terça-feira, 19 de setembro de 2017

Conheça as músicas mais tocadas por The Who este ano na América

Roger Daltrey (E) e Pete Townshend

The Who foi fundado em 1964 por três amigos, Pete Townshend (voz, guitarra, composição), John Entwistle (baixo) e Roger Daltrey (voz). Através de um teste chegaram a Keith Moon que quebrou algumas peças de bateria, mas foi aprovado pela maneira insana como tocava.

Ao Who são atribuídas algumas marcas como os power chords de Pete Townshend, a primeira banda a integrar sintetizadores ao som, um ato ao vivo original que incluía a quebra de guitarras, amplificadores e baterias. Em meados de 64 quando tocavam num saloon, Pete acidentalmente bateu com a guitarra no teto rebaixado e a quebrou. Ficou tão puto que quebrou a guitarra no palco, ao que Keith Moon seguiu chutando o bumbo, o surdo, mandou os pratos no chão e pronto. Algum tempo depois Pete se queixou que os fãs eram uns imbecis que não ligavam pra música, só iam ao show para vê-los quebrar os instrumentos.

O Who nasceu como representante da cultura mod inglesa. Jovens de classe média que se vestem bem, se deslocam em lambretas, gostam de rock, música negra americana dançante. Jimmy, o personagem da ópera rock Quadrophenia é um mod e fã do Who. Hoje restam apenas Pete Townshend e Roger Daltrey da formação original. O baterista Keith Moon morreu em sete de setembro de 1978 por ingerir 30 comprimidos do remédio Heminevrin, indicado para ajudá-lo a superar o alcoolismo. John Entwistle morreu em 27 de junho de 2002 de um ataque cardíaco induzido pelo uso de cocaína, ele recebeu aviso médico, mas insistiu.

Abaixo as 21 músicas mais tocadas pela banda em nove concertos na América em junho, julho e agosto deste ano, com altas probabilidades da maioria, se não todas, serem tocadas no Brasil. São sucessos, um módulo cada das óperas rock Tommy e Quadrophenia. Bom proveito.

I Can't Explain 


Primeiro single da banda, lançado em 15 de janeiro de 1965. Pete Townshend confessou que segue o estilo da banda inglesa The Kinks, de Ray Davies, uma grande influência dele, especificamente de All Day and All of the Night, lançado em 23 de outubro de 1964. Pete disse que não tem nenhuma história por trás, foi algo que lhe veio à cabeça quando tinha 18 anos e alguns meses (Ele tinha 19 quando lançou o single)
Roger Daltrey disse que não havia preocupação inicial de ter material próprio, havia muito material de origem americana para se usar, mas a banda prestou atenção quando os Kinks começaram a soltar material próprio, o que foi um incentivo para Pete compor.

The Seeker 



Single lançado em 2 de março de 1970. Townshend diz que compôs bêbado, às três da madrugada, “em algum pântano infestado de mosquitos” na Flórida. Ele dá uma explicação bêbada para a letra, diz que é sobre um “desespero divino ou apenas desespero.” Um cara muito durão e bastante desagradável, egoísta, que ofende todo mundo porque acha que ninguém faz nada por ele, não faz porra nenhuma e a única certeza de sua vida é a morte. Uma excelente canção que não foi bem nas paradas, 40º lugar na América e 19º na Inglaterra. Merecia bem mais.

Who Are You?


A letra foi inspirada por uma bebedeira de Pete com Steve Jones e Paul Cook, ex-guitarra e ex-bateria dos Sex Pistols, depois de uma reunião de 13 horas com o empresário trambiqueiro Allen Klein. “Steve e Paul se tornaram amigos próximos, saímos muitas vezes e, para uma dupla de anarquistas, devo dizer que se preocuparam bastante com meu estado de decadência na época,” diz Pete. Naquela noite um policial o encontrou desabado na porta de alguém no bairro londrino do Soho e o deixou ir embora desde que conseguisse andar sozinho. Falou também que Roger Daltrey deu um upgrade na letra quando começou a cantar “Who the fuck are you?”

