terça-feira, 22 de maio de 2018

Despedida estrondosa de Ozzy no Rio




Texto e fotos de Cleber Jr.

Ozzy avisa que esta é sua última turnê mundial. Não que deixará os palcos definitivamente, mas, provavelmente, não virá mais por essas bandas. O Rio de Janeiro foi a última data, numa Jeunesse Arena com bom público e, acima de tudo, animado, para cantar junto com o Príncipe das Trevas os clássicos de sua extensa carreira. Junto com Ozzy uma banda espetacular, onde o destaque é o brutamonte Zakk Wylde que deixa sua marca esmerilhando solos e riffs com técnica e garra.

O set list não mudou pelos palcos do Brasil e o show começa a projeção de uma apresentação com fotos de Ozzy criança seguindo ao longo da carreira, para emendar com Bark at the Moon. Em seguida Mr. Crowley, que tem sua introdução tocada por Adam Wakeman nos teclados e uma parada estratégica para o público soltar a voz no início da letra, mas, a turma estava mais preocupada em registrar com os celulares e perdeu a chance. Ozzy chamou o público de volta, mas o clima já havia sido quebrado.

Pausa para uma água e I Don't Know dá continuidade ao álbum Blizzard of Ozz, o primeiro de sua carreira solo, que fornece quatro músicas para o set com um encaixe antes da quarta para recordar pela primeira vez o Black Sabbath, com a bela Fairies Wear Boots. Os álbuns Blizzard e No More Tears forneceram quatro músicas cada para o set.





Como o tom é de despedida, Suicide Solution, me fez lembrar de Randy Roads, seu primeiro grande parceiro pós Sabbath, que renovou a carreira de Ozzy com sua técnica incendiária e, de certa forma, mostrou o caminho para o cantor ir atrás de jovens e excelentes guitarristas.

Já que estamos na Zona Oeste do Rio, o palco se ilumina de vermelho e War Pigs vem bem a calhar com o momento que a região vive, uma verdadeira zona de guerra, em nome da paz. Em que os versos “Politicians hide themselves away. They only started the war. Why should they go out to fight? They leave that role to the poor,” se encaixam perfeitamente.

Zakk Wyld assume o comando, sola alucinadamente e desce para tocar próximo do público, enquanto Wakeman, Tommy Cufletos na bateria e Blasko no baixo seguram a onda lá do palco e Ozzy dá uma respirada. Cufletos não tem o mesmo tempo, logo após Zakk encantar a turma do gargarejo e deixar aflito quem não estava tão perto para fazer o seu selfie, ele fica só no palco e emenda seu impressionante solo de bateria, com participação ativa do público.

Zakk Wylde

Na sequência,  a parte final do show  com a banda de volta para emendar Shot in the Dark , I Don't Want to Change the World e Crazy Train em que, incentivado por Ozzy ,o publico enlouquece e faz o primeiro ensaio para uma roda.

Praticamente sem intervalo para o bis e incentivada por Ozzy a platéia urra "one more song!" A triste Mama, I'm Coming Home dá o tom de despedida, mas ainda dá tempo de Paranoid, o maior clássico do Black Sabbath enlouquecer de vez a legião de seguidores de Ozzy e ninguém fica parado. O velho Ozzy se despede, deixando em quem assistiu a sensação de sempre... Ozzy é o melhor!!





Obs. As fotos foram feitas de celular, a produção do show, não permitiu nem divulgou fotos do show.

SET LIST:
1- Bark at the Moon
2 - Mr. Crowley
3 - I Don't Know
4 - Fairies Wear Boots (Black Sabbath)
5 - Suicide Solution
6 - No More Tears
7 - Road to Nowhere
8 - War Pigs (Black Sabbath)
9 - Solo de Zakk -  Miracle Man / Crazy Babies / Desire / Perry Mason
10 - Solo de Tommy Cufletos
11 - Shot in the Dark
12 - I Don't Want to Change the World
13 - Crazy Train
BIS:
14 - Mama, I'm Coming Home
15 - Paranoid (Black Sabbath)
16 - Changes (Black Sabbath) música ambiente



domingo, 6 de maio de 2018

Paralamas voltam a Porto Velho após 18 anos e arrasam

Fotos de Licias Santos

Os Paralamas do Sucesso fizeram seu primeiro show em 18 anos aqui em Porto Velho, Rondônia, na imensa e requintada Talismã 21 na noite deste sábado. Foram tantas emoções a ponto de Herbert dizer que a acolhida fazia valer a pena o deslocamento (cinco horas de vôo, dois aviões).

A banda trouxe o show completo com telão e luzes feéricas, o volume estava satisfatório, mas havia algum embolamento, com a guitarra de Herbert mais alta que o restante. Em algumas partes da casa ficava mais definido. Claro que isso não faz a menor diferença para o público, que ali está para se divertir e celebrar um reencontro que demorou tanto.

