domingo, 7 de agosto de 2016

Banda de rock Lenine faz show arrasador no Imperator

Fotos de Cleber Junior

A banda de rock Lenine fez um puta show na noite de sábado num Imperator de lotação esgotada. Como assim? Tá, Lenine é do escaninho da MPB, mas o que vi lá foi um show de rock montado em cima de um processamento dos ritmos do Nordeste. Pesado, pulsante, de esquentar o sangue nas veias. 


A escultura de metal simboliza a estrutura de uma molécula

Chama-se Carbono, o metal, nada a ver com carbônico, Lenine tem uma explicação sofisticada para o título do disco lançado em abril do ano passado e para esta turnê, já à beira do ano e meio. O título veio dos alótropos do carbono, substâncias simples e totalmente diferentes originárias de um mesmo elemento (whatever that means).


Jr Tostoi

Lenine tem os pés fincados na cultura nordestina e a mente no cyberspace, é um menestrel cibernético com letras altamente poéticas em meio a um caos sonoro de guitarras, baixo, bateria, teclado, samplers e programações. É a cara da música brasileira do século 21, embora faça isso desde os anos 90. Algumas vezes se despe da vestimenta rocketrônica para cantar belezas com voz e violão como Paciência, lindamente executada sábado numa comunhão palco/plateia, o povo a plenos pulmões, ele nos contracantos. Idem em Hoje Eu Quero Sair Só, podia ter mais, mas não teve. Ele mesmo disse que vários hits ficaram fora do setlist, privilegiou no todo seu trabalho mais recente. 


Bruno Giorgi

Cometeu uma ousadia que poucos artistas arriscam: tocou a íntegra do álbum e o povo respondeu bem, mesmo nas músicas menos conhecidas, porque os arranjos são de tal maneira poderosos e virtuosamente executados, que ganham a plateia.


Guila

Não assistia ao show dele há tempos, daí o vi pela primeira vez empunhando uma guitarra, uma Gibson SG, adequada à persona rock atual, mas também os violões.  Em alguns momentos se despe de instrumentos para cantar e dar seus passos de dança igualmente inspirados na tradição nordestina. Lenine ocupa o palco por inteiro, anda de ponta a ponta, sabe como é importante fazer gestos que o aproximem de quem saiu de casa e pagou um ingresso para vê-lo, coisa que muita gente não faz, no rock, inclusive.


Pantico Rocha

Ele tem uma peça chave em cena, o guitarrista Jr Tostoi, que pilota o instrumento de várias maneiras em programações e na execução propriamente dita, uma sonoridade que domina o show. Lenine é chegado a um ruído como elemento musical, então várias músicas tem efeitos que atravessam as canções como se fossem serras ou lembram de longe gaitas de fole. É um recurso muito usado por JR na pilotagem da guitarra, às vezes senti falta dele tocando normalmente porque é um exímio instrumentista. 

Há uma segunda guitarra por Bruno Giorgi, filho de Lenine, igualmente encarregado de samplers e programações, mais bandolim. A cozinha é de um brado retumbante. Assisti de um cantinho do palco atrás dos subwoofers, daí mais que ouvi, fui vibrado de corpo inteiro pelo poderoso baixo de Guila, também teclado. Pantico Rocha na bateria faz levadas criativas, sabe usar bem os tambores e pratos para dar clima às canções.




Foram 25 canções, da primeira, Carbono, às últimas, A Redee Carbono. Ele foi aos primórdios com Olho de Peixe, do disco gravado com Marcos Suzano em 1993. No show, a primeira antiga, Na Pressão, veio em terceiro, com Lenine só de intérprete e adequada ao show, que vai do começo ao fim quase todo na pressão. 




Tem uns refrescos em calmas como a bela Simples Assim, Universo na Cabeça, Sonhei. Em compensação o couro come em Cupim de Fero, no álbum com a Nação Zumbi, Grafite Diamante, Undo e outras.  Foi a primeira vez de Lenine na minha área, o Meier, que venha outras vezes.




Setlist – Canções não identificadas são de Carbono (2015).
Castanho
O Impossível Vem Pra Ficar
Na pressão - Na Pressão (1999)
Martelo Bigorna - Labiata (2008)
Cupim De Ferro
À Meia-Noite Dos Tambores Silenciosos
Meu Amanhã - Na Pressão (1999)
A Causa E O Pó
Quem Leva A Vida Sou Eu
Simples Assim
O Universo Na Cabeça do Alfinete
Hoje Eu Quero Sair Só - O dia Em Que Faremos Contato (1997)
Sonhei - Falange Canibal (2001)
Quede água
Olho De Peixe - Olho de Peixe com Marcos Suzano (1993)
Magra
Envergo, Mas Não Quebro - Chão (2011)
Se Não For Amor Eu Cegue (com Sol E Chuva, de Alceu Valença) - Chão (2011)
Grafite Diamante
Candeeiro Encantado - O dia em que faremos contato (1997)
Do It - InCité (2004)
Undo
BIS
A Rede – Citou Me Deixa Em Paz (Monsueto), Me Deixa (Rappa), Ouro de Tolo (Raul Seixas) – Na Pressão (1997)
Castanho

P.S. Não assisti à abertura com a banda Vulgo Tostoi, do guitarrista JR Tostoi, porque o show foi de pista e estou com o joelho esquerdo bichado. Não dá pra ficar muito tempo de pé. Sorry

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