segunda-feira, 7 de outubro de 2019

Balanço do Rock in Rio de Elza Soares a Iron Maiden

Elza Soares - Foto de Rogerio Bezerra

Aqui o melhor das atrações do Rock in Rio que assisti pela web.

Elza Soares - Aos 89 anos, fez o show mais importante do Rock in Rio. Num festival em que o protesto com a situação atual do Brasil partiu mais da plateia que do palco. Elza mostrou ser a artista mais relevante não apenas do festival, mas do país. Sentada, por força do peso da idade, sua voz poderosa conclamou todos a irem para a rua, criticou a situação atual de desemprego, defendeu os pobres, principais alvos da cassação de direitos trabalhistas e civis da era bolsonarista, lembrou a canção Comportamento Geral, lançada por Gonzaguinha em 1973, que critica a passividade do povo brasileiro e que se aplica perfeitamente aos dias de hoje. Criticou o racismo com ênfase na defesa da mulher negra.
Musicalmente a roupagem de Elza é contemporânea, fase iniciada em 2014 com o disco de bases eletrônicas A Vox e a Máquina. Desde então lançou três álbuns muito elogiados, A Mulher do Fim do Mundo (2015), Deus é Mulher (2018) e o recente Planeta Fome (2019).


Iza - Foto de Luck Veloso

Iza - Na área pop sai consagrada Iza, revelação recente que conseguiu uma projeção rápida a partir de seu single Pesadão, do final de 2017, uma das músicas mais tocadas no ano passado. Aceita pela Globo, virou técnica do The Voice e chegou ao Rock in Rio com um show bem produzido de sucesso que unânime, suficiente para alavancá-la para o Palco Mundo. Linda, excelente forma física, vozeirão, canta e dança sem voz de apoio, nova nomenclatura para playback criado por Anitta.

Robert Fripp - Foto de Luck Veloso

King Crimson – Banda mais importante do festival, embora não do agrado da maioria do público presente ao domingo pop do RiR. Formação sofisticada que vai do rock ao jazz ao experimentalismo, ênfase no ritmo com três bateristas, duas guitarras, uma delas a Gibson Les Paul do fundador Robert Fripp, uma belíssima performance no sax tenor, barítono, soprano e flauta de Mel Collins. 



Tony Levin toca o Chapman Stick - foto de Luck Veloso

Repertório reduzido por apenas uma hora de show, sete músicas, bem menos das 19 do show de São Paulo, mesmo assim lavou a alma da elite rocker.

Dave Matthews - Foto Rogerio Bezerra

Dave Matthews Band – Uma formação musical sofisticada, mas não complexa como o King Crimson. Suas canções, que não tem apelo popular, são executada com maestria  Dave faz a base  ao violão/guitarra, sopros guitarras e teclados enriquecem com solos e fraseados. Baixo e bateria seguram no groove. Mandaram uns covers espertos e muito bem recriados, Sledgehammer de Peter Gabriel, Sexymotherfucker, de Prince e Staying Alive de Bee Gees com o riff de Back to Black do AC DC.


Foo Fighters – Não sou fã da banda, mas reconheço sua competência ao vivo. Dave Grohl é um maestro de multidões, leva o povo para onde ele quiser. Puxa as canções na sua Gibson azul DG 335 e a banda vai atrás com competência. Tem hits suficientes para ser headliner e cumpre muito bem este papel.
Obs. Não nos deixaram fotografar Foo Fughters.


Nile Rodgers - Foto de Rogerio Bezerra



Nile Rodgers e Chic – Poucos músicos no mundo tem o currículo de Nile Rodgers, músico, compositor e produtor, funk old school de balanço irresistível, segura o groove na guitarra para a banda arrasar à sua volta.


Buchecha e Fernanda Abreu, No telão MC Sapão´- Foto de Rogerio Bezerra

Orquestra Funk e cantores, entre eles Fernanda Abreu, Buchecha e Ludmilla – Não gosto de funk, mas é um estilo que reflete a realidade cultural do meio onde nasceu, as favelas brasileiras. As bases, precárias e mal produzidas, receberam um upgrade de responsa com uma orquestra afiada que tinha até fagote e trompa.

Lulu Santos - Foto de Rogerio Bezerra

Lulu Santos – maior hitmaker pop dos anos 80, além de exímio guitarrista, fez um show no Sunset que não teve erro, só sucessos, incluiu sua fase dançante e seu material mais recente próprio e de Rita Lee, de quem gravou um CD recriando parte da obra. O convidado Silva ficou apertado entre o repertório do titular, que lhe deu pouco espaço, parafraseando Luiz 14 “Le montrer, c'est moi”, o espetáculo sou eu.


