sexta-feira, 3 de novembro de 2017

Festival Art Mix reuniu seis bandas no Vivo Rio

Mauricio Kyann - Nove Zero Nove - Fotos de Cleber Junior

Estive na noite finada de quinta no Vivo Rio para a primeira noite do festival Rio Art Mix, patrocinado por uma bebida que nunca tinha ouvido falar, Catuaba Selvagem. Como não bebo há uns 25 anos, saí sem provar a dita cuja que era oferecida por gatas vestidas de anjos (não existe feminino, anjo não tem sexo). No lineup quatro bandas novas, duas conhecidas CPM 22 e Autoramas.



Drenna

Por algum problema não diagnosticado, o imenso lugar estava vazio quando cheguei, foi enchendo, mas não deu meia casa. Especulava-se falta de divulgação, lugar grande demais, o dia de finados e até a logo do festival e o nome, que não dão ideia de um festival de rock, parece de uma feira de arte. Louvável abrir espaço para bandas que estão na batalha do reconhecimento e espero que, avaliadas as falhas, se faça nova edição no ano que vem. Há planos até de estender para outros estados.


Badauí - CPM 22

Vi três das seis bandas, ficar altas madrugadas no more. Na abertura estranhei o show da Nove Zero Nove. Conheço e gosto da banda, mas não foi uma boa apresentação. O som estava embolado, não havia entrosamento, estava desarrumado, o microfone de voz audível só quando o Maurício Kyann gritava. A guitarras de Paulo Pestana e Pedro Arruda mal timbradas e quando Rafael Cabral dava viradas, ouvia-se apenas uma parte dos tambores. Perguntei para a baixista Eliza Schinner o que tinha acontecido, incluindo se tinha bom retorno. Resposta: “Eu estava ouvindo direitinho. Na verdade, tudo MUITO embolado. Tivemos QUINZE MINUTOS de passagem de som. Não deu nem pra passar a bateria, naquele esquema bacana em que você passa bumbo, caixa, tudo separado. Foi tudo de uma vez. Subimos no palco 19h45 pra passar o som e mandaram sair às 20h. Ou seja...não tem como ajeitar um som desse jeito.”

Pois é, sacanagem com uma boa banda. Além disso o vocalista Mauricio Kyann podia ser menos panfletário e se concentrar mais no seu ofício, sem ficar apenas berrando o tempo todo e falando bobagens como “vamos arrasar e  nada vamos deixar pro Chico Buarque.”  Chico fará temporada na mesma casa.


Eliza Schinner Baixo - Nove Zero Nove

Intervalo, tome Catuaba aplicada pelas anjos até que chegou a hora de Drenna. Som da banda impecável, equilibrado, voz clara e nítida, pelo jeito passaram o som de maneira decente. Drenna faz um pop rock de excelente qualidade, boas letras, melodias agradáveis e interpretação segura. Ela toca guitarra em algumas músicas, mas fica apenas ao microfone em outras e apresenta também uma boa performance de palco. Ao lado dela três músicos muito bem entrosados e seguros:  Milton Carlos (bateria), Bruno Moraes (baixo) e Junior Macedo (guitarra). Quando o som e a banda não estão legais eu fico tenso, incomodado, quando está tudo certo, como foi com a Drenna, eu relaxo e entro na vibe do show, que foi bom do começo ao fim. Drenna tem hits em potencial no álbum Desconectar, a faixa título e Ela Vai Chamar Sua Atenção, além de Anônimo e Andar Sozinho. Além de uma bela  versão para Roda Viva, de Chico Buarque, com um arranjo pesado com climas que ilustram o protesto da letra alusiva à ditadura: "a gente quer ter voz ativa. No nosso destino mandar. Mas eis que chega Roda Viva e carrega o destino pra lá."


Kauan (Folks) em participação com a Nove Zero Nove

Não gosto do CPM 22 e nunca tinha visto ao vivo. Da geração surgida nos anos 90 que levou o rótulo de Emo, hardcore melódico, nunca me agradou aos ouvidos. Como foram a terceira atração da noite, lá fui eu grudar na grade pra ver como a banda funciona no palco. O som é coeso, integrado, com muito punch. O único integrante original é o vocalista Badaui, Japinha (batera) e Luciano entraram em 1999,  o guitarrista Phil em 2014 e o baixista Fernando em 2016. A banda toca com o pé embaixo o tempo todo, mesmo uma música que Badaui diz ter feito em homenagem ao pai falecido é uptempo.

Junior Macedo - Drenna

Dois guitarristas se revezam em solos e base, cada um sabe sua parte, me pareceu que é sempre a mesma coisa e não vi espaço para muitos improvisos. Badaui não é um grande vocalista, é o trivial simples que dá conta do recado, não faz modulações e canta quase sempre do mesmo jeito. E é o rei das rimas pobres em letras que falam de relacionamentos, muitas rimas de verbos com verbos e truques como  a surrada formula mim-enfim-assim-fim. Uma galera teve acesso ao pit em frente ao vocalista, que fez o show para eles, não se movimentou no palco, ficou direto no centrão, não é do tipo que agita o público.

A maior parte da plateia estava presente por causa deles. Cantaram, dançaram, pularam, meninas embevecidas não sei com que. Quando acabaram, o publico pegou o beco, ficou vaziaço e ainda faltavam três bandas. Botar a banda mais popular no meio dá nisso. Completaram o lineup de ontem Alfie Sá, Autoranmas e Black Alien. O festival acaba nesta sexta com Monstros do Ula Ula, Deia Cassali, SuperCombo, Rocca vegas, Rico Dalasam  Raimundos.




O amigo Cleber comentou que os jovens hoje só querem saber de banda conhecida e me perguntou se era assim nos anos 80. Respondi que era um panorama e uma juventude bem diferente da atual. Não havia internet, o jovem tinha que correr atrás de uma música com a qual se identificasse. E não havia a princípio, escutavam rock gringo e a MPB de então não lhes agradava. Daí a música deles nasceu dentro da própria geração.

ABruno Moares (baixo) - Drennadicionar legenda

Hoje em dia há muitas opções e o jovem que só quer saber de coisa conhecida na verdade está desprezando a ele mesmo, que também é novo e se identifica com músicas massificadas, não procura a identidade musical de sua geração. Não sabe, mas quem perde é ele mesmo.



SETLISTS
Drenna
Intro
Retorno
Anônimo
Ela vai chamar sua atenção
Roda viva
Andar sozinho
Sabotagem
Alivio
Desconectar
Entorpecer

Nove Zero Nove
Mártir
Levanta
Cova Rasa
Temporal
Desfaz
Ode Química (Pinguim)
Mendigo
Happy End

Obs. Os músicos da Drenna tiveram mais destque nas fotos porque ela colocou no site nome e foto de cada um, o que não acontece com a Nove  Zero Nove. Quer ser mais divulgado, organize-se.

domingo, 29 de outubro de 2017

Paralamas do Sucesso arrasadores no Vivo Rio

Fotos de Cleber Junior

Estive na noite de sábado num Vivo Rio lotado para o lançamento no Rio do concerto Sinais do Sim, dos Paralamas do Sucesso. Noite abençoada pelos deuses da música, uma banda impecável com um setlist diferenciado em que alguns sucessos foram trocados por canções significativas de um mesmo álbum. Exemplo? Viernes 3 AM, de Hey Na Na, em vez de Ela Disse Adeus. Uma escolha que nos permitiu curtir lindas canções fora do óbvio. O artista pode ficar preso nas músicas consagradas, deixar de lado um material rico que não chegou às paradas. O publlco martela para ouvir o óbvio, mas, se é realmente fã do artista, deve entrar em sintonia com o que ele lhe apresenta ao vivo, deve ir, ver e ouvir.

