segunda-feira, 20 de março de 2017

Frejat inaugura Paradise Garage com show arrasador

Frejat - Fotos de Luck Veloso

Estive sábado em Teresópolis para a inauguração da casa Paradise Garage, com o som a cargo do DJ Luck Veloso e o show de Frejat. Casa cheia e muita empolgação, o público cantou praticamente o show inteiro na mistura que o ex-Barão Vermelho faz de canções de sua ex-banda, da carreira solo e de outros compositores, algumas adaptadas para o formato rock, nem todas com bom resultado.
O espaço da casa é dividido com uma loja/garagem (Paradise Garage Air Cooled) que vende peças para carros e se dedica à criação de carros customizados. Estavam expostos muitos fuscas de várias séries, o destaque um alemão de 1951 que sofreu transplante de um motor Porsche de potência além do que o veterano carro poderia suportar. Achei curioso várias kombis com as rodas rebaixadas, quase encostando no chão, uma bizarrice para este modelo de uso comercial.


Serginho Serra

O produtor e engenheiro de som Tavinho Albuquerque me explicou que o som da casa tem um nível de Rock In Rio, guardadas as devidas proporções. Potente, estalando de novo, mesas de som e luz de última geração. Sob a direção da produtora executiva Bruna Petit, funcionou de 19h30 às duas e brau da manhã, com o maior tempo a cargo do DJ Luck Veloso, que fez seleções de diversos estilos ao longo da noite: rock, soul, techno, com muita coisa de bandas brasileiras para fazer jus ao artista que tocou pouco depois de 23 horas. Como o palco é pequeno, improvisaram um backstage na loja/garagem cobrindo um painel de rodas metálicas com um pano preto.

DJ Luck Veloso

Frejat tem uma superbanda de músicos cascudos ao seu lado: Billy Brandão (guitarra), Bruno Migliari (baixo), Marcelinho da Costa (bateria) e o tecladista e fundador do Barão Vermelho, Maurício Barros. Frejat toca guitarra e violão. O som é poderoso, a rapaziada toca muito e o público embarca na onda com o repertório de 19 canções conhecidas.


Billy Brandão

Ele posiciona estrategicamente seis canções do Barão. Abre com Maior Abandonado, fecha com Pro Dia Nascer Feliz, a que sempre encerrava os shows do Barão, joga Por Você no meio, acompanhado pela plateia a plenos pulmões, e na reta final os hits Bete Balanço, Por Que A Gente É Assim e Puro Extase. Faz dois medleys, um de Tim Maia e outro de influências do rock com Roberto Carlos, Raul Seixas e Rita Lee.
Setlist. As canções de Tim Maia foram Não Quero Dinheiro, Não Vou Mais Ficar e Réu Confesso. As do Medley Rock Como Vovó Já Dizia, Quando e Agora Só Falta Você. Não tocou Na Rua, Na Chuva, Na Fazenda


O destaque veio no bis com uma homenagem  improvisada a Mr. Rock’n’Roll, Chuck Berry, falecido no sábado, com Johnny B Goode, seu hino maior. Frejat leu a enorme letra numa dália no chão e chamou o guitarrista Sergio Serra, que foi do Barão, para tocar guitarra. Serginho, morador de Teresópolis, arrasou nos solos, divididos com Billy Brandão. Isso nos livrou de ouvir Na Rua, Na Chuva, Na Fazenda, uma das muitas canções alienígenas que inclui no repertório e que não cabem nele, Frejat. Idem Vambora, da Adriana Calcanhoto. Outras são bem adaptadas, como Você Não Entende Nada (Caetano Veloso). Eu sempre fico com impressão que ele quer negar sua persona rock, mas quando cantou Chuck Berry senti a plenitude rocker do Frejat que acompanho desde 1982 e de quem gosto muito.


Marcelinho Costa

Conversei com alguns locais para saber opiniões sobre como manter uma casa deste nível numa cidade pequena. O ingresso foi 120 reais, elitizante, a long neck a 12 reais. Um deles me disse que neste padrão a casa fica mais pra gente do Rio que tem casa lá ou passa fim de semana e que precisará do público local para se manter. 



Mauricio Barros

Os donos pensam alto, já programaram Erasmo Carlos, Paulo Ricardo e Call The Police para os próximos meses, uma grande atração por mês. às quintas-feiras haverá uma abertura para bandas locais e de fora, nomes menores. A casa funciona como restaurante para almoço no final de semana e é ancorada pela loja/garagem/ exposição de carros. É torcer para dar certo porque Teresópolis precisa de uma casa que leve gente de peso. O problema é que não dá para baixar o ingresso porque a lotação é de 400 e poucas pessoas, ou seja, para bancar artistas caros, tem que dar uma facada na bilheteria.


Frejat e Bruno Migliari

Me hospedei na casa dos amigos Mara Bastos e Ivo Ricardo, ex-Água Brava, que tem alguns chalés na sua imensa casa que até alugam pra gente de fora num esquema alternativo. Foi muito divertido. Sexta à noite assistimos num pub uma banda cover que Ivo e amigos tocam pra se divertir, bons músicos mas embolado,  porque não ensaiam, levam na brincadeira. O público nem aí, pulou e dançou clássicos do rock entornando todas.  


Ensaio da Dagô Afro Rock'n'Roll

No domingo assisti ao ensaio de um projeto interessante de Mara e Ivo, a Dagô Afro Rock’n’Roll, uma banda que mistura rock com temas afro e pontos de umbanda e candomblé. Vão lançar um EP com cinco músicas. O som está redondinho e estão na fase de finalização. 
Depois de um almoço no Caldo de Piranha, busão de volta pro Rio, felizmente estava mais fresco aqui porque saímos de Tere com 17 graus. 
P.S. Sergio Serra visitou no domingo. Muito bom revê-lo, gente da melhor qualidade, trocamos muitas histórias dos bastidores do Rock Brasil dos 80. Sergio foi da formação inicial do Barão e também do Ultraje a Rigor. 

Um comentário:

  1. Cara, eu tava querendo ir no Call the Police, mas o problema é que vão começar umas obras na estrada que liga teresópolis à petrópolis e vão criar um caminho alternativo porque a estrada será fechada. Eu não queria subir a serra e ter que voltar depois do show. Queria ficar por lá ou Petrópolis. Mas imagino que esse show vai ser uma facada também... Então vou perder essa.

    Mas desejo sorte e sucesso a galera do Paradise Garage.

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