sexta-feira, 14 de abril de 2017

Call The Police faz concerto devastador no Vivo Rio


Rodrigo Santos, João Barone e Andy Summers - Fotos de Cleber Junior

Devastador o concerto na noite desta quinta do trio Call The Police, Andy Summers (guitarra), Rodrigo Santos (baixo e voz) e João Barone (mega bateria). Vivo Rio lotado, plateia acima dos 30 anos sentada em mesas até a segunda metade, quando vieram os grandes sucessos do Police e virou festa rock. A pulsação que vinha do palco era irresistível, Barone parecia ter quatro mãos estraçalhando um kit bem maior do que usa nos Paralamas,  com tambores quase 360 graus, me lembrou Neil Peart (Rush). Tocou em pé algumas vezes para percutir os tambores atrás dele, incluindo um surdo (ou seria um tímpano?) em Invisible Sun.


Rodrigo Santos
 Rodrigo firme no baixo e vocalizando no timbre de Sting, alto como o Himalaia, e segurou bem, só desceu a oitava em alguns momentos, muitos shows sem intervalos de dias, não descansou a voz. Andy Summers disse numa das entrevistas que achava engraçado por estar, de certa maneira, fazendo cover de si mesmo, tocando Police com outros músicos. É um instrumentista maravilhoso, seleciona timbres para cada solo e varia nas levadas em total intimidade com sua Stratocaster vermelha e branca com alavanca. Foi  melódico em Tea in Sahara e frenético em Driven To Tears. Sombrio em Invisibile Sun, canção climática de atmosfera carregada.


João Barone com as cores da capa do álbum Synchronicity, do Police, no bumbo

O principal em Andy é sua descontração nas canções, solto para fazer o que quisesse, não enfaixado como no Police. Usou até pouco a levada reggeada típica da banda, dedicando-se a criar climas para cada canção, enquanto Rodrigo segurava a base e Barone, atrás dos dois, tocava uma das maiores performances que já vi dele  nos 35 anos em que acompanho os Paralamas do Sucesso. Me lembrou um show que eles fizeram na gravadora EMI quando Herbert estava voltando a tocar e foi tão estrondoso que Lulu Santos, lá presente, exclamou “que tesão filha da puta”. E foi com este tesão que Barone tocou, do alto de seus mais de 30 anos de experiência. Stewart Copeland, do Police, foi sua grande influência, ele já tem seu próprio estilo há décadas, mas reproduziu algumas características do mestre como bater várias vezes no aro da caixa com as baquetas,  as viradas de ataque para pontuar os solos de Andy. Viradas rapidissimas, toques vigorosos nos pratos de ataque, enfim uma performance pra baterista nenhum de rock botar  defeito.


Andy Summers

O concerto durou 1h27m com o mesmo setlist das quatro apresentações anteriores. Onde eu estava, lado esquerdo da plateia, a guitarra estava mais baixa que a bateria, muito bem microfonada, depois foi corrigido aos poucos. Começou com Synchronicity II, a visão cáustica de Sting sobre a rotina do cidadão comum, família desarticulada, rotina sufocante e a milhas dali algo se move num lago escocês (Loch Ness?). Banda aquecendo ainda, música exige da voz de Rodrigo, ele vai bem. Walking On The Moon, o primeiro coro de io io io, Rodrigo saúda o Rio, Andy diz que é bom estar aqui de novo em inglês e “mucho feliz” em quase português. Palmas convencionais, palco e plateia ainda se conhecendo.




Driven To Tears o clima esquentou. Andy mandou ver nos solos, alternou solo e bases rapidíssimas pontuadas  pelos ataques de Barone e a pontuação de Rodrigo. Primeiro grande momento do show, plateia reage. Spirits In The Material World parecido com o disco, Andy fez um solo lírico com timbre agudo. Hole in My Life, Andy com um timbre mais grave, grande solo na região aguda do braço da guitarra, povo aplaude.




Tea In Sahara. Momento mais belo da noite, levada lenta com solo leve e lírico, propício a um por do sol no deserto, Barone e Rodrigo em perfeita sintonia, já era o quinto show (Sampa, Ciudad del Leste em Paraguai, Belzonte, Porto Alegre e neste sábado o último em Teresópolis).  So Lonely, povo começa a levantar e a responder aos pedidos de coro de Rodrigo, levada rápida, tá esquentando, Rodrigo se empolga e berra “I feel so lonely”. A seguir uma porrada, sem solo Next To You, bem legal, mas acaba logo e deixa gosto de quero mais.




Aí vem Roxanne, uma prostituta sendo resgatada da suposta vida fácil por um cara que se apaixonou por ela, levada reggae pontuada pelos io io ios que o povo adora repetir, Andy faz arpejos na guitarra, Barone arrebenta, para, fica baixo e bateria, Andy volta para a levada reggae. Belo momento.  Every Breath You Take, plateia se entrega de corpo e alma, abandona as mesas apertadas e canta com Rodrigo este deslavado desabafo sobre um amor que vazou e deixou o personagem na merda, tema bem gasto, mas com uma grande melodia.




De repente aportou no ambiente uma Message In  A Bottle, o cara perdido que manda uma mensagem de socorro, o povo levanta e pula e a banda encerra a primeira parte. 23h01. Claro que tem bis e não tarda. Can’t Stand Losing You, tema parecido com Every Breath, emendado com a instrumental Regatta de Blanc num longo número com solos, viradas, coro da plateia, tudo a que se tem direito. Apoteose in da house. Pra finalizar Every Little Thing She Does Is Magic (será a mesma musa das anteriores? Who Knows? Who cares?), o que interessa mesmo é que foi o encerramento perfeito. 23h18.




Povo grita “Barone, Barone” e “Rodrigo, Rodrigo,” os dois voltam para atender aos gritos de “mais um”, mas Andy não aparece. Que pasa? Andy, a la Elvis, has left the building? Para ele valeu o que estava escrito no set list. E Zé Fini. Rodrigo falou “queríamos tocar mais uma, mas vamos respeitar”. E se respeitou. Ninguém vaiou a ausência de Andy. E nem podia, ele serviu do bom e do melhor a noite inteira. 23h30.





SETLIST
Synchronicity II
Walking on the Moon
Driven to Tears
Spirits in the Material World
Hole in My Life
Invisible Sun
Tea in the Sahara
So Lonely
Next to You
Roxanne
Every Breath You Take
Message in a Bottle
Bis
Can’t Stand Losing You/Reggatta de Blanc
Every Little Thing She Does Is Magic

OS. Esta foi a terceira temporada com Andy.  Méritos para Rodrigo e seu empresário Pedro Paulo, que tomaram a iniciativa e bancaram as turnês de 2014 e 2015, com a bateria a cargo do grande Kadu Menezes e a participação, numa parte consagrada ao repertório do Barão Vermelho, de Fernando Magalhães. Esta teve a maior repercussão, um repertório só de Police e a presença de João Barone, totalmente identificado com a banda de Andy. 2017?

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