Herbert Vianna

Destaco no setlist um bloco dedicado ao medo nosso de cada dia nos grandes centros urbanos, especialmente no nosso conflagrado Rio de Janeiro o que, felizmente, não nos abate, se não o Vivo Rio estaria vazio. “Eu vivo sem saber até quando ainda estou vivo. Sem saber o calibre do perigo. Eu não sei d'aonde vem o tiro,” dizem os versos de abertura de O Calibre, palavras que batem no peito dos cariocas, o poeta Herbert Vianna como cronista de seu tempo, numa levada pesada que traduz o perigo que denuncia. Emenda com Selvagem, que aponta uma realidade cotidiana: “”A cidade apresenta suas armas. Meninos nos sinais, mendigos pelos cantos. E o espanto está nos olhos de quem vê o grande monstro a se criar.” É de 1986. O monstro cresceu e aterroriza a população. Uma guitarra distorcida marca a levada e João Barone dá umas porradas na bateria que soam como tiros, especialmente quando uma luz forte acende a cada porrada.

Tem mais. “No beco escuro explode a violência,” começa O Beco, com descrição de atos violentos e, ao final “nada mais me deixa chocado, nada.”  Finalmente, Medo do Medo, da rapper portuguesa Capicua que alinha todos os nossos temores, da policia, da justiça, do desemprego, “de morrer mais cedo que a prestação.”

Bi Ribeiro

O restante do repertório nos permite viajar por sentimentos mais lúdicos, tudo muito bem embalado numa produção magnífica. Um show de luzes em movimento envolve o palco em cores múltiplas, incluindo luzes amarelas fortes na cara da plateia – Os designers adoram cegar o publico. Um telão mostra imagens muito bem transadas que ilustram as músicas e mostram diversas fases ao longo de 34 anos. Como sempre me acontece, lá fui de volta aos primeiros shows que vi, no bar Western e sob a lona mágica do Circo Voador, quando a banda só tinha repertório para 45 minutos de show e, num deles, tocou tudo de novo para uma “galera” entusiasmada. Realmente um longo caminho.

João Barone

A banda abriu com duas novas, Sinais do Sim e Itaquaquecetuba (imagino o que Herbert ensaiou pra pronunciar isso), duas boas amostras do novo lançamento, seguidas de dois sucessos, Meu Erro e Lourinha Bombril. Ótima qualidade de som, a bateria bem microfonada com o bumbo audível, Herbert com uma Les Paul. Setlist montado com alternância de sucessos e menos conhecidas, mais palatável para o público.  Não me lembro de ter ouvido Capitão de Indústria, devem ter tocado no tour de Hey Na Na no distante 1996, belo arranjo.


Mestre João Fera

Arranjos são um forte na banda. O trio conta com reforço do estre João Fera (desde 1986) e com os sopros de Bidu Cordeiro (trombone) e José Monteiro Junior (sax tenor). Falta um trompete para completar o naipe, enriqueceria bastante, em Lanterna dos Afogados, o solo original é de trompete e Monteiro faz um timbre aproximado, que não soa da mesma maneira. O solo é maravilhoso, o povo aplaudiu e é seguido por um dos mais belos solos de Herbert, que tinha a voz limpa sem a rouquidão de alguns shows que vi e, felizmente, abandonou um vibrato que passou a usar depois do acidente.

Bidu Cordeiro (trombone), Monteiro Junior (sax tenor)

Herbert não gosta de grandes solos, ele não veste a camisa de guitar hero, dá o recado curto e virtuoso, só se espalhou ao final de Caleidoscópio num pegada que delirou o povo. João Barone é um show à parte, parece que tem dois bateristas tocando, prefere viradas curtas de efeito, explorando os timbres de cada tambor e prato. Bi Ribeiro, como já disse Liminha, é um chão absurdo, a banda repousa sobre sua base trovejante, só não gostei de ele ficar no escuro a maior parte do tempo. Ele não se movimenta, fácil era botar uma luz em cima.




Ufa! ‘Tou falando demais. Gosto dos Paralamas, não à toa escrevi a biografia deles, Vamo Batê Lata, à venda nos sebos virtuais tipo Mercado Livre. Se deixar faço um tratado. Ah, João Fera, que músico maravilhoso, suas barbas brancas lhe dão um ar de mestre (e é), enriquece de maneira magistral as canções, seja na abertura de Lanterna dos Afogados e em A Outra Rota, um resgate do incompreendido álbum Os Grãos (1991). Uma que gosto muito é Viernes 3 AM, original de Charly Garcia, versão de Herbert Vianna, tema pesado, o narrador se mata no final, em versos de grande força poética: “Então levanta o cano outra vez e aperta contra a testa. E fecha os olhos e vê um céu de primavera. Bang! Bang! Bang! Folhas mortas que caem. Sempre igual. Os que não podem mais se vão.” Claro que os três tiros são ima licença poética, ninguém se mata com três tiros.

Quer saber. Um puta show de uma formação impecável, que, espero, ainda passe algumas vezes pelo Rio. Vale vários repetecos. Não tenho feito outra coisa desde 1982.

SETLIST
22h03
1. SINAIS DO  SIM – Faixa título (2017)
2. ITAQUAQUECETUBA – Sinais do Sim (2017)
3. MEU ERRO – O Passo do Lui (1984)
4. LOURINHA BOMBRIL (Parate y Mira - D.Blanco e Bahiano. Versão \herbert Vianna) – Nove Luas (1996)
5. CAPITÃO DE INDÚSTRIA (Marcos e Paulo Sergio Valle) – Nove Luas (1996)
6. UNS DIAS – Bora Bora (1988)
7. A OUTRA ROTA - Os Grãos (1991).
8. SOLDADO DA PAZ – Longo Caminho (2002)
9. VIERNES 3AM (Charly Garcia e Herbert Vianna) – Hey Na Na (1998)
10. O CALIBRE – Longo Caminho  ( 2002)
11. SELVAGEM – Faixa título (1986)
12 . O BECO – Bora Bora (1988)
13. MEDO DO MEDO (rapper portuguesa Capicua e João Ruas) – Sinais do Sim (2017)
14. SABER AMAR – Vamo Batê Lata (1995)
15. BUSCA VIDA – Nove Luas (1996)
16. AONDE QUER QUE EU VÁ (Herbert Viana – Paulo Sergio Valle) – Arquivo II (2000)
17. O AMOR NÃO SABE ESPERAR – Hey Na Na (1998)
18. SEMPRE ASSIM – Sinais do Sim (2017)
19. LANTERNA DOS AFOGADOS -  Big Bang – (1989)
20. CALEIDOSCÓPIO – Arquivo (1990)
21. OLHA A GENTE AÍ – Sinais do Sim (2017)
22. A LHE ESPERAR (Arnaldo Antunes – Liminha) – Brasil Afora (2009)
23. UMA BRASILEIRA (Herbert Vianna – Carlinhos Brown) Vamo Batê Lata (1995)
24. SKA – O Passo do Lui (1984)
25. VITAL E SUA MOTO – Cinema Mudo (1983)
26. ALAGADOS - Selvagem? (1986)
23h34
BIS
23h36
27. BUNDALELÊ  - Bora Bora (1987)
28. TEU OLHAR – Sinais do Sim (2017)
29. CUIDE BEM DO SEU AMOR – Longo Caminho (2002)
30. ÓCULOS – O Passo do Lui (1984)
23h49

