terça-feira, 26 de setembro de 2017

Sepultura ganha reforço de cordas para atacar de Machine Messiah no Rock in Rio

Andreas Kisser - Fotos de André Luiz Costa

"Sepultura, Sepultura"... o som mais poderoso do Rock in Rio troou no encerramento do Palco Sunset neste domingo. O equivalente a um terremoto de 20 pontos na escala Richter, um tsunami continental, uma bomba de hidrogênio norte coreana? Tudo isso define mais ou menos a potência que o quarteto brasileiro desencadeou no palco. Era insuportável ficar diante das caixas de subwoofers no pit, perigas descolar o cérebro do crânio. Que puta show!!


Derrick Green

O carro chefe foi o novo álbum, Machine Messiah, responsável por seis das 12 músicas do setlist. No apoio uma seção de violinos com Lucas e Moisés Lima, mais instrumentistas da Orquestra Sinfônica de Santo André e o maestro Renato Zanuto, que tocou um órgão Hammond. Os violinos tiveram que brigar para serem ouvidos em meio aos trovejantes baixo (Paulo Jr), guitarra (Andreas Kisser) e bateria (Eloy Casagrande ), além da mega poderosa garganta de Derrick Green. Adjetivação demais, né? Fazer o que, o Sepultura chegou a um nível de excelência que o credencia para a elite do metal planetário. Totalmente superada a ausência dos irmãos fundadores Max e Igor Cavalera (Há controvérsias, sei disso).

Paulo Junior e Derrick Green

Se são os Messias de Metal já seria exagero, mas que mandam muito bem sem dúvida. Na plateia formou-se a habitual roda, que sempre assusta os seguranças. Vários subiram nos degraus da grade para ver o que acontecia. Parece briga mesmo, mas é nada disso, só a rapaziada se divertindo. Cada um com seu cada qual.

Eloy Casagrande

Eu fiquei rindo de a (aparentemente) careta Família Lima estar metida naquele caos todo, tocando furiosamente seus instrumentos, o que a Sandy, acharia daquilo e se ele  começasse a tocar heavy metal em casa (sei lá, de repente são metaleiros na vida particular). Tergiverso.

Andreas falou que iam enfatizar o novo álbum, mas haveria espaço para o “velho Sepultura” numa prova da crença dele na transformação da banda. Confesso que não ouvi o disco com as letras para saber qual é a do Messias Máquina, instrumentalmente senti arranjos mais elaborados ainda que dentro dos mesmos timbres na guitarra de Andreas e ainda em solos virtuosos nas partes aguda, média e grave da guitarra. Não sou muito chegado a solos muito agudos, prefiro ao estilo Tony Iommi, do Black Sabbath.


Andreas Kisser

Claro que o coro da plateia entrou nas conhecidas. Começou com Arise, pulou para Refuse Resist e fechou com duas do disco mais conhecido do “velho” Sepultura Ratamahata, vocal de Paulo Jr, e Roots num arranjo para o festival com os violinos. Saí do  Sunset a caminho da Sala de Imprensa, quando virei a esquina na direção do Palco Mundo reparei que o Offspring já tinha começado. Perto do som do Sepultura, aquilo parecia uma banda brega num P.A. de terceira.

segunda-feira, 25 de setembro de 2017

República estreia show de novo álbum no Rock in Rio

Leo Beling (voz)

A segunda atração da noite Metal Brasil do Palco Sunset foi a paulistana República, banda de exportação com repertório em inglês e penetração até o talo no mercado europeu. Pela terceira vez no Rock in Rio vieram com uma proposta ousada discutida a vera entre eles até bater o martelo. Tocara a íntegra do novo álbum, Brutal & Beautiful, pela gravadora inglesa Rough Trade.

Festival é lugar para tocar sucesso, fazer a massa pular, gritar e cantar junto. Eles preferiram apresentar um show bem produzido e bem tocado, com apurado apelo visual e seja o que os deuses quiserem. Conseguiram uma reação dividida da plateia e minha. Muito legal o começo, com o bebe da capa do álbum falando o conceito do disco, boas imagens no telão central, painéis no palco com mais imagens, esguichos de fumaça e Redemption Day, de Johnny Cash, em áudio no começo.

Luiz Fernando Vieira (guitarra solo)

Começaram com as faixas Black Wings, Time to Pay, o vocalista Leo Beling deu a primeira palha do q rolava, prosseguiram parados no palco, precisos, mas um tanto frios. Pensei logo, é estreia de show novo, os caras já tem estrada, não é para tocar assim. As canções eram boas, bem construídas, ganhei o disco antes do show, olhei as letras no encarte, bem feitas, aí tinha. Mais tarde na sala de imprensa, um amigo comentou que parecia que eles estavam tocando para eles mesmos, de certa forma estavam mesmo, pelo menos na primeira parte.


Jorge Marinhas (guitarra base)

Quando expliquei que era a primeira vez, ele entendeu porque é do ramo.
Encerrados os trabalhos fui falar com eles no camarim para saber qual era. Aí soube a história que contei acima, é o início de um projeto que vai deslanchar com turnê europeia, abertura de shows de Alice Cooper na França e na Bélgica, na Suécia com outro grupo que esqueci. Este desconforto que muita gente do meio sentiu é o preço que pagaram pela ousadia, mas os anos de estrada me permitiram ver que tinha coisa ao ali.

Perguntei se o álbum era conceitual porque as letras que vi rapidamente antes do show remetiam para reflexões sobre uma realidade amarga com toques de otimismo apesar de tudo. Disseram que não chamam de conceitual, mas ao logo da feitura de um ano do disco acabaram pintando estas similaridades que amarraram muitas faixas. No fechamento dos trabalhos, perguntaram a um técnico o que achou do disco, a resposta foi que era Brutal e Belo. Acabaram adotando o nome que tem implicações filosóficas sobre a vida de todos nós, especialmente brasileiros, onde o brutal se mostra de maneira tão amarga, seja pela violência nas ruas, seja pela violência de quem rouba verbas da educação e saúde. A beleza está na esperança dos cidadãos, que precisam tomas rédeas de seu futuro. Tudo isso é sacação minha, eles não falaram isso.


Marco Vieira (baixo)
O show esquentou do meio para o final, se soltaram, começaram a se movimentar e receberam uma resposta melhor do público. Um momento de reflexão foi na música foi em Tears Will Shine, com participação da violinista Iva Giracca, dedicada a músicos falecidos que influenciaram a banda e também a parentes que se foram. Fotos se sucederam no telão durante a canção tributo, um momento emotivo. Alguns deles: Prince, Dio, Elvis Presley, Frank Zappa Freddie Mercury, Renato Russp. George Harrison, John Bonham, Kurt Cobain, Chester Bennington, Jimi Hendrix, Lemmy, David Bowie e outros se sucederam no telão. Me deu até um choque de ver quanta gente de pesos e foi.


Capa de Sergio Gordilho e Bruno Valença

Em resumo, Republica tem um  bom show e um bom disco na rua. Em seis meses o show estará nos trinques. Além de Leo Beling, a banda tem Luiz Feernando Vieira (guitarra solo), Jorge Marinhas (guitarra base), Marco Vieira (baixo) e  Mike Maeda (bateria e imagens). Rock On!

Obs. Não tive foto do baterista Mike Maeda. Sorry.

