sexta-feira, 7 de outubro de 2016

Posada e o Clã e Selvagens à Procura de Lei , a melhor dupla de bandas do ano no Rio Novo Rock

Posada e o Clã - Fotos de Cleber Junior

Tive uma boa surpresa na noite desta quinta na edição de outubro do Rio Novo Rock no Imperator, a banda Posada e o Clã,  aqui do Rio. Letras fortes com um intérprete de voz segura e pronúncia impecável e um trabalho musical cheio de sutilezas, muitas vezes bem suave ou quase a capella para deixar o recado das letras alto e claro. 


Selvagens à Procura de Lei

A segunda banda veio de Fortaleza, Selvagens à Procura de Lei, nome comprido demais, logo deve virar só Selvagens. É uma formação redonda, com um som de pop rock com apelo comercial, sem demérito, porque são músicas bem feitas, assimiláveis de uma banda com jogo de cintura em que todos fazem vocal. E já tem popularidade no Rio, o público cantou e se esbaldou com o som deles em várias canções que seriam hits radiofônicos se o mainstream não estivesse bloqueado.


Carlos Posada

Isso claramente não acontece com Posada e o Clã, com um perfil claramente alternativo e experimental. O vocalista Carlos Posada é um poeta urbano com letras bem construídas, um timbre que parece com o de Jorge du Peixe, da Nação Zumbi, mas com um timbre mais aberto e dicção perfeita. No som ouvi ecos de Nação Zumbi, que ficariam mais evidentes se a banda tivesse um percussionista porque várias levadas remetem ao Mangue Bit. E ao rock repente de Alceu Valença, ecos do sempre tropicalista Tom Zé e inté ecos da então vanguarda da Lira Paulistana. A plateia jovem recebeu bem, mas sem a entrega com os Selvagens, é mais um apelo à massa encefálica do que ao sacudir rítmico.

Gabriel Aragão - Selvagens à Procura de Lei

Muitas bandas não variam muito os timbres e o ritmo das levadas. Já Posada e o  Clã tem uma sonoridade original bem diversa do que tenho visto mensalmente no Rio Novo Rock. Muitas canções tem títulos de uma só palavra como se fossem verbetes. Doce, Tijolo, Terraço, Pulmão, Faxina, Lamento. Tijolo, por exemplo, começa a capella, depois intervenções esparsas dos instrumentos e, mais adiante, rápido peso a la Sabbath: “Mas tijolo tu já lê. Já entende. Até semente pende. Até sem dente morde. Até no amor a gente se agride,” manda Posada. Pá Virada vai pro oposto, pesada com citação de Rappa em Lado B Lado A: “De farda ou a paisana. De terno ou de havaiana eis o mal. Então eu canto,canto,canto. Mas não se enganam em cada verso há um contra-ataque. Então eu danço, danço, danço. Mas não se enganem em cada passo a um contra-ataque. (...) Eu fui criado na fronteira. Meu sangue é de arara. Pense numa disposição. Eu sou do clã da pá virada.”


Gabriel Ventura - guitarra - Posada e o Clã

Intervalo para reinarem o DJ Pantoja e as vídeo projeções do VJ Miguel Bandeira e chegam  os Selvagens À Procura de Lei. Clima diferente do Posada e os Clãs. Time to celebrate. Atacam  com músicas de seu disco lançado este ano, Praieiro em execuções curtas sem grande improvisos. Som muito bem amarrado com aquele entrosamento que a gente sente quando uma banda está pronta para decolar.  Começam com Brasileiro, uma crítica bem humorada de quem somos nestes dias atuais: “Porque eu sou brasileiro. Meu ano só começa quando passa fevereiro. Pobre, rico ou classe média. Levante a mão de quem já sentiu puxar a sua rédea. O Brasil é medroso. Você também é. Música não pra cabeça, mas feita pro pé. Já que é assim, então segura mais essa: 17 milhões vivem nessa miséria.” 



Gabriel Barbosa - Posada e o Clã

Outra na mesma linha veio quase no final, Bem Vindo ao Brasil: “O Brasil também tem high society. A gente é bom de bola, bom de cama, bom de porre. E quando assunto é orgulho nacional. A gente escreve até Brasil com Z só pra levantar o astral. Bem vindo ao Brasil! Welcome to Brazil! Aquela antiga mistura de censura e quadril.” E não faltou o “Fora Temer” da plateia. Ah, Posada pediu voto para Marcelo Freixo, com boa recepção do povo.


Rafael Martins - guitarra - Selvagens à Procura da Lei

Apresentaram a versão de Geração Coca Cola que fizeram para um tributo a Renato Russo, com as estrofes lentas e o refrão pesado. Dedicaram a Raul Seixas, Tom Zé e Arnaldo Baptista a canção O Amor É Um Rock 2, que tem citações na letra de canções deles. Foi o melhor encontro de bandas da série que vi este ano.


Hugo Noguchi - baixo - Posada e o Clã


Caio Evangelista -- baixo - Selvagens à Procura de Lei

Nicholas Magalhães - Selvagens  à Procura de Lei


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