FICHA TÉCNICA
Direção de arte e projeções: Batman Zavareze
Design de Iluminação: Cristiano Vaz e Marcos Olívio
Concepção artística: José Fortes e Paralamas
Roadie de Herbert - Helder Vianna
Roadie de Barone - Pedro Antunes
Roadie de Bi - Alexandre Duayer
P.A. (som para a plateia) - Leo Garrido
Monitor: Adriano Siuza
Produção: Orbilo Rosa e Robson Gonçalves



segunda-feira, 23 de outubro de 2017

Folks lança single que busca aproximação com identidade brasileira e trata da intolerância nas redes sociais

A turma toda que foi à audição - Foto de Daniel Santos

Estive quinta à noite na lendária Toca do Bandido, o estúdio criado pelo músico e produtor Tom Capone (1966-2004), para ouvir Sobre Viver, novo single da banda carioca Folks, uma prévia do álbum a ser lançado em 2018. Um trabalho primoroso de execução da banda com a produção de Felipe Rodarte, Folks honorário e principal produtor do Novo Rock. O single vai para as plataformas de streaming nesta sexta, 27 de outubro, mas a prévia reuniu integrantes das bandas Detonautas, Nove Zero Nove, Verbara, Pessoal da Nasa e Drenna, além de fãs que ganharam uma promoção para lá estar.

A canção é do vocalista Kauan Calazans com o guitarrista Paulinho Barros e o baterista PV. O tema é bem atual. Kauan conta que se incomoda muito com a agressividade, a descarga de coisas ruins e a intolerância nas redes sociais. Ele ficou pensando nesses assuntos, um dia o baterista PV disse-lhe uma frase, “Hoje eu sou mais, entendo o que faz bem.” Que lhe serviu como um gatilho e aí a letra saiu rapidinho. O refrão é poderoso, a banda ataca com intensidade para sublinhar versos que exaltam a liberdade para se misturar, outro tema em discussão constante nas redes sociais diante das mudanças que a sociedade vive atualmente. Em meio ao caos político e econômico há um novo pacto social em construção, novos termos de convivência, de aceitação, de compreensão que independem da podridão que emana de todas as esferas de governo. E a letra mostra isso também no título Sobre Viver, novas formas de conviver e sobre viver.

Viajei, mas acho que é por aí.


Da E - Felipe Rodarte (produtor), Paulinho Barros (guitarra), Sergio S (guitarra),  PV (bateria, atrás), Kauan Calazans (voz) e Guilherme Figa (baixo) 

A banda contou com participações do veterano percussionista  Edinho Souza, que passa a acompanhar a banda em shows, os teclados do colíder do Barão Vermelho Maurício Barros e, nos vocais, Drenna, líder da banda que leva seu nome e Nicole Cyrne vocalista da Blitz. A voz de Kauan ganhou uma textura mais grave, o trabalho do guitarrista Sergio S. é primoroso nos solos e comentários, brilha na canção inteira. Ele usou uma Gibson Les Paul 59 num amp Marshall Plexi Super Lead vintage que usa válvulas antigas, mesmo modelo que Jimi Hendrix usava. A canção pode ser um hit se devidamente divulgada em rádio e televisão, a mídia que projeta artistas. Publico a letra, mas não posso divulgar a canção antes do dia 27. Estará no meu programa Jam Sessions de domingo, 29.

Felipe Rodarte está a caminho de Las Vegas porque uma produção sua, o álbum Brutown, da dupla sergipana The Baggios, concorre ao Grammy Latino de melhor disco de rock na seção brasileira do prêmio. Ele é o principal produtor do novo rock e um pensador dos rumos desta geração. Fez uma exposição muito interessante antes de me mostrar a nova música. Aliás um tema que sempre abordei nas minhas matérias ao longo destes 35 anos em que cubro o rock brasileiro. Ele disse que a Folks busca agora uma identidade brasileira para sua música. Como rolou na Geração 80, começou com tinturas gringas, mas dissociada da nossa cultura. Hora de ir por caminho semelhante ao dos Paralamas, que começaram influenciados pelo Police e depois acharam um caminho na ponte África-Jamaica-Bahia ou o Barão Vermelho, inicialmente na linha Rolling Stones e depois num hard rock suingado.

Ele chamou a atenção para algo que eu já tinha sentido. Esta geração começou num nível bem mais alto do que a geração 80, basta comparar os primeiros discos de Paralamas etc com os atuais. No começo dos anos 00 eu não entendi porque a evolução demonstrada nos 80 e 90 se quebrou e apareceram formações medíocres. A maturação de uma geração mais consistente levou tempo.

Hoje aí estão com excelentes formações sem conseguir ainda conquistar espaço num mercado tomado pela mediocridade sertaneja e funkeira, com algumas exceções. Felipe Rodarte acredita que em algum momento a barreira vai se romper, eu espero que sim e faço minha parte, como sempre fiz.


Folks mais Fábio Brasil (segundo da esquerda p direita) e Renato Rocha (segundo da direita p esquerda) os Detonautas. E eu de enxerido. Foto de Felipe Rodarte

A falta de um suporte financeiro prejudica a evolução das bandas, tocam em lugares pequenos que pouco rendem. Num papo do lado de fora do estúdio, a querida Eliza Schinner, baixista da Nove Zero Nove, dizia que não se sentia incentivada a gravar um novo álbum porque tinham lançado um e nada aconteceu por conta do bloqueio. Argumentei e ela concordou que deve lançar singles periodicamente, um por semestre pelo menos, para criar ou renovar interesse. As bandas estão num trabalho lento de formação de público e elogiei a persistência desta geração, que batalha duro, toca onde der pra tocar, não importa o tamanho do lugar.

Enfim, espero ver esta geração vencer, como vi as anteriores vencerem.

Sobre Viver
(Kauan Calazans / Paulinho Barros / Pv)
Na busca pra não se sentir refém
A calma faz o instinto ir além
Hoje eu sou mais
Entendo o que faz bem

O brilho que é a arte de viver
Sabendo que a mente cria o ser
Hoje eu sou mais
Entendo o que faz bem

(Refrão)
Viva a liberdade
Viva a liberdade
Pra se misturar
Viva a liberdade
Ascender a confiança e se deixar levar
Que eu sou mais

A gente vive pelo mundo
A cada esquina pulando muro eu vou
Estar disposto e admirar
A perfeição de ser quem voce é

Refrão

terça-feira, 26 de setembro de 2017

Sepultura ganha reforço de cordas para atacar de Machine Messiah no Rock in Rio

Andreas Kisser - Fotos de André Luiz Costa

"Sepultura, Sepultura"... o som mais poderoso do Rock in Rio troou no encerramento do Palco Sunset neste domingo. O equivalente a um terremoto de 20 pontos na escala Richter, um tsunami continental, uma bomba de hidrogênio norte coreana? Tudo isso define mais ou menos a potência que o quarteto brasileiro desencadeou no palco. Era insuportável ficar diante das caixas de subwoofers no pit, perigas descolar o cérebro do crânio. Que puta show!!


