sexta-feira, 2 de setembro de 2016

Mobile Drink e Venus Café brilham no Rio Novo Rock

Mobile Drink - Fotos de Thais Monteiro

A edição de setembro do Rio Novo Rock, no Imperator, teve duas boas bandas, Mobile Drink e Venus Café. A primeira não rendeu o que podia numa parte do show, estava burocrática, soltou-se ao final e demonstrou a que veio, uma formação coesa com um bom vocalista e letras interessantes. Precisa levar menos tempo para aquecer. A segunda já entrou com o pé embaixo, uma formação entrosada com um vocalista hilário, cheio de piadas e teatrices que conseguiu fazer graça sem (quase) cair no ridículo. Bandas engraçadas perdem a graça rapidamente se insistirem nesta seara, mas como ela ainda não chegou ao mercado como devia pode se sustentar.



Dangerous Dan - Venus Café

O público que vai às edições do Novo Rock já deixou de levar em conta o horário marcado – 20 horas – e chega mesmo mais pras 21 horas, e a primeira banda entra por volta de 21h30, o que deu bastante tempo ao DJ da noite, Mauricio Gouveia, do selo Baratos, de Botafogo, que tocou uma boa seleção de bandas nacionais.



Felipe (E) e Pablo - Mobile Drink

A Mobile Drink abriu a noite. Ronan Valadão (voz), Pablo Rodriguez (guitarra), Bruno Valadão (bateria) e Felipe Pinheiro (baixo) tocaram as canções de seu recente lançamento, o EP Canções da Noite e Outros Tragos. Pablo pilota sua Gibson SG com uma distorção grave com timbre semelhante ao do mestre Tony Iommi e varia pouco o timbre, privilegia a região aguda da guitarra com bons solos na medida exata. A pegada de Bruno nos couros é o segundo fator mais importante no instrumental da banda, muitas viradas, muita porrada nos couros e pratos, enquanto Felipe segura a base. Ronan tem um timbre aberto e é um intérprete seguro e autor da grande maioria das letras, que estão acima da média das bandas independentes, com as exceções de sempre, né Canto Cego? 



Frankie Goes - Venus Café

Ao longo do show fui sentindo que estava tudo no lugar, mas faltava algo que só veio mais pro final, quando a banda realmente botou para quebrar com muita empolgação. Ronan deu seu recados: “O verdadeiro amor pra mim é uma nota de 100” em Amor Verdadeiro. “O amor calça os sapatos, mas é a dor que amarra os cadarços” em Mulher, a mais climática da noite, inicialmente com a guitarra limpa, depois na porrada. Sanguesssuga Gentil também manda bem na letra: “Tua boca se vinga no meu corpo. Mordendo, arrancando pedaços, não tem fim. Fizeste inveja ao criador do Kama sutra, E faz de tudo só cama sua.”  E em Grades invisíveis: “Todos querem, mas nem todos podem ter. E o que querem não convém. Pois a perda é a herança que o mundo tem pra nos deixar.”




Bruno Valadão - Mobile Drink

Sai o Mobile, mais meia hora de discotecagem e começa a sacanagem. Os quatro integrantes do Venus Café aparecem no telão em pose semelhante ao do Queen no clipe de Bohemian Rhapsody, cantam desafinado, corrigem e mandam um “A|leluia, Habemos Rock’n’Roll” que é a canção de abertura do show. 

Todos usam nomes artísticos. São malucos, mas nem tanto de serem nomes de verdade. Dangerous Dan, vocal e guitarra, é um Freddie Mercury Tropical de bigodinho e tudo, que veste o que chama de figurino de um filme de Quentin Tarantino e evolui no palco e na plateia com pulos e trejeitos que diz serem copiados do Van Halen – David Lee Roth provavelmente. Logo na primeira música foi parar na pista de skate que fica no fundo da plateia, deu um salto olímpico para o chão e correu pro palco.



Toque tropical da haste do microfone do Venus Café

Fez muita piadinha, a maioria não muito engraçada, filou cerveja da plateia, pulou, dançou, tocou guitarra e dançou. Os demais são coadjuvantes de suas palhaçadas, apenas o guitarrista Frankie Goes (não diz pra onde) lhe serve de escada. O baterista Tatau Fernadez teve seu momento solo no show. Não  de bateria, de rebolado. Ele fica de costas para a plateia, mãos levantadas e rebola de não fazer feio em baile funk.

Ah, tem a música. Foram nove números de longa duração por conta da performance de Mr Dan, sempre com letras de teor adolescente como Vulcão em Erupção que fala de um cara em atraso que vive descabelando o palhaço. Experimente o Amor diz que o dito cujo vem em “supositório, injeção e cápsula” e alerta “cuidado para não viciar.” Em Rock’n’Roll Tupiniquin, ele cita Desafinado, sucesso de João Gilberto, pra dizer que não liga pra desafinação e completa “Se você me acusar de plágio, amor, eu escutei The Who só para me inspirar. Copia uma guitarra aqui. Cola uma letra boba ali. Você nem vai ouvir e vai gostar, haha.”



Captain LOve - Venus Cafe

Venus Café é uma banda de palco, em disco não deve ser a mesma coisa. Ao vivo funciona muito, teve até pedido de bis, vetado por conta do horário, passava de meia noite. Rio Novo Rock terá uma grande banda em outubro, Selvagens à Procura de Lei. 

P.S. Agradeço as fotos cedidas por Thais Monteiro, produtora do Imperator.


2 comentários:

  1. Obrigado pela presença e pela crítica Jamari! Grande abraço!

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  2. Muito me impressiona uma pessoa se dizer critico e relatar tudo totalmente ao contrário do que aconteceu, lamentável....

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