Detonautas e Pavilhão 9 –  Atitude, entrosamento e repertório fizeram da apresentação dos Detonautas a melhor das bandas nacionais no RiR. Tico Santa Cruz mandou vários sucessos acompanhado pela multidão. Ele sempre foi politizado, desta vez propôs à plateia que se concentrasse em vibrações positivas num contraponto à negatividade que reina na era Bolsonaro. E ainda deu força ao Centro de Valorização da Vida que ajuda pessoas com depressão e em iminência de suicídio. Dividiu o palco com o Pavilhão 9, formação politizada que representa a periferia de São Paulo.

Iron Maiden- A noite do metal teve nove bandas, mas não há o  que discutir. And the winner is Iron Maiden!!!! A donzela não é mais de ferro, é de titânio, tal a potência da formação incipiente em 1975 com o líder Steve Harry e o guitarrista Dave Murray. A formação que veio agora fechou em 1999 com a volta de Bruce, quarto vocalista da banda ou quinto se contarmos Blaze Bayley, que o substituiu quando saiu para a carreira solo entre 1993 e 1999, e a volta de Adrian Smith, que saiu em 1990.
A banda uniu a melhor música com os melhores gimmicks, a começar pela réplica inflável do caça inglês Spitfire, da Segunda Guerra, pairando sobre o palco na abertura, as trocas de roupa, cenários, o inevitável Eddie etc. Eles começaram com a mesma fala do primeiro ministro  britânico Winston Churchill na Segunda Guerra Mundial, usada no primeiro Rock in Rio, em 1985, quando aqui vieram na World Slavery Tour: “Lutaremos nas praias, lutaremos nos terrenos de desembarque, lutaremos nos campos e nas ruas, lutaremos nas colinas; nunca nos renderemos, disse Churchill depois da retirada das tropas aliadas da França em 1940 derrotadas pelos nazistas.”
Os três guitarristas representam uma artilharia considerável sem parecer que há guitarras demais na banda. Tenho implicância particular com um tipo de solo técnico feito por guitarristas de várias bandas, aqui por Dave Murray principalmente, a sequência de notas na arte mais aguda do braço da guitarra que soam todos iguais, mas Adrian Smith e Janick Gers usam outras opções sonoras.


Andreas Kisser - Foto de Rogerio Bezerra

Melhores - Bruce Dickinson foi o maior vocalista do festival. Meu guitarrista favorito é Andreas Kisser, o que mais fugiu dos clichês sonoros, sempre criando sonoridades próprias de grande impacto que destacam o Sepultura diante das demais bandas,

Paralamas do Sucesso em show sólido no Palco Mundo

Os Paralamas do Sucesso - Foto: Rogério Bezerra
Texto e fotos por Rogério Bezerra - Os Paralamas do Sucesso mostraram porque são a maior e mais competente banda de rock brasileiro da atualidade. Tocou hits do início ao fim, fazendo os coroas e até mesmo os jovens que aguardavam pelas "teen bands" Nickelback, Imagine Dragons e Muse. Abriram os trabalhos com "Sinais do Sim", de seu último álbum lançado em 2017 que leva o nome da faixa, sem pausa para respiro engatam com "Meu Erro", "Alagados" e "Loirinha Bombril"  após essa sequência, Hebert Viana faz uma breve pausa para direcionar algumas palavras ao público definindo o Rock in Rio de maneira peculiar: 

 "É uma alegria participar com vocês dessa mostra de que o país está se integrando cada vez mais à linguagem do planeta."

Uma apresentação sólida e consistente, que não deixa a desejar em ponto algum às "grandes" bandas gringas que se apresentariam no Palco Mundo na sequência.
Bi Ribeiro - Foto: Rogério Bezerra
João Barone - Foto: Rogério Bezerra

domingo, 6 de outubro de 2019

O Terno & Capitão Fausto fazem show morno em abertura do Palco Sunset

O Terno - Foto: Rogério Bezerra
Texto e fotos por Rogério Bezerra - No último dia de Rock in Rio, os paulistanos dO Terno recebem os portugueses Capitão Fausto abrindo os trabalhos do Palco Sunset. A configuração de duas baterias deu um tom diferenciado à apresentação, mas não foi o suficiente para aquecer o público que chegava a Cidade do Rock. Na grade se amontoava um punhado de fãs que sabiam de cór canções como "Morro na Praia", "Volta e Meia" e "Lentamente". As bandas soavam como uma mistura de Los Hermanos com Os Mutantes, com canções de amor e instrumentação mais na pegada do rock progressivo, daí minha comparação com a banda de Arnaldo Baptista. Início morno, mas cativante.
Capitão Fausto - Foto: Rogério Bezerra