The Kids Are Alright


Do primeiro álbum, My Generation, lançado em três de dezembro de 1965. Pete: "Quando compus era apenas um garoto, errando e acertando em tudo que fazia, eu estava meio que ensaiando minha vida. Tentando a sorte no casamento, usando umas coisas e bebendo. Experimentei tudo que pude e, não sei como, fiquei bem.”

I Can See for Miles



Do álbum The Who Sell Out, de 15 de dezembro de 1967. Pete conta que tinha composto esta canção mais de um ano antes de gravá-la, e confiava que era um ás na manga, que iria para o primeiro lugar. Chegou ao 10º na Grã-Bretanha e ao nono na América “Para mim era a gravação definitiva do Who, mas não vendeu. Eu cuspi na cara do fã inglês.” Paul McCartney contou que compôs Helter Skelter depois de ler uma resenha do álbum The Who Sell Out em que o crítico dizia que I Can See for Miles era a música mais pesada que conhecia, daí Paul resolveu fazer uma mais pesada.

My Generation




Canção título do primeiro álbum da banda, de três de dezembro de 1965.Pete disse que esta canção é sobre a tentativa de achar um lugar na sociedade e se inspirou em Young Man Blues, que diz na letra que um jovem não tem lugar no mundo atual (a canção é de 1959 por Mose Allison). É uma das músicas mais conhecidas e de maior cobrança da banda por conta do verso “Hope I die before I get old”, espero morrer antes de envelhecer. Pete diz que na época “old” (velho) significava “rich” (rico). Roger Daltrey gosta de dizer que o “old” significava ser velho de cabeça. Na época, 1965, a cultura rock não havia se consolidado ainda e roqueiro era marginalizado, o que mudaria rapidamente por conta do sucesso das novas bandas. Mesmo depois, sempre houve bastiões de resistência e tinha mesmo essa desconfiança das gerações mais velhas, uma canção de Marcos Valle, dos anos 70, dizia “não confie em ninguém com mais de 30 anos.” Como ficou velho e rico, sempre aporrinham a paciência de Pete Townshend com este verso.
(With "Cry If You Want" Snippet)

Naked Eye




Esta rodou antes de ser lançada na coletânea Odds & Sods em 28 de setembro de 1974. Foi composta na turnê da ópera rock Tommy, inicialmente destinada a um EP de 1970 batizado de 6 ft. Wide Garage, 7 ft. Wide Car, que não se concretizou. Daí foi terminada nas sessões de Who’s Next, mas engavetada. Pete diz que o ponto inicial foi um riff que sempre tocavam na turnê de 1969/70.

Behind Blue Eyes



Do álbum Who’s Next, de 25 de agosto de 1971. Esta faria parte da abortada ópera rock Lifehouse, que se seguiria a Tommy (1969). Seria o tema do vilão, Jumbo, que canta na primeira pessoa sua angústia e raiva por todas as pressões e tentações à sua volta. Pete: “Traduz a revolta do personagem, de ser forçado a bancar o vilão, quando, na verdade, é um cara legal.

Bargain


Do álbum Who’s Next, de 25 de agosto de 1971. Os versos fazem esta canção parecer romântica ao falar em desistir de tudo por alguém, de aceitar se perder para encontrar alguém e ser feliz, mas Pete diz que se refere a Deus.

Join Together



Uma canção que prega a união e tinha como título original Join Together with the Band e fazia parte da abortada óera rock Lifehouse, que devia vir em seguida a Tommy. Ficou engavetada por um tempo, chegou a ser cotada para outro álbum que não vingou, Rock Is Dead – Long Live Rock, mas acabou num single lançado em 16 de junho de 1972 que chegou ao nono lugar na parada britânica  e ao 17º na América.
Roger Daltrey conta que implicou com o uso de sintetizador, uma ideia de Pete, achou que se ia perder muito tempo criando efeitos quando tudo podia ser feito com guitarras, ele se diz um “guitar man.”

