domingo, 24 de setembro de 2017

Cidade Negra, Maestro Spock e Digital Dubs batem cabeça para Gilberto Gil em show porreta

Toni Garrido - Fotos de Cleber Junior

O Cidade Negra se uniu à um naipe da banda do Maestro Spock e ao coletivo Digital Dubs para uma homenagem ao nosso grande mestre Gilberto Gil e o resultado foi devastador coma tradução de hinos da música brasileira para o reggae impecável do Cidade, reforçado por uma metaleira e por efeitos de dub. Merecia virar no mínimo um DVD ao vivo porque incendiou a multidão reunida diante do Palco Sunset a partir de 16h30, sob a força do maçarico, que se retirou mais cedo. Só lamentei que a banda de Spock não tivesse um set solo porque é arrasa quarteirão. Uma vez vi um show deles no falecido Canecão, frevo da melhor qualidade, um verdadeiro carnaval e terminou do lado de fora.

Reggae é chão chão chão e o baixo de Bino Farias rearrumou meus órgãos internos porque assisti em frente às caixas de subwoofer, onde também troou o bumbo de Lazão. Foda! Gilberto Gil é o grande mestre brasileiro da cultura afro-brasileira. A ponte que construiu entre a África, a Jamaica e o Brasil, especialmente a Bahia, é responsável por uma música de apelo universal porque não tem a barreira da língua, é compreendida em todos s quadrantes do planeta. Nós temos a vantagem de compreende sua excelência poética em português.

Maestro Spock e seu sax barítono

O Cidade Negra escolheu a parte mais celebratória da carreira de Gil, a mais adequada mesmo para um festival onde todo mundo está ligado no modo festa.  E nada tiveram a reclamar. "Acredite em quem está ao seu lado, amor, amor, abrace," gritou Toni Garrido (vocal) num mote que vem se repetindo no festival junto com a palavra Paz.  E foi paz para as comunidades do Rio e paz para a Rocinha que ele pediu depois de Andar Com Fé.


Chão Chão Chão - Bino Farias (baixo)

 Logo após Refavela Toni fez um chamado à consciência do Rio: "Já pensou o que a galera tá sentindo na Rocinha? Foda."  Como bem disse em Extra, a música de abertura, "livrai-nos desse tempo escuro," um apelo a nós mesmos. O hino Não Chore Mais mobilizou o publico que cantou em uníssono, seguida do momento de delicadeza da bela Esotérico, que Gil filosofa "se eu sou algo incompreensível, meu Deus é mais." E, sim, mistério sempre há de pintar por aí.

Interessante como várias canções acabaram sendo pertinentes ao momento que o Rio e o país vivem. Tempo Rei fala em transformar as velhas formas do viver, ao mesmo tempo e ganhou um arranjo mais rápido que reflete um momento de desilusão que o povo brasileiro vive, desilusões em si mesmo, "tudo permanecerá do jeito que tem sido." 



A Novidade, parceria de Gil com os Paralamas, ganhou um arranjo mais pesado com a metaleira de Spock, ele mesmo empunhando um sax barítono. A reta final teve Abri a Porta seguida do lado festeiro de Gil em Realce e Palco. Toni desceu e foi para a grade cantar junto do público e acabou se equilibrando em cima da grade em plena efervescência. Puta show.

SETLIST
Extra
Não Chore Mais
Esotérico
Tempo Rei
Andar Com Fé
Refaela
Vaamos Fugir
A Novidade
Abri a Porta
Realce
Palco


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