Supla vira o jogo no Palco Sunset com garra e vibração

Supla - Foto de Cleber Junior

O Rock in Rio não teve noite de metal no Palco Mundo, mas o Palco Sunset dedicou seu último dia ao metal made in Brasil, mas cantado em inglês. A abertura ficou a cargo de duas atrações de São Paulo. A banda Doctor Pheabes recebeu o cantor Supla na segunda parte de seu show.

Com duas guitarras, baixo e bateria, além de três vocalistas, a Pheabes  apresentou cinco músicas  em que se destacaram os dois guitarristas em boa troca de solos, mas o vocalista Parras não tem o punch e nem a garganta exigida pelo gênero metálico, o que fica evidente se comparado com os vocalistas das bandas seguintes, Leo Beling, da República e Derrick Green, do Sepultura. Tá, este último é covardia.


Doctor Pheabes

O molho e o carisma que faltavam sobrou com o convidado Supla, um dos mais folclóricos remanescentes da Geração 80 do Rock Brasil. Folclórico não é pejorativo, apenas por seu estilo visual, mas é rocker dos bons. Billy Idol cancelou a vinda ao Rock In Rio, mas Supla veio e abriu com Dancing With Myself, uma evocação ao tempo em que o comparavam ao cantor inglês. Com seu visual  extravagante e presença de palco, Supla botou o show no bolso.


Parras e Supla

Uma versão hard rock do hino pacifista Imagine foi acompanhado pela plateia, uma vocação pela paz  com energia em vez do tom suave do original. Duas canções de seu repertório de carreira Waitin' in Tokyo e Green Hair (Japa Girl) foram  muito bem recebidos, além de uma bela versão de Heroes, de David Bowie.  "We can be heroes, just for onde day," é por aí.

Parras votou para o encerramento, Where Do You Come From e o hit de Supla na banda Tokyo, nos anos 80, Garota de Berlim. Delírio geral e boa noite. Grande presença.

30 Seconds to Mars repete a fórmula de 2013 e se dá bem

Por Thais Monteiro*

Obs. Não permitiram que fotografássemos o show.

Açaí, tirolesa e efeitos. Se a fórmula é boa e dá certo, a banda repete. 30 Seconds to Mars foi a penúltima banda a se apresentar na edição de 2017 do Rock in Rio em uma noite predominantemente californiana. Jared Leto, além de cantor, é ator e sabe desempenhar bem o papel de protagonista na telona e nos palcos. A banda é uma das mais bem sucedidas da atualidade. Eles carregam na bagagem mais de cinco milhões de cópias vendidas em todo o mundo, prêmios MTV, Billboard e até mesmo um recorde no Guinness Book, de turnê mais longa da história. E, por falar em história, a banda continua escrevendo a sua e muito bem, por sinal. Já é a segunda vez que se apresentam no Rock in Rio.
Jared Leto entrou no palco cm um visual extravagante, pedindo para o público pular e foi prontamente atendido. Uma energia incrível começou a rolar. Bem à vontade, a interação com o público aconteceu o tempo todo.  O frontman ainda tomou açaí no palco. Se depender do público e da resposta que ele deu ao show de hoje, a banda já tem meio caminho andado para ter muitos anos de sucesso. Todas as músicas foram cantadas em uníssono, os fãs deram um show à parte. No set também entraram sucessos como Kings and Queens e This Is War.
A apresentação contou com vários efeitos especiais, como chuva de papel picado, fumaça, balões coloridos, bem típico das turnês da banda. No meio da apresentação, Projota fez uma rápida aparição no  palco para cantar Walk on Water com Leto. O trio é formado por multi-instrumentistas, o que faz com que haja um passeio dos músicos pelos instrumentos, o que é interessante de se observar. Foi em um momento com apenas instrumental que notamos a ausência do vocalista no palco.
Quem apostou no repeteco da descida da tirolesa, como em 2013, acertou. Jared Leto sobrevoou um mar de gente com flashes ligados, registrando o momento. Assim que ele retornou ao palco, puxou The Kill em uma versão acústica, permitindo que o público descansasse um pouco para o momento final, com Closer To The Edge. Ainda deu para dois fãs subirem ao palco, um paulista e outro vindo do sul do país. Esse tal Jared Leto é um cara que sabe dominar não só o palco, mas também o público.

*Repórter convidada para cobrir o festival.

domingo, 24 de setembro de 2017

Ossspring diverte a multidão no Rock in Rio


Por Thais Monteiro*

Obs. Não fomos autorizados a fotografar a banda.

Enfim, Mundo! Dessa vez o Offspring estava no lugar merecido. Em 2013, a banda se apresentou no Palco Sunset, onde fez um show enérgico, que foi eleito, facilmente, como o melhor daquele dia. Apesar de ter um espaço reduzido e com o som baixo, os californianos fizeram um show impecável e levaram seu punk rock a uma multidão que se deslocou àquele palco. Agora a multidão se multiplicou.
Eles fizeram o segundo show da noite, no Palco Mundo, do último dia do Rock in Rio 2017. Uma das grandes fontes de músicas para o setlist deste ano foi o álbum Smash, lançado em 1994, que tem mais de 11 milhões de cópias vendidas. A abertura ficou por conta de You’re Gonna Go Far, Kid, sucesso mais recente, lançado em 2008.
Logo de cara foi possível perceber a dificuldade de Dexter Holland para cantar. A voz dele estava sumindo, se perdendo, o que até trouxe uma certa preocupação. Na sequência, All I Want chegou para abrir as rodas no meio do público. Come Out And Play foi recebida por um coro que acompanhava o instrumental, deixando a festa ainda mais bonita.
Ainda entraram no set Original Prankster, (I Can’t Get My) Head Around You, Hit That e uma sequência de hits. Chegamos a Gone Away em uma versão em voz e piano, onde a voz de Dexter se destacou mais e ele se demonstrou mais a vontade, inclusive abrindo sorrisos durante a execução.
Ao final da música, a banda acompanhou, dando uma pegada mais rock and roll, mantendo a versão original. O público deu um show a parte com as lanternas dos celulares acesas, formando uma bela constelação de frente para o palco, a pedido do vocalista.

O Offspring emendou com uma sequência matadora para encerrar a apresentação: Why Don't You Get a Job?, Americana, Pretty Fly, Kids Aren’t Alright e Self Esteen. O show contou com belos riffs, acompanhados pelo público com “ô, ô, ô”, mas o som não estava muito bom. Uma pena pois as músicas foram muito bem escolhidas e agradaram o público, que se divertiu bastante do início ao fim.

* Jornalista convidada para a cobertura do festival

Capital Inicial movimenta o Rock in Rio com show de sucessos

Yves Passarel e Dinho Ouro Preto - Foto de Cleber Junior

Por Thaís Monteiro*


Os veteranos do Capital Inicial são figurinha repetida no Rock in Rio. Eles foram escalados para participar do festival pela sétima vez, agora abrindo a noite no palco mundo do último dia da edição. Por uma coincidência, ou não, é a terceira vez em que eles tocam na mesma noite em que os californianos do Red Hot Chili Peppers.

Como se trata de um ambiente habitado pela diversidade, o público naturalmente se divide entre aqueles que são fãs da banda e cantam alto todas as músicas, quem conhece os maiores sucessos e acaba entrando no clima e quem não aguenta mais ouvir a banda no evento e acaba não assistindo ao show.