Derrick Green

O carro chefe foi o novo álbum, Machine Messiah, responsável por seis das 12 músicas do setlist. No apoio uma seção de violinos com Lucas e Moisés Lima, mais instrumentistas da Orquestra Sinfônica de Santo André e o maestro Renato Zanuto, que tocou um órgão Hammond. Os violinos tiveram que brigar para serem ouvidos em meio aos trovejantes baixo (Paulo Jr), guitarra (Andreas Kisser) e bateria (Eloy Casagrande ), além da mega poderosa garganta de Derrick Green. Adjetivação demais, né? Fazer o que, o Sepultura chegou a um nível de excelência que o credencia para a elite do metal planetário. Totalmente superada a ausência dos irmãos fundadores Max e Igor Cavalera (Há controvérsias, sei disso).

Paulo Junior e Derrick Green

Se são os Messias de Metal já seria exagero, mas que mandam muito bem sem dúvida. Na plateia formou-se a habitual roda, que sempre assusta os seguranças. Vários subiram nos degraus da grade para ver o que acontecia. Parece briga mesmo, mas é nada disso, só a rapaziada se divertindo. Cada um com seu cada qual.

Eloy Casagrande

Eu fiquei rindo de a (aparentemente) careta Família Lima estar metida naquele caos todo, tocando furiosamente seus instrumentos, o que a Sandy, acharia daquilo e se ele  começasse a tocar heavy metal em casa (sei lá, de repente são metaleiros na vida particular). Tergiverso.

Andreas falou que iam enfatizar o novo álbum, mas haveria espaço para o “velho Sepultura” numa prova da crença dele na transformação da banda. Confesso que não ouvi o disco com as letras para saber qual é a do Messias Máquina, instrumentalmente senti arranjos mais elaborados ainda que dentro dos mesmos timbres na guitarra de Andreas e ainda em solos virtuosos nas partes aguda, média e grave da guitarra. Não sou muito chegado a solos muito agudos, prefiro ao estilo Tony Iommi, do Black Sabbath.


Andreas Kisser

Claro que o coro da plateia entrou nas conhecidas. Começou com Arise, pulou para Refuse Resist e fechou com duas do disco mais conhecido do “velho” Sepultura Ratamahata, vocal de Paulo Jr, e Roots num arranjo para o festival com os violinos. Saí do  Sunset a caminho da Sala de Imprensa, quando virei a esquina na direção do Palco Mundo reparei que o Offspring já tinha começado. Perto do som do Sepultura, aquilo parecia uma banda brega num P.A. de terceira.

segunda-feira, 25 de setembro de 2017

República estreia show de novo álbum no Rock in Rio

Leo Beling (voz)

A segunda atração da noite Metal Brasil do Palco Sunset foi a paulistana República, banda de exportação com repertório em inglês e penetração até o talo no mercado europeu. Pela terceira vez no Rock in Rio vieram com uma proposta ousada discutida a vera entre eles até bater o martelo. Tocara a íntegra do novo álbum, Brutal & Beautiful, pela gravadora inglesa Rough Trade.

Festival é lugar para tocar sucesso, fazer a massa pular, gritar e cantar junto. Eles preferiram apresentar um show bem produzido e bem tocado, com apurado apelo visual e seja o que os deuses quiserem. Conseguiram uma reação dividida da plateia e minha. Muito legal o começo, com o bebe da capa do álbum falando o conceito do disco, boas imagens no telão central, painéis no palco com mais imagens, esguichos de fumaça e Redemption Day, de Johnny Cash, em áudio no começo.

Luiz Fernando Vieira (guitarra solo)

Começaram com as faixas Black Wings, Time to Pay, o vocalista Leo Beling deu a primeira palha do q rolava, prosseguiram parados no palco, precisos, mas um tanto frios. Pensei logo, é estreia de show novo, os caras já tem estrada, não é para tocar assim. As canções eram boas, bem construídas, ganhei o disco antes do show, olhei as letras no encarte, bem feitas, aí tinha. Mais tarde na sala de imprensa, um amigo comentou que parecia que eles estavam tocando para eles mesmos, de certa forma estavam mesmo, pelo menos na primeira parte.


Jorge Marinhas (guitarra base)

Quando expliquei que era a primeira vez, ele entendeu porque é do ramo.
Encerrados os trabalhos fui falar com eles no camarim para saber qual era. Aí soube a história que contei acima, é o início de um projeto que vai deslanchar com turnê europeia, abertura de shows de Alice Cooper na França e na Bélgica, na Suécia com outro grupo que esqueci. Este desconforto que muita gente do meio sentiu é o preço que pagaram pela ousadia, mas os anos de estrada me permitiram ver que tinha coisa ao ali.

Perguntei se o álbum era conceitual porque as letras que vi rapidamente antes do show remetiam para reflexões sobre uma realidade amarga com toques de otimismo apesar de tudo. Disseram que não chamam de conceitual, mas ao logo da feitura de um ano do disco acabaram pintando estas similaridades que amarraram muitas faixas. No fechamento dos trabalhos, perguntaram a um técnico o que achou do disco, a resposta foi que era Brutal e Belo. Acabaram adotando o nome que tem implicações filosóficas sobre a vida de todos nós, especialmente brasileiros, onde o brutal se mostra de maneira tão amarga, seja pela violência nas ruas, seja pela violência de quem rouba verbas da educação e saúde. A beleza está na esperança dos cidadãos, que precisam tomas rédeas de seu futuro. Tudo isso é sacação minha, eles não falaram isso.


Marco Vieira (baixo)
O show esquentou do meio para o final, se soltaram, começaram a se movimentar e receberam uma resposta melhor do público. Um momento de reflexão foi na música foi em Tears Will Shine, com participação da violinista Iva Giracca, dedicada a músicos falecidos que influenciaram a banda e também a parentes que se foram. Fotos se sucederam no telão durante a canção tributo, um momento emotivo. Alguns deles: Prince, Dio, Elvis Presley, Frank Zappa Freddie Mercury, Renato Russp. George Harrison, John Bonham, Kurt Cobain, Chester Bennington, Jimi Hendrix, Lemmy, David Bowie e outros se sucederam no telão. Me deu até um choque de ver quanta gente de pesos e foi.


Capa de Sergio Gordilho e Bruno Valença

Em resumo, Republica tem um  bom show e um bom disco na rua. Em seis meses o show estará nos trinques. Além de Leo Beling, a banda tem Luiz Feernando Vieira (guitarra solo), Jorge Marinhas (guitarra base), Marco Vieira (baixo) e  Mike Maeda (bateria e imagens). Rock On!

