segunda-feira, 7 de outubro de 2019

Balanço do Rock in Rio de Elza Soares a Iron Maiden

Elza Soares - Foto de Rogerio Bezerra

Aqui o melhor das atrações do Rock in Rio que assisti pela web.

Elza Soares - Aos 89 anos, fez o show mais importante do Rock in Rio. Num festival em que o protesto com a situação atual do Brasil partiu mais da plateia que do palco. Elza mostrou ser a artista mais relevante não apenas do festival, mas do país. Sentada, por força do peso da idade, sua voz poderosa conclamou todos a irem para a rua, criticou a situação atual de desemprego, defendeu os pobres, principais alvos da cassação de direitos trabalhistas e civis da era bolsonarista, lembrou a canção Comportamento Geral, lançada por Gonzaguinha em 1973, que critica a passividade do povo brasileiro e que se aplica perfeitamente aos dias de hoje. Criticou o racismo com ênfase na defesa da mulher negra.
Musicalmente a roupagem de Elza é contemporânea, fase iniciada em 2014 com o disco de bases eletrônicas A Vox e a Máquina. Desde então lançou três álbuns muito elogiados, A Mulher do Fim do Mundo (2015), Deus é Mulher (2018) e o recente Planeta Fome (2019).


Iza - Foto de Luck Veloso

Iza - Na área pop sai consagrada Iza, revelação recente que conseguiu uma projeção rápida a partir de seu single Pesadão, do final de 2017, uma das músicas mais tocadas no ano passado. Aceita pela Globo, virou técnica do The Voice e chegou ao Rock in Rio com um show bem produzido de sucesso que unânime, suficiente para alavancá-la para o Palco Mundo. Linda, excelente forma física, vozeirão, canta e dança sem voz de apoio, nova nomenclatura para playback criado por Anitta.

Robert Fripp - Foto de Luck Veloso

King Crimson – Banda mais importante do festival, embora não do agrado da maioria do público presente ao domingo pop do RiR. Formação sofisticada que vai do rock ao jazz ao experimentalismo, ênfase no ritmo com três bateristas, duas guitarras, uma delas a Gibson Les Paul do fundador Robert Fripp, uma belíssima performance no sax tenor, barítono, soprano e flauta de Mel Collins. 



Tony Levin toca o Chapman Stick - foto de Luck Veloso

Repertório reduzido por apenas uma hora de show, sete músicas, bem menos das 19 do show de São Paulo, mesmo assim lavou a alma da elite rocker.

Dave Matthews - Foto Rogerio Bezerra

Dave Matthews Band – Uma formação musical sofisticada, mas não complexa como o King Crimson. Suas canções, que não tem apelo popular, são executada com maestria  Dave faz a base  ao violão/guitarra, sopros guitarras e teclados enriquecem com solos e fraseados. Baixo e bateria seguram no groove. Mandaram uns covers espertos e muito bem recriados, Sledgehammer de Peter Gabriel, Sexymotherfucker, de Prince e Staying Alive de Bee Gees com o riff de Back to Black do AC DC.


Foo Fighters – Não sou fã da banda, mas reconheço sua competência ao vivo. Dave Grohl é um maestro de multidões, leva o povo para onde ele quiser. Puxa as canções na sua Gibson azul DG 335 e a banda vai atrás com competência. Tem hits suficientes para ser headliner e cumpre muito bem este papel.
Obs. Não nos deixaram fotografar Foo Fughters.


Nile Rodgers - Foto de Rogerio Bezerra



Nile Rodgers e Chic – Poucos músicos no mundo tem o currículo de Nile Rodgers, músico, compositor e produtor, funk old school de balanço irresistível, segura o groove na guitarra para a banda arrasar à sua volta.


Buchecha e Fernanda Abreu, No telão MC Sapão´- Foto de Rogerio Bezerra

Orquestra Funk e cantores, entre eles Fernanda Abreu, Buchecha e Ludmilla – Não gosto de funk, mas é um estilo que reflete a realidade cultural do meio onde nasceu, as favelas brasileiras. As bases, precárias e mal produzidas, receberam um upgrade de responsa com uma orquestra afiada que tinha até fagote e trompa.

Lulu Santos - Foto de Rogerio Bezerra

Lulu Santos – maior hitmaker pop dos anos 80, além de exímio guitarrista, fez um show no Sunset que não teve erro, só sucessos, incluiu sua fase dançante e seu material mais recente próprio e de Rita Lee, de quem gravou um CD recriando parte da obra. O convidado Silva ficou apertado entre o repertório do titular, que lhe deu pouco espaço, parafraseando Luiz 14 “Le montrer, c'est moi”, o espetáculo sou eu.


Detonautas e Pavilhão 9 –  Atitude, entrosamento e repertório fizeram da apresentação dos Detonautas a melhor das bandas nacionais no RiR. Tico Santa Cruz mandou vários sucessos acompanhado pela multidão. Ele sempre foi politizado, desta vez propôs à plateia que se concentrasse em vibrações positivas num contraponto à negatividade que reina na era Bolsonaro. E ainda deu força ao Centro de Valorização da Vida que ajuda pessoas com depressão e em iminência de suicídio. Dividiu o palco com o Pavilhão 9, formação politizada que representa a periferia de São Paulo.

Iron Maiden- A noite do metal teve nove bandas, mas não há o  que discutir. And the winner is Iron Maiden!!!! A donzela não é mais de ferro, é de titânio, tal a potência da formação incipiente em 1975 com o líder Steve Harry e o guitarrista Dave Murray. A formação que veio agora fechou em 1999 com a volta de Bruce, quarto vocalista da banda ou quinto se contarmos Blaze Bayley, que o substituiu quando saiu para a carreira solo entre 1993 e 1999, e a volta de Adrian Smith, que saiu em 1990.
A banda uniu a melhor música com os melhores gimmicks, a começar pela réplica inflável do caça inglês Spitfire, da Segunda Guerra, pairando sobre o palco na abertura, as trocas de roupa, cenários, o inevitável Eddie etc. Eles começaram com a mesma fala do primeiro ministro  britânico Winston Churchill na Segunda Guerra Mundial, usada no primeiro Rock in Rio, em 1985, quando aqui vieram na World Slavery Tour: “Lutaremos nas praias, lutaremos nos terrenos de desembarque, lutaremos nos campos e nas ruas, lutaremos nas colinas; nunca nos renderemos, disse Churchill depois da retirada das tropas aliadas da França em 1940 derrotadas pelos nazistas.”
Os três guitarristas representam uma artilharia considerável sem parecer que há guitarras demais na banda. Tenho implicância particular com um tipo de solo técnico feito por guitarristas de várias bandas, aqui por Dave Murray principalmente, a sequência de notas na arte mais aguda do braço da guitarra que soam todos iguais, mas Adrian Smith e Janick Gers usam outras opções sonoras.


Andreas Kisser - Foto de Rogerio Bezerra

Melhores - Bruce Dickinson foi o maior vocalista do festival. Meu guitarrista favorito é Andreas Kisser, o que mais fugiu dos clichês sonoros, sempre criando sonoridades próprias de grande impacto que destacam o Sepultura diante das demais bandas,

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