Scorpions se torna o grande headliner do Rock in Rio no dia dedicado ao Metal

Scorpions - Foto: Rogério Bezerra
Texto e fotos por Rogério Bezerra - O dia 04 de outubro ficou reservado para noite dedicada ao heavy metal do Rock in Rio 2019, que reuniu um público dedicado e apaixonado por seus ídolos, grandes medalhões do metal mundial, na maior celebração ao deus do rock.

Até o momento foi dia que mais encheu, uma multidão se aglomerou nos dois principais palcos, Sunset e Mundo para ver Nervosa, Claustrofobia e Torture Squad, Anthrax, Slayer, Sepultura, Helloween e os dois protagonistas da noite: Iron Maiden e Scorpions. E abrindo os trabalhos do Palco Sunset, a banda Nervosa quebrou tudo e colocou os fãs na roda com seu thrash metal rasgado e com muito peso. O power trio formado por Fernanda Lira (vocais e baixo), Prika Amaral (guitarra) e Luana Dametto (bateria) tocou sons do seu mais recente álbum “Downfall of Mankind” e carimbou uma sequência devastadora com “Horrordome”, “Intolerance means war” e “Hostages”, que sacudiu o publico debaixo de um sol escaldante no Palco Sunset. A vocalista ainda prestou uma homenagem a vereadora Marielle Franco, que foi assassinada no Rio de Janeiro: “É por ela que estamos aqui!”
Nervosa - Foto: Rogério Bezerra

Seguindo com a sequência de shows do Palco Sunset, com sua tradicional junção de artistas, Chuck Billy (Testament), Claustrofobia e Torture Squad, fizeram uma trinca poderosa e matadora, com direito a duas baterias completas no palco. O Claustrofobia iniciou com uma pedrada certeira na fronte, mostrando que o metal cantado em alto e bom português ainda levanta massas e com apenas cinco canções no set “Pino de granada”, “Bastardo do Brasil”, “Vira lata”, “Metal Maloka” e “Peste” colocou o público na roda fazendo a devastação e preparando o público para o que viria na sequência.


Claustrofobia - Foto: Rogério Bezerra
O Torture Squad inicia seu show com uma sequência curta de três canções “Blood sacrifice”, “Raise your horns” e “Horror and torture” e abre caminho para o grande convidado Chuck Billy, vocalista da lendária banda americana Testament, que acompanhado dos músicos brasileiros emplacou a sequência “Disciples of the watch”, “Practice what you preach” e “Electric crown”. O Palco Sunset ficou pequeno.


Torture Squad - Foto: Rogério Bezerra
No Palco Mundo, o Sepultura foi o responsável pela abertura do palco principal, onde uma multidão já aguardava ansiosa pelas pedradas de seu trabalho mais recente “Machine Messiah”, onde Andreas Kisser, guitarrista da banda, anunciou o final da turnê desse álbum. A banda preparou algumas surpresas para o público: a primeira delas, no telão uma foto de André Matos, ex-vocalista do Shaman, Angra e Viper, que faleceu devido a um ataque cardíaco em junho deste ano. Andreas Kisser anunciou a homenagem e tocaram um trecho de “Carry on” do Angra, trazendo lágrimas aos olhos de alguns fãs. A segunda surpresa foi um cover muito bem executado de “Angel”, do Massive Attack e por último uma música inédita chamada “Isolation” que estará em seu novo álbum anunciado para 2020, “Quadra”. A banda tocou sons de todas as épocas incluindo “Refuse/Resist, e o encerramento absurdo com “Ratamahatta” e “Roots Bloody Roots” consagrando o Sepultura como a maior banda thrash metal brasileira da atualidade.