You Better You Bet



Do álbum Face Dances, de 16 de março de 1981. Canção de amor para uma namorada, composta depois de semanas de farra (com ela, suponho). “Eu estava com o casamento em crise e saindo com a filha de uma amiga. Me esforcei para que ficasse boa porque ela era uma das melhores pessoas que conheci na vida. A letra foi bem espontânea e cita a banda glitter inglesa T Rex e um álbum nosso no verso ‘to the sound of old T Rex and Who’s Next’. É uma canção pop, só isso.’” A gravação tem um órgão Yamaha E70.

QUADROPHENIA

O concerto tem um módulo dedicado à ópera rock Quadrophenia, lançada em 19 de outubro de 1973. A história de um mod chamado Jimmy que enfrenta todo tipo de dificuldades para se integrar social, afetiva e profissionalmente na sociedade e é fã do Who. Perde empregos, não é aceito por amigos, não se dá bem com os pais, usa anfetaminas e contempla o suicídio, o que fica em aberto porque termina com ele sobre um rochedo à beira do mar

5:15



Descreve uma viagem de trem de Jimmy para Brighton em busca de amigos, mas quando lá chega vê que tudo mudou e uma gangue brutal domina a área. Nesta viagem ele consome um grande número de pílulas de anfetamina (Dexamyl, na gíria purple hearts) e passa por estados de euforia e depressão, por isso rouba um barco e vai pro mar.

I'm One



Abre com Pete ao violão e voz, depois entra a banda. É um momento de introspecção e avaliação da vida e Pete diz que passou por algo parecido. “Quando era moleque, tudo que tinha era a guitarra. Não era durão o suficiente para entrar numa gangue, não era bonito para me dar bem com as garotas, não inteligente para me dar bem nos estudos, nem tinha talento para jogar futebol. Eu era a porra de um perdedor.”

The Rock



Tema instrumental que ilustra a viagem de barco de Jimmy para um rochedo onde acontece o final da ópera. A execução cria o movimento das ondas e a introspecção de Jimmy ao ver fracassar sua última tentativa de integração.

Love, Reign O'er Me



Reflete a crise espiritual de Jimmy, todo encharcado sob um forte temporal. Pete diz que se refere a uma fala do seu guru Meher Baba, de que a chuva é uma benção divina e o trovão a voz de Deus. Traduz o dilema de Jimmy entre o suicídio e a volta para casa onde sofreria as mesmas pressões e as mesmas angústias.

FIM QUADROPHENIA
Eminence Front



Do álbum It’s Hard, de quatro de setembro de 1982. A letra fala sobre o uso de drogas dos ricos e hedonistas, de uma festa onde todos se escondem atrás de fachadas. “Esta música é o que acontece se você usar muito pó branco.”

TOMMY

O bloco da ópera rock Tommy, lançada em 23 de maio de 1969, que consagrou o Who no festival de Woodstock. É a história do garoto Tommy, que vê o pai matar o amante da mãe e os dois o aterrorizam para que nada conte, daí ele fica cego, surdo e retardado por motivos psicológicos. Mesmo nesta condição ele tem sensibilidade nos dedos e se torna um adorado campeão do jogo eletrônico pinball. Sofre maus tratos, abusos de personagens e se recupera. Torna-se um líder com um campo de férias, mas acaba rejeitado pelos fãs, que o abandonam. Com este novo trauma ele reverte à condição inicial, surdo, cego e retardado.

Amazing Journey/ Sparks



Tratam do desenvolvimento de uma grande mentalidade psíquica do personagem.

Pinball Wizard


Esta canção conta o auge de Tommy como jogador de Pinball, narrado por um cara identificado como “Campeão local” que se diz perplexo com a performance dele, superando todo e qualquer adversário. Como é surdo, não se distrai com os barulhos da máquina e nem com a torcida, sua concentração é total, como é cego, se guia pela vibração da bola.

