sexta-feira, 3 de novembro de 2017

Festival Art Mix reuniu seis bandas no Vivo Rio

Mauricio Kyann - Nove Zero Nove - Fotos de Cleber Junior

Estive na noite finada de quinta no Vivo Rio para a primeira noite do festival Rio Art Mix, patrocinado por uma bebida que nunca tinha ouvido falar, Catuaba Selvagem. Como não bebo há uns 25 anos, saí sem provar a dita cuja que era oferecida por gatas vestidas de anjos (não existe feminino, anjo não tem sexo). No lineup quatro bandas novas, duas conhecidas CPM 22 e Autoramas.



Drenna

Por algum problema não diagnosticado, o imenso lugar estava vazio quando cheguei, foi enchendo, mas não deu meia casa. Especulava-se falta de divulgação, lugar grande demais, o dia de finados e até a logo do festival e o nome, que não dão ideia de um festival de rock, parece de uma feira de arte. Louvável abrir espaço para bandas que estão na batalha do reconhecimento e espero que, avaliadas as falhas, se faça nova edição no ano que vem. Há planos até de estender para outros estados.


Badauí - CPM 22

Vi três das seis bandas, ficar altas madrugadas no more. Na abertura estranhei o show da Nove Zero Nove. Conheço e gosto da banda, mas não foi uma boa apresentação. O som estava embolado, não havia entrosamento, estava desarrumado, o microfone de voz audível só quando o Maurício Kyann gritava. A guitarras de Paulo Pestana e Pedro Arruda mal timbradas e quando Rafael Cabral dava viradas, ouvia-se apenas uma parte dos tambores. Perguntei para a baixista Eliza Schinner o que tinha acontecido, incluindo se tinha bom retorno. Resposta: “Eu estava ouvindo direitinho. Na verdade, tudo MUITO embolado. Tivemos QUINZE MINUTOS de passagem de som. Não deu nem pra passar a bateria, naquele esquema bacana em que você passa bumbo, caixa, tudo separado. Foi tudo de uma vez. Subimos no palco 19h45 pra passar o som e mandaram sair às 20h. Ou seja...não tem como ajeitar um som desse jeito.”

Pois é, sacanagem com uma boa banda. Além disso o vocalista Mauricio Kyann podia ser menos panfletário e se concentrar mais no seu ofício, sem ficar apenas berrando o tempo todo e falando bobagens como “vamos arrasar e  nada vamos deixar pro Chico Buarque.”  Chico fará temporada na mesma casa.


Eliza Schinner Baixo - Nove Zero Nove

Intervalo, tome Catuaba aplicada pelas anjos até que chegou a hora de Drenna. Som da banda impecável, equilibrado, voz clara e nítida, pelo jeito passaram o som de maneira decente. Drenna faz um pop rock de excelente qualidade, boas letras, melodias agradáveis e interpretação segura. Ela toca guitarra em algumas músicas, mas fica apenas ao microfone em outras e apresenta também uma boa performance de palco. Ao lado dela três músicos muito bem entrosados e seguros:  Milton Carlos (bateria), Bruno Moraes (baixo) e Junior Macedo (guitarra). Quando o som e a banda não estão legais eu fico tenso, incomodado, quando está tudo certo, como foi com a Drenna, eu relaxo e entro na vibe do show, que foi bom do começo ao fim. Drenna tem hits em potencial no álbum Desconectar, a faixa título e Ela Vai Chamar Sua Atenção, além de Anônimo e Andar Sozinho. Além de uma bela  versão para Roda Viva, de Chico Buarque, com um arranjo pesado com climas que ilustram o protesto da letra alusiva à ditadura: "a gente quer ter voz ativa. No nosso destino mandar. Mas eis que chega Roda Viva e carrega o destino pra lá."


Kauan (Folks) em participação com a Nove Zero Nove

Não gosto do CPM 22 e nunca tinha visto ao vivo. Da geração surgida nos anos 90 que levou o rótulo de Emo, hardcore melódico, nunca me agradou aos ouvidos. Como foram a terceira atração da noite, lá fui eu grudar na grade pra ver como a banda funciona no palco. O som é coeso, integrado, com muito punch. O único integrante original é o vocalista Badaui, Japinha (batera) e Luciano entraram em 1999,  o guitarrista Phil em 2014 e o baixista Fernando em 2016. A banda toca com o pé embaixo o tempo todo, mesmo uma música que Badaui diz ter feito em homenagem ao pai falecido é uptempo.

Junior Macedo - Drenna

Dois guitarristas se revezam em solos e base, cada um sabe sua parte, me pareceu que é sempre a mesma coisa e não vi espaço para muitos improvisos. Badaui não é um grande vocalista, é o trivial simples que dá conta do recado, não faz modulações e canta quase sempre do mesmo jeito. E é o rei das rimas pobres em letras que falam de relacionamentos, muitas rimas de verbos com verbos e truques como  a surrada formula mim-enfim-assim-fim. Uma galera teve acesso ao pit em frente ao vocalista, que fez o show para eles, não se movimentou no palco, ficou direto no centrão, não é do tipo que agita o público.

A maior parte da plateia estava presente por causa deles. Cantaram, dançaram, pularam, meninas embevecidas não sei com que. Quando acabaram, o publico pegou o beco, ficou vaziaço e ainda faltavam três bandas. Botar a banda mais popular no meio dá nisso. Completaram o lineup de ontem Alfie Sá, Autoranmas e Black Alien. O festival acaba nesta sexta com Monstros do Ula Ula, Deia Cassali, SuperCombo, Rocca vegas, Rico Dalasam  Raimundos.




O amigo Cleber comentou que os jovens hoje só querem saber de banda conhecida e me perguntou se era assim nos anos 80. Respondi que era um panorama e uma juventude bem diferente da atual. Não havia internet, o jovem tinha que correr atrás de uma música com a qual se identificasse. E não havia a princípio, escutavam rock gringo e a MPB de então não lhes agradava. Daí a música deles nasceu dentro da própria geração.

ABruno Moares (baixo) - Drennadicionar legenda

Hoje em dia há muitas opções e o jovem que só quer saber de coisa conhecida na verdade está desprezando a ele mesmo, que também é novo e se identifica com músicas massificadas, não procura a identidade musical de sua geração. Não sabe, mas quem perde é ele mesmo.



SETLISTS
Drenna
Intro
Retorno
Anônimo
Ela vai chamar sua atenção
Roda viva
Andar sozinho
Sabotagem
Alivio
Desconectar
Entorpecer

Nove Zero Nove
Mártir
Levanta
Cova Rasa
Temporal
Desfaz
Ode Química (Pinguim)
Mendigo
Happy End

Obs. Os músicos da Drenna tiveram mais destque nas fotos porque ela colocou no site nome e foto de cada um, o que não acontece com a Nove  Zero Nove. Quer ser mais divulgado, organize-se.

Um comentário:

  1. O show do Autoramas foi excelente! Uma pena que muita gente saiu após o CPM22. Perderam o incrível show dos Autoramas!
    O que não estava bom na maior parte do evento era o microfone dos vocalistas. Não sei o porquê.

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