Sepultura - Foto: Rogério Bezerra
Voltando ao Palco Sunset, Anthrax provou o porquê de ser um dos quatro grandes do thrash metal mundial num dos shows mais empolgantes e divertidos da noite. Estreando no Rock in Rio, os americanos fizeram um show técnico e enxuto carregado de clássicos num show que começou extremamente pontual. Com grande parte da formação clássica de1981, o divertidíssimo vocalista Joey Belladonna entoava porradas como “Caught in a mosh”, “Got the Time” e “Madhouse”. Com uma apresentação curta, porém memorável, os veteranos mostraram que são dignos (sempre foram) de Palco Mundo para as próximas edições.

Anthrax - Foto: Rogério Bezerra
E novamente no Palco Mundo, o Helloween deu uma aula de metal melódico num show de extrema competência, firulas e técnicas de todos os músicos. Apresentando a turnê que reúne a formação lendária chamada “Pumpikins United” os vocalistas Michael Kiske e Andi Deris e o guitarrista original Kai Hansen fizeram um dos melhores shows até o momento preparando o meio de campo para o Iron Maiden (carro chefe da noite) e Scorpions. Com petardos de todos os tempos, a banda levantou a galera com canções focadas em seus dois discos clássicos “Keeper of the Seven Keys”, de 1987 e 1988.

Helloween - Foto: Rogério Bezerra
Correndo para o Palco Sunset, o Slayer da adeus ao Brasil com show histórico, bruto e cheio de ódio! Banda garante que esta é a turnê de despedida e mostra vigor em 13 faixas matadoras e claro que “Seasons In The Abyss”, “South of Heaven”, “Raining Blood” e “Angel of Death” sacudiram as massas e transformaram o Palco Sunset num verdadeiro inferno! Ponto para a banda que com 38 anos de carreira continua sentando o pau!

Slayer - Foto: Rogério Bezerra


Finalizando o Palco Mundo com os headliners, que na verdade headliner apenas o Scorpions, o Iron Maiden fez um show recheado de clássicos conhecidos das multidões, principalmente os mais jovens, com efeitos especiais e pirotecnia. Informação de mais e música de menos (mais do mesmo).
Obs.: não fomos autorizados a fotografar a banda.

Já os Scorpions fizeram uma apresentação digna de gala! O público presente era apenas os fãs, que de todas as idades vibravam e cantavam em coro todas as músicas do set list. E uma grande surpresa para os fãs, o guitarrista Matthias Jabs usou a mesma guitarra usada na apresentação da banda alemã no Rock in Rio de 1985, trazendo nostalgia e emoção ao público fiel. Tocaram clássicos de forma carismática, porém precisa, digamos com perfeição. Todos os integrantes, já coroas e figurando os seus 71 anos, como o vocalista Klaus Meine, que lembrou quando viajava pela Alemanha no começo da carreira, já sonhava em tocar no Rio de Janeiro. E sem muito esforço, segurou a onda até o final com “Rock You Like a Hurricane”, mas sem deixar de fora “Wind of Change” e “Still Loving You”. Sem sombra de dúvidas foi o melhor show da noite, na qual o Iron Maiden abriu para os Scorpions, como era no inicio da carreira dos ingleses.

Scorpions - Foto: Rogério Bezerra

sexta-feira, 4 de outubro de 2019

Nile Rodgers & Chic coloca molecada para dançar

Nile Rodgers - Foto: Rogério Bezerra
Texto e fotos por Rogério Bezerra - Considerado um dos melhores shows do Palco Sunset na última ediçao do Rock in Rio em 2017, o Nile Rodgers & Chic retornam esse ano, dessa vez, no Palco Mundo como uma das principais atrações do segundo final de semana do festival. Num publico de maioria jovem, o guitarrista não se intimidou e colocou a molecada na dança, ao som do seu soul e funk de grandes sucessos nas décadas de 60 e 70. Apesar de algumas falhas no som no início do show, a banda encantou com as belíssimas vozes de Kimberly DavisFolami Ankoanda-Thompson que distribuiam sorrisos e simpatia. Sucessos como "Dance, Dance, Dance", "We are family", "Get Lucky" e "Le freak" trouxeram nostalgia para os mais velhos, e empolgação para os mais novos.

