terça-feira, 26 de julho de 2016

Sir Michael Philip Jagger faz 73 anos hoje

Cidade do México - Março 2016

Sir Michael Philip Jagger faz 73 anos hoje. Sua mais recente notícia foi o anúncio de que será pai pela oitava vez, agora com Melanie Harmick, 29 anos, bailarina clássica do American Ballet Theatre, com quem mantém uma relação aberta. Ele tem dois filhos avulsos com a dançarina e cantora Marsha Hunt e com a apresentadora Luciana Gimenez, dois filhos e duas filhas com a uber modelo Jerry Hall e uma com a primeira mulher, Bianca Perez de Macias. Esta prole já lhe deu cinco netos e um bisneto. Sua fortuna foi avaliada em 300 milhões de dólares em 2010, mas já cresceu por conta de novas turnês e de royalties.



Melanie Harmick

Considerado um dos artistas mais influentes da história do rock, ele está à frente da banda há 54 anos, como seu administrador desde 1972, quando se desvencilhou de vez do empresário picareta Allen Klein, que empurrou para os Beatles através de John Lennon, numa jogada suja para dar a Klein um alvo maior para sua ambição.




Nos anos 60 formou, com seu companheiro de infância Keith Richards, uma parceria tão importante quanto a de John Lennon e Paul McCartney. Muitos sucessos, agitação, envolvimento com drogas, prisões, mas sem o desgaste interno que atingiu os Beatles. A banda continuou bem sucedida nos anos 70 e quase acabou na década seguinte. Jagger partiu para a carreira solo com intenção de deixar os Rolling Stones no passado. 




Em sua autobiografia, Vida, Keith Richards conta que ele foi acometido pela LVS, Lead Vocalist Syndrome, a Síndrome do Vocalista: “Mick tem ideias megalômanas, todo vocalista tem. A ideia geral era que, mais cedo ou mais tarde, isso tinha que acontecer. Combine um caso de LVS congênito com um bombardeio incessante de elogios em todos os momentos do dia por anos e anos e não será difícil imaginar o resultado, ” afirma Keith no livro.




Em 21 de fevereiro de 1985 saiu She’s The Boss, o primeiro de quatro álbuns solo, com uma direção mais pop e vídeos rodados no Brasil. Nenhum deles chegou ao primeiro lugar na América. She’s The Boss ficou em décimo terceiro, o mais alto; o segundo, Primitive Cool, lançado em 14 de setembro de 1987, não passou do quadragésimo primeiro. Tentou fazer turnês solo, mas não vendeu ingressos, nos poucos shows o público pedia músicas dos Rolling Stones.




Resultado: voltou de rabinho encolhido para os Stones, fez as pazes com Keith, gravaram o álbum Steel Wheels (1989) e saíram em turnê  com lotação esgotada em estádios. Uma música do álbum, Mixed Emotions, fala do conflito em versos como “wipe out the past” e “You’re not the only one with mixed emotions. You’re not the only ship adrift in this ocean.” Ainda lançou dois álbuns solo de modesto sucesso, Wandering Spirit (9 de fevereiro de 1993) e Goddess In The Doorway (19 de novembro de 2001).


Com U2 e Fergie no 25º aniversário do Hall da Fama do Rock

A partir daí Mick fez um trabalho paralelo, a banda Superheavy, em 2011, com Dave  Stewart, Joss Stone e Damian Marley que rendeu um só album, participações ao vivo e turnês com os Stones que são as mais lucrativas da história da banda. Nos DVDs de fases antigas os Stones aparecem num mesmo camarim. Hoje em dia são camarins separados. Keith disse numa das últimas vezes que não vai ao camarim de Mick há muitos anos.  Apesar disso, a chama do rock continua viva nos Rolling Stones, como vimos este ano na passagem da Olé Tour pelo Brasil.

CINEMA


Ned Kelly

Nos anos 60 alguns rockstars, como John Lennon e Ringo Starr, resolveram tentar a sorte no cinema. Mick Jagger também foi nessa. Em 1968 fez sua primeira incursão em Performance como Turner, um ex rock star excêntrico (não diga) que vive com duas mulheres e se envolve com gangsters, ou o contrário, whatever. Em 1970 foi a vez de ele fazer o fora da lei australiano Ned Kelly, filmado na Austrália, que foi sucesso de bilheteria apenas onde, onde? Na Austrália. Em 1982 participou do documentário Burden of Dreams sobre as filmagens de Fitzcarraldo, um filme de Werner Herzog sobre a exploração de borracha na Amazônia peruana. Jagger ia ter um papel no filme, mas atrasou tudo e ele saiu para excursionar com a banda. 

