domingo, 6 de outubro de 2019

Scorpions se torna o grande headliner do Rock in Rio no dia dedicado ao Metal

Scorpions - Foto: Rogério Bezerra
Texto e fotos por Rogério Bezerra - O dia 04 de outubro ficou reservado para noite dedicada ao heavy metal do Rock in Rio 2019, que reuniu um público dedicado e apaixonado por seus ídolos, grandes medalhões do metal mundial, na maior celebração ao deus do rock.

Até o momento foi dia que mais encheu, uma multidão se aglomerou nos dois principais palcos, Sunset e Mundo para ver Nervosa, Claustrofobia e Torture Squad, Anthrax, Slayer, Sepultura, Helloween e os dois protagonistas da noite: Iron Maiden e Scorpions. E abrindo os trabalhos do Palco Sunset, a banda Nervosa quebrou tudo e colocou os fãs na roda com seu thrash metal rasgado e com muito peso. O power trio formado por Fernanda Lira (vocais e baixo), Prika Amaral (guitarra) e Luana Dametto (bateria) tocou sons do seu mais recente álbum “Downfall of Mankind” e carimbou uma sequência devastadora com “Horrordome”, “Intolerance means war” e “Hostages”, que sacudiu o publico debaixo de um sol escaldante no Palco Sunset. A vocalista ainda prestou uma homenagem a vereadora Marielle Franco, que foi assassinada no Rio de Janeiro: “É por ela que estamos aqui!”
Nervosa - Foto: Rogério Bezerra

Seguindo com a sequência de shows do Palco Sunset, com sua tradicional junção de artistas, Chuck Billy (Testament), Claustrofobia e Torture Squad, fizeram uma trinca poderosa e matadora, com direito a duas baterias completas no palco. O Claustrofobia iniciou com uma pedrada certeira na fronte, mostrando que o metal cantado em alto e bom português ainda levanta massas e com apenas cinco canções no set “Pino de granada”, “Bastardo do Brasil”, “Vira lata”, “Metal Maloka” e “Peste” colocou o público na roda fazendo a devastação e preparando o público para o que viria na sequência.


Claustrofobia - Foto: Rogério Bezerra
O Torture Squad inicia seu show com uma sequência curta de três canções “Blood sacrifice”, “Raise your horns” e “Horror and torture” e abre caminho para o grande convidado Chuck Billy, vocalista da lendária banda americana Testament, que acompanhado dos músicos brasileiros emplacou a sequência “Disciples of the watch”, “Practice what you preach” e “Electric crown”. O Palco Sunset ficou pequeno.


Torture Squad - Foto: Rogério Bezerra
No Palco Mundo, o Sepultura foi o responsável pela abertura do palco principal, onde uma multidão já aguardava ansiosa pelas pedradas de seu trabalho mais recente “Machine Messiah”, onde Andreas Kisser, guitarrista da banda, anunciou o final da turnê desse álbum. A banda preparou algumas surpresas para o público: a primeira delas, no telão uma foto de André Matos, ex-vocalista do Shaman, Angra e Viper, que faleceu devido a um ataque cardíaco em junho deste ano. Andreas Kisser anunciou a homenagem e tocaram um trecho de “Carry on” do Angra, trazendo lágrimas aos olhos de alguns fãs. A segunda surpresa foi um cover muito bem executado de “Angel”, do Massive Attack e por último uma música inédita chamada “Isolation” que estará em seu novo álbum anunciado para 2020, “Quadra”. A banda tocou sons de todas as épocas incluindo “Refuse/Resist, e o encerramento absurdo com “Ratamahatta” e “Roots Bloody Roots” consagrando o Sepultura como a maior banda thrash metal brasileira da atualidade.

Sepultura - Foto: Rogério Bezerra
Voltando ao Palco Sunset, Anthrax provou o porquê de ser um dos quatro grandes do thrash metal mundial num dos shows mais empolgantes e divertidos da noite. Estreando no Rock in Rio, os americanos fizeram um show técnico e enxuto carregado de clássicos num show que começou extremamente pontual. Com grande parte da formação clássica de1981, o divertidíssimo vocalista Joey Belladonna entoava porradas como “Caught in a mosh”, “Got the Time” e “Madhouse”. Com uma apresentação curta, porém memorável, os veteranos mostraram que são dignos (sempre foram) de Palco Mundo para as próximas edições.

Anthrax - Foto: Rogério Bezerra
E novamente no Palco Mundo, o Helloween deu uma aula de metal melódico num show de extrema competência, firulas e técnicas de todos os músicos. Apresentando a turnê que reúne a formação lendária chamada “Pumpikins United” os vocalistas Michael Kiske e Andi Deris e o guitarrista original Kai Hansen fizeram um dos melhores shows até o momento preparando o meio de campo para o Iron Maiden (carro chefe da noite) e Scorpions. Com petardos de todos os tempos, a banda levantou a galera com canções focadas em seus dois discos clássicos “Keeper of the Seven Keys”, de 1987 e 1988.

Helloween - Foto: Rogério Bezerra
Correndo para o Palco Sunset, o Slayer da adeus ao Brasil com show histórico, bruto e cheio de ódio! Banda garante que esta é a turnê de despedida e mostra vigor em 13 faixas matadoras e claro que “Seasons In The Abyss”, “South of Heaven”, “Raining Blood” e “Angel of Death” sacudiram as massas e transformaram o Palco Sunset num verdadeiro inferno! Ponto para a banda que com 38 anos de carreira continua sentando o pau!

Slayer - Foto: Rogério Bezerra


Finalizando o Palco Mundo com os headliners, que na verdade headliner apenas o Scorpions, o Iron Maiden fez um show recheado de clássicos conhecidos das multidões, principalmente os mais jovens, com efeitos especiais e pirotecnia. Informação de mais e música de menos (mais do mesmo).
Obs.: não fomos autorizados a fotografar a banda.

Já os Scorpions fizeram uma apresentação digna de gala! O público presente era apenas os fãs, que de todas as idades vibravam e cantavam em coro todas as músicas do set list. E uma grande surpresa para os fãs, o guitarrista Matthias Jabs usou a mesma guitarra usada na apresentação da banda alemã no Rock in Rio de 1985, trazendo nostalgia e emoção ao público fiel. Tocaram clássicos de forma carismática, porém precisa, digamos com perfeição. Todos os integrantes, já coroas e figurando os seus 71 anos, como o vocalista Klaus Meine, que lembrou quando viajava pela Alemanha no começo da carreira, já sonhava em tocar no Rio de Janeiro. E sem muito esforço, segurou a onda até o final com “Rock You Like a Hurricane”, mas sem deixar de fora “Wind of Change” e “Still Loving You”. Sem sombra de dúvidas foi o melhor show da noite, na qual o Iron Maiden abriu para os Scorpions, como era no inicio da carreira dos ingleses.

Scorpions - Foto: Rogério Bezerra

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