Obs. Não tive foto do baterista Mike Maeda. Sorry.

Supla vira o jogo no Palco Sunset com garra e vibração

Supla - Foto de Cleber Junior

O Rock in Rio não teve noite de metal no Palco Mundo, mas o Palco Sunset dedicou seu último dia ao metal made in Brasil, mas cantado em inglês. A abertura ficou a cargo de duas atrações de São Paulo. A banda Doctor Pheabes recebeu o cantor Supla na segunda parte de seu show.

Com duas guitarras, baixo e bateria, além de três vocalistas, a Pheabes  apresentou cinco músicas  em que se destacaram os dois guitarristas em boa troca de solos, mas o vocalista Parras não tem o punch e nem a garganta exigida pelo gênero metálico, o que fica evidente se comparado com os vocalistas das bandas seguintes, Leo Beling, da República e Derrick Green, do Sepultura. Tá, este último é covardia.


Doctor Pheabes

O molho e o carisma que faltavam sobrou com o convidado Supla, um dos mais folclóricos remanescentes da Geração 80 do Rock Brasil. Folclórico não é pejorativo, apenas por seu estilo visual, mas é rocker dos bons. Billy Idol cancelou a vinda ao Rock In Rio, mas Supla veio e abriu com Dancing With Myself, uma evocação ao tempo em que o comparavam ao cantor inglês. Com seu visual  extravagante e presença de palco, Supla botou o show no bolso.


Parras e Supla

Uma versão hard rock do hino pacifista Imagine foi acompanhado pela plateia, uma vocação pela paz  com energia em vez do tom suave do original. Duas canções de seu repertório de carreira Waitin' in Tokyo e Green Hair (Japa Girl) foram  muito bem recebidos, além de uma bela versão de Heroes, de David Bowie.  "We can be heroes, just for onde day," é por aí.

Parras votou para o encerramento, Where Do You Come From e o hit de Supla na banda Tokyo, nos anos 80, Garota de Berlim. Delírio geral e boa noite. Grande presença.

30 Seconds to Mars repete a fórmula de 2013 e se dá bem

Por Thais Monteiro*

Obs. Não permitiram que fotografássemos o show.

Açaí, tirolesa e efeitos. Se a fórmula é boa e dá certo, a banda repete. 30 Seconds to Mars foi a penúltima banda a se apresentar na edição de 2017 do Rock in Rio em uma noite predominantemente californiana. Jared Leto, além de cantor, é ator e sabe desempenhar bem o papel de protagonista na telona e nos palcos. A banda é uma das mais bem sucedidas da atualidade. Eles carregam na bagagem mais de cinco milhões de cópias vendidas em todo o mundo, prêmios MTV, Billboard e até mesmo um recorde no Guinness Book, de turnê mais longa da história. E, por falar em história, a banda continua escrevendo a sua e muito bem, por sinal. Já é a segunda vez que se apresentam no Rock in Rio.
Jared Leto entrou no palco cm um visual extravagante, pedindo para o público pular e foi prontamente atendido. Uma energia incrível começou a rolar. Bem à vontade, a interação com o público aconteceu o tempo todo.  O frontman ainda tomou açaí no palco. Se depender do público e da resposta que ele deu ao show de hoje, a banda já tem meio caminho andado para ter muitos anos de sucesso. Todas as músicas foram cantadas em uníssono, os fãs deram um show à parte. No set também entraram sucessos como Kings and Queens e This Is War.
A apresentação contou com vários efeitos especiais, como chuva de papel picado, fumaça, balões coloridos, bem típico das turnês da banda. No meio da apresentação, Projota fez uma rápida aparição no  palco para cantar Walk on Water com Leto. O trio é formado por multi-instrumentistas, o que faz com que haja um passeio dos músicos pelos instrumentos, o que é interessante de se observar. Foi em um momento com apenas instrumental que notamos a ausência do vocalista no palco.
Quem apostou no repeteco da descida da tirolesa, como em 2013, acertou. Jared Leto sobrevoou um mar de gente com flashes ligados, registrando o momento. Assim que ele retornou ao palco, puxou The Kill em uma versão acústica, permitindo que o público descansasse um pouco para o momento final, com Closer To The Edge. Ainda deu para dois fãs subirem ao palco, um paulista e outro vindo do sul do país. Esse tal Jared Leto é um cara que sabe dominar não só o palco, mas também o público.

*Repórter convidada para cobrir o festival.

domingo, 24 de setembro de 2017

Ossspring diverte a multidão no Rock in Rio


Por Thais Monteiro*

Obs. Não fomos autorizados a fotografar a banda.

Enfim, Mundo! Dessa vez o Offspring estava no lugar merecido. Em 2013, a banda se apresentou no Palco Sunset, onde fez um show enérgico, que foi eleito, facilmente, como o melhor daquele dia. Apesar de ter um espaço reduzido e com o som baixo, os californianos fizeram um show impecável e levaram seu punk rock a uma multidão que se deslocou àquele palco. Agora a multidão se multiplicou.
Eles fizeram o segundo show da noite, no Palco Mundo, do último dia do Rock in Rio 2017. Uma das grandes fontes de músicas para o setlist deste ano foi o álbum Smash, lançado em 1994, que tem mais de 11 milhões de cópias vendidas. A abertura ficou por conta de You’re Gonna Go Far, Kid, sucesso mais recente, lançado em 2008.
Logo de cara foi possível perceber a dificuldade de Dexter Holland para cantar. A voz dele estava sumindo, se perdendo, o que até trouxe uma certa preocupação. Na sequência, All I Want chegou para abrir as rodas no meio do público. Come Out And Play foi recebida por um coro que acompanhava o instrumental, deixando a festa ainda mais bonita.
Ainda entraram no set Original Prankster, (I Can’t Get My) Head Around You, Hit That e uma sequência de hits. Chegamos a Gone Away em uma versão em voz e piano, onde a voz de Dexter se destacou mais e ele se demonstrou mais a vontade, inclusive abrindo sorrisos durante a execução.
Ao final da música, a banda acompanhou, dando uma pegada mais rock and roll, mantendo a versão original. O público deu um show a parte com as lanternas dos celulares acesas, formando uma bela constelação de frente para o palco, a pedido do vocalista.

O Offspring emendou com uma sequência matadora para encerrar a apresentação: Why Don't You Get a Job?, Americana, Pretty Fly, Kids Aren’t Alright e Self Esteen. O show contou com belos riffs, acompanhados pelo público com “ô, ô, ô”, mas o som não estava muito bom. Uma pena pois as músicas foram muito bem escolhidas e agradaram o público, que se divertiu bastante do início ao fim.

* Jornalista convidada para a cobertura do festival

Capital Inicial movimenta o Rock in Rio com show de sucessos

Yves Passarel e Dinho Ouro Preto - Foto de Cleber Junior

Por Thaís Monteiro*


Os veteranos do Capital Inicial são figurinha repetida no Rock in Rio. Eles foram escalados para participar do festival pela sétima vez, agora abrindo a noite no palco mundo do último dia da edição. Por uma coincidência, ou não, é a terceira vez em que eles tocam na mesma noite em que os californianos do Red Hot Chili Peppers.