Kimberly Davis - Foto: Rogério Bezerra
Folami Ankoanda-Thompson - Foto: Rogério Bezerra

Panic! At the Disco traz cover do Queen e apresenta nova baixista

Panic! At the Disco - Foto: Rogério Bezerra
Texto e fotos por Rogério Bezerra - O Panic! At the Disco é uma daquelas bandas que movem massas de adolescentes histéricos que gritam o tempo todo em nossos ouvidos, como o vocalista Brendon Urie, único integrante da formação original, com seus agudos e performance carismática, prende a atenção da platéia. A apresentação inicial focada em seu mais recente álbum, Pray for the Wiched incluía músicas como "(Fuck A) Silver Lining", "Hey Look Ma, I Made it", além de clássicos da banda como "I Write Sins Not Tragedies" que antes de começar a execução, Brendon disse que era uma música que definia a banda e não poderia ficar de fora. A banda emocionou o público com o cover de "Bohemian Rhapsody" do Queen, tocada ao piano, exatamente como Freddie Mercury, pontuando como um dos melhores momentos do show. Devo destacar a performance da nova baixista Nicole Row, que entrou para a banda no ano passado, em uma performance técnica e cheia de atitude, na qual arrebatou alguns corações. Um bom show de aquecimento para o headliner da noite, o Red Hot Chili Peppers.

Nicole Row - Foto: Rogério Bezerra

quinta-feira, 3 de outubro de 2019

Rock in Rio consagra Iza e Elza Soares

Iza - Foto de Luck Veloso
A primeira semana do Rock in Rio teve como destaques nacionais Detonautas com Pavilhão 9, Iza com Alcione e Elza Soares no Palco Sunset e Raimundos com CPM 22 no Palco Mundo. Da gringa destaco apenas Foo Fighters e Dave Matthews Band. A variedade de estilos do Festival faz com que eu deixe muita coisa de fora por não ser a minha praia. 
Uma artista que vem tendo grande projeção em pouco tempo e até já ganhou o posto de técnica do The Voice, o que a expõe para milhões de pessoas é Iza, Izabella como Tiago Leifert a chama no programa. Bela voz e bela presença,  gosto especialmente por usar reggae, além de r&b e soul old school, com banda, sopros, som bem orgânico. 


Iza - foto de Luck Veloso

Seu primeiro single, Pesadão, é música de qualidade, depois algumas mais fracas de fácil assimilação, o que lhe garantiu rapidinho uma boa projeção. O físico ajuda, claro, mulherão, linda e gostosa, boa de coreografias. Versátil, prestou homenagem linda a Milton Nascimento com Maria Maria junto a um coral de vozes negras com acento gospel. Milita pelas mulheres e pela raça, quase todos ao seu lado eram negros. 
Recebeu de maneira quase devota Alcione e embarcou na onda dela em vários sucessos da Marrom e em Chains, do repertório de Aretha Franklin. Iza faz ótimos clipes, Brisa é um que gosto muito.


Badaui CPM 22 - Foto de Rogerio Bezerra
Quando o Detonautas entrou no palco fiquei impressionado com a força da banda, som vigoroso, muito bem amarrado, todo mundo mandando muito bem, Tico Santa Cruz um front man carismático, de boa voz e boas causas, com o igualmente fodastico Pavilhão 9 como convidado. Foi eleito como melhor show numa enquete do G1, deixando Foo Fighters em segundo lugar. Além de hits como O amanhã, Voce me faz tão bem. Tico mandou uma mensagem de levantamento de astral e boas vibrações para contrastar com o bode que o Brasil vive hoje e até cortou o coro da galera contra Bolsonaro pedindo energias positivas.


Dave Matthews

Entender a escalação do Rock in Rio é dificil. Repete atrações do Palco Mundo porque lota de qualquer jeito, então por que arriscar né Marisinha? No lugar de Goo Goo Dolls podia estar Barão Vermelho, que renasceu, se fortaleceu e lançou um grande álbum Viva. No lugar de Plutão Já Foi Planeta podia estar Pitty, que lançou Matriz, seu Sgt Pepper's, disco impecável.
Um artista de fibra com 89 anos fez o show mais importante do festival: Elza Soares mandou ver em todas as bandeiras que o povo brasileiro devia levantar para tomar as rédeas de seu destino. Falou contra o racismo, contra a censura, chamou o povo pra Rua, criticou o complexo de rebanho do Rio com uma canção de Gonzaguinha dos anos 70, Comportamento Geral e saiu do palco como o show mais importante do festival. Um Rio destroçado,um Brasil desgovernado e que os artistas se posicionem, não apenas Elza Sares e Tico Santa Cruz no Festival, mas fora dele, Como faz Zelia Duncan.