See Me Feel Me



É o apelo final de Tommy para ser visto, sentido, tocado e curado depois de reverter ao estágio anterior. Na ópera, esta é a parte final da última faixa do lado dois do vinil duplo, We’re Not Gonna Take It, que fala sobre o campo de férias e o abandono pelos fãs. Como apenas a parte final foi colocada no filme Woodstock, ganhou vida própria e se desvinculou da primeira parte da canção.

FIM TOMMY

Baba O’Riley


Chegamos à parte final do show com os dois maiores hinos da banda, ambos do álbum Who’s Next, de 25 de agosto de 1971. Este iria fazer parte da abortada ópera rock Lifehouse e seria cantada por um fazendeiro escocês, chamado Ray, no momento em que prepara sua mudança para Londres com a mulher Sally e dois filhos. Oito canções da frustrada ópera entraram em Who’s Next, um dos mais festejados da banda, o que antecipou um sucesso para uma obra que nunca existiu.
Townshend contou que a letra é sobre  a desolação que viu entre os adolescentes em Woodstock, onde o amplo uso de ácido lisérgico (LSD) causou estragos permanentes nas mentes de muitos jovens. Acrescenta que, por ironia, a canção foi entendida por muitos como uma celebração da juventude, quando a letra chama o festival de “teenage wasteland,” terra destruída da adolescência.
A canção chama a atenção na abertura por uma espécie de looping eletrônico, na verdade uma repetição do preset de marimba de um órgão Lowrey Berkshire Deluxe TBO-1, inspirado na obra do compositor minimalista inglês Terry Riley, grande admiração de Townshend, por isso mesmo seu sobrenome foi incluído no título da canção. O primeiro nome é do sobrenome do guru dele, Meher Baba.

 Won't Get Fooled Again



Uma canção complexa que mostra a postura intelectual de Pete Townshend.
Townshend definiu esta como um grito de desafio aos que acham que ter qualquer causa é melhor do que não ter causa alguma, que não é estritamente anti-revolucionária, apesar do verso que conclama a lutar nas ruas. Enfatiza que uma revolução pode ser imprevisível e fugir ao controle de quem a desencadeou (Robespierre que o diga): “Não espere que aconteça o que você quer que aconteça. Não espere nada e você pode conseguir tudo.” O pano de fundo, mais uma vez são seus estudos místicos. Townshend lia na época O Misticismo do Som e da Música, de Inayat Khan, fundador do Sufismo Universal. A obra trata da harmonia espiritual e do acorde universal, cujo toque traria harmonia universal. Pete achou que os então recentes sintetizadores poderiam ajudar na conversão da personalidade humana em música.
Entrevistou muitas pessoas com perguntas triviais, gravou suas batidas cardíacas, ondas cerebrais e converteu tudo em pulsos de áudio. Ele plugou um órgão Lowrey a um sintetizador analógico VCS 3 para fazer pulsos modulados.
Foram feitas duas tentativas de gravar. A primeira nos estúdios Record Plant, Nova York, com produção de Felix Pappalardi (Mountain, Cream) com participação de Leslie West, guitarrista do Mountain. Não deu certo, ficou confusa e difícil de mixar.
A segunda tentativa foi na casa de Mick Jagger em Stargroves, no interior da Inglaterra, com auxílio do estúdio móvel dos Rolling Stones e do produtor Glyn Johns (Rolling Stones). Ele decidiu usar a faixa de sintetizador da demo original que considerou superior à da primeira gravação. Keith Moon sincronizou sua levada de bateria com a faixa de synth, Pete tocou guitarra e John Entwistle baixo. Deu certo.
That’s all Folks. Até lá.

Um comentário:

  1. Esperando um dos últimos dinossauros do ROCK a pisar em terra Brasilis. Para mim a única razão para sair de casa e ir ao Rock in Rio, pois passei boa parte da vida escutando seus clássicos. Quem sabe minha última chance de vê-los, então é pegar aquele whisky para datas especiais e deixar a mente voar. Obrigado Deus!

    ResponderExcluir