Como se trata de um ambiente habitado pela diversidade, o público naturalmente se divide entre aqueles que são fãs da banda e cantam alto todas as músicas, quem conhece os maiores sucessos e acaba entrando no clima e quem não aguenta mais ouvir a banda no evento e acaba não assistindo ao show.

Sobreviventes do rock nacional da década de 1980, a energia da banda é inegável, assim como o fato de Dinho Ouro Preto ser um excelente frontman, sabendo comandar o público, o que deixa o show visualmente mais bonito, como as ondas formadas pelos braços e palmas em sincronia, que dão um show a parte, ainda mais quando se trata de uma plateia lotada, como a do Rock in Rio.
Plateia essa que aplaudiu bastante a entrada no palco para a terceira vez em que Dinho, Yves Passarell e os irmãos Flávio e Fê Lemos trouxeram um repertório que reuniu diversas fases da carreira. A abertura ficou por conta de O Bem, O Mal e O Indiferente”, acompanhada por efeitos pirotécnicos, que se estenderam por toda a apresentação. Mas foi com a segunda música do set, “Independência”, que eles levantaram o público.

O coro continuou com “Quatro Vezes Você”, “Depois da Meia Noite” e “Fátima”, que vieram na sequência. O ponto alto foi com “Primeiros Erros”, com o público cantando sozinho em uníssono, seguido por gritos de “Uh, é Capital” e Dinho muito emocionado, como costumamos ver em todas as participações no festival.

Na sequência, foi a vez de sair do chão com “Mulher de Fases”, em uma homenagem aos Raimundos, seguida por mais um grito de “Fora Temer” ecoando pela Cidade do Rock. Também entraram no setlist “Fátima”, “Olhos Vermelhos”, “Veraneio Vascaína”, entre outras que foram bem recebidas por quem estava assistindo.

Até que chegou a hora de trazer a lembrança do Aborto Elétrico com “Música Urbana”, em uma versão repaginada, com uma bela introdução de baixo e ainda com direto a um mosh de Dinho. Eis que chega o momento de protesto com a clássica, com a letra mais atual do que nunca, “Que País é Esse?”, que foi encarada pela banda como praticamente um dever civil executá-la.

A faixa, que foi dedicada a Michel Temer, resultou em novos gritos de “Fora Temer” entre o discurso de Dinho e a primeira estrofe. Com “Natasha”, seguida por “À Sua Maneira”, o Capital Inicial encerrou mais uma participação no Rock in Rio com aquele show sincronizado de músicos e plateia, com os braços para o alto, embelezando ainda mais a Cidade do Rock.

*Jornalista convidada para a cobertura do festival.




Titãs mostram no Rock in Rio músicas de uma inédita Ópera Rock

Sérgio Britto - Fotos de Cleber Junior

Queimei minha língua com 0s Titãs no Rock In Rio. Já vi mais de 100 shows deles desde que apareceram no Rio em 1982 ou 83. Comecei a ver o show, novidade alguma, as músicas de sempre, aí pensei "esses caras tão fazendo sempre a mesma coisa." Nisso Branco Mello anunciou que iam tocar três músicas de uma ópera rock a ser lançada em 2018. Me fudi, Ainda bem, é a reação de uma banda que perdeu um de seus principais vocalistas, Paulo Miklos. Admitiram Beto Lee, ganharam em potência sonora, mas perderam no vocal.

A primeira inédita é 12 Flores Amarelas, que fala de feitiço e morte, sombria e calcada em teclados. A seguinte evoca Rape Me, do Nirvana, no título, Estupre-Me, que tem como refrão "Me estupre, me desculpe, seja lá porque for." A terceira é esbórnia, A Festa, acelerada, que fala em abalar geral, chapar, fumar bagulho, aprontar todas.


Branco Mello

A bem da verdade, show de festival tem que ser mesmo de sucessos, até ousado tocar as inéditas, porque a multidão está no modo zoação. O Rock in Rio é um imenso parque de diversões e uma selfieland. E não faltaram músicas pras pessoas cantarem, como três meninas perto de mim que cantavam a plenos pulmões canções que saíram antes de elas nascerem, uma mostra de renovação de público dos Titãs.


"Esta música é de 1987, mas parece que foi feita semana passada," disse Sergio Britto ao anunciar Desordem. “São sempre os mesmos governantes, os mesmos que lucraram antes. Os sindicatos fazem greve
porque ninguém é consultado. Pois tudo tem que virar óleo pra por na máquina do estado. Quem quer manter a ordem? Quem quer criar desordem?”


Tony Belotto

Sérgio Britto anunciou Epitáfio como uma espécie de oração, que pediu para cantarem juntos como um apelo à paz no Rio de Janeiro. O mesmo Sérgio explodiu em Aluga-se, o irônico hino de Raul Seixas lançado há mais de 40 anos e que hoje pode ter o título trocado por Vende-se. “Ocrides,” grita Branco e a multidão vai atrás no libelo contra a Televisão. Será que foi ao ar na Globo?


Beto Lee

O momento mais forte foi o encerramento, quando cantaram a visceral Vossa Excelência para o público soltar os bicho no refrão "Filha da puta, bandido, corrupto, ladrão,"  Polícia teve um alerta para as forças de segurança com citação de Fardado, "Você também é explorado, soldado."  E o povo soltou o mote do festival: “Fora Temer.” Fim  Ah, Titãs é Sergio Britto (voz e teclados), Branco Mello (baixo e voz), Beto Lee (guitarra), Toni Belotto (guitarra), Mário Fabre (bateria).

Cidade Negra, Maestro Spock e Digital Dubs batem cabeça para Gilberto Gil em show porreta

Toni Garrido - Fotos de Cleber Junior

O Cidade Negra se uniu à um naipe da banda do Maestro Spock e ao coletivo Digital Dubs para uma homenagem ao nosso grande mestre Gilberto Gil e o resultado foi devastador coma tradução de hinos da música brasileira para o reggae impecável do Cidade, reforçado por uma metaleira e por efeitos de dub. Merecia virar no mínimo um DVD ao vivo porque incendiou a multidão reunida diante do Palco Sunset a partir de 16h30, sob a força do maçarico, que se retirou mais cedo. Só lamentei que a banda de Spock não tivesse um set solo porque é arrasa quarteirão. Uma vez vi um show deles no falecido Canecão, frevo da melhor qualidade, um verdadeiro carnaval e terminou do lado de fora.

Reggae é chão chão chão e o baixo de Bino Farias rearrumou meus órgãos internos porque assisti em frente às caixas de subwoofer, onde também troou o bumbo de Lazão. Foda! Gilberto Gil é o grande mestre brasileiro da cultura afro-brasileira. A ponte que construiu entre a África, a Jamaica e o Brasil, especialmente a Bahia, é responsável por uma música de apelo universal porque não tem a barreira da língua, é compreendida em todos s quadrantes do planeta. Nós temos a vantagem de compreende sua excelência poética em português.

Maestro Spock e seu sax barítono

O Cidade Negra escolheu a parte mais celebratória da carreira de Gil, a mais adequada mesmo para um festival onde todo mundo está ligado no modo festa.  E nada tiveram a reclamar. "Acredite em quem está ao seu lado, amor, amor, abrace," gritou Toni Garrido (vocal) num mote que vem se repetindo no festival junto com a palavra Paz.  E foi paz para as comunidades do Rio e paz para a Rocinha que ele pediu depois de Andar Com Fé.


