segunda-feira, 23 de outubro de 2017

Folks lança single que busca aproximação com identidade brasileira e trata da intolerância nas redes sociais

A turma toda que foi à audição - Foto de Daniel Santos

Estive quinta à noite na lendária Toca do Bandido, o estúdio criado pelo músico e produtor Tom Capone (1966-2004), para ouvir Sobre Viver, novo single da banda carioca Folks, uma prévia do álbum a ser lançado em 2018. Um trabalho primoroso de execução da banda com a produção de Felipe Rodarte, Folks honorário e principal produtor do Novo Rock. O single vai para as plataformas de streaming nesta sexta, 27 de outubro, mas a prévia reuniu integrantes das bandas Detonautas, Nove Zero Nove, Verbara, Pessoal da Nasa e Drenna, além de fãs que ganharam uma promoção para lá estar.

A canção é do vocalista Kauan Calazans com o guitarrista Paulinho Barros e o baterista PV. O tema é bem atual. Kauan conta que se incomoda muito com a agressividade, a descarga de coisas ruins e a intolerância nas redes sociais. Ele ficou pensando nesses assuntos, um dia o baterista PV disse-lhe uma frase, “Hoje eu sou mais, entendo o que faz bem.” Que lhe serviu como um gatilho e aí a letra saiu rapidinho. O refrão é poderoso, a banda ataca com intensidade para sublinhar versos que exaltam a liberdade para se misturar, outro tema em discussão constante nas redes sociais diante das mudanças que a sociedade vive atualmente. Em meio ao caos político e econômico há um novo pacto social em construção, novos termos de convivência, de aceitação, de compreensão que independem da podridão que emana de todas as esferas de governo. E a letra mostra isso também no título Sobre Viver, novas formas de conviver e sobre viver.

Viajei, mas acho que é por aí.


Da E - Felipe Rodarte (produtor), Paulinho Barros (guitarra), Sergio S (guitarra),  PV (bateria, atrás), Kauan Calazans (voz) e Guilherme Figa (baixo) 

A banda contou com participações do veterano percussionista  Edinho Souza, que passa a acompanhar a banda em shows, os teclados do colíder do Barão Vermelho Maurício Barros e, nos vocais, Drenna, líder da banda que leva seu nome e Nicole Cyrne vocalista da Blitz. A voz de Kauan ganhou uma textura mais grave, o trabalho do guitarrista Sergio S. é primoroso nos solos e comentários, brilha na canção inteira. Ele usou uma Gibson Les Paul 59 num amp Marshall Plexi Super Lead vintage que usa válvulas antigas, mesmo modelo que Jimi Hendrix usava. A canção pode ser um hit se devidamente divulgada em rádio e televisão, a mídia que projeta artistas. Publico a letra, mas não posso divulgar a canção antes do dia 27. Estará no meu programa Jam Sessions de domingo, 29.

Felipe Rodarte está a caminho de Las Vegas porque uma produção sua, o álbum Brutown, da dupla sergipana The Baggios, concorre ao Grammy Latino de melhor disco de rock na seção brasileira do prêmio. Ele é o principal produtor do novo rock e um pensador dos rumos desta geração. Fez uma exposição muito interessante antes de me mostrar a nova música. Aliás um tema que sempre abordei nas minhas matérias ao longo destes 35 anos em que cubro o rock brasileiro. Ele disse que a Folks busca agora uma identidade brasileira para sua música. Como rolou na Geração 80, começou com tinturas gringas, mas dissociada da nossa cultura. Hora de ir por caminho semelhante ao dos Paralamas, que começaram influenciados pelo Police e depois acharam um caminho na ponte África-Jamaica-Bahia ou o Barão Vermelho, inicialmente na linha Rolling Stones e depois num hard rock suingado.

Ele chamou a atenção para algo que eu já tinha sentido. Esta geração começou num nível bem mais alto do que a geração 80, basta comparar os primeiros discos de Paralamas etc com os atuais. No começo dos anos 00 eu não entendi porque a evolução demonstrada nos 80 e 90 se quebrou e apareceram formações medíocres. A maturação de uma geração mais consistente levou tempo.

Hoje aí estão com excelentes formações sem conseguir ainda conquistar espaço num mercado tomado pela mediocridade sertaneja e funkeira, com algumas exceções. Felipe Rodarte acredita que em algum momento a barreira vai se romper, eu espero que sim e faço minha parte, como sempre fiz.


Folks mais Fábio Brasil (segundo da esquerda p direita) e Renato Rocha (segundo da direita p esquerda) os Detonautas. E eu de enxerido. Foto de Felipe Rodarte

A falta de um suporte financeiro prejudica a evolução das bandas, tocam em lugares pequenos que pouco rendem. Num papo do lado de fora do estúdio, a querida Eliza Schinner, baixista da Nove Zero Nove, dizia que não se sentia incentivada a gravar um novo álbum porque tinham lançado um e nada aconteceu por conta do bloqueio. Argumentei e ela concordou que deve lançar singles periodicamente, um por semestre pelo menos, para criar ou renovar interesse. As bandas estão num trabalho lento de formação de público e elogiei a persistência desta geração, que batalha duro, toca onde der pra tocar, não importa o tamanho do lugar.

Enfim, espero ver esta geração vencer, como vi as anteriores vencerem.

Sobre Viver
(Kauan Calazans / Paulinho Barros / Pv)
Na busca pra não se sentir refém
A calma faz o instinto ir além
Hoje eu sou mais
Entendo o que faz bem

O brilho que é a arte de viver
Sabendo que a mente cria o ser
Hoje eu sou mais
Entendo o que faz bem

(Refrão)
Viva a liberdade
Viva a liberdade
Pra se misturar
Viva a liberdade
Ascender a confiança e se deixar levar
Que eu sou mais

A gente vive pelo mundo
A cada esquina pulando muro eu vou
Estar disposto e admirar
A perfeição de ser quem voce é

Refrão

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