Elza Soares - Foto de Rogerio Bezerra

Capital Inicial comanda a multidão no Palco Mundo

Dinho Ouro Preto - Foto de Rogerio Bezerra

Obs. Estou acompanhando o Rock in Rio pela internet. Rogerio Bezerra está in loco e vai escrever algumas matérias. Estou dando pitacos no Facebook. Texto e Fotos de Rogerio Bezerra

Capital Inicial empolga abrindo a noite de shows do Palco Mundo na segunda semana de Rock In Rio, a banda emplacou sucessos de todas as épocas, como Independencia, Musica Urbana  e Primeiros Erros,  levando um público empolgado (em sua maioria aguardando o headliner da noite, Red Hot Chili Peppers). Mesmo com toda essa responsabilidade, Dinho Ouro Preto e trupe levou a plateia nas mãos no show cheio de atitude e sucessos com refrões chiclete, marca do Capital Inicial. Visivelmente emocionados, se entregam no palco e encerram uma grande apresentação com "A sua maneira" e 100 mil pessoas cantando junto num grande coro. Para encerrar Que Pais é Esse a capella a o já tradicional coro de “Bolsonaro vai tomar no...”

segunda-feira, 27 de maio de 2019

Banda Quilomblocada é destaque no Segundo Festival Boto Rock que reuniu 49 bandas em Porto Velho


Quilomboclada - Fotos de Licias Santos

Estive sexta e sábado no 2º Boto Rock, festival com bandas de Porto Velho entre autorais e covers. Com dois palcos de rock, Rosa e Tucuxi, e um de rap, o festival se estendeu do meio da tarde até a madrugada nos dois dias no Parque Circuito, um antigo seringal convertido em espaço público. Vi bandas ainda desgovernadas, cada músico prum lado, bandas que podem muito bem entrar no circuito nacional de festivais, como Quilomboclada, Distopia, Eurritmia, Coveiros, Nitro. E covers, uma delas Perpetual Power, assassinou sem piedade a obra do Deep Purple. Em compensação a Hey Joe’s, cobrindo Charlie Brown Jr, fez um dos melhores shows, devia investir em material próprio.




No geral o que notei nas bandas autorais que assisti (não vi todas) foi falta de prática, muitas com um repertório viável em letras e melodias, mas sem que os músicos tivessem o entrosamento que define a qualidade de uma banda. Keith Richards falou a respeito quando disse que eles eram grandes músicos que faziam algo maior do que eles, The Rolling Stones. A falta de lugar para tocar deve ser um fator que impede a regularidade de muitas dessas bandas.


O Boto é um símbolo local, daí o nome do Festival e dos palcos Boto Rosa e Boto Tucuxi

O rock não tem a devida força em Porto Velho, cidade dominada por sertanejos, pagode e funk. Festivais de rock são comuns no Brasil, mas fazer um deste tamanho aqui é um feito que revitalizará o gênero, aplausos para a Fundação Municipal de Cultura, dirigida por Ocampo Fernandes, que bancou a realização com 49 bandas e 38 apresentações de hip hop num palco alternativo. A Infra funcionou bem, os dois palcos estavam um de frente para o outro a uma pequena distância, quando terminava o show num deles, começava no outro, o que impediu longos intervalos. O festival foi dedicado A Heavy Ney, o pioneiro do rock em Porto Velho, já falecido.


Quilomblocada

O grande destaque para mim foi o coletivo Quilomboclada, uma formação que tem ecos de Planet Hemp, nos três vocalistas frenéticos, e Nação Zumbi na percussão e na guitarra distorcida num timbre quase igual ao de Lúcio Maia da Nação. Mas o que não falta neles é identidade própria e protesto em defesa de negros e indígenas: “Já quebramos a corrente que você me colocou. Paulo Freire me ensinou. Hoje eu sei a diferença do oprimido e do opressor,” dizem versos de Soul Quilomboclada.”



Os habitantes de Porto Velho, bem como do restante da Amazônia que moram à beira de rios, são chamados de Beiradeiros, aqui pelo Rio Madeira, que corta a cidade. Daí a afirmação de uma cultura sobre costumes e crenças da região com população nativa majoritariamente de caboclos, descendentes de brancos com índios. Também incluem valores da religião afro brasileira, falam contra o racismo a homofobia e o machismo. 


Roda de Ciranda no show do Quilomboclada
Um estudo sobre a música Soul Quilomblocada, do Centro Interdisciplinar de Estudo e Pesquisa do Imaginário Social da Universidade Federal de Rondônia, afirma:
“(...) A letra contagia e convida a juventude amazônica a se rebelar contra o sistema de opressão e a se orgulhar de suas caracteristicas étnico-raciais e multiculturais.(...) Um movimento de negação da invisibilidade social e da marginalização à procura de outras bases identitárias para suas relações com o mundo nesta região amazônica.” 


