sexta-feira, 22 de setembro de 2017

Circo de Alice Cooper agrada mais que atrações do Palco Mundo do Rock in Rio

Atrás de Alice (da E) Chuck Garric, Ryan Roxie e John Perry - Fotos de Cleber Junior

Não teve pra ninguém no Palco Sunset e até no Palco Mundo. Diante do show morno do Def Leppard muita gente achou que Dona Alice faria muito melhor por lá com sua pirotecnia e seus truques de cena.

Dona Alice continua insuperável com seu rock horror show. Quem viu pelo Multishow sabe do que se trata, mas ver de perto aumenta muito o impacto dos mil truques que ele apresentou em uma hora de concerto. Miss Cooper foi eletrocutado e guilhotinado, escorou a voz e o preparo físico que não é mais aquele numa excelente banda que preencheu com competência os momentos em que ele se retira do palco para tomar folego.




Ele teve um convidado mais louco que ele, na verdade seu predecessor, Arthur Brown, que cantou com Alice seu sucesso Fire vestido a caráter (ou sem),  todo de preto com uma roupa glitter por baixo e uma pira pegando fogo na cabeça, retirada por um roadie no meio da música para não torrar os miolos dele.
Halo of Flies, que tem uma longa parte instrumental, cheia de climas, foram bem uns 10 minutos que as três guitarras de Tommy Henriksen, Rian Roxie e da estrelar Nita Strauss se dividiram em solos num arranjo bem feito que deu oportunidade a cada um de brilhar. Em outro trecho foi a vez da cozinha ter sua parte solo. O baixista Chuck Garric e o baterista Glen Sobel dialogaram e Sobel fez o solo que não pode faltar em show de classic rock.

Por ser um show reduzido Alice só apresentou sucessos, especialmente de meu álbum favorito, Killer (1971). A furiosa Under My Wheels, a climática Halo of Flies e a fatídica Killer. Ele foi contra a onda do politicamente correto e massacrou uma boneca de pano, a arrastou pelos cabelos, encheu de porrada e jogou de volta de um grande baú de onde, durante o show, uma mulher emergia para lhe dar casacos, fraque e uma  cartola. Em Only Women Bleed, que começa a cantar sentado numa lata de lixo ensanguentada, ele contracena com uma bailarina e simula dar-lhe uma facada.


Feed my Frankenstein

Se o Iron Maiden tem o monstro Eddie, Alice Cooer tem um enorme Frankenstein que ele pede para ser alimentado em Feed My Frankenstein, bem no clima dos zumbis cenográficos que “enfeitam” o cenário.

Quando o guilhotinaram, sua cabeça foi exibida por um carrasco mascarado e ainda foi fritado numa caixa preta que explodiu em fogos no meio do palco. Será que suas músicas se sustentariam sem isso, Será ele mais teatro do que música? Pode até ser, mas ninguém se importa com isso. Cumpre a função de divertir há décadas. Eu vi seu show no Maracanãzinho nos idos de 1974, um dos primeiros artistas gringos a nos desbravar. Na época seu teatrinho causou reações porque estripava bonecas em Dead Babies com sangue artificial pingando.

Hoje em dia perdeu esta aura de impacto. A tecnologia deu um forte upgrade no terror e reduziu seus truques a mafuá de parque de diversões, uma viagem no trem fantasma. Ele solta fogos, usa fumaça, bolhas de sabão, chamas quer saber, funciona.

 Ele fechou a noite com um grande sucesso, School’s Out, com inclusão de Another Brick In The Wall Pt2, do Pink Floyd, com direito à participação estelar de Joe Perry, guitarrista do Aerosmith. As duas canções tem o mesmo tema,  chega de escola. É o hino certeiro dos inconformados, muitos deles viraram heróis do rock. Como já disse um deles, não lembro agora qual, se não tivesse virado um rock star estaria morto. Alice Cooper simula a própria morte duas vezes em cada show, mas vai muito bem, obrigado.
Setlist
Brutal Planet
No More Mr. Nice Guy
Under My Wheels
Solo de Nita Strauss
Poison
Halo of Flies
Feed My Frankenstein
Cold Ethyl
Only Women Bleed
I Love The Dead/Killer

2 comentários:

  1. Tem coisas que não dá pra entender... A organização botou o Alice Cooper pra tocar no palco Sunset... ALICE COOPER!!!!, gente...

    Enquanto isso, hoje tem Alter Bridge (???) no palco mundo... vai entender..

    E eu que queria assistir ao Tears For Fears hoje, não poderei porque a Light programou um serviço entre às 23h00 de hoje e 10h00 de amanhã que afetará meu prédio... 11 horas sem luz elétrica. Obrigado, Light.

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  2. Também assisti o show em 74. Sou fã do Alice. Diversão e rock punch garantidos, com letras e atitudes rebeldes, próprias do Rock & Roll. O fato da banda aglutinar músicos excelentes, convidados de calibre, mostra a relevância do seu trabalho e trajetória. Diga-me com quem andas e dir-te-ei quem és. Showzaço!

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