Sobreviventes do rock nacional da década de 1980, a energia da banda é inegável, assim como o fato de Dinho Ouro Preto ser um excelente frontman, sabendo comandar o público, o que deixa o show visualmente mais bonito, como as ondas formadas pelos braços e palmas em sincronia, que dão um show a parte, ainda mais quando se trata de uma plateia lotada, como a do Rock in Rio.
Plateia essa que aplaudiu bastante a entrada no palco para a terceira vez em que Dinho, Yves Passarell e os irmãos Flávio e Fê Lemos trouxeram um repertório que reuniu diversas fases da carreira. A abertura ficou por conta de O Bem, O Mal e O Indiferente”, acompanhada por efeitos pirotécnicos, que se estenderam por toda a apresentação. Mas foi com a segunda música do set, “Independência”, que eles levantaram o público.

O coro continuou com “Quatro Vezes Você”, “Depois da Meia Noite” e “Fátima”, que vieram na sequência. O ponto alto foi com “Primeiros Erros”, com o público cantando sozinho em uníssono, seguido por gritos de “Uh, é Capital” e Dinho muito emocionado, como costumamos ver em todas as participações no festival.

Na sequência, foi a vez de sair do chão com “Mulher de Fases”, em uma homenagem aos Raimundos, seguida por mais um grito de “Fora Temer” ecoando pela Cidade do Rock. Também entraram no setlist “Fátima”, “Olhos Vermelhos”, “Veraneio Vascaína”, entre outras que foram bem recebidas por quem estava assistindo.

Até que chegou a hora de trazer a lembrança do Aborto Elétrico com “Música Urbana”, em uma versão repaginada, com uma bela introdução de baixo e ainda com direto a um mosh de Dinho. Eis que chega o momento de protesto com a clássica, com a letra mais atual do que nunca, “Que País é Esse?”, que foi encarada pela banda como praticamente um dever civil executá-la.

A faixa, que foi dedicada a Michel Temer, resultou em novos gritos de “Fora Temer” entre o discurso de Dinho e a primeira estrofe. Com “Natasha”, seguida por “À Sua Maneira”, o Capital Inicial encerrou mais uma participação no Rock in Rio com aquele show sincronizado de músicos e plateia, com os braços para o alto, embelezando ainda mais a Cidade do Rock.

*Jornalista convidada para a cobertura do festival.




Titãs mostram no Rock in Rio músicas de uma inédita Ópera Rock

Sérgio Britto - Fotos de Cleber Junior

Queimei minha língua com 0s Titãs no Rock In Rio. Já vi mais de 100 shows deles desde que apareceram no Rio em 1982 ou 83. Comecei a ver o show, novidade alguma, as músicas de sempre, aí pensei "esses caras tão fazendo sempre a mesma coisa." Nisso Branco Mello anunciou que iam tocar três músicas de uma ópera rock a ser lançada em 2018. Me fudi, Ainda bem, é a reação de uma banda que perdeu um de seus principais vocalistas, Paulo Miklos. Admitiram Beto Lee, ganharam em potência sonora, mas perderam no vocal.

A primeira inédita é 12 Flores Amarelas, que fala de feitiço e morte, sombria e calcada em teclados. A seguinte evoca Rape Me, do Nirvana, no título, Estupre-Me, que tem como refrão "Me estupre, me desculpe, seja lá porque for." A terceira é esbórnia, A Festa, acelerada, que fala em abalar geral, chapar, fumar bagulho, aprontar todas.


Branco Mello

A bem da verdade, show de festival tem que ser mesmo de sucessos, até ousado tocar as inéditas, porque a multidão está no modo zoação. O Rock in Rio é um imenso parque de diversões e uma selfieland. E não faltaram músicas pras pessoas cantarem, como três meninas perto de mim que cantavam a plenos pulmões canções que saíram antes de elas nascerem, uma mostra de renovação de público dos Titãs.


"Esta música é de 1987, mas parece que foi feita semana passada," disse Sergio Britto ao anunciar Desordem. “São sempre os mesmos governantes, os mesmos que lucraram antes. Os sindicatos fazem greve
porque ninguém é consultado. Pois tudo tem que virar óleo pra por na máquina do estado. Quem quer manter a ordem? Quem quer criar desordem?”


Tony Belotto

Sérgio Britto anunciou Epitáfio como uma espécie de oração, que pediu para cantarem juntos como um apelo à paz no Rio de Janeiro. O mesmo Sérgio explodiu em Aluga-se, o irônico hino de Raul Seixas lançado há mais de 40 anos e que hoje pode ter o título trocado por Vende-se. “Ocrides,” grita Branco e a multidão vai atrás no libelo contra a Televisão. Será que foi ao ar na Globo?


Beto Lee

O momento mais forte foi o encerramento, quando cantaram a visceral Vossa Excelência para o público soltar os bicho no refrão "Filha da puta, bandido, corrupto, ladrão,"  Polícia teve um alerta para as forças de segurança com citação de Fardado, "Você também é explorado, soldado."  E o povo soltou o mote do festival: “Fora Temer.” Fim  Ah, Titãs é Sergio Britto (voz e teclados), Branco Mello (baixo e voz), Beto Lee (guitarra), Toni Belotto (guitarra), Mário Fabre (bateria).

Cidade Negra, Maestro Spock e Digital Dubs batem cabeça para Gilberto Gil em show porreta

Toni Garrido - Fotos de Cleber Junior

O Cidade Negra se uniu à um naipe da banda do Maestro Spock e ao coletivo Digital Dubs para uma homenagem ao nosso grande mestre Gilberto Gil e o resultado foi devastador coma tradução de hinos da música brasileira para o reggae impecável do Cidade, reforçado por uma metaleira e por efeitos de dub. Merecia virar no mínimo um DVD ao vivo porque incendiou a multidão reunida diante do Palco Sunset a partir de 16h30, sob a força do maçarico, que se retirou mais cedo. Só lamentei que a banda de Spock não tivesse um set solo porque é arrasa quarteirão. Uma vez vi um show deles no falecido Canecão, frevo da melhor qualidade, um verdadeiro carnaval e terminou do lado de fora.

Reggae é chão chão chão e o baixo de Bino Farias rearrumou meus órgãos internos porque assisti em frente às caixas de subwoofer, onde também troou o bumbo de Lazão. Foda! Gilberto Gil é o grande mestre brasileiro da cultura afro-brasileira. A ponte que construiu entre a África, a Jamaica e o Brasil, especialmente a Bahia, é responsável por uma música de apelo universal porque não tem a barreira da língua, é compreendida em todos s quadrantes do planeta. Nós temos a vantagem de compreende sua excelência poética em português.

Maestro Spock e seu sax barítono

O Cidade Negra escolheu a parte mais celebratória da carreira de Gil, a mais adequada mesmo para um festival onde todo mundo está ligado no modo festa.  E nada tiveram a reclamar. "Acredite em quem está ao seu lado, amor, amor, abrace," gritou Toni Garrido (vocal) num mote que vem se repetindo no festival junto com a palavra Paz.  E foi paz para as comunidades do Rio e paz para a Rocinha que ele pediu depois de Andar Com Fé.


Chão Chão Chão - Bino Farias (baixo)

 Logo após Refavela Toni fez um chamado à consciência do Rio: "Já pensou o que a galera tá sentindo na Rocinha? Foda."  Como bem disse em Extra, a música de abertura, "livrai-nos desse tempo escuro," um apelo a nós mesmos. O hino Não Chore Mais mobilizou o publico que cantou em uníssono, seguida do momento de delicadeza da bela Esotérico, que Gil filosofa "se eu sou algo incompreensível, meu Deus é mais." E, sim, mistério sempre há de pintar por aí.