Freejack

Em 1992 fez um mercenário impiedoso no filme Freejack, encarregado de sequestrar pessoas na hora da morte no passado para servirem de corpos substitutos. Como produtor fez vários projetos sem grande sucesso comercial, incluindo a série para a HBO Vinyl, em associação com Martin Scorsese, cancelada após a primeira temporada. Parece que sua fama de pé frio não se restringe ao futebol.

quinta-feira, 14 de julho de 2016

Comemoração do Dia Mundial do Rock lota o Imperator com Hover, Stereophant e Far From Alaska

Emmily Barreto e Rafael Brasil - Far From Alaska - Fotos de Cleber Junior


Estive ontem num Imperator lotado para a comemoração do Dia Mundial do Rock com as bandas Hover, Stereophant e Far From Alaska, do Rio Grande do Norte, vencedora mês passado da categoria We Are The Future no International Midem Awards em Cannes. Prêmio merecido, é uma grande formação, pena que preguiçosa. Fez um show curto pra um headliner, alegou que só tinha um CD e que não ensaiaram novas músicas. O CD é de 2014! Apesar de cantar só em inglês, o que não curto para bandas brasileiras, eles tem condições de conseguir a projeção internacional que ambicionam. 



Cris Botarelli - Far From Alaska

A banda Hover, de Petrópolis, que abriu a noite, faz uma mistura de estilos que confunde um pouco quem tenta classificá-los. Foram do punk ao grunge e ao progressivo, aqui e ali com tinturas psicodélicas. Em seu release não se definem como progressivos, mas fizeram dois números longos com o violinista Felipe Ventura tipicamente progressivos com vários climas. 



Saulo Von Seehausen - Hover

A Hover tem dois problemas, a terceira guitarra, de Lucas Lisboa, com um timbre distorcido que sujava o som sem contribuir para o todo, é preciso trabalhar mais esta participação. O repertório é em inglês, mas não dava pra entender nada do que Von Seehausen cantava, o que não aconteceu com os dois outros vocalistas da noite. A guitarra base do vocalista Saulo von Seehausen e a guitarra solo de Felipe Duriez funcionam bem, o baixo de Pedro Fernandes e a bateria de Álvaro Cardoso cumprem suas funções.  O repertório foi do disco lançado em março Never Trust The Weather e do EP Open Road. 



Alexandre - Stereophant

A  Stereophant, de Mendes, Rio de Janeiro, entrou como um rolo compressor com um volume bom para show ao ar livre, mas alto demais para o tamanho do Imperator, nem se distinguia direito os instrumentos, embolava tudo, na segunda música já zumbiam meus ouvidos castigados por meio século de roquenrol. 



Tibuna - Stereophant


Tudo bem que rock tem que ser alto mesmo, mas de acordo com o tamanho da casa. Felizmente, logo adiante, o volume baixou e eles partiram para  canções bem estruturadas e em português. O vocalista Alexandre deu o toque político da noite, disse que vivemos  uma “situação de terror”e que sua apresentação era contra o golpe, a favor da ocupação das escolas, da greve dos professores e “dedicada a todo mundo que resiste.” O repertório foi do álbum Correndo de Encontro a Tudo, de 2013 e novas canções.

Lauro Kirsch - Far From Alaska

Pouco depois de o relógio bater a hora grande, Far From Alaska subiu ao palco, recebida como uma banda consagrada pela plateia, que cantou com ela boa parte das músicas e se acabou de dançar. A banda tem uma grande empatia com o publico e usa o artifício de dizer que é a plateia mais quente de sua vida, o que atiça mais a galera. É uma formação muito bem estruturada. 



Edu Filgueira -  Far From Alaska

O coringa ali é Cris Botarelli que canta, toca teclados, aciona os efeitos eletrônicos e, o grande achado, toca uma lap steel guitar com um timbre roquenrol de um instrumento típico da música country, que usa em  solos inspirados. A guitarra de Rafael Brasil tem uma distorção grave na linha do mestre Tony Iommi e até usa o mesmo modelo de guitarra, uma Gibson SG. Baixo (Edu Filgueira) e bateria (Lauro Kirsch) são eficientes nas bases, as músicas tem climas de leveza e explosão que Lauro dosa muito bem. 

