sábado, 16 de setembro de 2017

Fernanda Abreu e Tyous Gnaouas são destaques da primeira noite do Rock in Rio

Fernanda Abreu - Fotos de Cleber Junior

Obs. Não tem foto de Fernanda Abreu com o Dream Team do Passinho porque a organização só permite fotos das três primeiras músicas.

A grande atração da primeira noite do Rock in Rio pra mim foi o show de Fernanda Abreu no Palco Sunset, muito bem acompanhada por sua superbanda, pela Cia Focus de Dança e o explosivo Dream Team do Passinho. Vi algumas críticas de colegas mal intencionados colocando este show pra baixo, só na má vontade mesmo porque foi um  show dançante, excelente repertório e grandes coreografias da Cia Focus, do coreógrafo Alex Neoral, que reforçaram o aspecto visual do show, sempre forte por Fernanda ser bailarina de origem, bem antes de ser vocalista da Blitz. Fernanda e suas bailarinas Alegria Mattos e Victorya Devin se integraram e Fernanda rebolou ao melhor estilo funk e até pagou calcinha várias vezes, o que não foi difícil porque estava com uma microssaia.

Tyous Gnaou

Na lenta Saber Chegar, o momento mais comentado, os dançarinos da Focus dançaram abraçados e se beijaram, eles e elas primeiro e, depois, eles e eles, elas e elas. Havia uma forte presença gay no festival por conta de Lady Gaga. Mesmo frustrados, eles foram, este momento foi dedicado a eles. Mais adiante Fernanda mandou uma sobre bissexualidade, Double Love, esta bem dançante, também muito apreciada por parte da plateia.


Beijo gay em Saber Chegar
É a temporada do disco Amor Geral, já com mais de ano de estrada e, portanto, afiadíssimo. Show dançante tem seu forte na cozinha, o baixo de André Carneiro estava sensacional, timbre mais agudo e mandando muito bem no balanço, junto com a bateria precisa de Tuto Ferraz e a percussão de Vanderlei Silva. Donatinho esbanja competência nos teclados, faz vocal com vocoder (distorcedor de voz) e suinga bem nas teclas. Na guitarra a competência de Fernando Vidal que comparece com wah wahs para acentuar o balanço das músicas.

O Dream Team do Passinho entrou em Tambor(zão), uma homenagem à percussão, instrumento ancestral tão importante na música popular, com a presença da voz gravada do mestre Afrika Bambaataa e aí incendiou, a galera do Passinho bota pra fuder em coreografias meio descoordenadas mas cheias de vigor.


Fernanda e Fernando Vidal

Fernanda foi generosa em ceder o centro do palco para os convidados cantarem De Ladin, que incendiou a plateia. A presença do Passinho foi no final da segunda parte em que Fernanda  mandou sucessos como Katia Flávia, Sla Radical Dance Disco Club, Garota Sangue Bom, Da Lata e Rio 40 Graus, esta com a Focus e o Dream Team no palco.

Com a Focus Cia da Dança

O calor estava de rachar na Cidade do Rock. Cheguei, tomei conhecimento da sala de imprensa, espaçosa, refrigerada e bem cuidada, com refris, noodles em copo e beliscos, bem como banheiros. Daí fui à luta atravessando a Cidade numa distância equivalente a Rio Petrópolis para chegar na bela Rock Street Africa, à beira de um lago artificial, para ver um dos grupos mais importantes deste festival, os Tyous Gnaoua. Este palco é o patinho feio do festival,  divulgação zero, sem informação da programação, fui achando que era Freddy Massamba, anunciado praquelas 15 horas. Desde cedo em frente ao palco tinha grupos afros se apresentando, sem informação alguma na sala de imprensa, tinha até um elefante cenográfico muito bem feito que, no preview do festival, anunciou-se como o xodó do presidente do Rock in Rio, Roberto Medina.


Les Tambours de Brazza
Representantes dos Gnaoua já estiveram aqui algumas vezes, incluindo na genial Tenda Raízes da edição 2001 do Festival. São da cidade de Essaouira, no Sul do Marrocos, cantam em árabe, tem coreografias aeróbicas muito bonitas, que fazem enquanto tocam castanholas de ferro chamadas de qraqeb para fazer a marcação dos passos, acompanhados por tambores tbel e por um baixo de três cordas chamado hajhouj, tudo da cultura berbere do sul do Marrocos. Uma preciosa demonstração da cultura africana em canto e dança, trazida pelo curador Teo Lima, grande conhecer da chamada world music. 

Neil Tennat - Pet Shop Boys

De noite tentei voltar para outra apresentação, mas a Cidade do Rock estava cheia demais, levei tantos esbarrões, tive que me desviar de tanta gente sentada que desisti. Passei pelo estande do banco Itaú, patrocinador master, onde havia uma banda sofrível tocando sucessos do Rock Brasil. Ontem teve também show de George Israel com a presença do mestre Luiz Carlini, mas o Rock District fica longe demais e estava com os pés doendo depois de ver em pé uma hora os mestres africanos. O Rock in Rio não dá tratamento preferencial para repórteres da terceira idade, é aguenta o tranco ou não vem, fica em casa vendo pela TV, mas sou teimoso e cubro desde o primeiro.


Chris Lowe - Pet Shop Boys

Fui para a sala de imprensa, refrigerada até demais. De tarde quando se saía de lá era como ir do Polo Norte ao Saara em segundos. Depois de água e alguns beliscos, fui para o Palco Mundo ver os garotos da loja de mascotes, os Pet Shop Boys, eram 21h, temperatura amena, muito cheio já, Neil Tennant na voz, Chris Lowe, one man band. Para quem é da escola do rock visceral, sujo, gritado, quem é da cultura de guitarras, o som da dupla parece vindo direto do Polo Norte. A voz de Neil tem um tratamento que parece de um robô. Chris manda muito bem nas camadas instrumentais e percussivas de seu equipamento, mas sinto falta de alma. Há um público muito grande criado nesta cultura eletrônica a partir dos anos 80 e todos se divertiram no show cheio de hits como Go West, Domino Dancing, It’s a Sin, Left to My Own Devices, West End Girls, Always on My Mind, esta hit de Elvis em boa recriação eletrônica. Acho interessante, mas não curto muito.

Não vi este momento (ainda bem) Giselle Bündchen e Ivete Sangalo cantaram Imagine

Depois dos Pets, eu e meus amigos, o fotógrafo Cleber Junior e a dupla da Rádio Cult Luck Veloso e André Luiz Costa fomos embora. A boy band australiana 5 Seconds of Summer e o Maroon 5 nada nos dizem.


O elefante cenográfico na Rock Street Africa


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