domingo, 27 de agosto de 2017

Baú do Raul 25 anos faz festança de arromba no Circo Voador

Da esquerda Drake, Rick Ferreira, Marcelo Nova, Emerson Ribber, Paulo Cesar Barros e Pedro Terra - Fotos de Cleber Junior

O Circo Voador celebrou na noite de sábado a memória de Raul Seixas (1945 – 1989) com um concerto de duas horas e meia pelos 25 anos do Baú do Raul. Vários artistas, incluindo dois mestres que gravaram com ele, Paulo César Barros (baixo) e Rick Ferreira (guitarra). Fiquei muito emocionado em ouvir introduções e solos originais por Rick e a base primorosa de Paulo Cesar. 



Rick Ferreira (E) e Paulo César Barros

A noite misturou nomes novos, como o surpreendente Chico Chico, a veteranos como Marcelo Nova, a quem a apresentadora e DJ Vivi Seixas, caçula de Raul, chama carinhosamente de Tio Marceleza. Outros destaques foram B Negão e Emerson Ribber, este excelente vocalista da banda de Rick Ferreira em shows com repertório de Raulzito pelos Brasis.



Baia

Uma igualmente grande atração foi a plateia, lotada, formada por gente de idades variadas, que cantou praticamente todas as canções, incluindo as Lado B, num entusiasmo que me deu a certeza de que Raul não só está vivo, como sua mensagem atravessa gerações. Sou fã roxo, estive várias vezes com ele, eu só e com a querida amiga Maria Juçá, diretora do Circo, numa delas uma inesquecível tarde no Parque Lage em que conversamos muito e ouvimos canções ao violão.


Chico Chico

Minha surpresa da noite foi Chico Chico, belo resultado de dois privilegiados DNAs, da inesquecível Cássia Eller e de Tavinho Fialho, grande baixista, ambos já não mais entre nós. Voz poderosa, performance elétrica. O ponto baixo foi  Karina Buhr, interpretação fraca e figurino eskisito, toda de preto, envolta numa mortalha transparente. R.I.P.



Marcelo Nova

Estava vazio o Circo quando cheguei, gosto de ouvir o DJ Demonho e a seleção foi bem no clima da noite com vários artistas dos primórdios do rock que Raul curtia, Little Richard, Elvis Presley, Ray Charles, Big Mama Thornton, mais Rolling Stones, Led Zeppelin, Queen, Doors, Janis Joplin. O tempo passou rápido, o Circo lotou e, na hora grande, Vivi Seixas anunciou o começo dos trabalhos com Baia, intérprete antigo de Raul, foi ele que no primeiro Baú do Raul, em 1992, implorou pra tocar, não estava no programa, conseguiu e se deu bem. À exceção de um ligeiro tropeço na letra de Gita, ele se saiu bem em Rockxixe, Aluga-se e SOS.



BNegão

O segundo foi Rick Ferreira em Quando Acabar o Maluco Sou Eu,  Check Up e Canceriano Sem Lar em interpretações corretas, embora vocais não sejam seu forte. É um dos músicos mais importantes do rock brasileiro e sua guitarra virtuosa fala muito bem e alto, foram vários solos antológicos ao longo da noite. Apesar dos 150 minutos de show ele me disse no camarim que não sentiu o tempo passar, os 64 anos não pesaram nem um pouco.



Emerson Ribber

Paulo Cesar, motor 7.1, estava a mil também no backstage, ele me disse que a idade estava no cérebro e o dele, pelo jeito, está turbinado. Chico Chico chegou matando com Moleque Maravilhoso, acompanhado ao violão por Emerson Ribber e, com a banda em Água Viva e Paranoia. Saiu do palco com a plateia pedindo mais dele.



A apresentadora, filha caçula de Raul Seixas, Vivi Seixas

Infelizmente, Karina Buhr não segurou a onda e logo numa das canções mais bonitas de Raul, Tente Outra Vez, um hino de alento às dificuldades cotidianas de todos nós: "Queira! Basta ser sincero e  desejar profundo. Você será capaz de sacudir o mundo. Tente outra vez”, com o povo cantando e fazendo backing vocal. Uma pena.



Pedro Terra

Avante.
Hora e vez de Dom Marcelo Nova, que deu força para Raul, já fraco, gravar com ele o álbum Panela do Diabo (1989) e o levou para uma derradeira turnê. Com ele o filho Drake (guitarra), que embolou o meio de campo porque não ensaiou, ficou estilingando solos e frases que funcionam no contexto de shows do pai, mas não ali, Num tributo a Raul com o guitarrista original no palco, não cabe tal interferência. Marcelo cantou e escafedeu-se, não foi visto no camarim.



Miguel Arcanjo

Foi a vez e a voz trovejante de BNegão, que puxou do repertório o rap rock É Fim do Mês, área que domina como ninguém, que metralhou a letra e a plateia foi junto! Impressionante. Depois, disse que sua escolha pela música foi com intenção de incomodar e mandou o rock baião Mosca na Sopa, com improviso de “o Temer pode te pegar”, o hino Como Vovó  Já Dizia e a irônica Só Pra Variar, com o povo nos backings.



Carlos Salles

Tinha mais. Baia voltou com Ouro de Tolo, outra de letra qulométrica em que a plateia deitou e rolou, mais algumas e passou o microfone para Emerson Ribber, escolha mais que acertada de Rick, que me disse que ele é o songbook do Raul porque sabe todas as letras de cor e canta muito bem. Mandou de cara uma interpretação forte de 10 Mil Anos Atrás, passou por dois lados B, Judas e Metrô Linha 473, Segredo do Universo e finalizou com Rock do Diabo e Meu Amigo Pedro.



Paulo César Barros

O brilho do concerto contou com o apoio de uma grande banda. Além dos mestres Rick e Paulo Cesar, Pedro Terra (guitarra), Miguel Arcanjo e Fabrizio Iorio (teclados), Emerson Ribber (voz, vocal, violão de 12) e Carlos Salles (bateria).



Rick Ferreira

Em algum lugar onde o espírito de Raul está aprontando, ele sentiu as vibrações, isto se não pediu licença ao gerente do além e lá esteve absorvendo toda aquela atmosfera boa que rolou na lona onde ele cantou várias vezes. Viva Raul!

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Um comentário:

  1. Shows aço e q maravilhoso texto, só quem sabe e Ama muito Raul pode escrever tão bem, para.

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