sábado, 8 de abril de 2017

Guto Goffi e o Bando do Bem fazem show vigoroso no Teatro Solar


Guto Goffi - Fotos de Pedro Paulo Carneiro

Estive sexta no show da turnê do segundo álbum solo de Guto Goffi, Bem, no Teatro Solar em Botafogo. Rock puro sangue com tonalidades étnicas aqui e ali. Prestes a voltar com o Barão Vermelho, Guto arrasou na bateria, há muito tempo não o via tocar, vários solos curtos massacrando os tambores em alta velocidade, um dos grandes bateristas do Rock Brasil. A seu lado o Bando do Bem, uma formação parecida com a do Barão, sem teclados. A presença do percussionista Cesar Bunet inevitavelmente remeteu ao grande Peninha, falecido percussionista do Barão, homenageado por Guto ao microfone, que participava do Bando do Bem.


(Da E) Cesar Brunet, Elir, Guto e Bruno Mendes

O show é daqueles que passam sem a gente sentir, graças ao repertório e à execução da banda, com muito punch e precisão. Como brincava o mestre Tim Maia, parece até que foi ensaiado hehe. O repertório de 17 músicas foi encurtado porque Guto teve a mão esquerda avariada por tocar com as mãos um tambor (bombo leguero me pareceu, esqueci de perguntar depois no camarim) na música Estrela Solitária, daí algumas músicas que ia tocar ao violão foram limadas.


Os Britos (da E) George Israel, Leonardo Santos, Fred Israel e Nani Dias

A voz de Guto Goffi é muito pequena, no disco ele delegou vocais a Bruno Mendes, também no show, e a uma vocalista que participou do disco e de alguns shows da turnê, Yumi Park, que deu canja na última canção do bis, Move Over, de Janis Joplin. Foi uma sábia decisão, ele preferiu se concentrar no que faz muito bem, tocar bateria, em vez e deixar o instrumento com outro músico e cantar.


Bruno Mendes

Guto incluiu músicas do Barão Vermelho, parcerias com amigos da banda, como a balada Enquanto Ela Não Chegar, os hits Pense e Dance, com uma levada balançada diferente do original e Puro Êxtase. Todas com arranjos personalizados e com bom resultado. Um resgate histórico foi Billy Negão, do primeiro álbum do Barão, autoria dele com Mauricio Barros e Cazuza, mais suingado que o rockão original.


Marcos Britto

O show teve muitos convidados. Em Lei de Neide foi Piro Grandi na cítara, um interessante arranjo de diálogo do instrumento indiano com as guitarras de Elir e de outro convidado, Nani Dias, da banda paralela de Guto, Os Britos, que fez o bis. O setlist teve oito canções do disco Bem, mas três limadas porque Guto não pode tocar violão. Guto lembrou que o rock tem a capacidade de assimilar, de se misturar a qualquer ritmo e fez um samba rock em Zé Carioca, fruto de sua vivência passada na Tijuca, que disse ser reduto de samba (eu não sabia). Canção muito alegre, do primeiro álbum solo, Alimentar, em cima do personagem criado por Walt Disney para classificar os brasileiros de malandros.


Piero Grandi

 Baobá teve como vocalista convidado Mario Broder, ex-Farofa Carioca, que fez a abertura com voz e violão. Algumas canções muito em cima de Jorge Benjor, algumas interessantes. Ficou de me mandar o link do álbum dele naquela madrugada mesmo e não mandou. Furão.

Mario Broder - Foto de Lula Zeppeliano


Encerrada a primeira parte foi a vez de Os Britos, a banda formada por Guto, George Israel, Nani Dias e Rodrigo Santos, que estava no Paraguai com a banda Call The Police e mandou o filho, Leonardo Santos, como seu substituto no baixo. Aliás, nenhum músico do Barão foi ao show. Os Britos foram inspirados nos Beatles, com versões do Fab Four, mas também repertório autoral. Cantaram três canções, uma delas a primorosa Dia Comum. A última, Amor de Bicho, foi apresentada com o refrão original – “Não vou levar meu cu pra festa de pica” – que foi censurado pela Som Livre e só cantado nos shows. Foi uma bela noite de rock’n’roll puro e misturado.




Agradeço a Pedro Paulo Carneiro pela gentileza de ceder as fotos.

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