Homenagem dos Coveiros a um certo presidente, com a boca costurada

Academiquês à parte, o som da banda é contagiante com os rappers Bera Samuel, Bera Ákilas Boca e Daniel metralhando as letras e incendiando a galera que responde à altura. O show incluiu uma roda de ciranda na plateia a pedido da banda que cantou o tema folclórico Escravos de Jó, não sem antes aludir a outra tradição, do boi bumbá, com a presença de uma máscara do dito cujo.


Coveiros
A banda que reuniu uma rapaziada mais engajada foi a Coveiros, seu nome escrito na  parte de baixo do retrato pintado de um certo presidente com a boca costurada, homenageado com as músicas Democracia e Glifosato, um veneno agrícola, alusão à liberação recorde de pesticidas na era Bolsonaro. A banda toca hardcore/thrash no estilo dos Ratos de Porão que o vocalista Giovanni Marini disse serem os ídolos junto com o Sepultura, ecos das duas bandas ouvidas em alguns vocais como em Sua Cara Sua Bunda. Curioso que a pateia aqui não faz roda de pogo, só bate cabeça.

Bate cabeça ao som de Coveiros

Uma banda já mais organizada para entrar em circuito nacional é a Distopia, com um som pop bem estruturado e já com representantes no Rio e São Paulo. Lançaram há pouco o vídeo À Deriva, produzido por Luiz Carlos Maluly (Metrô e RPM). Um diferencial é o vocal com duas vozes, não tão comum no rock, um trabalho comercial de possível inserção radiofônica, especialmente as canções Amor Sem Nexo e À Deriva.



Segue o barco, outras bandas regulares que valem trabalhar mais o som são Eurritmia, Sexy Tape, Vitrola de Ficha e Jowe. Last but not least PVH Blues, uma afiada banda dedicada aos standards do blues. Mandaram, entre outros, Got My Mojo Workin’, Sweet Home Chicago e Roadhouse Blues. Prognoise foi a única banda progressiva que vi no festival, bons músicos, bons arranjos, mas mal executados e com um vocalista sofrível.


PVH Blues

O 2º BotoRock mostrou uma presença forte de rock na cidade e no estado, bem como de rap, que sirva para fortalecer a cena e criar novos lugares para tocar. Porto Velho Rocks!
P.S. Agradeço a Daniel  Duarte das bandas Semaforo 89 e Pilsen Bullets pela ajuda na informação sobre as bandas. Ele tocou cover de Ultraje a Rigor com a Semaforo 89, mas a outra banda é autoral (Video abaixo).




segunda-feira, 14 de janeiro de 2019

Paul McCartney se mantem fiel ao baixo e ao amplificador usados nos tempos do Beatles

Paul usa hoje o baixo Hofner 500/1 1963 com amps Vox de 100 watts
Sempre fiquei intrigado de ver Paul McCartney usar nos shows o baixo Hofner do começo da carreira dos Beatles e os amplificadores Vox, mas nunca me dei ao trabalho de investigar. Agora que estou pesquisando instrumentos e equipamentos da banda consegui as respostas.

Paul diz que o Hofner é o baixo que todos querem vê-lo tocar, tão simbólico quanto a bengala de Carlitos. Apesar de continuar produzindo material inédito, ele se rendeu ao fato de que nunca será maior do que os Beatles. Sempre que lança um novo álbum, como o recente Egypt Station, sabe que boa parte das entrevistas de divulgação serão sobre os Beatles. E sua constante presença na midia é garantia de manter vivo o interesse nos Beatles, junto com um eficiente planejamento de marketing que abastece o mercado periodicamente do mesmo material dos anos 60 reciclado de maneira engenhosa.


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Paul nos Beatles com o Hofner 500/1
Paul entrou para os Beatles como guitarrista, usando modelos baratos da fábrica inglesa Framus, enquanto Chas Newby e depois Stuart Sutcliffe ficavam no baixo. Quando Stuart saiu da banda, a bomba caiu no colo de Paul, já havia dois na guitarra, John Lennon, o líder, e George Harrison, daí precisou comprar um baixo. Foi na loja Steinway Musichaus, Hamburgo, onde os Beatles faziam temporadas, e comprou, pelo equivalente a 30 libras, um baixo com dois captadores da fábrica alemã Hofner, modelo 500/1, o que estava exposto era para músico destro, ele contou que não havia instrumentos para canhotos na época, daí encomendou um com as cordas e controles invertidos. Um atrativo foi o formato simétrico, parecido com um  violino e bem leve se comparado a outros.