Interessante como várias canções acabaram sendo pertinentes ao momento que o Rio e o país vivem. Tempo Rei fala em transformar as velhas formas do viver, ao mesmo tempo e ganhou um arranjo mais rápido que reflete um momento de desilusão que o povo brasileiro vive, desilusões em si mesmo, "tudo permanecerá do jeito que tem sido." 



A Novidade, parceria de Gil com os Paralamas, ganhou um arranjo mais pesado com a metaleira de Spock, ele mesmo empunhando um sax barítono. A reta final teve Abri a Porta seguida do lado festeiro de Gil em Realce e Palco. Toni desceu e foi para a grade cantar junto do público e acabou se equilibrando em cima da grade em plena efervescência. Puta show.

SETLIST
Extra
Não Chore Mais
Esotérico
Tempo Rei
Andar Com Fé
Refaela
Vaamos Fugir
A Novidade
Abri a Porta
Realce
Palco


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sábado, 23 de setembro de 2017

Rock in Rio volta aos anos 80 a bordo do Tears For Fears

*Por Thais Monteiro

Obs. A produção não permitiu que fotografássemos o show.

Tears for Fears subiu ao palco para deixar a cidade do rock com a cara da década de 1980. A abertura ficou por conta de um dos maiores sucessos da banda, que foi acompanhada pelo público ao tocar Everybody Wants To Rule the World (Antes da banda entrar, tocou no P.A. uma versão desta mesma música pela cantora neozelandesa Lorde).

 Os britânicos logo mostraram que não tiram nota máxima apenas no quesito qualidade musical e simpatia, mas também em português. Ainda no início, começam a interagir com o público na mesma língua, falando que estavam felizes por estar no Brasil.

Os britânicos mantiveram o alto nível fazendo um passeio por toda a carreira, tocando sucessos como Advice for the Young at Heart, Sowing the Seeds of Love, Mad World e muitos outros. A capacidade de Roland Orzabal e Curt Smith de fazer músicas para embalar diversas gerações é incrível. E todas as gerações cantaram os clássicos em uníssono. O coro ultrapassava as 100 mil pessoas, a cidade do rock hoje estava mais lotada do que nunca.

Para completar, um cover de Creep, do Radiohead, numa versão mais no estilo balada oitentista, seguida por Pale Shelter. O fim do percurso ficou com Shout, encerrando de forma justa, porém deixando o público com um gosto de "quero mais". No caso, gosto de "quero Woman in Chains". Ela fez falta, mas não deixou o set menos nobre, até porque, em se tratando de Tears for Fears, canções conhecidas pelo grande público não faltam. Qualidade vocal e instrumental foram as palavras chave.

Baiana System instala caos dançante no Palco Sunset com angolana Titica

Russo Passapusso - Fotos de Cleber Junior

Por Thaís Monteiro*

A segunda atração do Palco Sunset deste quinto dia de Rock in Rio fez uma bela e sonora conexão entre o Brasil e Angola. Antes de Baiana System ser anunciada, um vídeo explicou um pouco da história do grupo e abordou referências de algumas de suas canções, mostrando gravações em estúdio. A entrada no palco foi acompanhada por calorosos aplausos do público que já aguardava no gramado.

A apresentação teve início com Forasteiro e, de imediato, o público começou a acompanhar os músicos não somente com a voz, mas também com o corpo, dançando o ritmo angolano. Não demorou muito para a área em frente ao palco ficar cada vez mais cheia de pessoas atraídas pelo ritmo e pelo groove da guitarra baiana.


Titica (de branco)

O público roqueiro não foi contagiado somente pelo som, mas também pela interação constante entre artista - público, que foi importante para o show, que somou muitos pontos positivos à qualidade artística do Baiana System. Uma inflamada roda foi formada pelos fãs do grupo, que tinham as letras das músicas na ponta da língua, ambientando ainda mais aquela área.

O show continuou, não só no palco, mas também no gramado, seguido por um grito de "Fora Temer". Capim Guiné trouxe a participação de Titica, estrela vinda diretamente da Angola. A cantora, o maior nome do Kuduro e ícone da contracultura africana, chegou acompanhada por duas dançarinas que somaram e deram ainda mais energia para quem estava assistindo para continuar acompanhando nos passos.

Baiana System

Para encerrar a festa, Playsom. A experiência vivida foi bem diferente das que ainda estão por vir e bem positiva. As rimas e melodias do vocalista Russo Passapusso, do Baiana, explorando influências carnavalescas e folclóricas, teve uma fusão interessante com a proposta de Titica. O público saiu com o horizonte musical expandido.

*Jornalista, ajuda o Blog do Jama na cobertura do Rock in Rio


sexta-feira, 22 de setembro de 2017

Tyler Bryant and The Shakedowns e The Kills, duas bandas de estilos opostos, fazem sucesso no Palco Sunset do Rock in Rio

Tyler Bryant - Fotos de Cleber Junior

Duas bandas de linhas musicais opostas abriram o Palco Sunset nesta quinta, ainda sob a força inclemente do maçarico. O hard rock setentista de Tyler Bryant and The Shakedown contrasta com a linha indie da dupla The Kills, o guitarrista Jamie Hince e a vocalista e eventual guitarrista Alison Mosshart.

Kills me soa como algo novo (acompanho rock desde 1964) em contraste com a mistura Deep Purple/Led Zeppelin e semelhantes do Tyler, um típico guitar hero que me soa deja ouvi. É um bom músico, dedicado e honesto na sua música e encontrou muito boa receptividade da plateia, talvez por ser média jovem e que se entusiasmou muito com a saraivada de solos que ele serviu em uma hora de show.


Jamie Hince e Alison Mosshart - The Kills

Pontos altos do show foram That’s Alright Mama, um dos primeiros hits de Elvis Presley, tocado com fúria e um excelente desempenho dele em slide numa dobro steel guitar: “Vamos levar vocês para o Tennessee, de onde viemos,” disse ele numa alusão a Elvis ser de Memphis, no estado americano, e eles de Nashville. E ainda o blues Got My Mojo Working, standard gravado por Muddy Waters. Tyler Bryant conquistou a plateia e, por extensão, o Brasil, deve pintar aqui agora com frequência depois desta primeira vez.
Kills acho um pouco desconcertante. Alison é maravilhosa, tem uma entrega absurda, ainda mais do jeito que entrou no palco, com febre, mas a energia da música e da plateia lhe deram uma levantada, foi ficando mais elétrica e mais intensa com o desenrolar da apresentação.

Graham Whitford, dos Shakedowns. Filho de Brad Whitford, do Aerosmith. Como o pai prefere Gibson Les Paul

Jamie Hince tem um estilo intrigante e instigante. Ele é one man band, toca guitarra, baixo, bateria e teclados, mas em turnê se restringe a um excelente trabalho de guitarra que vai do sutil ao esporrento com muitos efeitos de puro barulho, apesar da banda não ser considerada de noise rock, mas uma classificação esdrúxula de noisy, dirty garage punk blues e de dark psychedelia, entre outras adjetivações.

Caleb Crosby - The Shakedowns

É aí que está o trunfo dos Kills, ser meio inclassificável, obrigar os colegas gringos a fazer malabarismos para definir sua música. O que interessa é que conseguem soar como novidade num terreno onde é difícil fazer algo novo, o rock parece estar apenas se repetindo com variações. A dupla sabe driblar as redundâncias.  Na saída do Sunset para a Sala de Imprensa encontrei o grande Edgar Scandurra, que tinha tocado com Ana Cañas. Ele ainda não conhecia os Kills e achou a dupla muito boa. Palavra de especialista.