A vocalista Emmily Barreto dá conta do recado, só pega na hora das falas com termos e entonações infantis, seria bom se ela finalmente crescesse. Em várias canções Emmily e Cris dividem os vocais, não há muita diferença de timbre entre as duas, não chega a ser primeira e segunda vozes, mas funciona no punch das canções. De novidade só apresentaram um riff de guitarra de uma canção do novo álbum que sai este ano. Ficam devendo um show maior digno de sua excelência musical. O prêmio do Midem se justifica, eles tem condições de brigar por um lugar no mercado internacional e aqui também, afinal tanta coisa em inglês faz sucesso no Brasil. E bem pior que eles.



Palco do Imperator - Foto de Thaís Monteiro

A produção do Imperator caprichou no palco. Estava muito bonito com o logo do Rio Novo Rock, que rola lá todo mês, e com as guitarras no pano de fundo. As moving lights ajudam o clima das canções e o som é perfeito, tudo alto e audível, especialmente a bateria, que é essencial estar bem microfonada e amplificada em shows de rock, o que nem sempre acontece.



Priscila Dau

Last, mas de maneira alguma least, a discotecagem inteligente e variada da DJ Priscila Dau, que começou a noite com classic rock  e foi  seguindo as décadas com ótima seleção e sem medo de tocar coisas como B-52’s e hits, o que sempre anima o público que respondeu bem à discotecagem. Merece um bis na casa. O VJ Miguel Bandeira incluiu nas suas imagens a campanha contra o estupro, assunto oportuno de tratar para uma plateia jovem como a de ontem. 





No começo teve a projeção do minicurta de 15 minutos Dois Leões E Outros Bichos, dirigido por Luciano Cian e produzido por Paulo Lopez, sobre os irmãos bateristas Lucas e Zózio Leão, de bandas como Beach Combers e Fuzzcas. Histórias interessantes de como descobriram seus caminhos na música. Não deixei de pensar nos pais e nos vizinhos. Dois bateristas numa mesma casa. Ninguém não roqueiro merece.

segunda-feira, 11 de julho de 2016

Paulo Miklos sai dos Titãs, agora como trio com reforço de Beto Lee

Paulo Miklos, último show com a banda, sábado no Circo Voador - Fotos cedidas por Nem Queiroz

Lamento a saída de Paulo Miklos dos Titãs, meu vocalista favorito de sua geração. Muito cedo para entoar o réquiem da banda, agora em trio com Branco Mello, Sergio Britto e Tony Belotto. Beto Lee fica no lugar de Paulo como guitarrista, mas abriu um buraco nos vocais. Paulo Miklos é meu vocalista favorito de sua geração, ele tem punch, alcance e atitude. Sergio Britto segura a onda, mas Branco Mello é limitado para canções mais agressivas, não vejo músicas como como Bichos Escrotos, Vossa Excelência, Diversão e outras renderem na voz dele.

Assim que saiu o anúncio, muita gente no Facebook se apressou em decretar a morte da banda. Vai com calma. Lembrei logo do Barão Vermelho, que se recompôs com apenas dois fundadores, Roberto Frejat e Guto Goffi. Beto Lee é um reforço nas guitarras, Tony Belotto é limitado e Miklos não fazia grandes coisas na guitarra, neste aspecto melhora. O problema é o buraco nas vozes, deviam incorporar um vocalista, alguém novo com garra e atitude, através de testes, para recompor a linha de frente.



O último disco de estúdio, Nheengatu, mostrou força e criatividade. Vi vários shows recentes, ainda com o Paulo, e não vi nenhuma perda de vitalidade. Não faltam urubus para atacar a Geração 80 do Rock Brasil, não admitem que possam estar há mais de 30 anos na estrada com relevância. Os shows destas andas lotem no Brasil inteiro com plateias em boa parte jovens.


Paulo Miklos e Tony Belotto

Acompanho os Titãs desde o começo no Rio. Vi o primeiro show deles, no Noites Cariocas, com umas 100 pessoas, os oito no palco com um visual pesado, coturnos, calças pretas, blusas brancas com ilustrações de insetos, dei força eles na minha coluna Jam Sessions, no Jornal do Brasil. Tive entreveros com eles na época de Titanomaquia, e nunca deixei de escrever sobre eles. Tiveram momentos difíceis com a saída de bons compositores como Arnaldo Antunes, um diferencial no palco, Nando Reis e a morte de Marcelo Frommer. Agora enfrentam um novo desafio, desejo boa sorte. Acho muito escroto difamações de uma banda com um currículo tão relevante por gente que nunca fez porra nenhuma pela música e pelo país como eles, que tem uma participação importante no rock e na política, com canções que convidam à reflexão.