A noite não começou bem. Uma banda local de covers assassinou sem piedade sucessos do rock brasileiro dos anos 80 e 90. Zero entrosamento, um frontman de voz potente, mas ruim em afinação e interpretação. Foi uma hora de tortura auditiva que terminou com o massacre de Another Brick In The Wall Part 2 do Pink Floyd.

Herbert Vianna

Uma hora da manhã (duas no Rio) Paralamas no palco. Telão solta imagens, as moving lights bailam, abre com a faixa título do novo álbum Sinais do Sim, seguida da também recente Itaquaquecetuba , com o povo ainda na animação da entrada deles. Há várias maneiras de fazer um setlist. Se o artista entra com um hit, a empolgação de sua entrada emenda com o sucesso e vira delírio.
Os Paralamas entraram com duas novas, curtas, ainda no impacto da entrada e, antes que o entusiasmo esvaísse, mandou Meu Erro e a temperatura subiu novamente.

A banda mantém a mesma formação agregada há décadas, daí o ataque musical devastador. Bidu Cordeiro (trombone), Monteiro Junior (sax tenor) e o mestre João Fera fazem complementos essenciais para as músicas antigas ganharem nova vida e as mais recentes brilharem. Bi Ribeiro manda sua base sólida no baixo e João Barone é o coração do trio com suas levadas precisas e viradas criativas.Se os músicos não se movimentam, o som, como dizem os axezeiros, tira o povo do chão.


João Barone

Daí em diante eles foram regulando a temperatura da “rapaziada”, como Herbert diz, entre sucessos e menos conhecidas. Ele ataca também de MC com apelo para a plateia levantar as mãos, indaga quem era nascido antes das músicas mais antigas, apresenta os músicos com adjetivações extremas. Herbert é gente finíssima, suporta com elegância, resignação e elevado astral o fardo que a vida lhe impôs de ficar numa cadeira de rodas. E até brinca em Vital e Sua Moto ao cantar “em cima dessas rodas também bate um coração.”  Um lance peculiar é que a banda não costuma sorrir no palco, como veem pelas fotos. Todos muito concentrados em dar aos fãs o que vieram buscar. E recebem um forte feedback que, como disse Herbert, vale o deslocamento do Rio com escala em Brasília, num total de quase cinco horas de voo. Por isso ele agradeceu várias vezes a vibração da plateia.


Bi Ribeiro

Em Sempre Assim, Herbert convidou todos a dar um pulo em Jamaica na batida dolente deste reggae do último disco. Falou sobre “a batida do blues que vem do coração,” citou grandes mestres como Jimi Hendrix, Eric Clapton e Led Zeppelin (Jimmy Page) ao dizer que todos foram influenciados pelo blues e que Caleidoscópio ia na mesma vibe. Para fazer jus aos citados, Herbert fez solos inspirados, incluindo o final em que ficou só, mandando ver num solo longo, o que não é habitual. Seus solos sempre servem à música e não o contrário.


João Fera

No meio do show a banda encaixa um set sobre violência com três canções que remetem para a violência urbana, bem menor aqui em Porto Velho do que no Rio. O Calibre se refere às balas perdidas que tanto matam nos versos “Eu vivo sem saber até quando ainda estou vivo, sem saber o calibre do perigo. Eu não sei, da onde vem o tiro. ” Selvagem fala no “grande monstro a se criar”, os garotos que pedem esmola nos sinais e O Beco fala na explosão de violência. Depois de volta ao romântico, incluindo o hino Lanterna dos Afogados, um solo memorável no sax de Monteiro Junior e meu solo favorito de Herbert. Na reta final Ska bota todo mundo pra pular junto com Vital e Sua Moto e Alagados. No bis a instrumental chacoalhante ao estilo afro-baiano Bundalelê e Óculos. Zé fini.

Duas e meia da manhã, o povo sai lentamente. Uma chuva fina cai na madrugada amazônica de Porto Velho, uns enfrentam, outros esperam. Uma bela noite.



Obs. Não tive foto aproveitável de Bidu e Monteiro, estavam sem iluminação alguma. Sorry.


SETLIST
Sinais do Sim
Itaquaquecetuba
Meu Erro
Lourinha Bombril
Capitão de Indústria
Uns Dias
A Outra  Rota
O Calibre
Selvagem – O Beco
Aonde Quer Que Eu Vá
Busca Vida
Sempre Assim
O Amor Não Sabe Esperar
Olha a Gente aí
Lanterna dos Afogados
Cuide Bem do Seu Amor
Caleidoscópio
Uma Brasileira
Ska
Vital e Sua Moto
Alagados
BIS
Bundalelê
Óculos