Calvin Webster -  The Shakedowns


SETLISTS

TYLER BRYANT AND THE SHAKEDOWNS
Weak & Wepin’
Criminal Imagination
House on Fire
Easy Target
Last One Leaving
That’s Alright Mama
Don’t Mind the Blood
Got My Mojo Working
Aftershock
Lipstick Wonder Woman
House That Jack Built

THE KILLS
Heart of a Dog
U.R.A. Fever
Kissy Kissy
Hard Habit to Break
Black Balloon
Doing It to Death
Baby Says
Tape Song
Echo Home
Siberian Nights
Pots and Pans/ Monkey 23

Def Leppard faz show com hits e harmonia no palco

ATT. Este ano conto com a força da repórter Thais Monteiro na cobertura do Rock in Rio. Ela é jornalista, é do rock e trabalha na produção do Imperator

Por Thaís Monteiro
Obs. A produção não deixou que fotografássemos o show.

A banda inglesa subiu ao palco do Rock in Rio na noite de quinta e dividiu o público entre aqueles em que viviam o sentimento da palavra Hysteria e aqueles que não conheciam muito o trabalho dos músicos. Para os fãs, Def Leppard fez valer a pena a espera para vê-los no festival, após o cancelamento na saudosa edição de 1985 do festival, na qual foram substituídos pelo Whitesnake.

Há quem acredite que a única razão tenham sido as gravações de um disco, assim como há quem bata o martelo e coloque o acidente com o baterista Rick Allen, quando perdeu seu braço esquerdo, como fator principal. Opiniões divergentes sempre estão presentes entre os fãs, independente do artista. Fãs esses que já estão levando seus filhos adolescentes, e até adultos, para o show.
Foi em meio ao clima familiar, com parte do público afinado, que os ingleses foram recebidos. Hysteria, não é só uma palavra traduzida para dar sentido à emoção vivida pelos roqueiros, mas também é o título do álbum escolhido pelo quinteto para ser o carro chefe do show e também o de maior sucesso da banda. O primeiro hit executado foi Animal e fez com que fosse possível ouvir um coro mais próximo ao palco.

No set também entraram Love Bites, Rocket e Pour some sugar on me. Apesar do desfile de boas músicas, do impactante timbre das guitarras e do show impecável, muitas pessoas ficaram deitadas nas cangas no entorno do palco mundo. Hysteria, seguida por um trecho de Heroes, de David Bowie e Rock of Ages foram momentos altos da apresentação.

Outro ponto que merece destaque é a performance do baterista Rick Allen. O músico, que sofreu um acidente de carro em dezembro de 1984, teve seu braço esquerdo inteiro amputado, ocasionado pelo forte impacto. O kit adotado por ele foi desenvolvido sob medida e combina elementos acústicos e eletrônicos. Observando o instrumento mais a fundo, é possível notar que, no chão, um sistema de pedal triplo funciona como um braço virtual, o que permite que Rick tenha uma segunda opção para a reprodução dos sons da caixa, bumbo e um dos tons.

Def Leppard percorreu diferentes fases da carreira (apesar de focar mais em um único álbum) em pouco mais de uma hora de show e fez jus à capacidade criativa e à musicalidade da banda, que, agora, em sua segunda vinda ao Brasil, volta pra casa sentindo o calor e ainda ouvindo os aplausos de 100 mil pessoas ao fundo, diferente da apresentação que fizeram em 1997, para pouco mais de 100 pessoas, segundo o guitarrista Phil Collen em entrevista para o jornal O Globo, no mês passado.

O saldo da apresentação foi positivo. Quem não conhecia, teve a oportunidade de ver o melhor da banda, reunindo tudo o que havia de melhor dentro do estilo, na década de 80. Com aplausos um pouco mais fortes, a banda se reúne para uma foto no palco com um público ao fundo. A noite valeu a pena para os músicos e para os fãs.

Aerosmith mostra lado mais comercial no Rock in Rio

Obs. A produção do Rock in Rio não permitiu que fizessemos fotos da banda.

O headliner da noite de quinta no Rock in Ro dividiu opiniões. Entre muito bom e mediano. Eu fiquei pelo mediano. Conheço a banda desde o começo como uma banda de hard rock com pé  no blues. Senti muito pouco disso no concerto, o Aerosmith perdeu a alma em sua longa  carreira. Descambaram para baladas bem apelativas, como Crazy e I Don’t Wanna Miss A Thing, as que mais entusiasmaram a plateia, mas não quem gosta do lado rock da banda.

Um dos discos mais representativos  do lado rock da banda é Get Your Wings, de 1974, que não tem uma música sequer no setlist. Eu senti o Aerosmith véio de guerra nas canções  Stop Messin' Round e Oh Well, que são da banda Fleetwood Mac, não a consagrada e diluída, mas a do começo, da fase blues rock capitaneada por Peter Green, autor destas duas canções.

Ali sim, estava a força do Aerosmith, Joe Perry cantou, mandou ver na guitarra, ele e Tyler na gaita fizera um improviso de pergunta e resposta sensacional, tudo com a garra que os levou a formar a banda em 1970 e merecer o título de Maior Banda de Rock da América.

Tudo bem, é notável que toquem duas horas com tanta energia depois das brabeiras que infringiram a si mesmos ao longo de suas existências. Tyler chegou a virar um farrapo humano consumido pelas drogas, a banda inteira passou por clínicas de reabilitação, Que Tyler esteja com a voz em forma e a banda afiada é milagre de subir a escadaria da Penha de joelhos.

AEROSMITH SETLIST
1 - Let the music do the talking
2 - Love in an elevator
3 - Cryin'
4 - Livin' on the edge
5 - Rag doll
6 - Falling in love (Is hard on the knees)
7 - Stop messin' around (cover do Fleetwood Mac)
8 - Oh well (Fleetwood Mac cover)
9 - Crazy
10 - I don't want to miss a thing
11 - Eat the rich
12 - Come together
13 - Sweet emotion
14 - Dude (Looks like a lady)
15 - Dream on
16 - Walk this way


Circo de Alice Cooper agrada mais que atrações do Palco Mundo do Rock in Rio

Atrás de Alice (da E) Chuck Garric, Ryan Roxie e John Perry - Fotos de Cleber Junior

Não teve pra ninguém no Palco Sunset e até no Palco Mundo. Diante do show morno do Def Leppard muita gente achou que Dona Alice faria muito melhor por lá com sua pirotecnia e seus truques de cena.

Dona Alice continua insuperável com seu rock horror show. Quem viu pelo Multishow sabe do que se trata, mas ver de perto aumenta muito o impacto dos mil truques que ele apresentou em uma hora de concerto. Miss Cooper foi eletrocutado e guilhotinado, escorou a voz e o preparo físico que não é mais aquele numa excelente banda que preencheu com competência os momentos em que ele se retira do palco para tomar folego.




Ele teve um convidado mais louco que ele, na verdade seu predecessor, Arthur Brown, que cantou com Alice seu sucesso Fire vestido a caráter (ou sem),  todo de preto com uma roupa glitter por baixo e uma pira pegando fogo na cabeça, retirada por um roadie no meio da música para não torrar os miolos dele.
Halo of Flies, que tem uma longa parte instrumental, cheia de climas, foram bem uns 10 minutos que as três guitarras de Tommy Henriksen, Rian Roxie e da estrelar Nita Strauss se dividiram em solos num arranjo bem feito que deu oportunidade a cada um de brilhar. Em outro trecho foi a vez da cozinha ter sua parte solo. O baixista Chuck Garric e o baterista Glen Sobel dialogaram e Sobel fez o solo que não pode faltar em show de classic rock.

