), Talvez, Not Yesterday e O Sanfoneiro Só Tocava Isso, original de Dircinha Batista (1949) que teve um trecho tocado antes de eles começarem. Tema de abertura da novela Eta Mundo Bom! Animou bastante a plateia.



Guilherme Schwab em Asa Branca

Uma grande noite que Rodrigo agradeceu aos fãs dizendo que a presença deles “dignifica nosso trabalho e a nossa existência.” Salvo algum tropeço inesperado, a estrada da Suricato promete ser longa e proveitosa. Na abertura tocou a Michael Band que não assisti, sorry. No post abaixo uma entrevista com Rodrigo Suricato.




Depois de Bom Começo entrou Um Certo Alguém


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