Chão Chão Chão - Bino Farias (baixo)

 Logo após Refavela Toni fez um chamado à consciência do Rio: "Já pensou o que a galera tá sentindo na Rocinha? Foda."  Como bem disse em Extra, a música de abertura, "livrai-nos desse tempo escuro," um apelo a nós mesmos. O hino Não Chore Mais mobilizou o publico que cantou em uníssono, seguida do momento de delicadeza da bela Esotérico, que Gil filosofa "se eu sou algo incompreensível, meu Deus é mais." E, sim, mistério sempre há de pintar por aí.

Interessante como várias canções acabaram sendo pertinentes ao momento que o Rio e o país vivem. Tempo Rei fala em transformar as velhas formas do viver, ao mesmo tempo e ganhou um arranjo mais rápido que reflete um momento de desilusão que o povo brasileiro vive, desilusões em si mesmo, "tudo permanecerá do jeito que tem sido." 



A Novidade, parceria de Gil com os Paralamas, ganhou um arranjo mais pesado com a metaleira de Spock, ele mesmo empunhando um sax barítono. A reta final teve Abri a Porta seguida do lado festeiro de Gil em Realce e Palco. Toni desceu e foi para a grade cantar junto do público e acabou se equilibrando em cima da grade em plena efervescência. Puta show.

SETLIST
Extra
Não Chore Mais
Esotérico
Tempo Rei
Andar Com Fé
Refaela
Vaamos Fugir
A Novidade
Abri a Porta
Realce
Palco


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sábado, 23 de setembro de 2017

Rock in Rio volta aos anos 80 a bordo do Tears For Fears

*Por Thais Monteiro

Obs. A produção não permitiu que fotografássemos o show.

Tears for Fears subiu ao palco para deixar a cidade do rock com a cara da década de 1980. A abertura ficou por conta de um dos maiores sucessos da banda, que foi acompanhada pelo público ao tocar Everybody Wants To Rule the World (Antes da banda entrar, tocou no P.A. uma versão desta mesma música pela cantora neozelandesa Lorde).

 Os britânicos logo mostraram que não tiram nota máxima apenas no quesito qualidade musical e simpatia, mas também em português. Ainda no início, começam a interagir com o público na mesma língua, falando que estavam felizes por estar no Brasil.

Os britânicos mantiveram o alto nível fazendo um passeio por toda a carreira, tocando sucessos como Advice for the Young at Heart, Sowing the Seeds of Love, Mad World e muitos outros. A capacidade de Roland Orzabal e Curt Smith de fazer músicas para embalar diversas gerações é incrível. E todas as gerações cantaram os clássicos em uníssono. O coro ultrapassava as 100 mil pessoas, a cidade do rock hoje estava mais lotada do que nunca.

Para completar, um cover de Creep, do Radiohead, numa versão mais no estilo balada oitentista, seguida por Pale Shelter. O fim do percurso ficou com Shout, encerrando de forma justa, porém deixando o público com um gosto de "quero mais". No caso, gosto de "quero Woman in Chains". Ela fez falta, mas não deixou o set menos nobre, até porque, em se tratando de Tears for Fears, canções conhecidas pelo grande público não faltam. Qualidade vocal e instrumental foram as palavras chave.

Baiana System instala caos dançante no Palco Sunset com angolana Titica

Russo Passapusso - Fotos de Cleber Junior

Por Thaís Monteiro*

A segunda atração do Palco Sunset deste quinto dia de Rock in Rio fez uma bela e sonora conexão entre o Brasil e Angola. Antes de Baiana System ser anunciada, um vídeo explicou um pouco da história do grupo e abordou referências de algumas de suas canções, mostrando gravações em estúdio. A entrada no palco foi acompanhada por calorosos aplausos do público que já aguardava no gramado.

A apresentação teve início com Forasteiro e, de imediato, o público começou a acompanhar os músicos não somente com a voz, mas também com o corpo, dançando o ritmo angolano. Não demorou muito para a área em frente ao palco ficar cada vez mais cheia de pessoas atraídas pelo ritmo e pelo groove da guitarra baiana.


Titica (de branco)

O público roqueiro não foi contagiado somente pelo som, mas também pela interação constante entre artista - público, que foi importante para o show, que somou muitos pontos positivos à qualidade artística do Baiana System. Uma inflamada roda foi formada pelos fãs do grupo, que tinham as letras das músicas na ponta da língua, ambientando ainda mais aquela área.

O show continuou, não só no palco, mas também no gramado, seguido por um grito de "Fora Temer". Capim Guiné trouxe a participação de Titica, estrela vinda diretamente da Angola. A cantora, o maior nome do Kuduro e ícone da contracultura africana, chegou acompanhada por duas dançarinas que somaram e deram ainda mais energia para quem estava assistindo para continuar acompanhando nos passos.

Baiana System

Para encerrar a festa, Playsom. A experiência vivida foi bem diferente das que ainda estão por vir e bem positiva. As rimas e melodias do vocalista Russo Passapusso, do Baiana, explorando influências carnavalescas e folclóricas, teve uma fusão interessante com a proposta de Titica. O público saiu com o horizonte musical expandido.

*Jornalista, ajuda o Blog do Jama na cobertura do Rock in Rio


sexta-feira, 22 de setembro de 2017

Tyler Bryant and The Shakedowns e The Kills, duas bandas de estilos opostos, fazem sucesso no Palco Sunset do Rock in Rio

Tyler Bryant - Fotos de Cleber Junior

Duas bandas de linhas musicais opostas abriram o Palco Sunset nesta quinta, ainda sob a força inclemente do maçarico. O hard rock setentista de Tyler Bryant and The Shakedown contrasta com a linha indie da dupla The Kills, o guitarrista Jamie Hince e a vocalista e eventual guitarrista Alison Mosshart.

Kills me soa como algo novo (acompanho rock desde 1964) em contraste com a mistura Deep Purple/Led Zeppelin e semelhantes do Tyler, um típico guitar hero que me soa deja ouvi. É um bom músico, dedicado e honesto na sua música e encontrou muito boa receptividade da plateia, talvez por ser média jovem e que se entusiasmou muito com a saraivada de solos que ele serviu em uma hora de show.


Jamie Hince e Alison Mosshart - The Kills

Pontos altos do show foram That’s Alright Mama, um dos primeiros hits de Elvis Presley, tocado com fúria e um excelente desempenho dele em slide numa dobro steel guitar: “Vamos levar vocês para o Tennessee, de onde viemos,” disse ele numa alusão a Elvis ser de Memphis, no estado americano, e eles de Nashville. E ainda o blues Got My Mojo Working, standard gravado por Muddy Waters. Tyler Bryant conquistou a plateia e, por extensão, o Brasil, deve pintar aqui agora com frequência depois desta primeira vez.
Kills acho um pouco desconcertante. Alison é maravilhosa, tem uma entrega absurda, ainda mais do jeito que entrou no palco, com febre, mas a energia da música e da plateia lhe deram uma levantada, foi ficando mais elétrica e mais intensa com o desenrolar da apresentação.