Por ser um show reduzido Alice só apresentou sucessos, especialmente de meu álbum favorito, Killer (1971). A furiosa Under My Wheels, a climática Halo of Flies e a fatídica Killer. Ele foi contra a onda do politicamente correto e massacrou uma boneca de pano, a arrastou pelos cabelos, encheu de porrada e jogou de volta de um grande baú de onde, durante o show, uma mulher emergia para lhe dar casacos, fraque e uma  cartola. Em Only Women Bleed, que começa a cantar sentado numa lata de lixo ensanguentada, ele contracena com uma bailarina e simula dar-lhe uma facada.


Feed my Frankenstein

Se o Iron Maiden tem o monstro Eddie, Alice Cooer tem um enorme Frankenstein que ele pede para ser alimentado em Feed My Frankenstein, bem no clima dos zumbis cenográficos que “enfeitam” o cenário.

Quando o guilhotinaram, sua cabeça foi exibida por um carrasco mascarado e ainda foi fritado numa caixa preta que explodiu em fogos no meio do palco. Será que suas músicas se sustentariam sem isso, Será ele mais teatro do que música? Pode até ser, mas ninguém se importa com isso. Cumpre a função de divertir há décadas. Eu vi seu show no Maracanãzinho nos idos de 1974, um dos primeiros artistas gringos a nos desbravar. Na época seu teatrinho causou reações porque estripava bonecas em Dead Babies com sangue artificial pingando.

Hoje em dia perdeu esta aura de impacto. A tecnologia deu um forte upgrade no terror e reduziu seus truques a mafuá de parque de diversões, uma viagem no trem fantasma. Ele solta fogos, usa fumaça, bolhas de sabão, chamas quer saber, funciona.

 Ele fechou a noite com um grande sucesso, School’s Out, com inclusão de Another Brick In The Wall Pt2, do Pink Floyd, com direito à participação estelar de Joe Perry, guitarrista do Aerosmith. As duas canções tem o mesmo tema,  chega de escola. É o hino certeiro dos inconformados, muitos deles viraram heróis do rock. Como já disse um deles, não lembro agora qual, se não tivesse virado um rock star estaria morto. Alice Cooper simula a própria morte duas vezes em cada show, mas vai muito bem, obrigado.
Setlist
Brutal Planet
No More Mr. Nice Guy
Under My Wheels
Solo de Nita Strauss
Poison
Halo of Flies
Feed My Frankenstein
Cold Ethyl
Only Women Bleed
I Love The Dead/Killer

quarta-feira, 20 de setembro de 2017

Lobão chama de redenção seu álbum tributo à sua geração e fala do veto a Surfista Calhorda

Divulgação

Conversei com Lobão por telefone sobre sua Antologia politicamente Incorreta dos Anos 80 pelo Rock que deu polêmica na terça-feira com o veto da música Surfista Calhorda pelos autores Carlos Gerbase e Heron Heinz.Foi o primeiro veto, talvez não por acaso de uma banda punk, e ainda aguarda a liberação de Leve Desespero, do Capital Inicial, e de Eu Sei, que é só de Renato Russo. A que ele mais temia em termos de licença teve um final feliz ontem, Rita Lee liberou Orra Meu, faixa de abertura do CD e álbum duplo de vinil que sai no final de ano financiado por crowdfunding, que só será iniciado depois do repertório pronto e autorizado com 24 em vez de 25 músicas.

Apesar de se intitular politicamente incorreta, a coletânea traz só sucessos de sua geração (fora a Rita) o que a torna bem correta. Lobão não faz mistério, ele coloca no Facebook pessoal e oficial amostras das músicas com sua visão pessoal.

Ele diz que um critério para escolher foi que pudesse sentir como se fossem dele. Tentou algumas, mas não conseguiu incorporá-las, como Índios (Legião Urbana) e Menina Veneno (Ritchie) nesta engasgou no “abajur cor de carne.”

Nos anos 80 Lobão não poupou seus contemporâneos, especialmente Os Paralamas do Sucesso, com sua língua ferina, agora deu uma guinada de 180 graus em sua postura: “Este disco pra mim é uma redenção. Estou tentando ressaltar a grandeza do trabalho dos anos 80, de mostrar ao público atual como são belas, de dar uma paisagem sonora bonita para elas. Tem um ponto na tua existência que exige que a gente seja legal, que a gente mostre que tem uma essência legal e estou comovido que a maioria esmagadora dos envolvidos tem mostrado isso,” disse-me.

Contou que os Paralamas aprovaram Lanterna dos Afogados e Quase um segundo: “Em Quase Um Segundo tive quase uma síncope, estou tendo isso com todas as músicas, me sinto tomado. Eu nunca fui intérprete, para mim é uma experiência nova, quase como se eu tivesse um encefalograma da alma do cara que fez a música.”

A bronca com Surfista Calhorda foi que Lobão mudou o verso “Vai pra Nova Iorque estudar advocacia” para “vai se matricular na UFRGS pra estudar sociologia.”  Ele achou a piada datada e acredita que a mudança ficou atual: “Hoje o filho é um universotário, com 45 anos ainda está na faculdade e mora com a mãe, é um arquétipo dos dias de hoje.” Ele acha que sua mudança faz mais sentido atualmente com o verso precedente “Vive da herança milionária de uma tia.”

“Eu procuro atualizar coisas que acho datadas. Em O Tempo Não Para troquei ‘museu de grandes novidades’ por ‘museu de velhas novidades,’ Em Pânico em SP quando diz que o medo da população está estampado nos meios de comunicação, entrou

“os meios de comunicação não querem mostrar o pavor da população.”
Perguntei se tinha alguma do Kid Abelha, ele disse que não se via cantando “tira essa bermuda que eu quero você sério.” Explica: Tem que ser uma música que eu possa considerar minha. O tempo está exíguo, não tive tempo. Queria fazer Finis Africa, Picassos Falsos, Hojerizah, Zero, Voluntários da Pátria, Cólera.”
Quem sabe num volume 2, música boa é que não falta.

O Repertório

Blitz – Vítima do Amor
Camisa de Venus – Eu Não matei Joana D’Arc
Capital Inicial – Leve Desespero
Cazuza, Lobão e Cartola - Azul e amarelo
Cazuza – O tempo Não Para
Engenheiros do Hawaii – Toda Forma de Poder e Somos Quem Podemos Ser
Gang 90 & Absurdetes – Nosso Louco Amor
Guilherme Arantes - Planeta Água
Inocentes – Pânico em SP
IRA! - Dias de Luta e Núcleo Base
Kiko Zambianchi – Primeiros Erros
Legião Urbana – Eu Sei e Geração Coca Cola
Lulu Santos – Certas Coisas
Marina Lima - Virgem
Paralamas do Sucesso  - Quase Um Segundo e Lanterna dos Afogados
Plebe Rude – Até Quando Esperar
Rita Lee – Orra Meu
RPM – Louras Geladas

terça-feira, 19 de setembro de 2017

Conheça as músicas mais tocadas por The Who este ano na América

Roger Daltrey (E) e Pete Townshend

The Who foi fundado em 1964 por três amigos, Pete Townshend (voz, guitarra, composição), John Entwistle (baixo) e Roger Daltrey (voz). Através de um teste chegaram a Keith Moon que quebrou algumas peças de bateria, mas foi aprovado pela maneira insana como tocava.

