quinta-feira, 14 de julho de 2016

Comemoração do Dia Mundial do Rock lota o Imperator com Hover, Stereophant e Far From Alaska

Emmily Barreto e Rafael Brasil - Far From Alaska - Fotos de Cleber Junior


Estive ontem num Imperator lotado para a comemoração do Dia Mundial do Rock com as bandas Hover, Stereophant e Far From Alaska, do Rio Grande do Norte, vencedora mês passado da categoria We Are The Future no International Midem Awards em Cannes. Prêmio merecido, é uma grande formação, pena que preguiçosa. Fez um show curto pra um headliner, alegou que só tinha um CD e que não ensaiaram novas músicas. O CD é de 2014! Apesar de cantar só em inglês, o que não curto para bandas brasileiras, eles tem condições de conseguir a projeção internacional que ambicionam. 



Cris Botarelli - Far From Alaska

A banda Hover, de Petrópolis, que abriu a noite, faz uma mistura de estilos que confunde um pouco quem tenta classificá-los. Foram do punk ao grunge e ao progressivo, aqui e ali com tinturas psicodélicas. Em seu release não se definem como progressivos, mas fizeram dois números longos com o violinista Felipe Ventura tipicamente progressivos com vários climas. 



Saulo Von Seehausen - Hover

A Hover tem dois problemas, a terceira guitarra, de Lucas Lisboa, com um timbre distorcido que sujava o som sem contribuir para o todo, é preciso trabalhar mais esta participação. O repertório é em inglês, mas não dava pra entender nada do que Von Seehausen cantava, o que não aconteceu com os dois outros vocalistas da noite. A guitarra base do vocalista Saulo von Seehausen e a guitarra solo de Felipe Duriez funcionam bem, o baixo de Pedro Fernandes e a bateria de Álvaro Cardoso cumprem suas funções.  O repertório foi do disco lançado em março Never Trust The Weather e do EP Open Road. 



Alexandre - Stereophant

A  Stereophant, de Mendes, Rio de Janeiro, entrou como um rolo compressor com um volume bom para show ao ar livre, mas alto demais para o tamanho do Imperator, nem se distinguia direito os instrumentos, embolava tudo, na segunda música já zumbiam meus ouvidos castigados por meio século de roquenrol. 



Tibuna - Stereophant


Tudo bem que rock tem que ser alto mesmo, mas de acordo com o tamanho da casa. Felizmente, logo adiante, o volume baixou e eles partiram para  canções bem estruturadas e em português. O vocalista Alexandre deu o toque político da noite, disse que vivemos  uma “situação de terror”e que sua apresentação era contra o golpe, a favor da ocupação das escolas, da greve dos professores e “dedicada a todo mundo que resiste.” O repertório foi do álbum Correndo de Encontro a Tudo, de 2013 e novas canções.

Lauro Kirsch - Far From Alaska

Pouco depois de o relógio bater a hora grande, Far From Alaska subiu ao palco, recebida como uma banda consagrada pela plateia, que cantou com ela boa parte das músicas e se acabou de dançar. A banda tem uma grande empatia com o publico e usa o artifício de dizer que é a plateia mais quente de sua vida, o que atiça mais a galera. É uma formação muito bem estruturada. 



Edu Filgueira -  Far From Alaska

O coringa ali é Cris Botarelli que canta, toca teclados, aciona os efeitos eletrônicos e, o grande achado, toca uma lap steel guitar com um timbre roquenrol de um instrumento típico da música country, que usa em  solos inspirados. A guitarra de Rafael Brasil tem uma distorção grave na linha do mestre Tony Iommi e até usa o mesmo modelo de guitarra, uma Gibson SG. Baixo (Edu Filgueira) e bateria (Lauro Kirsch) são eficientes nas bases, as músicas tem climas de leveza e explosão que Lauro dosa muito bem. 

A vocalista Emmily Barreto dá conta do recado, só pega na hora das falas com termos e entonações infantis, seria bom se ela finalmente crescesse. Em várias canções Emmily e Cris dividem os vocais, não há muita diferença de timbre entre as duas, não chega a ser primeira e segunda vozes, mas funciona no punch das canções. De novidade só apresentaram um riff de guitarra de uma canção do novo álbum que sai este ano. Ficam devendo um show maior digno de sua excelência musical. O prêmio do Midem se justifica, eles tem condições de brigar por um lugar no mercado internacional e aqui também, afinal tanta coisa em inglês faz sucesso no Brasil. E bem pior que eles.



Palco do Imperator - Foto de Thaís Monteiro

A produção do Imperator caprichou no palco. Estava muito bonito com o logo do Rio Novo Rock, que rola lá todo mês, e com as guitarras no pano de fundo. As moving lights ajudam o clima das canções e o som é perfeito, tudo alto e audível, especialmente a bateria, que é essencial estar bem microfonada e amplificada em shows de rock, o que nem sempre acontece.



Priscila Dau

Last, mas de maneira alguma least, a discotecagem inteligente e variada da DJ Priscila Dau, que começou a noite com classic rock  e foi  seguindo as décadas com ótima seleção e sem medo de tocar coisas como B-52’s e hits, o que sempre anima o público que respondeu bem à discotecagem. Merece um bis na casa. O VJ Miguel Bandeira incluiu nas suas imagens a campanha contra o estupro, assunto oportuno de tratar para uma plateia jovem como a de ontem. 





No começo teve a projeção do minicurta de 15 minutos Dois Leões E Outros Bichos, dirigido por Luciano Cian e produzido por Paulo Lopez, sobre os irmãos bateristas Lucas e Zózio Leão, de bandas como Beach Combers e Fuzzcas. Histórias interessantes de como descobriram seus caminhos na música. Não deixei de pensar nos pais e nos vizinhos. Dois bateristas numa mesma casa. Ninguém não roqueiro merece.

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