domingo, 9 de abril de 2017

Leoni e Biquini Cavadão fazem grande festa na Fundição Progresso


Leoni - Fotos de Cleaber Junior

A noite de sábado na Fundição Progresso foi uma festa de arromba com Leoni e Biquini Cavadão, dois nomes fortes da Geração 80 que estão na estrada com trabalhos relevantes, o Biquini startando  a temporada de seu novo álbum  As Voltas Que O Mundo Dá e Leoni retomando o formato elétrico. Ele me disse que só tem feito voz e violão. E com um toque coruja, seu filho Antonio Leoni, 17 anos, com quem solou algumas vezes quando assumiu uma Fender Strato no lugar do violão. Pela primeira vez num show inteiro do pai, o herdeiro  mandou muito bem na guitarra em solos inspirados e frases colorindo as canções.

Bruno Gouveia

Além disso, Leoni completou 56 anos no sábado com direito a bolo e a um Feliz Aniversário no camarim depois do show. Leoni contou que está incursionando em outros campos para variar da rotina de shows. É a ansiedade comum a músicos com um acervo de sucessos que precisa ser apresentado para as plateias, sempre concentradas no que já conhecem.


Biquini Cavadão

Também conversei sobre isso com Bruno Gouveia e Carlos Coelho, do Biquini Cavadão. Eles disseram que apenas quatro canções do novo álbum estavam no setlist. Coelho falou que se incluíssem muitas novas o público ia ficar apático porque ainda não conhecia o material novo. E disse que Paul McCartney numa temporada apresentou apenas uma música de seu disco mais recente.


Leoni e o Furacão de Bolso

Não falei isso na hora, não me ocorreu, mas há artistas que ousam mais. Zélia Duncan, por exemplo, toca todas as faixas de um novo álbum, alega que seu público já se acostumou a isso. Reconheço que num lugar como a Fundição, lotada com cinco mil cabeças frenéticas, tem mesmo é que agitar com sucessos. O público adora cantar com a banda, parece até um karaokê vip com o próprio artista presente. Considerações, considerações.


Carlos Coelho

Leoni revelou que trabalha num projeto eletrônico com poemas chamado Na Esquina Mais Escura do Mundo, ainda sem data para ser divulgado, com participação do tecladista Humberto Barros, que estava na área. E um outro chamado Preguiça, sobre um terrorista que fica o dia inteiro na rede (ou cama, não lembro) e não quer saber de aterrorizar ninguém. Até lembrei que preguiça era um atributo de John Lennon, tanto que fez músicas como I’m Only Sleeping e I’m So Tired. Bruno Gouveia contou que está escrevendo sua autobiografia, já com 280 páginas, é pessoal, mas com muita coisa da banda que integra desde 1985 com a mesma formação, menos Sheik, que vazou em 2001. Ele queria finalizar para lançar na bienal do livro no final de agosto, mas acha que não vai dar.

Antonio Leoni

Tá, mas e os shows? Quando Leoni estava para entrar, o DJ colocou uma versão voz violão de Quando O Sol Bater na Janela do Seu Quarto, da Legião Urbana, e a plateia cantou a plenos pulmões. Confesso que me emocionei. A noite teve dois shows completos, nada de show menor de abertura. Leoni entrou 40 minutos depois de 23h, o horário previsto, com sua banda Furacão de Bolso formada pelo citado Antonio Leoni, André Spada (baixo) e Lourenço Monteiro (bateria). Ele ao violão e guitarra. O setlist teve 23 canções, a maioria com coro da plateia, principalmente nas sete últimas, só big hits. No todo uma mistura de carreira solo, Kid Abelha, Heróis da Resistência e sua parceria com Cazuza, Exagerado. Pintura Íntima foi karaokê mesmo, a banda tocando, Leoni indo de um lado a outro do palco e  o povo a plenos pulmões.


Marcelo Magal


Leoni está melhor ao violão do que num show que vi no Imperator há algum tempo. Já era legal, mas a prática constante em shows de voz e violão sempre rende avanços. O som foi mais pesado do que antes, principalmente quando Leoni empunhou a guitarra para dividir as levadas com o filho. A plateia tinha muita gente não nascida na época áurea dos anos 80, mas cantavam tudo e saudaram com estardalhaço uma menção aos Herois da Resistência, uma prova de que o acervo das bandas da Geração 80 está passando de geração, em que pese uma boa parte da juventude de hoje estar contaminada pelo breganejo.


André Spada - Leoni

A uma e meia da matina Biquini Cavadão no palco, o povo, em pé há mais de três horas, continuou no pique. A nova temporada tem destaque visual para um telão com imagens sensacionais, uma para cada canção do setlist sem ser óbvio, não segue as letras, é tudo viajante. Produção caprichada e ousada para estes tempos de crise, com direção de artes de  Marcelo Siqueira e Carlos Coelho. Outro destaque é o set acústico com a banda sentada em cadeirinhas brancas, Miguel Flores da Cunha num pequeno teclado, Carlos Coelho ao violão, Álvaro Birita numa segunda bateria, mais simples, empurrada à frente do palco pelos roadies, e Bruno sentado. Os músicos convidados Marcelo Magal (baixo elétrico) e Walmer Carvalho (sax tenor) ficaram atrás de pé. Uma bela sequência de canções: Vou Te Levar Comigo, Quanto Tempo Demora Um Mês, Meu Reino e Quando Eu Te Encontrar.


Miguel Flores da Cunha

Logo no começo intercalaram inédita e conhecidas, na ordem Soltos Pelo Ar (nova), Zé Ninguém, Chove Chuva e Um Rio Que Beija O Mar (nova). Homenagearam bandas de sua geração com Carta Aos Missionários (Uns E Outros) e Camila (Nenhum de Nós) Algumas músicas de começo de carreira foram vestidas com arranjos mais pesados, caso de Múmias, Timidez e Tédio. O Biquini mostra bem o que é uma banda com os mesmos integrantes há mais de 30 anos. Som poderoso, perfeitamente integrado e preciso O grande lance de uma banda é isso, ser mais do que seus integrantes isolados. O concerto, com o bis, se estendeu até três e quinze da madrugada. Plateia satisfeita, banda cansada, suada e feliz. Grande noite.

Obs. Não conseguir botar todas as fotos dos músicos porque essa porra dessa ferramenta do blogger fica jogando as fotos para a abertura.
Obs 2. Agradeço à equipe de imprensa e técnica  da Fundição pela gentileza comigo.


Alvaro Birita










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