Ao Who são atribuídas algumas marcas como os power chords de Pete Townshend, a primeira banda a integrar sintetizadores ao som, um ato ao vivo original que incluía a quebra de guitarras, amplificadores e baterias. Em meados de 64 quando tocavam num saloon, Pete acidentalmente bateu com a guitarra no teto rebaixado e a quebrou. Ficou tão puto que quebrou a guitarra no palco, ao que Keith Moon seguiu chutando o bumbo, o surdo, mandou os pratos no chão e pronto. Algum tempo depois Pete se queixou que os fãs eram uns imbecis que não ligavam pra música, só iam ao show para vê-los quebrar os instrumentos.

O Who nasceu como representante da cultura mod inglesa. Jovens de classe média que se vestem bem, se deslocam em lambretas, gostam de rock, música negra americana dançante. Jimmy, o personagem da ópera rock Quadrophenia é um mod e fã do Who. Hoje restam apenas Pete Townshend e Roger Daltrey da formação original. O baterista Keith Moon morreu em sete de setembro de 1978 por ingerir 30 comprimidos do remédio Heminevrin, indicado para ajudá-lo a superar o alcoolismo. John Entwistle morreu em 27 de junho de 2002 de um ataque cardíaco induzido pelo uso de cocaína, ele recebeu aviso médico, mas insistiu.

Abaixo as 21 músicas mais tocadas pela banda em nove concertos na América em junho, julho e agosto deste ano, com altas probabilidades da maioria, se não todas, serem tocadas no Brasil. São sucessos, um módulo cada das óperas rock Tommy e Quadrophenia. Bom proveito.

I Can't Explain 


Primeiro single da banda, lançado em 15 de janeiro de 1965. Pete Townshend confessou que segue o estilo da banda inglesa The Kinks, de Ray Davies, uma grande influência dele, especificamente de All Day and All of the Night, lançado em 23 de outubro de 1964. Pete disse que não tem nenhuma história por trás, foi algo que lhe veio à cabeça quando tinha 18 anos e alguns meses (Ele tinha 19 quando lançou o single)
Roger Daltrey disse que não havia preocupação inicial de ter material próprio, havia muito material de origem americana para se usar, mas a banda prestou atenção quando os Kinks começaram a soltar material próprio, o que foi um incentivo para Pete compor.

The Seeker 



Single lançado em 2 de março de 1970. Townshend diz que compôs bêbado, às três da madrugada, “em algum pântano infestado de mosquitos” na Flórida. Ele dá uma explicação bêbada para a letra, diz que é sobre um “desespero divino ou apenas desespero.” Um cara muito durão e bastante desagradável, egoísta, que ofende todo mundo porque acha que ninguém faz nada por ele, não faz porra nenhuma e a única certeza de sua vida é a morte. Uma excelente canção que não foi bem nas paradas, 40º lugar na América e 19º na Inglaterra. Merecia bem mais.

Who Are You?


A letra foi inspirada por uma bebedeira de Pete com Steve Jones e Paul Cook, ex-guitarra e ex-bateria dos Sex Pistols, depois de uma reunião de 13 horas com o empresário trambiqueiro Allen Klein. “Steve e Paul se tornaram amigos próximos, saímos muitas vezes e, para uma dupla de anarquistas, devo dizer que se preocuparam bastante com meu estado de decadência na época,” diz Pete. Naquela noite um policial o encontrou desabado na porta de alguém no bairro londrino do Soho e o deixou ir embora desde que conseguisse andar sozinho. Falou também que Roger Daltrey deu um upgrade na letra quando começou a cantar “Who the fuck are you?”

The Kids Are Alright


Do primeiro álbum, My Generation, lançado em três de dezembro de 1965. Pete: "Quando compus era apenas um garoto, errando e acertando em tudo que fazia, eu estava meio que ensaiando minha vida. Tentando a sorte no casamento, usando umas coisas e bebendo. Experimentei tudo que pude e, não sei como, fiquei bem.”

I Can See for Miles



Do álbum The Who Sell Out, de 15 de dezembro de 1967. Pete conta que tinha composto esta canção mais de um ano antes de gravá-la, e confiava que era um ás na manga, que iria para o primeiro lugar. Chegou ao 10º na Grã-Bretanha e ao nono na América “Para mim era a gravação definitiva do Who, mas não vendeu. Eu cuspi na cara do fã inglês.” Paul McCartney contou que compôs Helter Skelter depois de ler uma resenha do álbum The Who Sell Out em que o crítico dizia que I Can See for Miles era a música mais pesada que conhecia, daí Paul resolveu fazer uma mais pesada.

My Generation




Canção título do primeiro álbum da banda, de três de dezembro de 1965.Pete disse que esta canção é sobre a tentativa de achar um lugar na sociedade e se inspirou em Young Man Blues, que diz na letra que um jovem não tem lugar no mundo atual (a canção é de 1959 por Mose Allison). É uma das músicas mais conhecidas e de maior cobrança da banda por conta do verso “Hope I die before I get old”, espero morrer antes de envelhecer. Pete diz que na época “old” (velho) significava “rich” (rico). Roger Daltrey gosta de dizer que o “old” significava ser velho de cabeça. Na época, 1965, a cultura rock não havia se consolidado ainda e roqueiro era marginalizado, o que mudaria rapidamente por conta do sucesso das novas bandas. Mesmo depois, sempre houve bastiões de resistência e tinha mesmo essa desconfiança das gerações mais velhas, uma canção de Marcos Valle, dos anos 70, dizia “não confie em ninguém com mais de 30 anos.” Como ficou velho e rico, sempre aporrinham a paciência de Pete Townshend com este verso.
(With "Cry If You Want" Snippet)

Naked Eye




Esta rodou antes de ser lançada na coletânea Odds & Sods em 28 de setembro de 1974. Foi composta na turnê da ópera rock Tommy, inicialmente destinada a um EP de 1970 batizado de 6 ft. Wide Garage, 7 ft. Wide Car, que não se concretizou. Daí foi terminada nas sessões de Who’s Next, mas engavetada. Pete diz que o ponto inicial foi um riff que sempre tocavam na turnê de 1969/70.

Behind Blue Eyes



Do álbum Who’s Next, de 25 de agosto de 1971. Esta faria parte da abortada ópera rock Lifehouse, que se seguiria a Tommy (1969). Seria o tema do vilão, Jumbo, que canta na primeira pessoa sua angústia e raiva por todas as pressões e tentações à sua volta. Pete: “Traduz a revolta do personagem, de ser forçado a bancar o vilão, quando, na verdade, é um cara legal.

Bargain


Do álbum Who’s Next, de 25 de agosto de 1971. Os versos fazem esta canção parecer romântica ao falar em desistir de tudo por alguém, de aceitar se perder para encontrar alguém e ser feliz, mas Pete diz que se refere a Deus.

Join Together



Uma canção que prega a união e tinha como título original Join Together with the Band e fazia parte da abortada óera rock Lifehouse, que devia vir em seguida a Tommy. Ficou engavetada por um tempo, chegou a ser cotada para outro álbum que não vingou, Rock Is Dead – Long Live Rock, mas acabou num single lançado em 16 de junho de 1972 que chegou ao nono lugar na parada britânica  e ao 17º na América.
Roger Daltrey conta que implicou com o uso de sintetizador, uma ideia de Pete, achou que se ia perder muito tempo criando efeitos quando tudo podia ser feito com guitarras, ele se diz um “guitar man.”