Graham Whitford, dos Shakedowns. Filho de Brad Whitford, do Aerosmith. Como o pai prefere Gibson Les Paul

Jamie Hince tem um estilo intrigante e instigante. Ele é one man band, toca guitarra, baixo, bateria e teclados, mas em turnê se restringe a um excelente trabalho de guitarra que vai do sutil ao esporrento com muitos efeitos de puro barulho, apesar da banda não ser considerada de noise rock, mas uma classificação esdrúxula de noisy, dirty garage punk blues e de dark psychedelia, entre outras adjetivações.

Caleb Crosby - The Shakedowns

É aí que está o trunfo dos Kills, ser meio inclassificável, obrigar os colegas gringos a fazer malabarismos para definir sua música. O que interessa é que conseguem soar como novidade num terreno onde é difícil fazer algo novo, o rock parece estar apenas se repetindo com variações. A dupla sabe driblar as redundâncias.  Na saída do Sunset para a Sala de Imprensa encontrei o grande Edgar Scandurra, que tinha tocado com Ana Cañas. Ele ainda não conhecia os Kills e achou a dupla muito boa. Palavra de especialista.

Calvin Webster -  The Shakedowns


SETLISTS

TYLER BRYANT AND THE SHAKEDOWNS
Weak & Wepin’
Criminal Imagination
House on Fire
Easy Target
Last One Leaving
That’s Alright Mama
Don’t Mind the Blood
Got My Mojo Working
Aftershock
Lipstick Wonder Woman
House That Jack Built

THE KILLS
Heart of a Dog
U.R.A. Fever
Kissy Kissy
Hard Habit to Break
Black Balloon
Doing It to Death
Baby Says
Tape Song
Echo Home
Siberian Nights
Pots and Pans/ Monkey 23

Def Leppard faz show com hits e harmonia no palco

ATT. Este ano conto com a força da repórter Thais Monteiro na cobertura do Rock in Rio. Ela é jornalista, é do rock e trabalha na produção do Imperator

Por Thaís Monteiro
Obs. A produção não deixou que fotografássemos o show.

A banda inglesa subiu ao palco do Rock in Rio na noite de quinta e dividiu o público entre aqueles em que viviam o sentimento da palavra Hysteria e aqueles que não conheciam muito o trabalho dos músicos. Para os fãs, Def Leppard fez valer a pena a espera para vê-los no festival, após o cancelamento na saudosa edição de 1985 do festival, na qual foram substituídos pelo Whitesnake.

Há quem acredite que a única razão tenham sido as gravações de um disco, assim como há quem bata o martelo e coloque o acidente com o baterista Rick Allen, quando perdeu seu braço esquerdo, como fator principal. Opiniões divergentes sempre estão presentes entre os fãs, independente do artista. Fãs esses que já estão levando seus filhos adolescentes, e até adultos, para o show.
Foi em meio ao clima familiar, com parte do público afinado, que os ingleses foram recebidos. Hysteria, não é só uma palavra traduzida para dar sentido à emoção vivida pelos roqueiros, mas também é o título do álbum escolhido pelo quinteto para ser o carro chefe do show e também o de maior sucesso da banda. O primeiro hit executado foi Animal e fez com que fosse possível ouvir um coro mais próximo ao palco.

No set também entraram Love Bites, Rocket e Pour some sugar on me. Apesar do desfile de boas músicas, do impactante timbre das guitarras e do show impecável, muitas pessoas ficaram deitadas nas cangas no entorno do palco mundo. Hysteria, seguida por um trecho de Heroes, de David Bowie e Rock of Ages foram momentos altos da apresentação.

Outro ponto que merece destaque é a performance do baterista Rick Allen. O músico, que sofreu um acidente de carro em dezembro de 1984, teve seu braço esquerdo inteiro amputado, ocasionado pelo forte impacto. O kit adotado por ele foi desenvolvido sob medida e combina elementos acústicos e eletrônicos. Observando o instrumento mais a fundo, é possível notar que, no chão, um sistema de pedal triplo funciona como um braço virtual, o que permite que Rick tenha uma segunda opção para a reprodução dos sons da caixa, bumbo e um dos tons.

Def Leppard percorreu diferentes fases da carreira (apesar de focar mais em um único álbum) em pouco mais de uma hora de show e fez jus à capacidade criativa e à musicalidade da banda, que, agora, em sua segunda vinda ao Brasil, volta pra casa sentindo o calor e ainda ouvindo os aplausos de 100 mil pessoas ao fundo, diferente da apresentação que fizeram em 1997, para pouco mais de 100 pessoas, segundo o guitarrista Phil Collen em entrevista para o jornal O Globo, no mês passado.

O saldo da apresentação foi positivo. Quem não conhecia, teve a oportunidade de ver o melhor da banda, reunindo tudo o que havia de melhor dentro do estilo, na década de 80. Com aplausos um pouco mais fortes, a banda se reúne para uma foto no palco com um público ao fundo. A noite valeu a pena para os músicos e para os fãs.

Aerosmith mostra lado mais comercial no Rock in Rio

Obs. A produção do Rock in Rio não permitiu que fizessemos fotos da banda.

O headliner da noite de quinta no Rock in Ro dividiu opiniões. Entre muito bom e mediano. Eu fiquei pelo mediano. Conheço a banda desde o começo como uma banda de hard rock com pé  no blues. Senti muito pouco disso no concerto, o Aerosmith perdeu a alma em sua longa  carreira. Descambaram para baladas bem apelativas, como Crazy e I Don’t Wanna Miss A Thing, as que mais entusiasmaram a plateia, mas não quem gosta do lado rock da banda.

Um dos discos mais representativos  do lado rock da banda é Get Your Wings, de 1974, que não tem uma música sequer no setlist. Eu senti o Aerosmith véio de guerra nas canções  Stop Messin' Round e Oh Well, que são da banda Fleetwood Mac, não a consagrada e diluída, mas a do começo, da fase blues rock capitaneada por Peter Green, autor destas duas canções.

Ali sim, estava a força do Aerosmith, Joe Perry cantou, mandou ver na guitarra, ele e Tyler na gaita fizera um improviso de pergunta e resposta sensacional, tudo com a garra que os levou a formar a banda em 1970 e merecer o título de Maior Banda de Rock da América.

Tudo bem, é notável que toquem duas horas com tanta energia depois das brabeiras que infringiram a si mesmos ao longo de suas existências. Tyler chegou a virar um farrapo humano consumido pelas drogas, a banda inteira passou por clínicas de reabilitação, Que Tyler esteja com a voz em forma e a banda afiada é milagre de subir a escadaria da Penha de joelhos.

AEROSMITH SETLIST
1 - Let the music do the talking
2 - Love in an elevator
3 - Cryin'
4 - Livin' on the edge
5 - Rag doll
6 - Falling in love (Is hard on the knees)
7 - Stop messin' around (cover do Fleetwood Mac)
8 - Oh well (Fleetwood Mac cover)
9 - Crazy
10 - I don't want to miss a thing
11 - Eat the rich
12 - Come together
13 - Sweet emotion
14 - Dude (Looks like a lady)
15 - Dream on
16 - Walk this way