quinta-feira, 16 de abril de 2020

Beatles, o fim. Parte dois


Beatles e respectivas esposas com o Maharishi

Após o enorme sucesso de Sergeant Pepper's Lonely Hearts Club Band, a trilha sonora do Verão do Amor, os Beatles embarcaram numa das utopias dos anos 60, a busca da plenitude espiritual, da paz interior. A corrente do papa lisérgico americano Timothy Leary achava que o LSD seria um instrumento para conseguir este fim de transcender o material e se conectar com o espiritual.

Um caminho extra drogas era a meditação transcendental que os Beatles praticaram por dois anos em 1967 e 1968. O primeiro interesse partiu da modelo Pattie Boyd, mulher de George Harrison, que leu sobre a meditação e seu criador, o guru indiano Maharishi Mahesh Yogi. Quando soube que ele ia a Londres para uma palestra no dia 24 de agosto de 1967, ela avisou George, já envolvido com a música e o hinduísmo. Ele chamou John Lennon e Paul McCartney. Não chamou Ringo porque a mulher Maureen, deu à luz o segundo filho, Jason, em 19 de agosto. 


Maharishi Mahesh Yogi

Gostaram tanto que decidiram viajar no dia seguinte, já com Ringo, a Bangor, País de Gales, para um seminário do Maharishi. Estavam ligados nos ensinamentos do guru quando receberam a notícia da morte do empresário da banda Brian Epstein. Era 27 de agosto de 1967. Brian, velho consumidor de drogas químicas, morreu de overdose acidental de uma delas, Carbitral, misturada com álcool. A notícia trouxe a banda de volta à realidade. Brian os empresariava desde primeiro de outubro de 1962, os quatro a ele recorriam quando desejavam alguma coisa, fosse passagens de avião, uma mansão no campo ou um carro de luxo. Brian andava deprimido desde que seus contratados fizeram a última apresentação ao vivo em 29 de agosto de 1966 no Candlestick Park em São Francisco e desistiram de voltar à estrada.


Brian Epstein

Perplexos com a notícia, voltaram a Londres, mas não compareceram ao funeral para não criar tumulto. Uma cerimônia em memória de Brian aconteceu dia 17 de outubro na New London Synagogue com a presença dos quatro. 

Começava ali um período turbulento que quase os levou à falência. No dia primeiro de setembro de 1967 os quatro se reuniram na casa de Paul no nº sete da Cavendish Avenue, Londres, para decidir o que fariam sem Brian Epstein. De cara tinham que enfrentar um problema administrativo. Os contadores da banda informaram em 1966 que havia dois milhões de libras em caixa que iriam para o imposto de renda a menos que fizessem um investimento comercial, porque os impostos para empresas eram menores do que os de pessoas físicas. 

Daí criaram a Beatles Ltd que transformaram em Beatles Corp para administrar seus negócios com Brian Epstein na diretoria. Quando ele morreu não havia substituto e os Beatles resolveram cuidar eles mesmos dos negócios. No começo de 1968 nasceria a Apple Corps como uma organização multimedia com inúmeros e complicados tentáculos.



Nesta reunião de primeiro de setembro, resolveram levar adiante um projeto bolado por Paul em 11 de abril de 1967 num voo de Los Angeles para Londres. Ele foi comemorar o 21º aniversário da namorada Jane Asher, atriz da companhia de teatro Old Vic em turnê na América. 

Paul McCartney estava numa fase muito criativa, foi dele a ideia de Sgt Pepper’s, ser a apresentação da fictícia banda do Sargento Pimenta. Decidiram ir em frente com um especial para a televisão sobre a excursão de um ônibus de turistas com intervenções mágicas pelo caminho, uma Magical Mystery Tour, para não dizer uma Psychedelic Mystery Tour, afinal era 1967, auge da psicodelia.



Paul tinha tudo esquematizado num grande gráfico com quadros para cada um dos Beatles nas paradas do ônibus, daí resolveram seguir em frente a toque de caixa, Dez dias depois começaram as filmagens  numa base desativada da Força Aérea com um elenco de desconhecidos, um ônibus psicodélico e muito improviso. A ação era em torno de Ringo e sua tia gordona Jessie (Jessie Robins) numa excursão para ver o festival anual de luzes da cidade de Blackpool. 

O filme foi um fracasso quando transmitido pela BBC em preto e branco no dia 26 de dezembro de 1967, o que tirou o efeito psicodélico. Uma segunda transmissão, desta vez a cores, não agradou também. 



O saldo positivo foram belos clipes para a trilha sonora. Sete canções inéditas bem variadas, a fanfarra da faixa título, a balada bucólica The Fool on the Hill, de Paul, a instrumental Flying, a saudosista Your Mother Should Know, de Paul, a intrigante Blue Jay Way de George Harrison e a psicodélica I Am The Walrus, de John, Nos créditos Hello Goodbye, de Paul, esta em single com I Am the Walrus. No Reino Unido foi lançado num EP duplo com um libreto. Na América em formato LP com singles no lado B. Primeiro lugar nos dois lados do Atlântico.

Os Beatles fecharam 1967 com o revés, da morte de Brian Epstein, e muitos sucessos, quatro singles e dois álbuns em primeiro lugar. Um Grammy de melhor canção para Michelle, de Paul e a participação na primeira transmissão mundial ao vivo, a Our World, no dia 25 de junho com o hino All You Need Is Love.



A história continua. 

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