You Better You Bet



Do álbum Face Dances, de 16 de março de 1981. Canção de amor para uma namorada, composta depois de semanas de farra (com ela, suponho). “Eu estava com o casamento em crise e saindo com a filha de uma amiga. Me esforcei para que ficasse boa porque ela era uma das melhores pessoas que conheci na vida. A letra foi bem espontânea e cita a banda glitter inglesa T Rex e um álbum nosso no verso ‘to the sound of old T Rex and Who’s Next’. É uma canção pop, só isso.’” A gravação tem um órgão Yamaha E70.

QUADROPHENIA

O concerto tem um módulo dedicado à ópera rock Quadrophenia, lançada em 19 de outubro de 1973. A história de um mod chamado Jimmy que enfrenta todo tipo de dificuldades para se integrar social, afetiva e profissionalmente na sociedade e é fã do Who. Perde empregos, não é aceito por amigos, não se dá bem com os pais, usa anfetaminas e contempla o suicídio, o que fica em aberto porque termina com ele sobre um rochedo à beira do mar

5:15



Descreve uma viagem de trem de Jimmy para Brighton em busca de amigos, mas quando lá chega vê que tudo mudou e uma gangue brutal domina a área. Nesta viagem ele consome um grande número de pílulas de anfetamina (Dexamyl, na gíria purple hearts) e passa por estados de euforia e depressão, por isso rouba um barco e vai pro mar.

I'm One



Abre com Pete ao violão e voz, depois entra a banda. É um momento de introspecção e avaliação da vida e Pete diz que passou por algo parecido. “Quando era moleque, tudo que tinha era a guitarra. Não era durão o suficiente para entrar numa gangue, não era bonito para me dar bem com as garotas, não inteligente para me dar bem nos estudos, nem tinha talento para jogar futebol. Eu era a porra de um perdedor.”

The Rock



Tema instrumental que ilustra a viagem de barco de Jimmy para um rochedo onde acontece o final da ópera. A execução cria o movimento das ondas e a introspecção de Jimmy ao ver fracassar sua última tentativa de integração.

Love, Reign O'er Me



Reflete a crise espiritual de Jimmy, todo encharcado sob um forte temporal. Pete diz que se refere a uma fala do seu guru Meher Baba, de que a chuva é uma benção divina e o trovão a voz de Deus. Traduz o dilema de Jimmy entre o suicídio e a volta para casa onde sofreria as mesmas pressões e as mesmas angústias.

FIM QUADROPHENIA
Eminence Front



Do álbum It’s Hard, de quatro de setembro de 1982. A letra fala sobre o uso de drogas dos ricos e hedonistas, de uma festa onde todos se escondem atrás de fachadas. “Esta música é o que acontece se você usar muito pó branco.”

TOMMY

O bloco da ópera rock Tommy, lançada em 23 de maio de 1969, que consagrou o Who no festival de Woodstock. É a história do garoto Tommy, que vê o pai matar o amante da mãe e os dois o aterrorizam para que nada conte, daí ele fica cego, surdo e retardado por motivos psicológicos. Mesmo nesta condição ele tem sensibilidade nos dedos e se torna um adorado campeão do jogo eletrônico pinball. Sofre maus tratos, abusos de personagens e se recupera. Torna-se um líder com um campo de férias, mas acaba rejeitado pelos fãs, que o abandonam. Com este novo trauma ele reverte à condição inicial, surdo, cego e retardado.

Amazing Journey/ Sparks



Tratam do desenvolvimento de uma grande mentalidade psíquica do personagem.

Pinball Wizard


Esta canção conta o auge de Tommy como jogador de Pinball, narrado por um cara identificado como “Campeão local” que se diz perplexo com a performance dele, superando todo e qualquer adversário. Como é surdo, não se distrai com os barulhos da máquina e nem com a torcida, sua concentração é total, como é cego, se guia pela vibração da bola.

See Me Feel Me



É o apelo final de Tommy para ser visto, sentido, tocado e curado depois de reverter ao estágio anterior. Na ópera, esta é a parte final da última faixa do lado dois do vinil duplo, We’re Not Gonna Take It, que fala sobre o campo de férias e o abandono pelos fãs. Como apenas a parte final foi colocada no filme Woodstock, ganhou vida própria e se desvinculou da primeira parte da canção.

FIM TOMMY

Baba O’Riley


Chegamos à parte final do show com os dois maiores hinos da banda, ambos do álbum Who’s Next, de 25 de agosto de 1971. Este iria fazer parte da abortada ópera rock Lifehouse e seria cantada por um fazendeiro escocês, chamado Ray, no momento em que prepara sua mudança para Londres com a mulher Sally e dois filhos. Oito canções da frustrada ópera entraram em Who’s Next, um dos mais festejados da banda, o que antecipou um sucesso para uma obra que nunca existiu.
Townshend contou que a letra é sobre  a desolação que viu entre os adolescentes em Woodstock, onde o amplo uso de ácido lisérgico (LSD) causou estragos permanentes nas mentes de muitos jovens. Acrescenta que, por ironia, a canção foi entendida por muitos como uma celebração da juventude, quando a letra chama o festival de “teenage wasteland,” terra destruída da adolescência.
A canção chama a atenção na abertura por uma espécie de looping eletrônico, na verdade uma repetição do preset de marimba de um órgão Lowrey Berkshire Deluxe TBO-1, inspirado na obra do compositor minimalista inglês Terry Riley, grande admiração de Townshend, por isso mesmo seu sobrenome foi incluído no título da canção. O primeiro nome é do sobrenome do guru dele, Meher Baba.

 Won't Get Fooled Again



Uma canção complexa que mostra a postura intelectual de Pete Townshend.
Townshend definiu esta como um grito de desafio aos que acham que ter qualquer causa é melhor do que não ter causa alguma, que não é estritamente anti-revolucionária, apesar do verso que conclama a lutar nas ruas. Enfatiza que uma revolução pode ser imprevisível e fugir ao controle de quem a desencadeou (Robespierre que o diga): “Não espere que aconteça o que você quer que aconteça. Não espere nada e você pode conseguir tudo.” O pano de fundo, mais uma vez são seus estudos místicos. Townshend lia na época O Misticismo do Som e da Música, de Inayat Khan, fundador do Sufismo Universal. A obra trata da harmonia espiritual e do acorde universal, cujo toque traria harmonia universal. Pete achou que os então recentes sintetizadores poderiam ajudar na conversão da personalidade humana em música.
Entrevistou muitas pessoas com perguntas triviais, gravou suas batidas cardíacas, ondas cerebrais e converteu tudo em pulsos de áudio. Ele plugou um órgão Lowrey a um sintetizador analógico VCS 3 para fazer pulsos modulados.
Foram feitas duas tentativas de gravar. A primeira nos estúdios Record Plant, Nova York, com produção de Felix Pappalardi (Mountain, Cream) com participação de Leslie West, guitarrista do Mountain. Não deu certo, ficou confusa e difícil de mixar.
A segunda tentativa foi na casa de Mick Jagger em Stargroves, no interior da Inglaterra, com auxílio do estúdio móvel dos Rolling Stones e do produtor Glyn Johns (Rolling Stones). Ele decidiu usar a faixa de sintetizador da demo original que considerou superior à da primeira gravação. Keith Moon sincronizou sua levada de bateria com a faixa de synth, Pete tocou guitarra e John Entwistle baixo. Deu certo.
That’s all Folks. Até lá.