Beatles ao vivo com amps Vox AC 50. No canto esquerdo um pedaço do AC 100 de Paul
Foi com ele que se familiarizou e aprendeu a curtir o baixo e com ele gravou vários álbuns dos Beatles. Em 1963 a Hofner lhe deu um baixo do mesmo modelo com alguns aperfeiçoamentos e é este instrumento que ele usa hoje em dia nas turnês. O primeiro 500/1 foi roubado dos estúdios Twickenham nas filmagens de álbum Get Back/Let it Be em janeiro de 1969 e nunca mais reapareceu.

Paul passou a usar o modelo mais novo, com o de 1961 como baixo reserva, já com dois novos captadores e revestimento. As fábricas de instrumentos competiam para que os Beatles usassem seus modelos, todos adotados por eles viravam sucesso de vendas. 


Paul em estúdio com o baixo Rickenbacker 4001 c64
Em fevereiro de 1964, na primeira turnê na América, a Rickenbacker mostrou vários modelos, John e George encomendaram duas guitarras, uma de seis, outra de 12 cordas. A Paul mostraram um baixo 4001 c 64, mas era para destros. Um ano e meio depois, durante a segunda turnê americana, Paul recebeu um baixo vermelho para canhotos, o modelo que vira, 4001 c64, com uma identificação de 1964, o ano anterior, o primeiro baixo para canhotos da empresa. Daí em diante, usou o Rickenbacker nas gravações de Rubber Soul e Revolver, e o Hofner 500/1 1963 ao vivo. No álbum branco e em Let It Be usou o Hofner e um 1966 Fender Jazz Bass . Em Abbey Road usou o Hofner e Rickenbacker 4001 (Outra fonte diz que só voltou a usar o Hofner nas sessões de Let It Be).

Amplificador Vox AC 30

Depois do fim dos Beatles, quando formou a banda Wings, Paul foi para a estrada com baixos Rickenbacker, havia nele um ressentimento pelo fim dos Beatles que o tempo se encarregou de dissolver. Na turnê de 2002, depois de uma década sem excursionar, voltou a usar o Hofner.


Amplificador Vox AC 100
Paul é fiel até hoje aos amplificadores da Vox, que era uma pequena fábrica até o empresário Brian Epstein fechar um contrato para a banda usar exclusivamente amps Vox, o maior negócio fechado pela fábrica, que representou um estouro de vendas depois dos Beatles passarem a usá-los. Em primeiro lugar o modelo AC 30, preferido de muitos músicos até hoje, com 30 watts e dois falantes de 12 polegadas. 

Les Paul Custom Painted
Quando começaram a tocar para plateias histéricas, pediram amps mais potentes na esperança de serem ouvidos. Inicialmente a Vox deu a Paul o T 60, cabeçote de 60 watts com uma caixa de dois falantes, um de 15 e outro de 12 polegadas. Não funcionou, muito instável, daí veio o AC 100 Super de Luxe com 100 watts e uma caixa com quatro falantes Celestion de 12 polegadas, batizado de Beatles Amp. Para John e George amps de 50 watts com uma caixa de dois falantes de 12 e uma corneta para médios. A intenção foi boa, mas de nada adiantou, a garganta das fãs tinha um milhão de watts e não existia sistema de amplificação para abafá-las.


Gibson Les Paul Standard
Hoje em dia Paul usa dois cabeçotes Vox AC 100, mas as caixas são duas Mesa Boogie Standard Power House com seis falantes de 10 polegadas cada, mais um cabeçote Mesa Boogie Strategy 88 Bass para reforçar os graves. Paul também toca guitarra nos shows, com predominância de uma Gibson Les Paul Standard, uma Les Paul Custom Painted, sua véia de guerra Epiphone Casino, os violões Epiphone Texan FT-79, com que gravou Yesterday e Gibson J-185 de 12 cordas. Ele tem uma infinidade de guitarras e violões, mas estes são os mais usados. Para as guitarras usa dois cabeçotes Vox AC 100 em duas caixas Vox com quatro falantes de 12 polegadas. 

Obs. Matéria feita com pesquisa na internet e no site beatlemania.net de Ricardo Puglialli, com farto e detalhado material sobre a banda.