domingo, 5 de junho de 2016

Erasmo Carlos comemora 75 anos no palco do Imperator

Fotos de Cleber Junior

O Gigante Gentil Erasmo Carlos completa 75 anos neste domingo e teve comemoração antecipada na noite de sábado no palco do Imperator com bolo e uma plateia lotada cantando Parabéns Pra Você. Ele merece isso e muito mais, uma lenda viva da música brasileira que deixou sua marca em várias gerações. Estavam todos lá, marcados mais ou menos pelo tempo, mas presentes e entusiasmados, juntando suas vozes à dele em clássicos da Jovem Guarda.

Erasmo não deixa barato. Com uma puta banda regida dos teclados pelo maestro José Lourenço, Erasmo resumiu sua carreira em 20 músicas, desde Festa de Arromba e Minha Fama de Mau, do álbum A Pescaria (1965), até Gigante Gentil (2014). Ele alternou canções mais calmas com rock e rockões na parte final, uma sequência de sete músicas com o pé embaixo, a banda em ponto máximo soltando fumaça e faíscas.



Parabéns pra você

No meio, entre as duas partes, sentou num banco alto ao lado de José “Positivo” Lourenço e desfiou uma sequência de canções compostas por ele com o amigo de fé irmão camarada Roberto Carlos, quase todas na fase que a imprensa chamou de Música de Motel. Ele disse antes que não gosta de ouvir suas músicas no motel porque distrai, ele fica pensando que a rima podia ser melhor, ter usado outras palavras e arremata que, em motel, gosta mesmo é de música instrumental. 

E cantou uma sequência acompanhada pela plateia que incluiu Desabafo, Proposta, Cavalgada, Café da Manhã, Detalhes, Eu Te Amo Eu Te Amo Eu Te Amo, Como É Grande O Meu Amor Por Você. Esta última, apesar do duplo sentido, não é da fase motel. Nem Detalhes, acho, de 1971.



Set de motel

Antes do show, a convite de Jorge Augusto, empresário de Erasmo, fui lhe pedir a benção. Mais magro, bem disposto, ainda fumando um cigarrinho (careta), lembramos os primórdios do rock, que nasceu na Zona Norte e teve um reduto na galeria do antigo Imperator, por isso ele diz que gosta de tocar na casa, foi sua terceira vez ali. O whisky já não está mais na área. No show, quando pega uma garrafa de água para alguns goles, diz: “Os tempos mudaram.”



O diretor musical José Lourenço

Depois de Gigante Gentil, Erasmo lançou ano passado um DVD/CD ao vivo com seus lados B e fez alguns shows deste projeto. O que está apresentando agora ainda é do álbum Gigante Gentil, mas inseriu quatro canções do lançamento mais recente: Maria Joana, Gente Aberta, A Carta e Dois Animais na Selva Suja da Rua, esta de Taiguara. Bons contrapontos para a saraivada de sucessos apresentada no Imperator.



Billy Brandão (guitarra) e Rike Frainer (bateria)



Depois de É Preciso Saber Viver, a plateia entoou a cappella o “parabéns pra você,” mas antes ouviu a parte de piano e voz até adentrar o palco um bolo em forma de guitarra para a comemoração, com a banda atacando a canção junto com o público. O bolo voltou intacto para os bastidores e ele detonou a sequência rock’n’roll da noite. Billy Brandão solou horrores, dando algumas chances para o outro guitarrista, Luiz  Lopez, solar em algumas partes.



Luiz Lopez (guitarra) e Pedro Dias (baixo)

Quero que Vá Tudo Pro Inferno recebeu um arranjo pesado e foi assim até o final com Minha Fama de Mau, Vem Quente Que Eu Estou Fervendo, É Proibido Fumar (sem o “maconha” que a plateia do Skank canta no refrão), daí teve uma falsa despedida, uma brincadeira com Erasmo fazendo de conta que ia embora, José Lourenço grita que não pode, um roadie o conduz de volta ao microfone para o bis com Eu Sou Terrível, Kamassutra e Festa de Arromba, um de seus sucessos iniciais.



Ronaldinho Silva

Para terminar falo do começo, a abertura com a faixa título do álbum Gigante Gentil, um apelido dado pela cantora Lucia Turnbull em alusão ao tamanho dele, 1m90 e ao seu jeito carinhoso de ser. Erasmo contou que, ao começar seu relacionamento com a internet, ficou surpreso com a agressividade de muita gente com frases maldosas do tipo “se Erasmo Carlos levantar as mãos pro alto Deus puxa” ou “se Erasmo fechar os olhos, a família começa a rezar,” e outras pérolas, algumas projetadas no telão. Daí ele fez a canção com versos tipo “Mas quando dizem que o gigante é um morto-vivo. Perdido como um bicho sem carona no dilúvio. Me assusto com o olho podre que vê ele assim. Detonam o gigante e o estilhaço pega em mim. Mesmo hostil qualquer gigante pode ser gentil.”




Estas besteiras dirigidas a ele são encaradas como parte da vida, feita de bons e maus momentos, no caso dele o respeito e a veneração de quem reconhece sua importância. O Gigante amorosamente se entrega ao público que o abastece de amor e carinho. Ele se despede apertando mãos em várias passadas pelo palco e se vai. Hoje comemora seu aniversário cercado pela família. Parabéns e obrigado Gentil Tremendão.

FUZZCAS


Carol Lima

A noite foi aberta pela banda carioca Fuzzcas que tem uma sonoridade identificada com a Jovem Guarda. A vocalista Carol Lima é segura no que faz, o quarteto tem 10 anos de estrada, boas composições e punch ao vivo. Leandro Souto Maior manda muito bem na guitarra, firme nos solos. Eles encontraram resistência de parte da plateia, que ficou gritando por Erasmo, mas foi gentilmente desarmada por Carol que agradeceu ao Erasmo por dar oportunidade aos novos, o que arrancou muitos gritos e aplausos de cumplicidade. 


Leandro Souto Maior

A banda rende melhor nas canções mais rápidas do que nas lentas, mas faz um show enxuto e dinâmico. Se fosse fazer alguma ressalva (já fazendo) seria por uma maior presença de Carol, carismática e sensual num shortinho preto, mas muito presa ao centro do palco, devia se movimentar mais, ocupar o espaço com sua bela presença, agitar a plateia, especialmente ali que não era seu público. 



Fabiano Parracho

A Fuzzcas tem uma assinatura própria e se destaca entre entre as bandas mais recentes. A geração mais nova do Rock Brasil encontra dificuldades para se colocar no mercado por conta dos breganejos e sambas marotos que dominam o mainstream, mas são obstinados, não desistem e ocupam os espaços possíveis. É por aí mesmo.


Eduardo Souto Maior


Selist Erasmo

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